Accueil des forums Inscription au Forum franco-lusophone Transférez-nous vos images nous les hébergeons ! Accès direct au tableau de bord/ Connexion
Précédent   Forum - Portugal-Tchat.com > Catégorie principale > Discussions générales, on parle de tout et de rien ...
Discussions générales, on parle de tout et de rien ... Discussões gerais, fala-se de tudo e de nada...

PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....

Réponse
 
LinkBack Outils de la discussion Modes d'affichage
Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....
Vieux
  (#41 (permalink))
Cheval
duarte1 is an unknown quantity at this point
 
Déconnecté
Messages: 2 395
Date d'inscription: octobre 2007
Par défaut Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI.... - 07/06/2009, 15h29

OS VENTOS DA HISTORIA E A NUVEMS SOMBRAS DO COMUNISMO COM SEUS AGENTES
QUE ASSOMBRARAM PORTUGAL

«O CASO DE ANGOLA» —1964

PALAVRAS PARA A JUVENTUDE

«Portugal tornou-se ultimamente um obstáculo difícil para o comunismo internacional. Difícil de transpor na Europa, onde o bloco ibérico representa uma forte e resoluta barreira contra a subversão. E difícil de transpor em África, onde a nossa imprevista resistência está a impedir a conclusão do cerco da Europa pelo sul, dando tempo ao Ocidente para acordar de algumas incríveis ilusões.

Não nos deixámos intimidar pela selvagem ameaça das catanas ensanguentadas, mantivemos o rumo contra os enfurecidos «ventos da história»; resistimos à clamorosa gritaria do mundo inteiro conci*tado contra nós; à tumultuosa campanha de mentiras e calúnias respondemos com a persistente e clara demonstração da verdade. Aguentámos a agressão do inimigo, não desanimámos com a traição dos aliados e sorrimos amargamente dos conselhos de falsos amigos, empenhados em nos ajudar a fazer a vontade ao pior dos inimigos.

Para os agentes da subversão mundial, nós somos, sem dúvida alguma, um osso duro de roer. Não admira, pois, que o comunismo internacional se encarnice contra nós, usando as suas armas mais efi*cazes e os seus processos mais subtis.

Frustrado nos seus desígnios de aterrorizar as populações ango*lanas pela vaga sanguinária, batido pelas Forças Armadas na luta de guerrilha (1). Desmentido na propaganda por factos insofismáveis, o inimigo recorre à sua estratégia mais aperfeiçoada. Agora o alvo é a Juventude!

É este o sentido da presente campanha de infiltração comunista camuflado sob as aparências mais simpáticas para o sentimentalismo da juventude universitária de Portugal. Actuação insidiosa, porque a mocidade é generosa. Actuação perigosíssima. Porque chega de tal forma dissimulada que grande parte dos estudantes só acredita na presença do comunismo quando já não pode recuar. Emboscada verdadeiramente diabólica, que principia em simples ajudas econó*micas ou em meras manifestações de simpatia por solidariedade aca*démica, para resvalar até ao incitamento à deserção do serviço militar, à fuga e, algumas vezes, à lavagem ao cérebro para o deci*sivo alistamento na guerra subversiva contra a própria Família e con*tra a Pátria.

Tal é agora o perigo. Trata-se de um perigo que a Nação portuguesa vencerá também, com a sua experiência multissecular de todas as manhas e ardis do inimigo e com o seu instinto vital de independência. Mas trata-se igualmente dum resvaladouro em que podem sucumbir muitos estudantes bem intencionados e sinceros, que não se apercebam a tempo da teia satânica a que os atraem.

Urge pois que os homens conscientes e experimentados defen*dam a juventude desta ameaça morta/. Ê preciso fazer-lhes sentir que há. nesta hora em que nos batemos contra as maiores forças malignas do mundo, grandeza bastante para encher todas as ânsias de reali*zação humana. É preciso demonstrar-lhes que existe neste combate pela consolidação da sociedade multirracial, em que prosseguimos e completamos a obra do Infante, ideal suficientemente alto para satis*fazer a generosidade dos corações juvenis.

Os rapazes e as raparigas de todo o ocidente são agora o alvo preferido pelos agentes da subversão mundial. Trata-se de uma autêntica batalha psicológica, habilmente comandada e financiada por verdadeiros marechais da inteligência e em que se empenham todos os meios necessários e as técnicas mais avançadas da psico*logia e da psicosociologia.

Perante esta ameaça mortal, a juventude dos nossos dias com*porta-se como a juventude de sempre: corre alvoroçadamente atrás de tudo o que lhe parece moderno e progressista, adere com entusiasmo ao que se lhe apresenta como manifestação de justiça ou generosidade e acaba sempre por trocar a sua preciosa herança multissecular por um prato efémero de lentilhas, mal cozinhadas e de digestão difícil.

A juventude de Portugal não podia ser poupada.

Até porque Portugal, na sua dimensão exacta de Nação multir*racial e pluricontinental, esteve sempre na vanguarda da defesa do Ocidente, daí que o comunismo internacional ataque com as suas melhores armas esta barreira que vitoriosamente se lhe opõe na Europa e em África.

