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HISTOIRE CACHE DU PORTUGAL
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Re : HISTOIRE CACHE DU PORTUGAL -
14/09/2009, 01h59
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Presidente da República de Angola,
José Eduardo dos Santos
GUERRA CIVIL EM ANGOLA
"Em 1976 as Nações Unidas reconheciam o governo do MPLA como o legitimo representante de Angola, o que não foi seguido nem pelos EUA, nem pela África do Sul .
No meio do caos que Angola se havia tornado, cerca de 300 mil portugueses abandonam este país entre 1974 e 1976, o que agrava de forma dramática a situação económica.
Em Maio de 1977, um grupo do MPLA encabeçado por Nito Alves, desencadeia um golpe de Estado, que é afogado num banho de sangue. No final deste ano, o MPLA realiza o seu 1º Congresso, onde se proclama um partido marxista-leninista e adopta o nome de MPLA-Partido do Trabalho.
A guerra continuava a alastrar por todo o território. A UNITA e a FNLA juntaram-se então contra o MPLA. A UNITA começou por ser expulsa do seu quartel-general no Huambo, sendo as suas forças dispersas e impelidas para o mato. Mais tarde, porém, o partido reagrupou-se, iniciando uma guerra longa e devastadora contra o governo do MPLA. A UNITA apresentava-se como sendo anti-marxista e pró-ocidental, mas tinha também raízes regionais, principalmente na população Ovimbundu do sul e centro de Angola.
Agostinho Neto, morre em Moscovo a 10 de Setembro de 1979, sucedendo-lhe no cargo o ministro da Planificação, o engenheiro José Eduardo dos Santos.
No inicio dos anos 80, o número de mortos e refugiados não pára de aumentar. As infra-estruturas do país são brutalmente destruídas. Os ataques da África do sul não páram. Em Agosto de 1981, lançam a operação "Smokeshell" utilizando 15.000 soldados, blindados e aviões, avançando mais de 200 km na província do Cunene (sul de Angola). O Governo da África do Sul justifica a sua acção afirmando que na região estavam instaladas bases dos guerrilheiros da SWAPO, o movimento de libertação da Namíbia. Na realidade tratava-se de uma acção de apoio à UNITA, tendo em vista a criação de uma "zona libertada" sob a sua administração. Estes conflitos só terminaram em Dezembro de 1988, quando em Nova Iorque foi firmado um acordo tripartido (Angola, África do Sul e Cuba) que estabelecia a Independência da Namíbia e a retirada dos cubanos de Angola. A partir de 1989, com a queda do bloco da ex-União Soviética, sucedem-se em Angola os acordos de paz entre a Unita e o MPLA, seguidos recomeço das hostilidades.
Em Junho de 1989, em Gbadolite (Zaire), a UNITA e o MPLA estabelecem uma trégua. A paz apenas durou dois meses.
Em fins de Abril de 1990, o Governo Angola anuncia o reinicio das conversações directas com a UNITA, com vista ao estabelecimento do cessar fogo. No mês seguinte, a UNITA reconhecia oficialmente José Eduardo dos Santos como o chefe de estado angolano. O desmoronar da União Soviética acelera o processo de democratização. No final do ano, o MPLA anunciava a introdução reformas democráticas no país. A 11 de Maio de 1991, o governo publica uma lei autorizava a criação de novos partidos, pondo fim ao monopartidarismo. A 22 de Maio os últimos cubanos saem de Angola.
31 de Maio de 1991, com a mediação de Portugal, EUA, União Soviética e da ONU, celebram-se os acordos de Bicesse (Estoril), terminado com a guerra civil desde 1975, e marcando as eleições para o ano seguinte.
As eleições de Setembro de 1992,dão a vitória ao MPLA (cerca de 50% dos votos). A UNITA (cerca de 40% dos votos não reconhece os resultados eleitorais. Quase de imediato sucede-se um horrendo banho de sangue, reiniciando-se o conflito armado.
Em 1993, o Conselho de Segurança embarga as transferências de armas e petróleo para a UNITA. Tanto o governo como a UNITA acordaram, em parar as novas aquisições de armas, mas tudo não passou de palavras.
Em Novembro de 1994, celebra-se o Protocolo de Lusaka, na Zâmbia entre a UNITA e o Governo de Angola (MPLA). A Paz parece mais do que nunca estar perto de ser alcançada. A UNITA usou o acordo de paz de Lusaka para impedir mais perdas territoriais e para fortalecer as suas forças militares. Em 1996 e 1997 adquiriu grandes quantidades de armamentos e combustível, enquanto ia cumprindo, sem pressa, vários dos compromissos que assumira através do Protocolo de Lusaka.
Em Dezembro de 1998, Angola retorna ao estado de guerra aberta, que só parou em 2002, com a morte de Jonas Savimbi (líder da Unita)".
(do website Lustopia - director: Carlos Fontes)
Retirado de
Angola moderniza os seus MIG 21
MIG-21, é apenas, o caça a jacto mais fabricado no mundo. Fabricado em quatro paises, é facilmente reconhecível pela sua fuselagem cilindrica. pela sua asa em delta com cauda e pelas suas empenagens acentuadamente em flecha. Feito para poder interceptar o bombardeiro americano B-29 o MIG-21, foi pensado para a velocidade, devendo atingir 2.000Km/h a 20.000 metros. Veio substituir o MIG-17 e o MIG-19, que se tinham mostrado inferiores aos seus equivalentes ocidentais. Os primeiros MIG-21, chegam a Angola em Janeiro de 1976, vindos de Cuba, e com o objectivo de permitir o estabelecimento de superioridade aérea no sul do país, onde ocorriam varias incursões da força aérea da África do Sul, dado os MIG-17, terem demonstrado ser completamente ineficientes.
No total, Angola deve ter recebido cerca de oitenta MIG-21, fornecidos via Cuba, e sendo normalmente entregues com um piloto de origem cubana. Vários MIG-21MF, equipados por pilotos cubanos, foram abatidos por aviões Mirage da força aérea da África do Sul. A inabilidade dos pilotos cubanos, aliada à deficiente manutenção resultaram também em numerosos acidentes durante as operações de aterragem e outras. Como resultado, o MIG-21MF, mesmo sendo superior às aéronaves da África do Sul, nunca logrou impor essa superioridade técnica. Além de tudo isto, a partir do momento em que o movimento rebelde UNITA passou a contar com misseis anti-aéreos STINGER, mais MIG foram derrubados, atingidos e mesmo abatidos.
Recorreu-se em alguns casos à canibalização, para manter parte destes aviões a voar, e neste momento, deve haver um total próximo da vintena, operacionais em Angola. Há planos, para modernizar os MIG remanescentes e os planos incluem melhoramentos ao nível da electrónica, sistemas de comunicações.
O mais provavel, é que os MIG-21 sejam modernizados segundo um padrão mais moderno, que incluirá uma revisão geral, alteração no radar, e capacidade para disparar misseis BVR (Beyhond Visual Range), além de um sistema de interligação de dados, que permitirá aos MIG-21 operar conjuntamente com outras aeronaves da FAA, sendo igualmente apoiados pelos radares de vigilância.
O radar dos MIG-21 deverá ser um derivado dos ZHUK, com um alcande entre 55 e 65Km que pode detectar e monitorizar simultaneamente oito alvos e disparar e guiar o disparo contra dois deles. O número de MIG-21 que serão modernizados deverá ser de 12 a 16, e deverão ser modernizados por uma empresa da Ucrânia.
No entanto, estas aeronaves não serão ser as principais aeronaves de combate angolanas, dado os MIG-23 também sofrerem modernizações. Estes aviões, em caso de qualquer conflito seriam sempre utilizados, em operações secundárias. Os MIG-21 poderão também ser utilizados como aviões de ataque, em caso de necessidade, em apoio dos SU-25 "Frogfoot". É entretanto desconhecido o futuro.
http://www.defensa.org/modules.php?n...topic&p=167059
Acordo MPLA e UNITA.
"O acordo político-militar, marcou, oficialmente, o fim daquela que é considerada a guerra civil mais longa e sangrenta da África. Ao longo dos 27 anos de conflito armado, as estimativas apontam para um milhão de mortos, mais de quatro milhões de refugiados – cerca de 40% da população activa –, 100 mil mutilados e mais de 50 mil crianças órfãs. Desde a proclamação da independência do país, em 11 de novembro de 1975, as partes envolvidas no conflito – governo e Unita –, tentaram sem sucesso três acordos de cessar-fogo. Em 1989, Eduardo dos Santos e Jonas Savimbi acertam um cessar-fogo, mas este fracassa no mesmo ano.
Em 1991, Eduardo dos Santos e Savimbi rubricam novo Acordo de Paz na localidade de Bicesse, arredores de Lisboa, a capital de Portugal. Em função dos preceitos do Acordo de Paz de Bicesse, um ano depois (1992) realizam-se as primeiras eleições multipartidárias. Eduardo dos Santos e o Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA) vencem. A Unita acusa o governo de fraude eleitoral e retira das Forças Armadas Angolanas (FAA) todo o seu efectivo militar. É o reacender da guerra em Angola. Em 4 de Abril de 2002, os generais do exército, Armando da Cruz Neto e Abreu Muengo "Kamorteiro", chefes dos Estados-maiores das Forças Armadas Angolanas e das Forças Militares da Unita, respectivamente, assinam em Luanda, na sede do Parlamento angolano, o quarto acordo de cessar-fogo, o primeiro sem ingerência externa, razão pela qual pode ser bem sucedido, uma vez que foi assinado pelos próprios angolanos.
Ibrahim Gambari, secretário-geral-adjunto das Nações Unidas para a África, testemunhou a assinatura do acordo de cessar-fogo. "A paz é uma viagem longa e é como um rebento. Necessita de água para regar e de todo o nosso firme envolvimento", disse Gambari. "Esta é a oportunidade única, quando finalmente todos os angolanos estão prontos para acertarem os fundamentos da paz e reconciliação nacional, desde há muito traçados nos Acordos de Bicesse e no Protocolo de Lusaka", disse o embaixador da Rússia em Angola, Serguei Andreev, que falava em nome dos países membros da "troika" de observadores da ONU para supervisionarem o processo de paz angolano. O acordo de cessar-fogo rubricado entre as chefias militares das FAA e as Forças Militares da Unita cria as condições para o fim definitivo do conflito armado angolano e para a conclusão da implementação do Protocolo de Lusaka. O cessar-fogo completa o processo iniciado com a morte do líder da Unita, Jonas Savimbi. Após o seu desaparecimento, o governo angolano decidiu a cessação das hostilidades, que conduziu a negociações directas entre as forças militares do governo e da Unita. Alcançado o cessar-fogo, abrem-se agora perspectivas de uma paz duradoura, que finalmente permita aos angolanos dedicar-se às tarefas da reconstrução do país".
http://www2.uol.com.br/cadernos/pesq...nos_240_17.htm
Em Angola, as Liberdades Política e de Imprensa são Vitais para as Eleições
(Nova York, 14 de julho de 2004) "A paz em Angola prepara o caminho para a conquista das liberdades de expressão, de associação e de assembléia, mas no interior do país essas liberdades continuam a ser violadas", afirmou a organização Human Rights Watch (HRW) em seu relatório divulgado nesta data. No dia 2 de julho último, o Conselho da República (orgão consultivo do presidente) recomendou a realização de eleições nacionais em 2006, a primeira desde 1992.
O relatório de 31 páginas, "Democracia Inacabada: A Mídia e as Liberdades Políticas em Angola", a HRW observa que a detenção e o acossamento de jornalistas tornou-se menos comum assim que, em 2002, acabou-se a guerra civil de várias décadas, e as autoridades angolanas tornaram-se mais tolerantes para com as actividades políticas da oposição. No entanto, essas mudanças são em grande parte confinadas a Luanda, a capital angolana, enquanto que, no interior do país, onde não há qualquer mídia independente, agentes do governo continuam a usar de violência contra os activistas da oposição.
"É animador que o governo angolano pareça estar empenhado em realizar eleições em 2006," disse Peter Takirambudde, director executivo da Divisão África da HRW, "mas para conquistar sua credibilidade o governo precisará manter livres as actividades políticas, bem como a liberdade de imprensa em todo o país."
Pacíficas manifestações públicas promovidas por vários grupos cívicos e políticos têm se tornado mais comuns em Luanda, mas no interior, segundo testemunhos recebidos pela HRW, tanto a polícia como a Organização da Defesa Civil do governo e as autoridades administrativas locais têm frequentemente interferido no trabalho dos grupos da oposição, favorecendo o partido do governo.
Em um caso ocorrido em fevereiro último, homens armados atiraram matando pelo menos nove pessoas, incluindo-se três crianças, durante um protesto contra a remoção dos geradores eléctricos da comuna de Cafunfo, província da Lunda-Norte. A polícia deteve 17 pessoas na cena do ocorrido, três das quais vieram a morrer na prisão, enquanto que as outras continuam detidas sem qualquer processo legal e impedidas de comunicar-se com os seus familiares.
Partidários da oposição denunciaram a maneira pela qual alguns membros da Defesa Civil trespassaram a recém-estabelecida sede de certo partido da oposição e tentaram incendiá-la, chegando a agredir vários membros desse partido. A polícia não investigou esse incidente.
Em novembro de 2003, nos arredores da capital, membros da Guarda Presidencial sumariamente afogaram um homem por ter cantado uma canção de crítica ao governo.
A mídia privada em Angola é bastante independente da política partidária, tendo frequentemente criticado o governo. Mas o Estado controla o único diário e a única emissora televisiva captável não via satélite. O rádio, que é o meio mais acessível à maioria dos angolanos, continua a ser um monopólio estatal na maior parte do país, havendo emissoras privadas somente em poucas cidades. A emissora católica Rádio Ecclésia, que é actualmente a mais acessível fonte de notícias independentes na capital, foi impedida de alargar a sua rede transmissora a outras regiões do país.
Os jornais privados independentes de Angola chegam somente a alguns milhares de cidadãos abastados, quase todos residentes na capital. Jornalistas e editores revelaram que têm sido constrangidos pelas estritas leis de protecção à difamação e pelo acesso privilegiado aos tribunais concedido a indivíduos poderosos. Se as provisões da Constituição angolana que garantem a liberdade de expressão e a livre atividade política fossem devidamente impostas, estas teriam longo alcance na criação de condições para eleições livres e justas.
"O governo angolano deve assegurar que seja permitido a líderes e partidários da oposição expressarem seus pontos-de-vista de modo pacífico, sem temer represálias", afirmou Takirambudde, que concluiu: "O governo também deveria suspender as restrições à mídia privada remanescentes, e permitir que emissoras de rádio não-governamentais possam transmitir através do país."
A HRW conclamou os doadores internacionais de Angola e os seus parceiros comerciais não não só a prestarem a mais minunciosa atenção para com as violações de liberdade de expressão, de associação e de assembléia nesse país, como também de promover e proteger tais liberdades como parte integral de suas estratégias de assistência e negociações. Os doadores deveriam também considerar apoiarem a mídia privada e livre em Angola para ampliar a variedade de opiniões a serem ouvidas, com o aproximar-se das eleições.
