Em Portugal, no final da primeira metade do século XII, os núcleos urbanos eram de pequenas dimensões e normalmente rodeados de muralhas. À medida que as cidades cresciam, iam-se criando novos bairros (burgo novo) fora das muralhas, habitados por comerciantes e artesãos que vieram, mais tarde, a designar-se por burguesia. Como medida de protecção, à volta dos novos bairros foram construídas novas muralhas, e, por isso, nesse espaço reduzido as ruas eram estreitas.
A norte do rio Mondego, o desenvolvimento do comércio fez crescer cidades como Braga, Guimarães, Porto e Coimbra. Nas terras a sul do Mondego, as cidades, com o fim das relações comerciais com os muçulmanos, estagnaram, excepção feita a algumas povoações do litoral de que se salientou Lisboa, que se tornou, pela sua localização e prosperidade, a principal cidade do reino.
Nos fins do século XIII e no século XIV, o crescimento das cidades e a sua prosperidade fez com que nelas surgissem grandes contrastes sociais, entre o luxo e a ostentação dos ricos burgueses comerciantes e a grande miséria do povo.
Todo este fausto e esta desigualdade social fizeram com que a Igreja interviesse, procurando renovar a mensagem a Deus com a criação de novas ordens religiosas - as ordens mendicantes dos Franciscanos e dos Dominicanos. Estas ordens tinham como ideal a pobreza e viviam do trabalho e das esmolas; propunham-se pregar a mensagem renovada da palavra de Deus nas cidades, onde vieram a fundar os seus conventos.