Há grandeza, porque na resistência nacional contra a agressão estrangeira ao U/tramar português, tanto nos aspectos militares como no que se refere ao comportamento das populações e das actividades económicas, estamos a conseguir resultados que mais ninguém ainda conseguiu, manter um exército em armas, na eficaz guarnição de ter*ritórios separados por milhares de quilómetros. E isto é uma realidade que provoca espanto e surpresa em amigos e em inimigos.

Há ideal, na medida em que nos recusamos a abandonar, como outros o fizeram, populações com quem fomos os primeiros euro*peus a conviver e que, queiram ou não, soubemos integrar fraterna/*mente numa Pátria comum.

E há glória porque, no meio de muitas nações que se deixaram intimidar pêlos chamados «.ventos da história», temos sido os únicos a aguentar o leme da tempestade e já ganhámos em África a primeira, talvez a única, grande vitória do Ocidente.”


REIS VENTURA— 1964
   
Digg this Post!Add Post to del.icio.usBookmark Post in TechnoratiPartager sur Reddit! Wong cet article!Partager sur Facebook
Réponse avec citation
Publicité
Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....
Vieux
  (#42 (permalink))
Cheval
duarte1 is an unknown quantity at this point
 
Déconnecté
Messages: 2 395
Date d'inscription: octobre 2007
Par défaut Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI.... - 07/06/2009, 15h45

HISTORIA DE AFRICA

MEMORIAS DE UM VELHO PORTUGUES TRAIDO POR GENTE D AFRICA A QUEM TINHA FEITO BEM



«FOMOS ENGANADOS POR ESSES BANDIDOS CRIADOS DOS HOMENS DO LADO DE LÁ»

Fernando Farinha





O VELHO CAFAIA



Naquele isolado posto administrativo do Norte de Angola, havia um cozinheiro, já entrado em anos, se bem que ainda rijo das pernas e ágil de pensamento. Não interessa revelar o seu verdadeiro nome. Podemos chamar-lhe Cafaia.

Com 6 anos, tinha entrado ao serviço do patrão velho, como «criado do menino». Depois, o «Nequitas» crescera, casara, sucedera ao pai que se tinha finado em Lisboa, com os anos cheios. E agora era o patrão, o senhor Manuel, já quase tão velho como ele, que também progredira até à categoria de cozinheiro da casa e um dos melhores cozinheiros daquelas redondezas.

Ora o Cafaia tinha dois filhos no Congo ex-belga. E do mais velho deles acabava de receber longa carta, em mão dum negro alto e trombudo, que não era preto de Angola, não senhor.

Soletrou penosamente a prosa do filho, um rapagão educado e bem falante que até liceu tinha, e ficou a olhar interrogativamente as antipáticas e arrogantes ventas do emissário.

Então o ferrabraz começou a falar... Falava mal e porcamente a língua da região, de mistura com alguns termos de português e com pronúncia tão exótica que ao experiente Cafaia bastava e sobrava para denunciar o estrangeiro.

Naquele recanto escuro do quintal, sob a noite sem lua, em tom de confidência, pródigo de gestos e argumentos, o recoveiro de Léopoldville falou, falou, falou ...

Em seguida, entregou ao velho um papel dactilografado, infor*mando:

— Está aí tudo escrito.

O cozinheiro, que escutara o emissário com espanto crescente, ruminou lentamente os dizeres do papelucho e acabou por declarar, já com autêntico terror:

— Não podi! ... Eu não podi fazer esses malandrice que aí está mandado!

— Não pode?! — estranhou o recém-vindo na sua voz de tra*pos. — Atão, se você está mesmo do lado dos cangundo português, tem de morrer!

— Não faz mal...—disse o cozinheiro. — Eu já está a ficar cacanha ...

— Mas os teus filhos que está no Léo é novo — contestou o congolês, arreganhando a dentuça feroz. — E você sabe o que vai-lhe acontecer?!...

Sucumbido, o Cafaia tapou os olhos cansados com as mãos nodosas, como a fugir àquela visão horrível do que poderia aconte*cer aos seus rapazes, em Léopoldville, quando o malvado trans*mitisse a sua recusa ao Grande Chefe e ao Grande Feiticeiro ...

E, vendo-o assim amolecido e perplexo, o tentador insistiu nos seus argumentos. Demonstrou que ia ser mais fácil do que fora no Congo ex-belga. E que eles ficariam com o dinheiro dos brancos, com as casas dos brancos, com as mulheres bonitas dos brancos ... Contou-lhe as artes formidáveis dos grandes feiticeiros do Congo, o seu milongo da coragem, que tirava o medo e a dor, os pauzinhos que livravam das balas dos brancos. Que, de resto, os portugueses não tinham armas a valer. Era tudo a fingir. As metralhadoras só mijavam água quente. As balas não entravam na carne. Ele próprio tinha experimentado a virtude do pauzinho enfeitiçado. O grande fei*ticeiro metera-lhe o feitiço entre os dentes e, a seguir, dera-lhe cinco tiros com uma pistola de Lisboa, sem que ele tivesse sentido nada. Absolutamente nada! Era mesmo feitiço valente.