Antecedentes Históricos
O acordo de cessar-fogo assinado a 4 de abril de 2002 entre as Forças Armadas Angolanas e o grupo rebelde União Nacional para a Independência Total de Angola, ou UNITA, terminou o conflito armado datado da década de 1960, quando movimentos de libertação rivais disputavam seu posicionamento na então colónia portuguesa. Quando Portugal se retirou do país em 1975, o Movimento Popular de Libertação de Angola, ou MPLA, tomou controle da capital Luanda e da região do litoral, enquanto que a UNITA estabeleceu-se no interior do país. Esse posicionamento definiu o ambiente para a guerra civil incentivada pelos super-poderes da Guerra Fria que supriram armas e fundos a essas facções rivais.
Em 1991, um acordo de paz deu lugar a eleições multipartidárias no ano sucessivo, vencendo o MPLA por uma margem reduzida. As eleições, no entanto, não conseguiram manter a paz. Com a matança generalizada de partidários da UNITA em Luanda, esse movimento rebelde — não tendo cumprido sua obrigação de entregar as armas — reiniciou a guerra, tomando controle de grande parte do interior. Gradualmente, o governo reconquistou território durante a década de 1990, com a ajuda de sancções impostas pela ONU sobre o comércio de diamantes com que a UNITA custeava seus esforços de guerra. A essa volta à guerra seguiu-se uma erosão das liberdades que deveriam acompanhar o sistema multipartidário prometido pela Constituição de 1992.
Em princípios de 2002, o governo conseguiu isolar no leste do país o fundador e líder da UNITA, Jonas Savimbi, morto em combate no dia 2 de Fevereiro. Os líderes da UNITA sobreviventes entabularam negociações com o governo, levando ao fim das hostilidades e à desmobilização das forças da UNITA. Com a paz resultante, é que se abriu a perspectiva de eleições nacionais".
Content in other languages | Human Rights Watch
Jonas Savimbi, ex-presidente da UNITA.
Jonas Savimbi, um carrasco implacável de seu país
""Paris - Ele morreu, o "guerreiro da selva", o "filho do país", o "negro autêntico", um dos mais velhos e mais terríveis resistentes do mundo, em luta há trinta e seis anos contra os "cidadãos educados", os "descendentes do colonialismo" que reinam em Luanda - sob a presidência de Eduardo dos Santos.
A questão é: a morte de Savimbi com quinze balas, duas delas na testa, vai colocar um fim na guerra que fez de Angola um país massacrado, com um milhão de civis mortos, uma terra diabólica com milhões de áreas minadas e quatro milhões de pessoas deslocadas, dos 12 milhões de angolanos?
Figura complicada
Não tentaremos responder a essa pergunta. O mais sensato é lembrar o sangue derramado por Savimbi (ao qual corresponde o sangue derramado pelo regime de Luanda, não menos corrupto, não menos despótico que o poder do "homem da floresta", Savimbi).
Savimbi era uma figura complicada. No início, não só celebrou "a autenticidade africana", mas também pegou em armas em 1965 para lutar contra Portugal (de Salazar), com a Frente de Libertação Nacional de Angola (FLNA), cujo chefe era então Holden Roberto. No ano seguinte, fundou a "Unita" (União Nacional pela Independência Total da Angola).
Longa marcha
Começa-se a suspeitar dele. Suspeita-se que era apoiado pela PIDE (polícia política portuguesa). Depois, em 1975, deu-se a "Revolução dos Cravos" em Lisboa, e Portugal deixa Angola aos pró-soviéticos do MLPA (até hoje no poder em Luanda).
Savimbi parte para suas "terras no fim do mundo", em Jamba. É o início de sua "longa marcha", com 3 mil homens. O final da "longa marcha" não é original: apesar de seu "anti-marxismo" obstinado, Savimbi tinha feito um estágio na China no final da década de 60 e, na direção dos resistentes, aplica os preceitos de Mao Tsé Tung. Mas coloca esses preceitos a serviço do campo ocidental, contra os "vermelhos" de Luanda.
Peão dos EUA
Desde então, Savimbi estará na disputa, em primeiro lugar na "guerra fria", em seguida na "nova ordem mundial". No início, os Estados Unidos entregam toneladas de armamentos. Savimbi torna-se um peão utilizado pelos Estados Unidos. Savimbi, esse "independentista" autêntico chega a aliar-se aos países do apartheid, à África do Sul.
Reagan o batiza: "Combatente da liberdade". Isso não é falso, uma vez que o campo inimigo, o MLPA de Luanda, recebe o apoio de 50 mil barbudos cubanos. O muro de Berlim cai em 1989. O mundo está em paz. Em 1991, foi assinado um tratado de paz entre Savimbi e Luanda, sob a égide da ONU.
Estorvo para o Ocidente
Houve eleições. Savimbi estava certo de vencê-las. Ele perde, parecia muito arrogante, muito "revanchista". Não aceita seu fracasso. Volta para sua selva, e é a guerra total: cidades bombardeadas, montanhas de mortos, terror.
O poder legal de Luanda estava na defensiva. Mas a comunidade internacional, que então estava livre da ameaça soviética, "mostra os dentes".
Diamantes
Savimbi, o maravilhoso Savimbi, o "cruzado" anti-marxista, de repente torna-se terrível para o Ocidente. A ajuda internacional lhe foi negada. Os Estados Unidos o colocam na categoria dos "violentos". Savimbi é um "pária". Mas esse "pária" ainda tem garras. Ele intensifica seu tráfico de diamantes, que lhe rende 500 milhões de dólares por ano, e esses dólares transformam-se em morte, em armas.
No entanto, seu isolamento o enfraquece. Luanda lança contra ele uma guerra total. Savimbi luta, mas recua diante de todos os adversários. Sozinho no mato, continua a reinar. Mas seu reino é atroz: realiza "purgações" constantes em seu estado-maior.
Cabeça excepcional
Exige ser admirado como um génio. E infelizmente ninguém se extasia diante de nenhuma de suas palavras. É um guerreiro. Jamais recusou um combate. Mas ele não é apenas esse tirano cruel, banido da sociedade internacional desde o final do regime soviético.
É também uma cabeça excepcional. Esse homem, que nasceu em 1934 e foi um dos únicos de sua etnia (os ovimbundos) a estudar em Lisboa sob o regime de Salazar e a se tornar médico, é fascinante.
O jornalista português Pedro Rosa-Mendes o conhecia bem: "Jonas Savimbi é um dos seres mais inteligentes que já vi. Dispunha de uma força de convicção e de uma inteligência tática excepcionais...colocadas a serviço de uma sede de poder patológica".
Grandes interesses
Não devemos esquecer nessa litania do mal o papel desempenhado pelos ocidentais - seja a estupidez, seja a avidez. Passemos por Washington, que se aliou sucessivamente aos "maoístas" ferozes da UCK no Kosovo, e depois aos talebans de Cabul. Por que não teriam ajudado Savimbi, anti-marxista, antes de esmagá-lo?
Mas não há apenas governos. Há, ainda mais, os grandes interesses da sociedade mercantil. Os comerciantes do diamante e, sobretudo, como sempre, os grandes "petroleiros" pressionaram sucessivamente um e outro campo, contribuindo para o sangue, mas também para o delírio paranóico em que essa pobre população mergulhou.
E para que a distribuição dos prémios "luciferianos" seja completa, não nos esqueçamos dos "derrubadores" de Savimbi: o governo de Luanda. É o outro lado de Savimbi, o cidadão evoluído e não o forasteiro e selvagem: fraudes, violências, mortes.
Denúncias
Em 2001, Luanda conseguiu desviar 1,4 bilhão de dólares de receitas petrolíferas (informação dos ingleses do Global Witness). Os Médicos do Mundo diversas vezes denunciaram, há dez anos, o uso que Luanda faz da ajuda humanitária dada ao país - uma maneira de privar de alimentos o interior de Angola. Todo o mundo sabe disso. As Nações Unidas ficaram mudas.
Esse foi o homem que morreu na sexta-feira. Esse é o país mártir. Essas são as potências obscuras da África ou do Ocidente que "atiçaram o fogo". E amanhã? "
Gilles Lapouge, correspondente
http://www.estadao.com.br/agestado/n...fev/25/311.htm
Angola anuncia morte do líder dos rebeldes da Unita
"Luanda - O Exército de Angola matou Jonas Savimbi, por 30 anos o líder do grupo rebelde UNITA. O Exército e o governo anunciaram num comunicado conjunto que Savimbi morreu em confrontos na província de Moxico, sudeste de Angola, por volta das 15 horas em 2 Fevereiro de 2002 (horário local). Não houve imediata confirmação da notícia por fontes independentes.
Aldemiro Vaz Conceição, porta-voz do presidente José Eduardo dos Santos, disse que o Exército mantinha o corpo de Savimbi em Moxico. "Vamos divulgar imagens do corpo pela televisão", afirmou Aldemiro por telefone à Associated Press. Entretanto, as imagens só devem chegar aos estúdios de TV em Luanda, na capital, neste sábado, devido ao mau tempo que tem prejudicado os vôos.
Num comunicado separado, a polícia pediu à população civil para manter a calma. Oficiais da UNITA (União Nacional pela Independência Total de Angola), que estão escondidos em florestas angolanas, não puderam ser contactados.
Em Luanda, integrantes da guarda presidencial fizeram disparos de armas automáticas para o ar em comemoração. Milhares de tropas de elite guardam o palácio presidencial nos arredores de Luanda. O governo afirmou que irá agora buscar o fim da guerra civil em Angola, que tem sido travada pelos dois lados durante a maior parte dos últimos 27 anos, e anunciou que estava pronto para executar um acordo de paz de 1994 que previa eleições democráticas periódicas.
Estima-se que mais de 500.000 pessoas tenham morrido durante a guerra civil. Cerca de 4 milhões - aproximadamente um terço da população - foram forçadas a abandonar as casas devido aos combates.
Não está claro se alguém da hierarquia da UNITA conseguirá substituir Savimbi, que liderava o grupo com mão-de-ferro desde que ele foi fundado em 1966 para combater a administração colonial portuguesa. Acredita-se que o vice-presidente da Unita, António Dembo, assim como Paulo Lukamba Gato, assessor próximo de Savimbi, estejam vivos e escondidos no interior de Angola.
A Unita dispõe de stoques de diamante, vendidos no mercado negro internacional, o que permite que o grupo continue lutando apesar de sanções das Nações Unidas ao comércio de petróleo e armas. O governo financia a guerra com a produção de petróleo. Grupos de direitos humanos acusam os dois lados de cometerem atrocidades.
O Exército do governo expulsou a UNITA dos principais bastiões no último ano, depois do retorno da guerra civil ao país após desmoronar em 1998 um acordo de paz assinado quatro anos antes. O acordo de 1994 foi mediado pelas Nações Unidas e seguiu-se a dois outros acordos de paz anteriores que também foram desrespeitados.
Savimbi, que tinha 67 anos, foi uma peça-chave na luta pelo domínio da África durante a Guerra Fria, mas acabou isolado internacionalmente ao não aceitar resultados de eleições democráticas. Dos anos 60 aos anos 80, ele foi um importante aliado dos Estados Unidos e do governo racista da África do Sul na luta contra o governo marxista em Angola. Em 1986, Savimbi foi recebido como chefe de Estado pelo então presidente Ronald Reagan na Casa Branca.
Mas, depois do fim da União Soviética, o governo angolano abandonou as políticas marxistas e se aproximou dos EUA, levando companhias petrolíferas norte-americanas a investir bilhiões de dólares no país. Ao rejeitar a derrota na primeiras eleições democráticas em Angola em 1992, retornando à guerra civil, Savimbi acabou sendo isolado pelas potências ocidentais que pressionavam pela democracia na África.
O ex-subsecretário de Estado para Assuntos Africanos dos EUA Chester A. Crocker afirmou que Savimbi tinha "uma mente estratégica de classe mundial". "Era difícil não ser impressionado por esse angolano, que combinava qualidades de um senhor da guerra, chefe supremo, demagogo e estadista", escreveu Crocker em 1992.
Nascido numa família humilde na vila de Munhango, no centro de Angola, Jonas Malheiro Savimbi era um guerrilheiro formado na universidade e que falava três línguas africanas e quatro europeias. Muitos dos comandantes da UNITA foram recrutados na tribo ovimbundu, de Savimbi, mas ele sempre resistiu à idéia de que a guerra civil angolana era travada entre tribos.
Quando o país se tornou independente de Portugal, em 1975, o governo Movimento Popular para a Libertação de Angola, ou MPLA, reforçado por militares cubanos, lançou uma grande ofensiva, forçando a UNITA de Savimbi a embrenhar-se nas matas, no que ficou conhecido como "A Longa Marcha" do grupo. A UNITA reagrupou-se e recebeu apoio de tropas da África do Sul e ajuda secreta da CIA. Em duas décadas de guerra, Savimbi formou uma força de mais de 60.000 homens, mas nunca dispôs do poder aéreo do MPLA".
http://www.estadao.com.br/agestado/n...fev/22/246.htm
http://pissarro.home.sapo.pt/memorias23.htm
http://www.orlandopressroom.com/arqu...pal/arq11.html
Descolonização de Angola originou a guerra
A UNITA acusa as autoridades portuguesas de terem feito uma má descolonização em Angola, que segundo o movimento de Jonas Savimbi é uma das causas profundas do conflito angolano, afirma o último número do "UNITA News e Review".
"A forma como as autoridades portuguesas de então conduziram o processo de descolonização de Angola é uma das causas fundamentais que está na origem dos cíclicos conflitos que Angola enfrenta desde a sua independência", afirma o boletim semanal.
Na edição alusiva 26º aniversário da independência de Angola, a UNITA considera que "se as autoridades portuguesas tivessem entregue a sua antiga colónia aos angolanos de uma forma digna, transparente, responsável e com alto sentido histórico, o rumo dos acontecimentos que se seguiram teria sido outro e o país teria conhecido outro destino e mais feliz".
O mau processo de descolonização, "resultante da má fé com que Portugal negociou os Acordos de Alvor, contra a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) e a FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola) e a favor do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola, no poder), é o "pecado original", segundo o boletim.
De acordo com a UNITA, depois de Portugal ter feito "a transferência unilateral do poder para o MPLA" foi sempre o seu líder, Jonas Savimbi, quem tomou iniciativas e se esforçou por acabar com o conflito angolano.
Para o estabelecimento de uma paz definitiva no país, a UNITA apela para a comunidade internacional reexaminar a sua posição relativamente a Angola e juntar-se às iniciativas, actualmente em curso, para a pacificação do território.
"Os actuais esforços de paz da UNITA não podem nem devem ser vistos como sinais de fraqueza desta organização que na sua constante e permanente coerência procura, e para quando mais cedo melhor, pôr fim ao desnecessário sofrimento do povo, acabando com esta guerra absurda", lê-se no boletim de informação e opinião.
Apesar de saudar o 11 de Novembro de 1975, como data que "marca o fim do colonialismo clássico", a UNITA diz que o povo angolano comemora mais "um aniversário da independência do país na total frustração, inquietação e cepticismo, por viver uma vida sem perspectiva de futuro".
Contudo, "a Direcção da UNITA espera confiante pelas mudanças qualitativas e quantitativas que os meses à nossa frente nos reservam", culmina o boletim.
