A produção artesanal teve pouco desenvolvimento no período medieval, procurando apenas satisfazer as necessidades da população, pois faltavam muitas matérias-primas e os instrumentos de produção eram rudimentares. Esta actividade era assegurada pelos mesteirais ou artífices. A produção artesanal, muito ligada ao trabalho agrícola e à pecuária, desenvolvia-se na própria exploração rural (fiação e tecelagem do linho e da lã, instrumentos domésticos).
Nos principais centros urbanos, os mesteirais estavam «arruados» por profissões em oficinas que eram, ao mesmo tempo, locais de venda. Nelas, sob as ordens de um mestre trabalhavam os obreiros, os oficiais e os aprendizes, que prestavam ajuda e faziam recados. Para se chegar a mestre era preciso cumprir certas normas e fazer um exame. Ainda hoje, em muitas cidades portuguesas encontramos nos nomes de muitas ruas essa «arruação» dos mesteres ou ofícios (Rua dos Sapateiros, Rua dos Correeiros, Rua dos Caldeireiros, Rua dos Ferreiros).
Os artífices de cada mester, para melhor defenderem os seus interesses associavam-se em confrarias que, nos fins do século XIV, se transformaram no primeiro esboço do sistema corporativo. Esta organização ajudou na defesa de interesses comuns e na obtenção de privilégios. Os mesteirais passaram a ter uma participação cada vez mais activa na vida pública das suas cidades e vilas.