Entre o século X e o século XIII, deu-se em toda a Europa um grande aumento da produção agrícola, resultante não só do aumento das áreas cultivadas, mas também da introdução de novos instrumentos e de novas técnicas agrícolas. A produção de cereais e de vinho constituía a principal preocupação das populações, principalmente da Europa mediterrânica.
Foram fundamentais, neste desenvolvimento, alguns progressos técnicos: a utilização do ferro no fabrico da maior parte das alfaias agrícolas (arados e grades); o sistema de afolhamento das terras (divisão dos campos em folhas que eram, alternadamente, cultivadas com cereais diferentes); uma melhor adubação dos campos, através de cinzas e estrume dos animais; o aperfeiçoamento dos métodos de rega; a utilização de moinhos de água e moinhos de vento; e um novo sistema de atrelagem nos animais, com a aplicação do jugo frontal nos bois e da coelheira nos cavalos, o que aumentava a sua força de tracção. Estas inovações foram introduzidas e ensinadas aos colonos sobretudo nas terras dos mosteiros (cistercienses) e rapidamente se alargaram às terras dos restantes senhorios.
Nas terras senhoriais, a exploração agrícola era feita por camponeses que firmavam contratos de arrendamento com os senhores das terras. Embora em Portugal os senhores nunca tenham demonstrado grande interesse na exploração directa, uma parte das terras era explorada directamente, através de trabalhadores assalariados e escravos. A caça, a pesca, a criação de animais e algumas actividades domésticas e artesanais complementares da agricultura completam o quadro da produção. Nas regiões do interior desenvolveu-se também a pecuária.
Nos concelhos, o trabalho agrícola era feito pelos próprios donos das terras (peões), ou então por escravos mouros, no caso das terras dos cavaleiros-vilãos.