11.Nov.01
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Re : HISTOIRE CACHE DU PORTUGAL -
14/09/2009, 02h00
25
REGRESSO A PORTUGAL
Cheguei ao aeroporto da Portela em Lisboa com uma pequena mala de mão com os meus documentos pessoais alguns escudos angolanos, a guia passada pela comissão organizadora de repatriação, umas calças e uma camisa. Tudo o mais ficou lá nos caixotes e na minha vivenda que entreguei ao técnico estagiário com todo o recheio. Troquei 5.000$00 angolanos pela mesma importância de escudos portugueses.
Retornados no aeroporto da Portela em Lisboa. (foto Net)
No dia seguinte fui ao IARN inscrever-me como retornado para poder eventualmente ser colocado numa repartição do Estado e receber algum subsídio ou aposentar-me. Quando ainda em Angola enviei um requerimento para a Direcção Geral dos CTT em Lisboa para ser admitido como técnico de telecomunicações dos CTT que era a minha especialidade e porque sabia que os CTT (PT) necessitavam de técnicos especializados em telecomunicações por microondas.
Dirigi-me à respectiva repartição dos CTT (PT) e perguntei ao funcionário que me atendeu se o meu requerimento tinha chegado e como estava a minha situação. Nessa altura os comunistas do PCP tinham mentalizado as pessoas que retornado era sinónimo de explorador dos pretos por isso atendeu-me com maus modos e tive que mandar chamar o chefe para me explicar o que acontecera com o meu requerimento. A resposta dele foi breve e com o mesmo modo rude de falar:
- Sei lá do seu requerimento, há aqui milhares.
- Desculpe mas não tenho conhecimento de que mais nenhum técnico tivesse enviado um requerimento para os serviços de telecomunicações. Eu fui chefe dos serviços de telecomunicações e estou habilitado para trabalhar no vosso sistema de microondas e sei que actualmente precisam técnicos.
- Não me importa quem você foi e não me chateie mais.
Foi este o ambiente que nós encontrámos devido à mentalização de muitas pessoas pelo PCP. Havia comissões de trabalhadores do PCP em todas as repartições do Estado e nas empresas particulares. Portugal tinha virado práticamente à esquerda e os colonos eram todos vistos como exploradores dos pretos. Em face da resposta do chefe da repartição, passei-me e disse-lhe:
- Pois bem, então se é assim vou aposentar-me e vocês vão ter que descontar no vosso vencimento para pagar a minha aposentação. Se trabalhasse para os CTT na minha profissão seria melhor para o Estado do que aposentado.
- Isso é que era bom, disse-me estupidamente o chefeco sem sequer imaginar o que realmente ia a acontecer.
Eu poderia optar por continuar no IARN e ser colocado numa repartição do Estado em qualquer situação para completar os 36 anos de serviço pois na altura tinha apenas 29. Mas aquele comuna tirou-me do sério. Pedi a minha aposentação como Director de 3ª Classe dos CTT. Infelizmente para mim, a nomeação de director só saiu no Boletim Oficial de Angola depois da independência, por isso não foi considerada. Aposentei-me numa categoria intermédia naquela altura (1975) com 12.000$00 que era o vencimento de um director de repartição.
Fui aos CTT e pedi para falar com o tal chefeco comuna. Com alguma relutância chamaram o homem. Quando me viu reconheceu-me e perguntou com má cara o que era que eu queria pois já me tinha informado o que se passava e não tinha mais nada que dizer-me.
- Está enganado, eu só vim aqui para lhe mostrar quanto vou receber na minha aposentação. Peguei no papel e pespeguei-lho nas fuças. Ficou estupefacto.
Quando viu a importância que era talvez o dobro do vencimento que ele ganhava, exclamou:
- Não pode ser, impossível !
- Ai não, respondi com ar de gozo falando propositadamente alto para todos ouvirem. Por sua culpa e da sua estupidez vocês vão descontar para o Estado me pagar sem fazer nada quando eu podia muito bem trabalhar embora ganhando menos mas produzia. Agora vou procurar um emprego numa firma particular.
A minha família em S. Bartolomeu, Bragança em 1979 (foto autor).
Era este o procedimento dos comunas naquela altura. Daí a pouco tempo estava empregado numa firma particular trabalhando em equipamento de som de alta fidelidade. De chefe de serviços fui para uma bancada reparar aparelhos. Nós os tais colonos somos assim, tal como fomos lá, por isso Angola era uma país rico graças ao nosso trabalho, capacidade e inteligência.
Entretanto tinha chegado a Lisboa o barco Italiano onde o meu Citroën DS20 vinha. Fui assistir ao desembarque das viaturas. Um Mercedes que descia pela rampa de repente chocou conta uma coluna de cimento ficando a frente toda danificada. Tinha sido feito propositadamente pelo comuna que o conduzia. Vi o meu carro no cimo da rampa e para que não acontecesse o mesmo, fui imediatamente ter como a pessoa que o conduzia dizendo-lhe:
- Você já conduziu alguma vez uma carro destes? Respondeu-me que não. Pois bem se não o conhece quando travar na rampa vai bater com a cabeça no para-brisas (naquela altura não havia cinto de segurança) porque este carro tem travões hidráulicos. O carro é meu veja aqui os documentos.
Felizmente ele aceitou entregar-me a viatura que retirei do barco ilesa. No dia seguinte fui com o meu cunhado procurar a viatura dele que estaria junta com centenas delas ao longo do cais. Esses comunas deixavam propositadamente as chaves de ignição ligadas e se houvesse a pouca sorte de os platinados do distribuidor estarem em contacto a viatura incendiava-se. Desliguei muitas chaves para evitar esse problema. Muitos foram roubados.
Os caixotes que vinham nos barcos eram descarregados e aglomeravam-se às centenas ao longo do cais. Alguns deles eram deixados cair das gruas propositadamente só para os destruir. Já não bastara a pilhagem dos pretos. Aqui procedia-se na mesma. Quando viam que nos caixotes vinha algo de mais valor eram sistematicamente roubados.
Aqueles que não tinham família ou casa eram alojados em pensões ou hotéis que estavam vazios, com subsídios do IARN. Não foram só os brancos que saíram de Angola mas também pretos e mestiços que, tal como nós, foram perseguidos e fugiram da guerra.
A minha esposa que tinha vindo antes, estava já colocada numa escola na Damaia e tinha alugado um andar para vivermos. Com a madeira dos caixotes fiz alguns móveis improvisados e dormíamos em colchões e cobertores emprestados no soalho sem cama. As camas dos filhos, a geleira, o televisor algumas roupas acabaram por chegar. Começámos praticamente do zero.
Passados talvez 5 anos, comprámos o andar em que vivíamos que tínhamos alugado e que pouco a pouco tinha sido mobilado modestamente. Tínhamos quatro filhos para criar e educar. Além da minha aposentação e do vencimento da minha esposa, tinha também o meu como técnico de electrónica. Trabalhava em part-time. Um dia um amigo que fazia acupunctura (que já faleceu), incentivou-me a fabricar equipamentos de acupunctura e outros para medicinas alternativas o que fazia em casa da parte de tarde. Fabriquei algumas centenas desses equipamentos que vendia a médicos e terapeutas. Eu era muito conhecido no meio não só pelos meus conhecimentos sobre a matéria em questão mas pela perfeição com que fabricava os ditos aparelhos que, ainda hoje, estão a trabalhar na perfeição. Por vezes, passados que são alguns anos, ainda recebo telefonemas de antigos clientes a pedir alguma informação.
Mais tarde a firma onde trabalhava passou a vender aparelhos de telecomunicações na banda do cidadão e depois em VHF. Nessa altura eu era já o chefe da oficina. Anos depois deixei de trabalhar e aposentei-me novamente mas continuando a fabricar aparelhos em casa.
Criámos os nossos quatro filhos permitindo-lhe uma formação académica universitária e, felizmente, hoje estão bem na vida.
Actualmente com 74 anos e cinco netos faço o que gosto e felizmente vivemos sem problemas financeiros. A alquimia é o meu hoby bem como a Internet principalmente como web master, daí a facilidade para editar este site.
A vinda dos retornados para Portugal mudou os hábitos de vida de muita gente que não estava habituada à nossa maneira franca de conviver e de estar na vida. Onde vivo há muita gente que veio do Ultramar aliás, por todo o país também. Quando conversamos com alguém distinguem-nos pelo nosso modo de falar e de ser e há sempre um patrício onde menos se espera. Somos estimados porque reconhecem o nosso valor. Há retornados em todos os quadrantes sociais, na política, na indústria, no comécio, enfim em todo o lado.
Mas o nosso coração está em Angola na nossa querida terra que poderíamos ajudar a construir e engrandecer e que nos foi negada pela traição dos ultra esquerdistas traidores do MFA com uma visão ideológica cega e a ambição dos chamados movimentos para a libertação de Angola sobretudo do MPLA.
Destruíram tudo o que construímos e sabe-se lá quantos anos mais levarão para que seja aquela Angola que deixámos em 1975!
Estação da CP de Monte Abraão, 2005 (foto autor)
Com a independência das antigas colónias portuguesas, (PALOP) a economia desses novos países degradou-se de tal maneira que a vida dos seus cidadãos (o povo) desceu a níveis tão baixos que eles, imagine-se, por ironia do destino, vêm para Portugal aos milhares. Com é óbvio, procuram instalar-se junto de familiares nos bairros periféricos de Lisboa que em Angola chamávamos musseques.
Há vários messeques, mas um dos mais conhecidos é o da Cova da Moura perto da cidade da Amadora. Há mais desses bairros da lata espalhados pela periferia das cidades satélites de Lisboa. Aí habitam cidadãos brancos, pretos e mestiços em pacífica convivência que trabalham honestamente nas mais variadas profissões tal como em Angola, nas mais modestas como na construção civil, limpezas, enfim, naquilo que conseguem arranjar mas, mesmo assim, têm um nível de vida muito superior à que tinham nas suas terras de origem. Infelizmente também lá habitam pessoas desonestas, ladrões e assassinos que nos estão a causar muitos problemas.
Portugal além se ser um país pequeno não é rico como Angola, cujas riquezas naturais como o petróleo, diamantes, minérios, café, etc. davam perfeitamente, se fossem utilizadas em proveito das suas gentes, uma vida digna para todos os seus habitantes e não só para os previligiados. Mas eles estão aí e cada vez mais. Vêm com passaporte de turismo e por cá ficam alguns legais mas a maior parte ilegais.
Alguns habitantes desses bairros, a maioria de raça negra já nascidos em Portugal e, embora no nosso país a instrução básica seja obrigatória para todos sem excepção tal como já era em Angola em 1975, esses indivíduos preferem não estudar e dedicarem-se à vadiagem, ao roubo e à venda de droga.
É frequente nas ruas de Lisboa e cidades próximas (menos no interior) ver pessoal africano, pretos e mulatos por todo o lado. Se assim continuar daqui a pouco parece que estamos em Angola. As pessoas que vêm para cá muitos deles nasceram depois de 1975 por isso, desconhecem o que se passou, caso contrário não se sentiriam bem se fossem os mesmos que em Angola nos diziam: "vai para a tua terra colono"!
Penso que são muitos os cabo verdianos, alguns guineenses e moçambicanos mas a maior parte são angolanos.
Algum desse pessoal africano que não quis estudar nem trabalhar mas quer botar figura com roupa, ténis de marca e telemóveis por isso, dedica-se ao roubo. Ultimamente juntam-se em grupos e assaltam os passageiros nos comboios principalmente os da linha de Sintra na zona de Amadora - Queluz.
Arrastão em Carcavelos no dia 10/10/2005 (foto DN 11/07/2005)
O nosso Governo não tem sido suficientemente firme dando a necessária força e material adequado às autoridades policiais para actuar em conformidade nestas ocasiões como está a ser feito noutros países da Europa. Estrangeiro que não tenha o devido comportamento é imediatamente extraditado nascido ou não no país. No dia 10 de Junho de 2005, na praia de Carcavelos houve um arrastão provocado por pessoal africano dos bairros periféricos, imitando o que se passa nas praias do Brasil como se pode ver na fotografia. As autoridades foram apanhadas de surpresa mas actuaram. Pouco tempo depois houve assaltos nos comboios mas, actualmente a situação parece estar controlada, com as autoridades a actuar firmemente.
Na opinião da maioria dos portugueses esse pessoal africano provocador de desacatos deveria ser imediatamente repatriado para as suas terras de origem. Com essa espécie de gente não pode haver contemplações e se as autoridades agirem em conformidade como deve ser nestes casos os problemas acabavam de vez.
Esperemos que sim para não termos de assistir a este triste espectáculo de violência que não iremos tolerar.
http://pissarro.home.sapo.pt/memorias24.htm
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Cheval
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Re : HISTOIRE CACHE DU PORTUGAL -
14/09/2009, 02h07
les leaders de la "junte" militaire, SPINOLA, ROSA COUTINHO, PINHEIRO DE AZEVEDO
MAGAZINE 52 - 02/05/1974 - 01min34s
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le 27 avril, les leaders de la "junte" militaire qui a renversé le gouvernement Caetano tiennent une conférence de presse pendant que les chefs de partis politiques exilés rentrent au pays, Mario Soares pour le PS et Alvaro Cunhal pour le PC
http://www.ina.fr/economie-et-societ...zevedo.fr.html
Angola 20 anos Depois (5)
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HISTÓRIAS DA BATALHA DE LUANDA
Em Fevereiro, nem um mês após a tomada de posse do Governo de Transição, tornou-se óbvio que o que parecia desconfiança entre os movimentos estava longe de diminuir. O poder residia, de facto, nos exércitos que cada movimento não cessava de armar. Na cimeira de Nakuru, em Junho, os três reconhecem culpas, e prometem pôr fim à violência. Era mentira.
José Gomes
As forças armadas conjuntas acordadas um mês antes no Alvor não passaram de uma miragem, e os confrontos esporádicos iniciados em Fevereiro rapidamente se transformam em renhidos combates, com milhares de mortos, ao fim dos quais, em princípios de Julho, o MPLA estava sozinho em Luanda.
Pelo meio, a 21 de Julho, ficou a cimeira de Nakuru, no Quénia, promovida pelo presidente Kenyatta, na qual os três movimentos juraram a pés juntos que pretendiam pôr fim à violência.
Raul M. chegara a Luanda em fins de 74. Depois de meia-dúzia de anos em Argel, nos anos 60, é criado numa base da guerrilha no Congo. E é com a memória da adolescência que recorda os combates de Luanda.
"Uma das casas onde estive era na Praia do Bispo, uma estrada marginal com vivendas. Numa dessas vivendas, havia uma sede do MPLA. Por trás, havia um monte, e lá em cima havia uma sede da FNLA. De repente, começaram a entrar em "makas". Desataram aos tiros, e tudo o que estava na rua desapareceu", conta.
A BATALHA DA FNLA
Outra casa para onde depois passou ficava na Avenida Brasil, que dá para o musseque do Rangel. "Ali ao pé havia uma sede da FNLA, até era considerada uma das sedes mais importantes. Ali é que houve mesmo grandes porradas".
Os combates começaram com trocas de tiros de armas ligeiras entre a sede do MPLA e a da FNLA. "Cheguei a ter 46 buracos de bala na parede do quarto. Não percebia como, morava num sexto andar. Até que um dia espreitei: eles nem sequer levantavam a cabeça para ver onde atiravam. Levantavam a arma acima do muro e despejavam o carregador".
