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A crise económica no século XIV -
23/11/2007, 23h17
Os séculos XII e XIII foram um período em que o alargamento do território e seu repovoamento e colonização, a par das inovações técnicas, tanto na agricultura, como nos transportes, provocaram anos de estabilidade e desenvolvimento económico. Deste desenvolvimento resultou o aumento da população, da produção agrícola e artesanal, o incremento do comércio e o crescimento das cidades.
Pelo contrário, na segunda metade do século XIV, este desenvolvimento foi interrompido por uma série de calamidades que vieram piorar as condições internas que se vinham agravando. Houve, portanto, factores aceleradores da crise: a deterioração climática, as fomes, as pestes, a evasão dos campos, a proletarização das cidades, o aumento dos mendigos e da marginalidade. A par de todas estas condições, outras se fizeram sentir, levando à insegurança e desordem social, e que foram como que a estufa das guerras civis que se aproximavam.
O crescimento desordenado da população (em 1348 havia 1 500 000 habitantes) tornava difícil assegurar alimentação para todos, pois, apesar do desenvolvimento dos séculos anteriores, as técnicas agrícolas não acompanharam o aumento das necessidades de consumo. Esta situação agravou-se pela sucessão de maus anos agrícolas, provocados pelas mudanças climáticas. A falta de alimentos e de condições de higiene levou à fome e à doença, fazendo com que muitos camponeses morressem, iniciando-se uma baixa demográfica.
Este facto contribuiu também para piorar a crise na agricultura, com uma baixa significativa na produção de cereais e dificuldades de mão-de-obra devido à fuga de gente para as cidades do litoral, na procura de melhores condições de vida.
A crise demográfica que resultou do elevado número de mortes com a peste negra e outras epidemias trouxe muitas alterações na posse e no trabalho das terras. Muitas terras mudaram de dono, em virtude de inesperadas heranças. Muitos dos novos proprietários não as aproveitaram devidamente, ou por inexperiência, ou por falta de mão-de-obra, ou pelos altos salários exigidos pelos escassos camponeses. Assim, muitas propriedades ficaram abandonadas e a produção, em especial a de cereais, baixou drasticamente. Existem apenas ideias aproximadas a respeito da estrutura dos assalariados, das condições de prestação de serviços e do tipo e condições de trabalho.
Pensa-se que a maior parte dos assalariados trabalhava nas actividades agrícola e pecuária; seguir-se-iam, por ordem de grandeza, os transportes marítimos, as actividades artesanais e o pessoal doméstico.
Quanto aos montantes dos salários, existiam algumas leis regulamentadoras, mas eram escassamente seguidas. A lei da oferta e da procura espontâneas funcionava amplamente. Por isso podemos concluir que, em finais do século XIV, com a falta de mão-de-obra e a deslocação de populações do interior para o litoral, os salários sofreram grandes aumentos, em especial na agricultura e pecuária. Foram publicadas várias leis para tentar minorar esta situação, mas ela perdurou e foi uma das motivações para o movimento da expansão nos séculos XV e XVI.
A fome como fenómeno colectivo de escassez de alimentos básicos, como o pão, ocorreu nesta época, e está associada à grande peste negra que grassou na Europa em 1348, bem como a outras epidemias e «pestilências» que se seguiram e também ao período de guerras contra os castelhanos (1383-1385). Durante o cerco de Lisboa de 1384, os castelhanos pensavam vencer os sitiados pela fome. O cronista Fernão Lopes conta que os habitantes de Lisboa foram obrigados a comer «pão de bagaço de azeitona, queijos de malvas e raízes».
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