No inicio da nacionalidade, a forte ligação religiosa a França, através dos bispos franceses, muitos deles pertencentes à Ordem de Cluny, que vieram ocupar as mais importantes sés (Porto, Coimbra, Braga), facilitou a aplicação, em Portugal, do rito litúrgico romano (em vez do hispânico).
Os bispos trouxeram os livros de canto gregoriano, segundo os modelos praticados na Abadia de Cluny, e os grandes mosteiros, como Santa Cruz de Coimbra e os conventos das ordens militares (Tomar, Leça e Palmela), desenvolveram a partir daí uma intensa actividade musical. A progressiva influência dos monges de Cister em Portugal (mosteiros de Tarouca, Bouro, Alcobaça) acentuou o predomínio do canto gregoriano e explica a lenta adesão da igreja portuguesa às experiências polifónicas que já se verificavam em França desde o século X.