Um dia, a FNLA montou antiaéreas no terraço do prédio, e virou-as para baixo, em direcção à sede do MPLA. "Avisaram o pessoal do prédio que era melhor ir embora, não se responsabilizavam pelo que acontecesse. E nós fomos mesmo embora, para casa de família na baixa. Quando o MPLA descobrisse donde estavam a atirar...".
No dia seguinte, quando voltam ao sítio, o apartamento já tinha sido atingido por um roquete. Nos dias seguintes, o prédio iria ficar completamente destruído.
Nessa altura, já os três movimentos de libertação tinham muitas forças em Luanda. A FNLA havia, desde Junho do ano anterior, mesmo antes da assinatura formal do cessar-fogo com o Exército português, metido muita gente na capital, vinda de Kinshasa. Quadros políticos e tropa. Eram conhecidos por não falarem português, apenas francês com sotaque carregado, e pelo comportamento, arrogante, mais próprio de um exército de ocupação.
SABATA E PASSARÃO
Mas quem ganhou a Batalha de Luanda para o MPLA não foi a gente do mato, foi o povo dos musseques, enquadrado por ex-militares negros do Exército colonial. Em Junho de 74, cerca de nove mil militares angolanos do Exército português tinham-se manifestado publicamente, exigindo a desmobilização imediata.
"Uma das figuras paradigmáticas, uma das figuras emblemáticas, era um tipo chamado Sabata, que era um antigo ladrão do tempo colonial, mas que era muito popular nos musseques. Era uma espécie de figura mítica, porque era um indivíduo que fazia raides contra os da FNLA, e depois refugiava-se nos musseques. Dizia-se que andava com duas G3, de canos serrados", recorda Raul.
A FNLA também tinha o seu herói, um vadio branco de apelido Passarão. Conta a lenda que Passarão morreu abatido por Sabata em duelo singular. "Como se tivesse parado a guerra civil, os dois encontram-se no musseque, Sabata saca da arma, o outro estremece...".
Na verdade, não foi isso que aconteceu. De Sabata, mais tarde promovido a comandante, sabe-se que foi morto mais tarde, no 27 de Maio, em 77, durante o golpe de Nito Alves. Quanto a Passarão, diz-se que terá morrido em combate quando a FNLA foi empurrada até à fronteira.
Na batalha por Luanda o MPLA perde vários heróis populares. "Outra das vítimas da guerra foi um que eu tinha conhecido no Congo, o Valódia. O Valódia morreu durante um assalto à sede da Revolta de Leste, do Chipenda". Chipenda é expulso de Luanda logo em Fevereiro, e alia-se à FNLA.
Morre também Nelito Soares, um dos autores do desvio de um avião que voava de Luanda para o Congo, nos últimos anos da década de 60. É morto durante uma - a única? - operação de comandos portugueses em Vila Alice, bastião do MPLA. Vários portugueses, como passou a tornar-se comum, tinham sido raptados e levados para Vila Alice.
O Exército português exigiu a libertação dos reféns e a entrega dos responsáveis pela sequestro. Os responsáveis locais do MPLA fizeram orelhas moucas, e foi ordenada a intervenção dos comandos.
Nelito Soares, que nessa altura saía da sede do MPLA para negociar, é abatido, e os comandos fazem uma razia.
UMA COISA BANAL
Ao fim de algum tempo, a guerra em Luanda era uma coisa que se tinha tornado normal. "Para nós, que éramos miúdos, aquilo já era banal. Às três, quatro da manhã, íamos para a bicha comprar o pão. Às vezes, rebentava tiroteio, e toda a gente fugia. Mas depois havia discussões por causa do lugar em que estavam na bicha, e morria mais gente nessa discussão que propriamente nos combates. A guerra era uma coisa tão banal que a gente brincava aos beligerantes. Construíamos umas armas, em madeira, e andávamos para ali a disparar".
Mais. "A gente até ficava contente com a guerra civil, porque depois não havia aulas. Uma vez, à frente do colégio onde eu andava, apareceu uma manifestação do pessoal dos musseques...Ficou tudo tão aflito que as aulas tiveram de acabar e nós pronto, ficámos todos contentes".
Às tantas, começou a faltar comida em Luanda. "No sítio onde eu estava, não houve grandes carências. A gente ainda apanhava pão, mas tínhamos de fazer bichas de madrugada. E depois as pessoas tinham os seus esquemas, as suas relações... A mim nunca faltou de comer", recorda Raul.
"Por isso, para nós, miúdos, a guerra civil não foi aquela coisa hedionda... Só ouvíamos certos relatos, de gente que era morta de maneira bárbara, dizia-se que a FNLA matava com certos requintes, praticava antropofagia".
"Na Batalha da FNLA, aquela na sede na Avenida Brasil, contava-se de boca em boca, foi um grande acontecimento. Dizia-se que descobriram lá corações".
E sabia-se também da caça ao homem, do racismo. "A FNLA caçava tudo, quimbundos, mas sobretudo mulatos. Lembro-me que houve um mulato, que apareceu numa das casas onde eu estava, que tinha vindo lá de Carmona, do Uíge, e tinha sido apanhado. Levou porrada, e o fnla, o soldado, olhou para ele e disse-lhe: Seu mulato, passarinho sem ninho, seu filho da p.... E havia também aquele ditado: o branco vai embora de barco ou de avião, o mulato vai a nado".
UMA ÚLTIMA MENTIRA
A 11 de Junho, Savimbi, que entrara em Luanda a 25 de Abril de 75, vê o pequeno quartel da UNITA na capital angolana ser atacado pelas FAPLA.
A situação deteriora-se tão seriamente que o presidente do Quénia, Jomo Kenyatta, convoca para Nakuru uma cimeira de emergência. Após quase uma semana de discussões - para as quais Portugal não é convidado -, a 21 de Junho, os três movimentos fazem uma autocrítica, reconhecem ter dificultado a actuação do Governo de Transição, ter apelado ao tribalismo e ao racismo, armado a população civil, e comprometem-se a acabar com a violência e a intimidação, a integrar os seus exércitos numa força armada única e a desarmar os civis.
Poucos dias depois, a 9 de Julho, após três semanas de violentos combates, a FNLA é expulsa de Luanda, e Savimbi pede protecção ao Exército português e ordena aos seus apoiantes que deixem a capital.
Raul M. tem depois uma última recordação. "Quando já tinha mudado para uma casa no Bairro Salazar, lembro-me que houve uma altura em que só se ouvia martelar: pá, pá, pá". E do porto, cheio de caixotes.
ÁFRICA DO SUL AVANÇOU A PEDIDO DA UNITA E DA FNLA
O general Constand Viljoen, reformado desde 1985, já foi o "herói da Guerra de Angola" entre os soldados da África do Sul do antigo regime. Mas a sua personalidade não é a de um militarista no sentido convencional e o título assenta-lhe mal. Todavia, aceitou com prazer recordar e explicar os porquês teóricos da sua campanha de Angola.
Maria de Lourdes Torcato
Correspondente em Joanesburgo
"Na década de 60 começaram as guerras em África pela descolonização. Foi uma pena que todos os movimentos de libertação se virassem para a URSS, para pedir assistência, treino e armas. Acreditavam que a melhor maneira de se libertarem era a guerra" - diz Viljoen. "E a URSS estava na fase de expandir a ideologia comunista na África Austral. Isto condicionou tudo e foi pena porque se podiam ter encontrado soluções e as coisas não terem tomado o caminho que tomaram" - diz Viljoen, comedido nas palavras, referindo-se à guerra de três décadas que rodeou a descolonização em Angola e fez do povo angolano o mais sofredor da história moderna.
Mas havia alternativa, na altura, para os povos colonizados em África? "Infelizmente, por causa das nossas relações com os colonialistas ingleses e portugueses, a África do Sul adquiriu a reputação de ser uma espécie da nação semi-colonialista", diz Viljoen.
Para o general, a África do Sul poderia ter sido aliada dos movimentos emancipalistas na África Austral. Sem a aliança com a URSS, a independência aconteceria "sem guerra" - acredita o ex-general, que virou político. "Qualquer outra solução que não fosse a da guerra teria sido melhor".
"A independência de Angola foi a 11 de Novembro de 1975. Antes dessa data, com a assistência dos cubanos e da logística soviética, o MPLA tinha capturado vastas porções do país anteriormente controlados pela FNLA e pela UNITA. Foram estes que nos contactaram e como comandante general das operações recebi a missão de dar assistência à UNITA e à FNLA e, mais tarde, ao grupo de Daniel Chipenda, para retomarem as suas áreas tradicionais, de modo a que, a 11 de Novembro, a Organização de Unidade Africana estivesse em posição de obrigar à formação de um Governo de Unidade Nacional em Angola" - é como o general vê os acontecimentos de 75, que levaram uma poderosa coluna militar sul-africana em marcha desde o Cunene até Cela, a pouco mais de 100 quilómetros a sul de Luanda.
"Instalar um governo de unidade nacional, em Luanda, era o nosso único objectivo, mas a OUA não conseguiu chegar a essa decisão" - insiste o general.
O que lucrou a África do Sul com esta intervenção? O general resume: "Estávamos a lutar ao lado das forças anti-comunistas na África Austral. Contribuímos para a destruição dos regimes comunistas totalitários no mundo". É claro que o general Viljoen, dados os acontecimentos posteriores, que levaram à queda dos regimes comunistas, considera que participou numa cruzada ideológica e que o Mundo devia agradecer à África do Sul.
E, indo mais longe: "Conseguimos adiar as mudanças na África do Sul até uma altura em que elas se puderam fazer sem interferência comunista exterior".
E porque é que uma boa parte do Mundo, especialmente a África, não vê as coisas dessa maneira? "É tudo uma questão de propaganda, não temos os meios de controlo da propaganda que o resto do Mundo tem" - diz o general.
O general Viljoen retirou-se das Forças de Defesa e Segurança em 1985 e ainda participou, em Março de 1984, na celebração do Acordo de Inkomati, entre a África do Sul e Moçambique, depois de ter dirigido pelo menos uma operação em que as SADF atacaram a Matola, nos arredores de Maputo, para desalojar um comando do ANC instalado numa vivenda.
Nesse ataque, morreram moçambicanos inocentes e instalações sociais de valor foram destruídas. Mas, como homem de paz, este acordo é-lhe caro, considerando-o uma tentativa sincera de Samora Machel de acabar com a guerra que destruía Moçambique.
Mas como explica que depois disso as SADF continuassem a apoiar a Renamo? "Não as minhas SADF", diz secamente Viljoen. "Talvez privados, ou os CCB (unidade secreta, constituída por ex-militares)".
A conversa com Viljoen passa depois para a política e fala agora o líder da Frente da Liberdade, um partido africaner que nas eleições locais acaba de confirmou os seus quatro por cento de votos.
"O Partido Nacional (de De Klerk) não tem futuro, porque não tem visão nem alternativa. É apenas um partido contra o ANC e isso não é um programa político. Eu tenho visão de futuro, pretendo defender a preservação da nação africaner e cooperar positivamente com o ANC no desenvolvimento económico da África do Sul e da região".
O general Viljoen, que dirige o projecto de assistência dos agricultores africaneres que querem investir em Moçambique e está a negociar a ida do primeiro grupo de agricultores para o Niassa, diz que já foi contactado por Angola para um projecto semelhante. "Mas em Angola a situação ainda não é clara" - conclui.
O presidente Mário Soares vem brevemente fazer uma visita à África do Sul e o que é que o general Viljoen lhe vai dizer sobre estes projectos nas antigas colónias portuguesas? "Os portugueses fizeram muito pelo desenvolvimento económico das suas colónias em África. O que eu vou dizer ao presidente Soares é que foi uma pena que os portugueses tivesem fugido a correr de Moçambique e Angola em 1975, e que nós vamos fazer os possíveis por continuar a fazer o trabalho que eles deixaram".
RESPOSTA CÉLERE DOS CUBANOS AO APELO DE AGOSTINHO NETO
Paulo Teixeira Jorge, "histórico" da Revolução Angolana, assegura ao JN que a consulta aos soviéticos partiu do próprio MPLA
Paulo Teixeira Jorge é, actualmente, o homem-forte das Relações Exteriores do MPLA. Um "homem de partido" que, no desempenho de tais funções, contribui de modo inequívoco para o nobrecimento, no estrangeiro, da própria imagem de Angola.
Luís Alberto Ferreira
Enviado JN
Durante anos ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Jorge, dos mais inteligentes, dos mais cultos, dos mais respeitados (até mesmo entre os homens relevantes da UNITA) dirigentes angolanos, guarda uma invejável experiência no domínio das mais complexas relações internacionais. Washington, Moscovo, Havana, Kinshasa, Pretória, Brazaville, desfilam na ardósia da entrevista que Paulo Jorge acaba de conceder ao JN, em Luanda, a propósito da efeméride que, nestas colunas, tem vindo a ser objecto de um amplo registo.
JORNAL DE NOTÍCIAS - Estes 20 anos de independência trouxeram algumas mudanças "qualitativas" no quadro das relações de Angola com os países imediatamente fronteiriços. O Congo-Brazaville, por exemplo. Que, no tempo do presidente Agostinho Neto, era governado pelo saudoso Marien Nguabi. E que, hoje, parece apoiar, veladamente, os independentistas de Cabinda...
PAULO JORGE - As relações entre os dois estados foram bastante amistosas. Tal como as relações entre o MPLA e o Partido Congolês do Trabalho. Isto, evidentemente, sem esquecer os altíssimos níveis de solidariedade dos congoleses durante a própria luta de libertação nacional. Foi uma espécie de compensação para os desgostos e a aspereza da experiência vivida pelo Estado angolano, e pelo MPLA, nas relações com a actual e também vizinha República do Zaire. A morte de Marien Nguabi, a própria evolução situacional na República do Congo e na África Austral, modificaram esse quadro. O estado de graça, digamos assim, foi-se esbatendo depois dos bons ofícios do regime presidido por Nguesso. Provavelmente, uma consequência dos fenómenos registados (o multipartidarismo, por exemplo) tanto no Congo como em Angola. Estamos a restabelecer, de há uns tempos a esta parte, sobretudo a níveis de partido, certas formas convivenciais com o Congo-Brazaville.
JN - É um dado adquirido, para Angola e para o MPLA, que o Congo-Brazaville se esforça por "intervir" no caso de Cabinda?
PJ - Eu não creio que se possa dizer, rotundamente, que o Congo procura influenciar, está implicado ou tem "interesses" nas movimentações sobre Cabinda. O que nós sabemos é que há, de facto, alguns congoleses, deste ou daquele partido, alegadamente interessados na questão. Eu admito que esses congoleses sejam instigados por potênciais alheias ao Continente Africano. E também admito que, mais do que no Congo, haja no Zaire grande apetência desestabilizadora de Cabinda, igualmente em subordinação a interesses e instigações de fora do Continente. Tendo em apreço as potencialidades de Cabinda.
EXÉRCITO AFRICANO
JN - A Nigéria, verdadeira potência africana, agora novamente nas bocas do mundo: é possível clarificar se a Nigéria chegou a disponibilizar-se, ou não, para intervir, militarmente, no passado, solidarizada com o MPLA?
PJ - O apoio da Nigéria, nessa conjuntura, cifrou-se em meios materiais. Não em tropas. Contudo, até mesmo a esse nível, o do envio de tropas e equipamentos respectivos, a Nigéria chegou a manifestar a sua firme disposição de impedir que um certo leque de forças periféricas realizassem os seus desígnios. A Nigéria foi, sem dúvida, dos países africanos de maior disponibilidade para Angola. Não vieram tropas da Nigéria para Angola porque, na oportunidade, se considerou desnecessário. Mas vieram, por exemplo, da Guiné-Conakri, alguns homens e algum equipamento; vieram também da Guiné-Bissau alguns homens e algum equipamento militar. Como é de todos sabido, preparava-se uma dupla invasão de Angola.
JN - Poderá supor-se, ou insinuar-se, que a Nigéria, com umas Forças Armadas numerosíssimas e bem equipadas, terá funcionado como elemento dissuasor de maiores ambições intervencionistas da "antiga" África do Sul?
PJ - O problema da participação de forças africanas em conflitos no nosso continente foi discutido, várias vezes, a nível da OUA. Nos anos da década de 80 discutia-se muito a constituição e composição de um Exército Africano e o respectivo comando, orçamentos, etc. A ideia, porém, face às diferenças conceptuais, nunca chegou a tomar corpo. Mas, indubitavelmente, a Nigéria, num tal projecto de Exército Africano, teria uma participação bastante expressiva!
JN - A distância de, precisamente, 20 anos: é firme a reiteração de que Angola, na altura da independência, esteve debaixo de uma grande ameaça?
PJ - Absolutamente. Uma acção combinada para atingir Luanda. A África do Sul viria, com as suas unidades militares, em apoio à UNITA. E a congénere zairense viria, por seu turno, em apoio à FNLA. Com um objectivo central: impedir a proclamação da independência, pelo MPLA, em 11 de Novembro. A resposta enérgica das FAPLA impediu o êxito dessa operação. Até porque, entretanto, tinham chegado a Angola os contingentes das forças internacionalistas cubanas, em resposta a um apelo do presidente Agostinho Neto. Ajudaram-nos a enfrentar dois exércitos regulares! O dos sul-africanos, na província do Cuanza-Sul, a nível do Rio Queve, que eles não conseguiram atravessar. E o dos zairenses, aqui a norte de Luanda, em Kifangondo.
JN - Os ventos da História determinaram, depois, que Angola, sob a direcção do MPLA, fosse um elemento de peso no próximo destino da Namíbia e da própria África do Sul...?
PJ - Fizemos simplesmente o mesmo exercício. Competia-nos retribuir a solidariedade recebida. A SWAPO passou a actuar a partir do território angolano, tal como os combatentes do ANC fizeram, em Angola, a preparação das suas incursões. Lembro-me de uma frase do presidente Agostinho Neto: "Na Namíbia e na África do Sul está a continuação da nossa luta". Uma frase legendária que o povo angolano assumiu, paralelamente ao seu sentir nacionalista.
OS CUBANOS
JN - Foi aqui sublinhado o papel internacionalista dos cubanos. É possível, já, à distância de 20 anos, uma avaliação profunda do papel dos cubanos em Angola?
PJ - Eu penso que Angola contraiu, perante os internacionalistas cubanos (é assim que nós os designamos), uma dívida impagável. Há sangue de Cuba vertido em solo angolano. Para que nós conservássemos a nossa independência. Isto é um facto, de grande inteireza, não é uma figura de retórica. Sangue cubano vertido em nome de um só valor: a solidariedade. Porém, às vezes, as pessoas, quando se referem a essa presença dos cubanos em Angola, somente a analisam em termos militares. Quando, de facto, essa presença excedeu, largamente, os termos militares. Os internacionalistas cubanos desenvolveram acções que se reflectiram em sectores importantes como o da saúde, o da educação, o das obras públicas. Vieram centenas de médicos, centenas de professores, centenas de técnicos constituídos em brigadas para acções de conjunto ou pontuais. É possível encontrar, hoje, em várias províncias de Angola, sinais da acção multiforme e extremamente válida dos internacionalistas cubanos. Daí que a participação cubana continue a ser, em Angola, vivamente referida não só pela direcção do MPLA mas, também, pela população em geral.
JN - Lá fora, contudo, não falta quem diga que "os angolanos nem podem ouvir falar dos cubanos"...
PJ - Completamente falso. Temos hoje, em Angola, centenas e centenas de quadros que estudaram em Cuba, que se formaram em Cuba sem que o Estado angolano cobrisse os respectivos encargos. Essa foi, sem dúvida, outra das valiosíssimas contribuições do internacionalismo cubano. O povo angolano não se manifestou, jamais, indiferente, ou hostil a essa ajuda multiforme.
JN - Até que ponto Moscovo influenciou a vontade política e internacionalista de Cuba em Angola?
PJ - A reacção de Havana, dos cubanos, após o apelo do presidente Agostinho Neto, foi, posso dizê-lo, imediata.
JN - Não houve sequer um compasso de espera que fizesse pressupor alguma prévia diligência junto da antiga URSS?
PJ - Não houve. Porque, repare: quando os exércitos zairense e sul-africano começam a invasão do nosso território, estamos em Outubro de 1975. A cerca de um mês da proclamação da independência. Até à vinda dos cubanos decorre, pois, um estreitíssimo lapso de tempo. Entretanto, nós, angolanos, isso sim, conhecedores da situação de Cuba, conversámos com os soviéticos. Do que resultou, contrariamente ao que se disse, uma participação da antiga URSS traduzida em equipamentos e instrutores militares, nunca em soldados! Também se disse, e era completamente falso, que em Angola combatiam, a nosso lado, forças da antiga RDA...
"PULSO" DE PAULO JORGE NOS CORREDORES DA CASA BRANCA
Durante algum tempo, a aposta do MPLA nas capacidades de Paulo Jorge incidiu na vertente da administração regional. Vertente incómoda, a dos governos provinciais. Paulo Teixeira Jorge foi governador de duas importantes províncias estratégicas: o Cuanza-Sul e Benguela. E ele não perde, de facto, a noção do tempo e... do espaço.
Ao longo da entrevista que nos concede, em Luanda, na sede nacional do partido, Paulo Jorge procura demonstrar que o MPLA está, de modo realista, preparado para os corredores e tribunas da política internacional. Menos loquaz numas questões do que noutras, Paulo Jorge não se furta, porém, a tudo considerar. Savimbi nunca fará uma apreciação minimamente dúctil do papel que Cuba teve em Angola? Ora, entende Teixeira Jorge, não é coisa que entre nas preocupações mínimas do MPLA. Ou dos cubanos. Porém, note-se, Paulo Jorge não minimiza as "pressões exteriores que levaram a UNITA a hostilizar os cubanos". Nomeadamente por banda da Administração (republicana) dos Estados Unidos. E, claro, do regime sul-africano já felizmente derrubado.
Para Savimbi, diz Paulo Jorge, essa animosidade a Cuba funcionou como bandeira chamativa de apoios de toda a ordem. Nomeadamente, dos seus "padrinhos". Bandeira-psicose-paranoia.
JORNAL DE NOTÍCIAS - Quando sobraçou a pasta das Relações Exteriores (Negócios Estrangeiros), travou, certamente, incontáveis "batalhas" conversacionais com os homens da Casa Branca. O que é que disse aos americanos sobre a ajuda cubana? Lembra-se de algum argumento básico?
PAULO JORGE - Lembro-me. Eu tive ensejo, no decurso de encontros com autoridades americanas, de lhes dizer, muito claramente, que o "conflito" entre os Estados Unidos e Cuba não era um "problema" de Angola! Nós, Angola, frisei, rejeitávamos categoricamente que a actuação dos Estados Unidos, relativamente ao problema angolano, se transformasse num prolongamento do seu "conflito" com Cuba. E a verdade é que Angola, de facto, foi palco para as mais diversas reproduções desse "conflito". E disso é indicador o facto de somente o ano passado os Estados Unidos terem reconhecido a República de Angola.
JN - Ouviu, directamente, dos norte-americanos, tentativas de cristalização e imposição do chamado "linkage"?
PJ - Sim, nos encontros que tivemos foi-me dado a entender, pelos norte-americanos, que o reconhecimento de Angola e a normalização de relações, segundo os Estados Unidos, subordinavam-se a um condicionalismo: a "presença de tropas estrangeiras em Angola", ou seja, os cubanos. Claro, os cubanos. Que não tinha lógica nenhuma, entendíamos nós. Porque os Estados Unidos, afinal, tinham relações diplomáticas com vários países africanos onde existiam tropas estrangeiras. Em Junho de 1977, os Estados Unidos da América do Norte estabeleceram relações diplomáticas com a República do Djibuti; e havia, nesse preciso momento, em Djibuti, 2.500 militares franceses! Então, as tropas francesas, no território do Djibuti, não são tropas estrangeiras? E não havia, também, tropas francesas na República Centro-Africana e no Senegal?!!!
L.A.F.
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Angola : La tristesse et la joie d'être un “retornado”
2009-01-30 @ 2:13 EST · Billet publié par Clara Onofre
Traduit par PREPA ECT2 · Voir le billet en anglais
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Vidéo
Pays:Angola
Sujets: Ethnicité, Histoire, Réfugiés, Guerre/Conflit
Langues: Portugais
Cet article a été traduit par les élèves de la classe préparatoire ECS4 du Lycée Ozenne de Toulouse, sous la supervision de leur professeur Audrey Lambert, dans le cadre du projet pédagogique “Initiation à la traduction d'actualités”. L'article original est paru sur Global Voices en anglais le 12 novembre 2008.
Quand l'Angola devint indépendant en 1975, les anciens colons portugais furent forcés de retourner au Portugal. Mais ils ne furent pas les seuls. D'ascendance portugaise ou pas, certains Angolais laissèrent aussi derrière eux leur vie entière. Ils abandonnèrent leur maison avec tous leurs biens, leurs voitures, leur travail et la plupart d'entre eux voyagèrent avec uniquement des vêtements de rechange. Ils n'eurent pas le temps de dire au revoir, de déposer un préavis auprès de leurs employeurs, de garantir que les maisons qu'ils laissaient grandes ouvertes leur appartenaient. Plusieurs années plus tard, les propriétaires des maisons revinrent afin de recouvrer leurs biens. Rien ne leur revînt. Les maisons avaient été occupées, dans la plupart des cas, par des gens de la campagne, ou données à d'autres personnes par l'Etat angolais, qui les avait déclarées abandonnées par les occupants précédents.
Ils arrivèrent au Portugal sans aucun espoir, ils paraissaient perdus, tenaient leurs enfants par la main et n'avaient en eux que la certitude d'un présent instable et d'un avenir gris. Au Portugal, ils étaient surnommés les retornados (revenants), terme péjoratif qui a perdu son sens avec le temps, mais qui marque toujours les âmes de ceux qui ont fui leur propre pays.
L'auteur du blog 25 de Abril O antes e o agora (25 avril - Avant et après, en portugais) narre l'histoire d'un homme qui laissa tout derrière lui pour fuir l'Angola :
Entre essa massa anónima de pessoas de destino incerto encontrava-se Ribeiro Cristovão, a sua mulher e os três filhos menores. “Mantive-me em Angola quase até à independência. Acreditava que apesar das alterações radicais haveria lugar para todos. Enganei-me.” No final de 1975 abandona o seu emprego na cervejaria Cuca e a sua casa em Nova Lisboa. O homem do desporto da Rádio Renascença confessa que os primeiros três meses passados em Lisboa foram os mais difíceis da sua vida. E sem o abrigo na casa da irmã em Alcochete, a sua história estaria hoje pintada em tons ainda mais negros. “Recordo-me de calcorrear a cidade à procura de emprego, sem sorte nenhuma. Estava mesmo desesperado. No primeiro Natal na capital, Ribeiro Cristovão afundou-se numa tristeza profunda. Ali estava ele rodeado com a sua família mas com a árvore despida de presentes. O rótulo de retornado teimava em fechar-lhe as portas”.
Parmi la foule d'anonymes dont le destin restait incertain, il y avait Ribeiro Cristovao, sa femme et ses trois petits enfants. ”Je suis resté en Angola jusqu'à ce que ce pays soit proche de l'indépendance. Je croyais que malgré les changements radicaux, il y aurait une place pour tout le monde. Je me trompais.” A la fin de l'année 1975, il quitta son travail à la brasserie Cuca et sa maison de Nova Lisboa. Le commentateur sportif de Radio Renascença confie que les trois premiers mois qu'il a vécu à Lisbonne furent les plus durs de sa vie. Et si ce n'était pour le refuge qu'a été la maison de sa soeur, à Alcochete, son histoire serait beaucoup plus sombre. “Je me souviens avoir marché à travers toute la ville à la recherche d'un travail, en vain. J'étais alors désesperé”. Lors du premier Noël dans la capitale portugaise, Ribeiro Cristovao sombra dans une profonde dépression. Il était là, entouré par sa famille, mais avec un sapin de Noël sans cadeau. L'étiquette de “revenant”, après une longue absence, lui avait fermé toutes les portes.
JPF, du blog Fado Falado voit les choses différemment :
Tenho contudo a ideia – e a convicção – de que por cá, os retornados foram na generalidade bem acolhidos. Pelo Estado e pelas pessoas em geral. Aliás a maioria e a sua descendência está por aí em situação identica à dos casos dos que já cá estavam e nas respectivas descendencias. Dir-me-ão que conhecem um caso X e outro Y diferentes. Provavelmente, há casos desses. Como os há de retornados que, não necessitando de nada, se fizeram e beneficiaram de toda a prebenda”.
J'ai cependant l'idée -et la conviction- qu'ici, de retour au pays, les colons ont été plutôt bien accueillis par l'Etat et par les gens en général. Soit dit en passant, la plupart d'entre eux, et leurs descendants, vivent actuellement ici dans la même situation que ceux qui vivaient déjà au Portugal et leurs descendants. Certains vont me dire qu'ils connaissent un cas X ou Y, et il y a probablement des histoires comme celle-ci, tout comme des histoires de “revenants” qui, alors qu'ils ne manquaient de rien, bénéficiaient de toutes les aides.
L'auteur du blog Cubatangola nous rapporte un fait curieux :
Ontem tive a certeza que uma grande maioria dos antigos habitantes de Agola, não enjeita serem chamados de “retornados”. Tenho um familiar que devido a graves problemas de saúde, ACV já por mais de quatro anos se encontra internado num lar para idosos. Recentemente conseguimos arranjar um novo lar com umas condições bastante melhores e uma assistência mais completa, para o mudamos ontem. Quando umas das empregadas soube que este novo utente tinha vivido bastantes anos em Angola e tinha regressado na leva de 75, chegou-se a ela e disse simplesmente, EU TAMBÉM SOU RETORNADA! Uma frase simples, mas tão cheia de significado que foi suficiente para acalmar esta pessoa idosa, arrancando-lhe um sorriso, aqueles sorrisos de cumplicidade que trocamos com as pessoas que já conhecemos há muitos anos. Sim, mais do que nunca continuo a acreditar que esta palavra “RETORNADOS”, identifica um povo, povo esse que não se deve envergonhar de assim ser chamado, mesmo que alguns o achem pejorativo”.
Hier, j'ai eu la certitude que la plupart des anciens résidents angolais se fichent d'être qualifiés de “revenants”. J'ai un proche qui, suite à de graves problèmes de santé -il a eu une attaque cardiaque il y a quatre ans - vit dans une maison de repos. Récemment, nous sommes parvenus à lui trouver une nouvelle place dans un établissement où les conditions d'hébergement sont bien meilleures et les soins plus nombreux, nous l'avons transféré hier.” Quand une des infirmières apprit que son nouveau patient avait vécu plusieurs années en Angola et était revenu en 1975, elle vint vers lui et lui dit simplement : « JE SUIS UNE EXPATRIÉE EGALEMENT ! ». Une phrase simple, mais tellement pleine de sens que c'était suffisant pour calmer cette personne âgée and amener un sourire sur son visage, un de ces sourires de complicité qu'on échange avec des personnes que l'on connait depuis des années. En effet, plus que jamais, je pense que ce mot «retornado» identifie une personne qui ne devrait pas avoir honte d'être appelée ainsi, même si certains pensent que c'est un mot péjoratif.
En vérité, ni l'Etat portugais ni ses citoyens n'ont rendu la vie facile à ceux qui sont revenus au pays. Un fait confirmé par JPF :
Tenho família que fugiu de Angola em 75. Foi terrível para muita gente, para muitas famílias. Pelo que apreendi na altura e sei hoje, o Estado português, na época, não lhes prestou lá o apoio que deveria. Abandonou-os, mesmo. Mas isso é uma questão que têm de colocar aos responsavéis políticos de então. Basicamente, militares barbudos, alguns comunistas, muitos revolucionários e oficiais-generais, como Rosa Coutinho, Vasco Gonçalves e Costa Gomes. E outros de quem não conhecemos os nomes”.
“J'ai de la famille qui a fui l'Angola en 1975. Ce fut terrible pour de nombreuses personnes, de multiples familles. D'après ce que j'ai appris à l'époque, et ce que je sais aujourd'hui, l'Etat portugais ne leur a pas fourni l'aide dont ils avaient besoin à ce moment-là. Ils furent en effet délaissés. Mais c'est là une question qui devrait être adressée aux politiciens concernés de l'époque. En gros, des militaires barbus, certains d'entre eux communistes, d'autres révolutionnaires, et des officiers haut gradés, tels que Rosa Coutinho, Vasco Gonçalves et Costa Gomes, ainsi que d'autres dont nous ne connaissons pas les noms.”
Il est vrai que la majorité des retornados ont décidé de rejoindre la vieille métropole, mais certains ont choisi de rester en Angola. Il s'agissait, après tout, de l'endroit où ils avaient fondé une famille, d'un pays où les rêves et un avenir prometteur ne faisaient qu'un. Sur son blog, JPF publie une histoire de courage et d'attachement à la terre natale :
“Há uns anos, li na revista Pública, uma excelente reportagem com “o mais velho português de Angola”. Era um tipo com quase 90 anos. Tinha nascido lá, por volta de 1910. O seu avô tinha ido para Angola na primeira metade do século XIX.
O homem relatava a história da sua vida. Em 74 ou 75, quando rebentaram a sério as hostilidades em Angola, desfez a casa, carregou carros e camionetas e rumou, da cidade onde vivia, a caminho de Luanda, para se pirar com a família. Chegado a meio do percurso, de muitas centenas de quilómetros e milhares de perigos, parou o carro e pensou: vou fugir para onde? Porquê? Esta é a minha terra! Esta é a terra que eu gosto!
Voltou para trás com a família e ficou. Hoje terá perto de cem anos. Ou já morreu - na terra onde nasceu e que sempre amou. E onde foi enterrado pelos seus familiares.
Não tenho dúvidas de que este velhote amava mesmo de Angola”.
“Il y a quelques années, j'ai lu une histoire formidable sur le “plus vieux Portugais en Angola”, dans le magazine Publica. C'était un vieil homme de près de 90 ans, né là-bas autour de 1910. Son grand-père était arrivé en Angola durant la première moitié du XIXème siècle. Cet homme racontait son histoire. En 1974 ou 75, quand de vives tensions éclatèrent en Angola, il fit ses valises, chargea les voitures, et quitta la ville où il vivait pour Luanda, la capitale, afin de fuir avec sa famille. Approchant la moitié de son périple, après des centaines de kilomètres et des milliers de dangers, il arrêta sa voiture et se demanda : “Où suis-je en train de fuir ? Pourquoi ? C'est ma terre ! La terre que j'aime”. Il retourna auprès de sa famille et y resta. Aujourd'hui, il approche des 100 ans. Ou, s'il est décédé depuis, ce fut sur la terre où il était né et avait toujours vécu. C'est là qu'il fut enterré par ses proches. Je n'ai aucun doute sur le fait que ce vieil homme aimait vraiment l'Angola.
Pour finir, Carlos Pereira de meus escapes (en portugais) met en ligne une vidéo prise à Luanda en 1975, un témoignage de ce qu'il appelle “des moments dramatiques pour les victimes d'une décolonisation désastreuse”.
GREAT EVASION POPULATION LUENA EAST ANGOLA 1975
par kutemba
Les très belles photos qui illustrent cette revue de blogs sont des captures d'écran de la vidéo ci-dessus, de kutemba sur Dailymotion.
Billet publié par Clara Onofre
Version imprimable
Traduction collaborative Cucumis.org
Vendredi Info
Maneno, pour bloguer en Afrique
Ce site est la version française de %globalvoicesonline.org%, traduite dans le cadre du projet [Error: %Lingua% doesn't exist] - RSS -
http://fr.globalvoicesonline.org/2009/01/30/1633/
Dernière modification par duarte1 ; 14/09/2009 à 02h13.
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Re : HISTOIRE CACHE DU PORTUGAL -
14/09/2009, 02h15
O almirante abjecto, hoje na reforma mais empresario em Angola.
Sábado, Março 31, 2007
Teoria da Conspiração I
Carta de Rosa Coutinho para o camarada Agostinho Neto em 1974
"S.R.
REPÚBLICA PORTUGUESA
ESTADO DE ANGOLA
______________
REPARTIÇÃO DE GABINETE DO GOVERNO-GERAL
Luanda, aos 22 de Dezembro de 1974
Camarada Agostinho Neto,
A FNLA e a UNITA insistem na minha substituição por um reaccionário que lhes apare o jogo, o que a concretizar-se seria o desmoronamento do que arquitectamos no sentido de entregar ùnicamente ao MPLA.
Apoiam-se aqueles movimentos fantoches em brancos que pretendem perpetuar e execrando colonialismo e imperialismo português - o tal da Fé e do Império, o que é mesmo que dizer do Bafio da Sacristia e da Exploração do Papa e dos Plutocratas.
Pretendem essas forças imperialistas contrariar os nossos acordos secretos de Praga, que o Camarada Cunhal assinou em nome do PCP, afim de que sob a égide do glorioso PC da URSS possamos estender o comunismo de Tânger ao Cabo e de Lisboa a Washington.
A implantação do MPLA em Angola é vital para apearmos o canalha Mobutu, lacaio do imperialismo e nos apoderarmos da plataforma do Zaire.
Após a última reunião secreta que tivémos com os camaradas do PCP, resolvemos aconselhar-vos a dar execução imediata à segunda fase do plano. Não dizia ?Fanon? que o complexo de inferioridade só se vence matando o colonizador? Camarada Agostinho Neto, dá, por isso, instruções secretas aos militantes do MPLA para aterrorizarem por todos os meios os brancos, matando, pilhando e incendiando, afim de provocar a sua debanda de Angola. Sede cruéis sobretudo com as crianças, as mulheres e os velhos, para desanimar os mais corajosos. Tão arreigados estão à Terra esses cães exploradores brancos que só o terror os fará fugir. O FNLA e a UNITA, deixarão assim de contar com o apoio dos brancos, de seus capitais e de sua experiência militar.
Desenraizem-nos de tal maneira que com a queda dos brancos se arruine toda a estrutura capitalista e se possa instaurar a nova sociedade socialista ou pelo menos se dificulte a reconstrução daquela.
Saudações revolucionárias
A Vitória é certa
António Alva Rosa Coutinho
Vice-Almirante"
O texto é a cópia duma carta do almirante Rosa Coutinho quando era presidente da Junta Governativa de Angola. O pretenso original, agitou os meios políticos em Angola em 1998 e por cá, salvo erro, só o Jornal o Expresso referiu a questão. O MPLA e o PCP atribuíram a “feitura” da carta aos serviços secretos portugueses. Holden Roberto, presidente da FNLA, que cedeu uma cópia da carta ao EXPRESSO. O Almirante Rosa Coutinho confirmou a autenticidade da assinatura e mais não disse.
> Os outros traidores (fotos)
A REVOLUÇÃO DOS CRAVOS E O FUTURO DE CABINDA
> Os compadres manobristas de Alvor (1975)
http://cabinda.populus.org/rub/4
> Os compadres manobristas de Alvor (1975)
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Re : HISTOIRE CACHE DU PORTUGAL -
14/09/2009, 02h18
3- Vidéo sobre uma das intervençoes de Rosa Coutinho Clique aqui ====> Lien vers
http://video.google.com/videoplay?do...6678208916397#
Angola - US, UN, and Communist Revolutionary Tactics in Africa57:02 - Il y a 1 an
The UN and Communist Russia's role in the revolution in Angola. This was recorded on the Albany, NY Public Access channel part of the American Opinion Education Committee.
As provas materiais da traição de Portugal
Delegaçao Portuguesa em Alvor
1- Do ponto de vista constitucional
O artigo 3 dos acordos de Alvor de 15 de Janeiro de 1975 que consagra a integração do território de Cabinda à Angola menciona : “Angola constituí uma entidade una e indivisível, nos seus limites geográficos e políticos actuais e, neste contexto, Cabinda é parte integrante e inalienável do território angolano”.
Por seu lado, o n.° 2 do Artigo 1 da Constituição Política da Republica Portuguesa (Ata de 1933) prorrogado pela lei n° 3/74 de 15 de Maio de 1974 promulgada pelas autoridades procedentes do Movimento das Forças Armadas (MFA) do 25 de Abril de 1974 menciona que : ” O território de Portugal é o que actualmente lhe pertence e compreende : “(...) Na África Ocidental : Arquipélago de Cabo Verde, Guiné, S. Tomé e Príncipe e suas dependências, S. João Baptista de Ajudá, Cabinda e Angola ; (...)”.
Seja quem for é capaz de notar que no Constituição Portuguesa, plebiscitada pelo Povo Português, o Território de Cabinda está listado antes de Angola. Portanto, tratando-se de dois entidades distintas geografica e juridicamente, a tese de entidade uma e indivisível se desfaze por si mesma.
2- As provas materiais disponíveis
3- Vidéo sobre uma das intervençoes de Rosa Coutinho Clique aqui ====> Lien vers
4- O testamento político do General Manuel Freire Themudo Barata, grande amigo do Povo de Cabinda
5- O testemunho firme da SAR o Duque Dom Duarte Pio de Bragança, descendente da dinastia que reinou sobre Portugal de 1640 até 1910, também grande amigo do Povo de Cabinda.
Ouvrir a entrevisa do Duque de Bragança ====>
Lien vers
Le changement de régime intervenu à Lisbonne le 25 avril 1974 va marquer le début d'une étape décisive dans l'histoire de la décolonisation des territoires sous administration portugaise, car, il permettra à la Junte militaire au pouvoir de nouer le dialogue avec les mouvements de libération des territoires d'outre-mer, notamment Cabinda.
Dans la perspective des négociations, un décret-loi s/n° 203/74 reconnaissant le droit des Territoires d'outre-mer à l'autodétermination est pris le 15 mai 1974.
C'est dans cette optique que M. Luis Ranque Franque, en sa qualité de président du FLEC sera, par télégramme acheminé sous le couvert du Gouverneur de Cabinda, invité par le gouvernement du Général De Spinola, à se rendre au Portugal au cours de l'année 1974 en vue d'y amorcer des pourparlers sur le Cabinda.
Pour des raisons indépendantes de sa volonté et inhérentes à la politique étrangère de la République du Zaïre, le leader du FLEC ne put être autorisé à honorer l'invitation. Le Marécha1 Président Mobutu du Zaïre qui avait des visées non déclarées sur le territoire, va prendre les devants et rencontrer seul, en septembre 1974, le Général de Spinola à l'Ile-de-Sal au Cap-Vert. Les résultats de cette rencontre resteront secrets. L’Amiral Rosa Coutinho dira de cette rencontre que « le jour où l’objet des discussions entre les deux chefs d’Etat sera connu, cela fera l’effet d’une bombe ».
Le 1er août 1974, Mr. Mario Soares alors ministre des Affaires Etrangères du Gouvernement de Spinola, de passage à New York, fera connaître son intention d'organiser un référendum particulier au Cabinda sur l'avenir constitutionnel de ce territoire dans le cadre, selon ses propres termes, de la démocratie instaurée au Portugal par le Mouvement des Forces Armées. Cette déclaration restera sans suite.
De cette prise de position officielle de la part de la puissance colonisatrice, le Portugal, vont résulter dans certains pays d'Afrique Centrale directement concernés par le problème, notamment au Congo, au Gabon et au Zaïre, plusieurs réactions concordantes en faveur de la cause cabindaise.
Mais, le départ précipité du Général De Spinola du pouvoir le 30 septembre 1974 et son remplacement par des officiers de gauche, entraîna le manque de concrétisation du principe du droit à l'autodétermination du Cabinda, tout comme le début du déclenchement d'une série de manoeuvres dirigées contre ce peuple, lesquelles allaient aboutir à l'une des plus grandes escroqueries de l'histoire de la décolonisation.
En effet, à la suite d'un complot inspiré et soutenu par la coalition russo-cubaine, les officiers Il communistes Il du Général Costa Gomes (porté à la présidence de la République portugaise après le départ de Spinola) et de l'Amiral Antonio Alves Rosa Coutinho (nommé Haut-commissaire en Angola en juillet 1974 et dont les sympathies à l'endroit du Dr. Augustino Neto, chef du MPLA, n'étalent pas un secret) feront, au mois de novembre, pénétrer au Cabinda les éléments armés du MPLA.
Forts de la complicité des troupes portugaises, ceux-ci assiégent le territoire et se proclament maîtres du pays. Le FLEC, appuyé par les éléments des anciennes forces spéciales portugaises (TE's) se replie le long des frontières du Congo-Brazzaville et du Zaïre (RDC).
Nonobstant ces manoeuvres destinées à annihiler les actions indépendantistes du FLEC, les contacts avec les nouvelles Autorités de Lisbonne ne seront pas rompus.
Aussi, le 25 novembre 1974, au cours d'un voyage effectué par M. Mario Soares à Kinshasa, les responsables du FLEC lui remettront une série de documents importants exigeant sans délais l'indépendance du Cabinda.
A ce qu'il semble, ce haut responsable portugais n'était même pas en mesure d'indiquer, sur une carte, où se trouvait Cabinda par rapport à l'Angola.
Entre-temps, pendant que les Présidents Mobutu du Zaïre (actuelle RDC) et Omar Bongo du Gabon préconisent en guise de solution au problème cabindais l'organisation d'un référendum, le PCT (parti unique au pouvoir au Congo) reconnaît lors des assises de son IIème Congrès Ordinaire tenu du 27 au 30 décembre 1974, la justesse des causes soutenues par les peuples de l'Angola, du Cabinda, de Sao-Tomé et Principe et de Guinée-Bissau (Cf. Résolution sur la lutte de libération en Afrique, p. 81, § 14).
Mais, pour les adversaires de la cause du Cabinda il fallait jouer le tout pour le tout et tirer profit du climat d'indécision et de confusion qui régnait.
Ainsi, le 6 janvier puis les 16 et 21 juin 1974, les trois mouvements angolais rivaux, le FNLA de Roberto Holden alias John Gilmore, le MPLA de Agostino Neto et l'UNITA de Jonas Malheiro Savimbi, se rencontrent successivement à Mombassa et à Nakuru au Kenya avec pour objectif d'aplanir leurs divergences et asseoir les bases des discussions avec le Portugal afin de préparer la Conférence d'Alvor (Portugal) prévue pour le 15 janvier 1975.
Il s'agissait en fait, pour les trois mouvements angolais, de se concerter afin de :
> exiger lors des négociations avec le Portugal que le territoire de Cabinda (reconnu pourtant par la Constitution portugaise comme étant une entité séparée), soit considéré comme faisant partie intégrante de l'Angola ;
> définir les modalités du retrait portugais d’Angola et,
> fixer la date de l'accession de l'Angola à l'indépendance.
Ainsi donc, faisant fi des aspirations légitimes du peuple cabindais, les mouvements angolais (FNLA, MPLA et UNITA) d'une part et le Portugal de l'autre, vont accorder leur violon à Alvor pour mettre à exécution le plan d'annexion du Cabinda ce, en violation flagrante :
a)- de l'article 1 de la Constitution portugaise de 1933 et du décret-loi n° 3/74 subséquent édicté par le Mouvement des Forces Armées ;
b)- du principe universellement reconnu et accepté du droit des peuples à l'autodétermination.
Aussi, afin de mieux discuter et arrêter leur plan de recolonisation du peuple cabindais, les parties concordantes (angolais et portugais) ne vont pas ménager leurs efforts pour tenir le FLEC à l'écart de ladite conférence.
C'est pourquoi, il y a lieu de considérer, dans la mesure où, ni le peuple portugais, ni les populations du Cabinda n'ont été consulté sur la question, que les accoras d'Alvor n'engagent que leurs signataires, chacun à titre individuel.
Dans cette machination, l'attitude irresponsable et de trahison du Portugal vis-à-vis du peuple cabindais, loin de se justifier par des mobiles idéologiques aurait été motivée par:
> la crainte de voir son ancienne colonie du Cabinda basculer dans la francophonie, d'où le désir de conserver l'influence portugaise dans la région ;
> la nécessité impérieuse de résoudre l'épineux problème qu'aurait posé le retour brutal (vers la métropole) des colons blancs résidant en Angola (700.000 à 800.000 selon Diário de Angola) ;
> le souci de conserver le monopole commercial du vaste marché que constitue l'Angola pour l'économie portugaise ;
> le besoin de contrôler les immenses richesses dont recèlent les deux territoires ;
> l’importante position stratégique de l'Angola en Afrique australe (le Portugal
étant membre de l'OTAN).
En effet, en concluant les Accords d'Alvor, les Autorités de Lisbonne reçurent en contrepartie de la partie angolaise, des assurances (ce qui entre dans la logique même des choses) suivant lesquelles :
a) les colons blancs ne seraient pas inquiétés après l'indépendance fixée au 11 novembre 1975 ;
b) ces derniers pourraient rester en Angola et y exercer librement leurs activités, voire devenir angolais si tel était leur désir ;
c) leur sécurité ainsi que celle de leurs biens serait garantie.
Il fut par ailleurs convenu (Cf. Chap. VIII Art. 52 des mêmes accords) que les intérêts mutuels des parties seraient conservés. Il s'agissait plus exactement des investissements faits dans le secteur minier notamment dans le pétrole.
Principale ressource d'exportation de l'Angola, la part des revenus pétroliers représente 60-70udget de l'Etat angolais.
Hormis le pétrole, le territoire de Cabinda dispose également d'autres richesses notamment de bois aux essences commerciales très rares et de minerais (phosphate, potasse, uranium, manganèse, fer, diamants, or) non encore ou insuffisamment exploités.
Les éléments avancés ci-dessus sont assez éloquents pour permettre à quiconque de mesurer l'ampleur des enjeux et de comprendre le vif intérêt accorde par les angolais et leurs protecteurs à l'occupation systématique du Cabinda qui, à leurs yeux, ne constitue m plus ni moins qu'"une poule aux oeufs d'or".
Pour mémoire, il convient de signaler que, avant les Accords de désengagement (Accord quadripartite Angola/cuba/Afrique du Sud, Etats-Unis signé à New York le 22/12/1988) ayant accéléré l'indépendance de la Namibie, un seul soldat cubain opérant en Angola dans le cadre du soi-disant "Internationalisme prolétarien" rapportait à l'Etat cubain pour services rendus, l'équivalent de 300.000 FCFA/mois versés en devises fortes ($ US) au trésor cubain.
Outre l'appui des troupes angolaises des FAPLA, les Cubains ont également assuré la protection des installations pétrolières.
Or, de sources dignes de foi, se trouvaient en Angola 30.000 à 50.000 cubains, d'où une entrée de la coquette somme de 144 milliards FCF/an représentant une recette assez substantielle pour un pays comme Cuba qui, avant son intervention en Angola (Opération Carlota), ne pouvait sur le plan économique, que compter sur la canne à sucre pour sa survie.
Ainsi donc, le Portugal qui en l'espace d'un an voyait lui échapper toutes ses anciennes colonies, n'hésita pas un seul instant, face aux avantages matériels que lui procurait pareille décision, à sacrifier le peuple cabindais à ses interlocuteurs angolais.
A bien réfléchir, pareille transaction, celle d'Alvor, ne pouvait qu'être profitable au Portugal car, comment pourrait-il en être autrement vu que, d'un côté (cas du Cap
Vert et de la Guinée-Bissau) les engagements souscrits vis-à-vis des populations sont respectés alors que, de l'autre (cas du Cabinda par rapport à l'Angola), ils sont bafoués. Même la colonie de Timor-Est, envahie en décembre 1975 par l'Indonésie, n'a pas eu droit à pareil traitement.
Grâce à l'aide de la Communauté internationale, ce pays s'est depuis 1999, affranchi de sa tutelle indonésienne.
PORTUGAL DIANTE DOS SEUS INTERESSES EM CABINDA
LE PORTUGAL FACE A SES INTERETS AU CABINDA
5- O testemunho firme da SAR o Duque Dom Duarte Pio de Bragança, descendente da dinastia que reinou sobre Portugal de 1640 até 1910, também grande amigo do Povo de Cabinda.
Ouvrir a entrevisa do Duque de Bragança ====>
Lien vers
http://video.google.com/videoplay?do...2365613680754#
SAR D. Duarte Pio, Duque de Bragança e a questão de Cabinda05:57 - Il y a 1 an
entrevista a SAR sobre a questão de Cabinda
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Re : HISTOIRE CACHE DU PORTUGAL -
14/09/2009, 02h37
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Dados históricos sobre o território
Du point de vue de l'histoire, le Cabinda est le résidu des anciens royaumes de Loango, Kakongo et Ngoio démembrés par la France, la Belgique et le Portugal. Les limites de ces royaumes ont été définies par l'Abbé Proyart et de nombreux géographes et historiens de l'époque, dont Proyart et D'Anville.
Il est des historiens qui situent l'existence de ces trois royaumes avant 1482, date à laquelle l'explorateur portugais Diego Cao est supposé avoir, lors de la période dite des grandes découvertes, franchi pour la première fois le Cap de Bonne Espérance.
En effet, dans "Histoire Générale de l'Afrique", l'historien africain Joseph Ki-Zerbo écrit à ce propos : "Au nord de l'estuaire du Zaïre, quatre royaumes peu connus, Anzique, Loango, Kakongo et Ngoio semblent avoir eu comme premiers dynastes les fils de la légendaire Ngonou et dater de la même période que le Kongo".
Lorsque en 1482 le navigateur portugais Diego Cao et plus tard, Vasco de Gama à la recherche de la route des épices, atteint l'embouchure du fleuve congo (zaïre), le royaume du Kongo avait déjà atteint son apogée. Sa capitale Mbanza-Kongo (San Salvador) située à peu près au centre, commandait six provinces (Soyo, Mpemba, Mbamba, Mpangu, Mbata et Nsundi) comprises entre la mer à l'ouest, les fleuves congo au nord, bengo au sud et kwango à l'est.
Plus au sud, jouxtaient le royaume du Kongo ceux du Dondo et de Matamba qui, après l'invasion des Jagas en 1569, constituèrent le royaume de Ngola d'où émane le nom de "Angola" attribué par les portugais à la colonies d'Angola, actuelle République d'Angola
Tout cela dénote, même si la thèse d'une lointaine dépendance des royaumes de Loango, Kakongo et Ngoio à Mbanza-Kongo (royaume du Kongo) souvent mise en avant pour justifier le rattachement de Cabinda à l'Angola semble plausible, il est un fait certain, à l'arrivée des européens le long des côtes africaines, ces trois royaumes s'étaient déjà affranchis du "Grand Kongo" et avaient acquis leur indépendance.
On affirme selon la tradition orale, confirmée par les écrits de nombreux explorateurs et navigateurs, que les trois royaumes étaient très liés et entretenaient entre eux des relations se situant au-delà de ceux de simple voisinage. Les mêmes historiens relèvent par ailleurs que l'idiome Kakongo, le même que celui de Loango, Ngoio, Iomba et autres petits états circonvoisins, diffère de celui du Kongo.
Au plan de l'organisation interne par exemple, à la tête de chacun des trois royaumes se trouvait un roi (le Ma-loango au Loango, le Makongo au Kakongo, et le Ma-Ngoio au Ngoio), lequel roi était secondé par un premier ministre, le Mamboma, sous l'autorité duquel était placé des administrateurs (Mfumu-nsi ou Mafucas) chargés de gouverner les différentes contrées du royaume. On relèvera pour preuve en ce qui concerne le Cabinda que, sur le traité de protectorat conclu le 1er février 1885 entre les princes et gouverneurs de Cabinda d'une part, et le représentant du roi du Portugal en la personne de Guillermo Augusto Brito Capelo, commandant de la Corvette "Rainha de Portugal" (Reine du Portugal) de l'autre, il apparaît clairement mentionné en bonne et due place et ce, suivant le rang des dignitaires, Ibiala Mamboma, roi représentant la régence.
L'explication à donner à cette situation, est que le roi venant de décéder, il incombait au premier ministre, le Mamboma la charge d'assurer la régence du royaume, ce jusqu'à la désignation du nouveau souverain.
LE CONTACT AVEC LES EUROPEENS ET LES TRAITES DE PROTECTORAT
Après la période qui suivit la découverte de la route du Cap, les contacts (très timides au départ) des populations autochtones avec les navires des trafiquants français, portugais, anglais et hollandais sillonnant la côte africaine en quête de marchés, devinrent de plus en plus fréquents.
Bien que dans la compétition qui s'en suivit le Portugal ait eu le premier, en certains points de la côte africaine, à prendre pieds à terre pour y installer des factoreries, d'où la prétention de faire valoir ses droits historiques fondés sur la priorité de la découverte), il n'avait cependant pas réussi avant 1870, sauf en Angola, à s'y implanter de manière permanente en raison de trois facteurs :
1- La faiblesse économique du Portugal vis-à-vis de ses concurrents européens ;
2- le climat trop chaud pour les européens et les maladies tropicales auxquelles se trouvaient confrontés les nouveaux venus et, enfin,
3 - l'hostilité plus ou moins marquées d'une partie des populations, hostilité attisée par les sorciers craignant de perdre leur influence sur les populations.
Du fait de cette présence, il s'instaura progressivement entre européens et autochtones, des relations essentiellement commerciales basées sur le système du troc. Parallèlement à la présence sur la côte des trafiquants et explorateurs européens, s'engagera dans la région l'action évangélisatrice des missionnaires allait se concrétiser le 25 juillet 1873 par la fondation de la première mission catholique de Cabinda, celle de Landana, une oeuvre des prêtres français de la congrégation du saint-Esprit. C'est dans ce cadre que le père CARRIE (1877 - 1883) sera nommé vice-préfet apostolique du Congo. C'est à cette époque que l'on verra les autochtones commencer à emprunter des noms et patronymes européens (voir exemples dans les traités de Loango de 1883, de Simulambuco de 1885 et autres).
Malgré le libre commerce qui s'était instauré dans la région, les Nations européennes, dans leurs courses effrénées aux nouveaux comptoirs et désir de conserver le monopole commercial, ne tarderont pas à manifester ouvertement leurs ambitions territoriales allant même jusqu'à l'affrontement. L'un des évènement ayant marqué cette période fut l'éviction des Portugais de Loango, le 12 mars 1883, suivie de la prise de Pointe-Noire le 21 juin soit trois mois plus tard, par Cordier, commandant de la Corvette française "Le Sagittaire".
Forts de l'expérience tirée des rivalités ayant opposé de 1879 à 1882 Henri Morton Stanley, travaillant pour le compte du roi Léopold II de Belgique, à Pierre Savorgnan de Brazza, oeuvrant pour le compte de la France, maître d'oeuvre du traité de 1882 entre la France et Makoko Ilo, roi des Batékés, au sujet du Bassin du fleuve congo, les Portugais inquiétés par la percée française vers Massabi, Malembo et Landana, s'empresseront afin de prendre de vitesse Belges et Français, de conclure des alliances avec les notables et chefs traditionnels des territoires convoitées de Loango, Kakongo et Ngoio. C'est ainsi que vont être conclus trois traités qui marqueront un tournant décisif dans l'histoire de ce qui allait devenir le Territoire de Cabinda :
1 - le traité de Chimfuma (29 septembre 1883) dans le royaume de Kakongo ;
2 - le traité de Chicamba (26 décembre 1884) dans le royaume de Loango et enfin,
3 - le traité de Simulambuco (1er février 1885) dans le royaume de Ngoio.
Ce dernier traité qui parachève le processus d'occupation portugaise de cette région, plaça juridiquement (au sens de l'article 34 de l'Acte général de la Conférence de Berlin), le territoire de Cabinda sous la protection du Portugal.
Notons que la conférence de Berlin qui débuta bien avant 1884, fut convoquée à l'initiative du Chancellier Allemand Bismarck pour régler la question du bassin du Congo disputé entre la Belgique, la France et le Portugal.
L'EXPRESSION DU NATIONALISME CABINDAIS
(A EXPRESSAO DO NACIONALISMO CABINDES)
Luís Ranque Franque, em ronda da política na região do Maiombe em Cabinda.
Luis Ranque Franque, en tournée politique dans la région du Mayombe au Cabinda.
DATES CRHONOLOGIQUES DE L'HISTOIRE DE CABINDA
(c) MLEC / FLEC - Créé à l'aide de Populus.
Modifié en dernier lieu le 31.08.2007 - Déjà 7645 visites sur ce site!
VOICI LA VERITE SUR LA DECOUVERTE DES PORTUGAIS AVANT QUICONQUE VEUX TRANSFORMER L HISTOIRE A SON AVANTAGE NUL BLANC ET DECOUVREUR AVANT LES PORTUGAIS AVAIENT DECOUVERT LE CENTRE DE L AFRIQUE
CEUX OSENT DIRE QUE DES FRANCAIS OU HOLLANDAIS OU ANGLAIS AURAIENT DECOUVERT SONT DES MENTEURS
C ETAIT UNE JUNGLE SAUVAGE PEUPLE DE PEUPLES PRIMITIFS QUI N AVAIENT PAS D ECRITURES A L AQUELLE L HOMME BLANC PORTUGAIS A DONNER SA LANGUE
SA CULTURE SON ESPRIT ET SON ECRITURE ET SES VILLES BATIES AVEC L ESPRIT ET LE COURAGE DE NOS ANCETRES
L AFRIQUE CENTRALE ET L AFRIQUE DU SUD NOUS DOIT TOUT !
VOICI LES PREUVES INSCRITES SUR UNE GROTTE
AU BAS CONGO A KANGU MAYUMBE
On y voit les armoiries portugaises adoptées en 1485: un écu portant cinq écussons chargés chacun de cinq besants. L'écu est accompagné d'une croix et d'inscriptions à la mémoire du Roi Dom Jean II de Portugal.
KANGU - MAYUMBE - BAS-CONGO - Le Fleuve Congo ou Zaïre - De Banana à Matadi
Les premiers contacts eurent probablement lieu à l'embouchure même du fleuve, avec le peuple Solongo, sur la rive opposée à l'actuelle Banana, à un endroit qui portera plus tard le nom de "São Antonio do Zaïre", région du nord-ouest de l'actuel Angola.
Il élève à la pointe San Antonio (encore appelée "cap Padron")
en face de Banana un monolithe en pierre padro (padrãos) portant le blason du Portugal et surmonté d'une croix pour rappeler le souvenir de son passage. Avec une inscription qui permettrait de situer la découverte du fleuve Zaïre le 23 avril 1482
Jeté bas par les Hollandais en 1642, il fut retrouvé par un voyageur suédois en 1886 et se trouve actuellement au Musée de la société de Géographie de Lisbonne. le Musée de l'Afrique Centrale de Tervuren en possède une copie.
Diego Cam continue son voyage vers le sud jusqu'au cap Sainte Marie à 13°26 de latitude sud. A bout de ressource, il remonte vers le Zaïre et entre en contact avec le roi de Congo. Le royaume de Congo, fondé au XIIIe siècle, s'étendait sur la rive gauche du Zaïre jusqu'à proximité du stanley-Pool et de la rivière Kwango à l'est et jusqu'à Loanda au sud. Sa capitale était Mbanza Kongo qui sera rebaptisée plus tard San Salvador (à proximité de la frontière sud du Congo).
L AFRIQUE DU SUD ISSUS DES BOERS ET DE LA HOLLANDE FURENT LES PIRENT ENEMIES DU PORTUGAL PENDANT DES SIECLES AYANT TOUJOURS JALOUSE LES TERRES DU PORTUGAL
ET APRES AVOIR PERDU L ANGOLA ILS SE JETERENT SUR LUANDA TELS DES HYENES SUR LA CARCASSE DE LA BETE ABATTUE !
Lors du deuxième voyage de Câo en 1485 des relations se nouent entre Portugais et indigènes, entre le roi de Congo d'une part et entre le roi du Portugal et même avec le Pape d'autre part.
Il remonte le fleuve avec ses deux caravelles, après avoir passé difficilement le "chaudron de l'enfer", il atteint les premiers rapides en amont de Matadi ou cataractes de Yellalla.
son embouchure à Banana, le fleuve Zaïre, atteint environ 10.000 mètres de largeur. Le débit moyen des eaux s'établit à 42.000 mètres cubes par seconde de moyenne, avec un étiage de 29.000 m3/s et 75.000 m3/s en haute eau. Pour comparaison, la Seine a un débit moyen de 75 m3/s.
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Carte tirée de l' "histoire Générale des Voyages" de l'Abbé Prévost.
On y voit les armoiries portugaises adoptées en 1485: un écu portant cinq écussons chargés chacun de cinq besants. L'écu est accompagné d'une croix et d'inscriptions à la mémoire du Roi Dom Jean II de Portugal
En souvenir de son passage Cão fait graver dans le rocher une inscription sur la rive gauche en amont de Matadi.
Dernière modification par duarte1 ; 14/09/2009 à 02h44.
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Cheval
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Re : HISTOIRE CACHE DU PORTUGAL -
14/09/2009, 03h12
L AFRIQUE DU SUD ISSUS DES BOERS ET DE LA HOLLANDE FURENT LES PIRENT ENEMIES DU PORTUGAL PENDANT DES SIECLES AYANT TOUJOURS JALOUSE LES TERRES DU PORTUGAL
ET APRES AVOIR PERDU L ANGOLA ILS SE JETERENT SUR LUANDA TELS DES HYENES SUR LA CARCASSE DE LA BETE ABATTUE !
LA RUSSIE ELLE ET LES USA POUR S AFFRONTER EN GUERRE FROIDE ALLIGNAIENT LEURS PIONS SUR UNE TABLE
D ECHECS NOMMEE ANGOLA TELLE UNE FIN DE MISSION D GUERRE LABORATOIRE
LES RUSSES AYANT DELOGE LES PORTUGAIS IL NE RESTAIT PLUS QU A ELIMINER
LES FORCES SUD AFRICAINES
MALHEUREUSEMENT POUR LA RUSSIE
LES COMPTES DU GEANT NE POUVAIENT PLUS SOUTENIR L EFFORT DE GUERRE
ET LE MUR DE BERLIN ALLAIT BIENTOT TOMBER....
L AFRIQUE DU SUD ISSUS DES BOERS ET DE LA HOLLANDE FURENT LES PIRENT ENNEMIES DU PORTUGAL PENDANT DES SIECLES CETTE NATION A TOUJOURS JALOUSE LES TERRES DU PORTUGAL
ET APRES LE DEPART DES PORTUGAIS ILS SE JETERENT SUR LUANDA TELS DES HYENES AFAMEES SUR LA CARCASSE DE LA BETE ABATTUE !
VOICI LA GUERRE CIVIL D ANGOLA CHAMP DE BATAILLE ENTRE L AFRIQUE DU SUD ET CUBA
LES SUD AFRICAINS PILOTES PAR LES USA
ET CUBA PILOTE PAR LA RUSSIE
AFINAL OS QUE MATAVAM MULHERES VELHOS E CRIANçAS HOJE FALAM
AINDA DIZIAM QUE ERA A MALTA PORTUGUESA
FINALEMENT CEUX QUI TUAIENT LES FEMMES LES VIEUX ET LES ENFANTS AUJOURDHUI
ILS PARLENT ET ON DISAIT QUE C ETAIT LES PORTUGAIS
LE MASSACRE DES POPULATIONS EST UNE VIEILLE TACTIQUE POUR FAIRE PORTER LE CHAPEAU DE MECHANT A DES SOLDATS QUI FAISAIENT LEURS BOULOT DE SOLDATS
VOIRE GUERRE CIVIL D ANGOLA CHAMP DE BATAILLE ENTRE L AFRIQUE DU SUD ET CUBA
LES SUD AFRICAINS PILOTES PAR LES USA
ET CUBA PILOTE PAR LA RUSSIE
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Cheval
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Re : HISTOIRE CACHE DU PORTUGAL -
14/09/2009, 14h07
VOICI L HISTOIRE DE CEUX QUI ONT MASSACRER DES FEMMES DES ENFANTS ET DES VIEUX DANS LES VILLAGES DONT PAS MAL DE MEDIAS ONT FAIT PASSER CES CRIMES
PAR LES SOLDATS PORTUGAIS
EN VERITE CE TYPE DE CRIME SUR DES INNOCENTS OU DE MASSACRE DE MASSE ORGANISES SOIT PAR DES MERCENAIRES D AFRIQUE DU SUD OU RUSSES OU CUBAINS ETAIENT SPECIALEMENT ETUDIE
POUR METTRE A DOS L OPINION MONDIAL SUR LE PORTUGAL ET ETUDIES STRATEGIQUEMENT
AFIN DE CULPABILISER LES PORTUGAIS D UN COLONIALISME CRUEL ET SANGLANT
VOICI ICI LES REPENTIS DES VIEUX SOLDATS QUI RACONTENT
TOUS LEURS MASSACRES DANS LES DETAILS
CAR ILS CRAIGNENT LE JUGEMENT DE DIEUX
QU ILS AILLENT EN ENFER !
EIS A HISTORIA DAQUELES QUE MASSACRARAM MULHERES CRIANçAS E VELHOS
NAS ALDEIAS AONDE OS MEDIAS FIZERAM PASSAR ESSES CRIMES NA CONTA DE SOLDADOS PORTUESES
NA VERDADE ESTE TIPO DE CRIME SOBRE INNOCENTES E MASSACRES DE MASSA FEITOS POR MERCENARIOS SUL AFRICANOS RUSSOS OU CUBANOS ERAM ESPECIALMENTE ESTUDADOS E FEITOS COMO ESTRATEGIA DE GUERRA PARA MUDAR A OPINIAO PUBLICA SOBRE PORTUGAL AFIN DE CULPABILISAR O COLONIALISMO PORTUGUES COMO UM COLONIALISMO CRUEL E SANGRENTO
TOUS LES CARTES ONT ETE TIRES POUR FAIRE EN SORTE QUE LES PORTUGAIS SORTENT DE LEURS PROVINCES DE L OUTREMER..
TODAS AS CARTAS FORAM TIRADAS PARA FAZER COM QUE OS PORTUGUESES SAISSEM DAS SUAS PROVINCIAS DO ULTRAMAR ..
http://www.youtube.com/watch?v=q-Kz5...layer_embedded
O PIOR A OUVIR FORAM OS RUSSOS
EIS AQUI UMA DESCRIçAO FEITO PELO SOLDADO RUSSO A EXPLICAR COMO VIOLAVAM RAPARIGAS NOVINHAS E MATAVAM NAS
E TERRIVEL A CRUELDADE DES TIPOS
LE PIRE A ENTENDRE CE SONT LES RUSSES
VOICI LA DESCRITION FAIT PAR CE SOLDAT RUSSE QUI EXPLIQUE COMMENT
IL TUAIENT DES JEUNES FILLES EN LES VIOLANT D ABORD
OS ESTADOS UNIDOS FORAM UMS DOS PAIS QUE UTILISOU
SEMPRE MAIS VIOLENCIA SOBRE CIVIS TEMOS UM EXEMPLO DO VIETNAM
LES ETATS UNIS FUT UN DES PAYS QUI A UTILISE LE PLUS DE VIOLENCE
SUR LES CIVILS NOUS AVONS UN EXEMPLE AU VIETNAM
SEUS SOLDADOS FORAM OS MAIS ABANDONADOS AOS SEUS TRAUMAS
LEURS SOLDATS FURENT LES PLUS ABANDONNES A LEURS TRAUMATISMES
EM PORTUGAL A PENSAO RIDICULA DOS VETERANOS DEMOSTRA O DESPREZO QUE TEM O ESTADO TEM PELOS SEUS VETERANOS
AU PORTUGAL LA PENSION RIDICULE DE SES VETERANS DEMONTRE LE MEPRIS
QUE L ETAT A POUR SES VETERANS
OS TRAUMAS DE GUERRA
LES TRAUMATISME DE GUERRE
A MEMORIA NA SE APAGA 20 ANOS DEPOIS
LA MEMOIRE NE S ETEIND PAS 20 ANS APRES
NEM AS FAMILIAS ESQUECEM TANTO MORTE PARA FINALEMENTE ABANDONAR AO INIMIGO O QUE ERA DE PORTUGAL
NI LES FAMILLE OUBLIENT TANTS DE MORTS POUR FINALEMENT ABANDONNER A LENNEMI CE QUI ETAIT AU PORTUGAL
A FIM DO IMPERIO
O LIVRO DO SPINOLA
O PORTUGAL DO FUTURO
ELE JA SABIA TODA A VERDADE AINDA A GUERRA NAO TINHA ACABADO....
35 ANOS PARA TRAZER A PORTUGAL OS RAPAZES NOSSOS SOLDADOS SEPULTADOS NO ULTRAMAR UMA VERGONHA !
35 ANS POUR RAMENER AU PORTUGAL NOS GARS NOS SOLDATS ENTERRES EN OUTREMER
UNE HONTE !
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Cheval
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Re : HISTOIRE CACHE DU PORTUGAL -
17/09/2009, 08h31
LES TROUPES VAUTOURS ET LA GUERRE OUBLIE....
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Cheval
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Re : HISTOIRE CACHE DU PORTUGAL -
17/09/2009, 09h37
15 000 MUERTOS CUBANOS EN ANGOLA !
ERA TERRIBLE PARA EL PUEBLO DE CUBA IR SE A ANGOLA
DAVAM TUDO PARA NO IR SE A ANGOLA
PERO EL QUE NO QUERIA IR SE LE TIRAVAM TUDO .... TESTIGOS IN VIDEO
JUICIO MILITAR PARA LOS QUE DICEM LA VERDAD
CASTIGO PARA LOS QUE HABLAM Y DICEM LA VERDAD : FUZILADOS ! NUM PAIS QUE SE DICE ENSENAR LA LIBERTAD ..AL MUNDO Y LIBERTAR EL MUNDO ..
UM PAIS QUE HA SIDO EL BRACO ARMADO DEL PAIS MAS CRIMINAL DEL MUNDO
QUE HA ENSENADO AL MUNDO EL COMUNISMO FACHISTA
CONCEPTO DE UNA REVOLUCION QUE HA SIDO
PREPARADA POR MERCENARIOS REVOLUCIONARIOS FACHISTAS QUE HAN ENSENADO
EL MIEDO Y EL TERROR EN LA FAMILIAS PARA NO CONTESTAR EL REGIME
AN CONTRIBUIDO Y EXISTIDO PARA EXECUTAR LAS ORDEM DEL PAIS MAS FACHISTA DEL MUNDO
DONDE SU MISSION PRINCIPAL
HA SIDO INVADIR PUEBLOS Y MATAR INOCENTES EN ANGOLA
DEPUES QUE SUS DUENOS DEL KGB AN ARMADO LOS REBELDES COM ARMAS PODEROSAS
CONTRA LOS PORTUGUESES
36 000 SOLDADOS
UNA DEUDA COM LA HISTORIA ...
NOS AN ENSENADO LA BARBARIDAD DE LA IRRESPONSABILIDAD HUMANA EM NOMBRE DE LA LIBERTAD
UM PUEBLO QUE VIVE COM EL MINIMO EL DIA A DIA PARA VIVIR SE COM DIGNIDAD
PERO PARA LA ARMAS Y CANHONES NO FALTA DINERO...
DESGRACIADOS COBARDES....QUE ESTAN DE PASSAGEM POR ESTE MUNDO...
SUS LECCIONES DE LIBERTAD ES COBARDIA Y OPRESSION Y OPORTUNISMO
MAIS UM ADVOGADO QUE MANDOU NA HISTORIA ...
FINALMENTE LA VIDA DE LOS ANGOLENOS CONTINUA IGUAL CON VUESTRA LIBERTAD OU NON
LA GESTION DEL SOCIALISMO A NIVEL INTERNACIONAL HA SIDO HACER EL COMERCIO DE IDEIAS COM OTROS PAISES ADONDE LA TRANSACCION FINAL Y LA FINALIDAD DESTE COMERCIO HA SIDO MANDAR LOS HIJOS DE SU PUEBLO Y SUS POBRES PARA EL COMBATE
EN NOMBRE DE LA LIBERDAD Y DE LA DEMOCRACIA
Dernière modification par duarte1 ; 17/09/2009 à 09h43.
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