Falou-lhe, depois, dos filhos, dois gajos fixes, que eram da Direcção da U PA, que mais tarde haviam de ser ministros do Congo ex-português ...

Falou, falou, falou ... Até que se cansou de falar e perguntou:

— E então?

O velho esfregou os olhos, no jeito de quem não consegue libertar-se dum pesadelo, e respondeu:

— Tá bem ...

Quando a noticia dos massacres de 15 e 16 de Março chegou ao longínquo posto administrativo, o senhor Manuel quis levar a mulher para Luanda. Mas ela não concordou. Que não senhor! A sua obrigação era ficar ao pé do seu marido. Que não tinha medo nenhum!

E ficou.

Mas, embora o negasse, para não afligir o seu homem, lá medo tinha, e muito!

Por isso, desabafou com o cozinheiro, tão antigo na casa, que era como se pertencesse à família.

— Mataram tanta gente, Cafaia!

— É mesmo ...

— Tu sabes por que é que aconteceu tudo isto?

— Eu não sabe, minha senhora. Ou preto está mesmo maluco ou, atão, virou bandido ...

— Olha, Cafaia... — continuou a atribulada senhora. — Você é amigo do patrão e da senhora, não é?

— É mesmo na verdade.

— Foste criado com o patrão, andaste com ele ao colo, conhece-lo de pequenino e nós até somos padrinhos de um dos teus filhos ...

— É verdade! — confirmou o velho, abanando a cabeça.

— Então, se tu souberes de alguma coisa contra os brancos aqui da povoação, vens avisar-nos?

— Eu não sabe nada! — respondeu o preto, evasivamente.

— Ninguém diz que sabes — condescendeu a senhora. — Mas podes vir a saber. E, nesse caso, só te peço que me avises, ao menos a mim, para eu ir embora. Se quiseres, vais connosco. Se não quiseres ir, ficas, que eu nunca direi a ninguém que me avisaste. Está bem?

— Tá bem! Se eu souber de alguma confusão, eu digo na senhora ...

Nessa noite, ao voltar do seu turno da ronda da milícia, o senhor Manuel avistou um vulto que se esgueirava sorrateiramente dum recanto do quintal de sua casa.

— Alto, ou estouro-te os miolos! —berrou, metendo a arma à cara.

— Não atira, patrão! Sou eu! — respondeu o cozinheiro, aflito, erguendo as mãos ao ar.

— Que raio andas tu a fazer aqui, a estas horas?!

— Acordou com barulho daquela banda e veio ver se era bandido. Mas era só gato nos brincadeira dele ...

A explicação era aceitável, mas não agradou ao velho colono, que os recentes acontecimentos haviam tornado nervoso e descon*fiado ... E, em todo o resto da noite, rolou e rebolou na cama, trabalhado por estranhas suspeitas. Que diabo teria ido fazer o Cafaia, até ao fundo do quintal, às 2 horas da manhã?! ... O velho andava distraído, amorrinhado, esquisito ... Tão depressa punha «bispo» nos guisados como servia a «moamba» mais ensossa e revida que uma solteirona de 70 anos ... Não era o mesmo homem, lá isso é que não era! Porquê?

Não que ele desconfiasse do cozinheiro. Não senhor! Pelo velho Cafaia, punha ele as mãos no fogo. Mas palpitava-lhe que andavam a querer desencaminhá-lo, embora sem resultado ...

Amanheceu, sem poder conciliar o sono, de preocupado que esteve, sempre a marralhar nestas ideias.

Mal se levantou, ainda antes do banho e do mata-bicho, deu por si a caminhar para o recanto do quintal, donde, havia horas, vira sair o cozinheiro.

Mesmo no ângulo interior do muro da vedação, junto duma laranjeira em crescimento, a terra estava mexida de fresco.

O senhor Manuel foi buscar um sacho de jardinagem e cavou, já deveras intrigado, até bater num monte de pedras, a cerca de meio metro de profundidade ...

Retirou os calhaus, um a um, e, no meio deles, acabou por encontrar uma garrafa, das de cerveja CUCA, rolhada e lacrada. Partiu-a contra o muro e retirou de dentro dela um rolo de papel, que desdobrou e leu ... Leu e custou-lhe a tomar consciência do que lia ...

Era o plano traiçoeiro e minucioso da chacina de todos os bran*cos do posto e da pequena povoação comercial. O chefe da operação, já nomeado pela U PA «administrador» daquela terra, seria o Cafaia, que começaria por assassinar o patrão, ao levar-lhe o mata-bicho, em dia que oportunamente lhe seria comunicado por novo emissário dos comandantes de Léo ...

Aturdido, cambaleando como sob os efeitos duma tremenda marretada na cabeça, o branco meteu o papel ao bolso, voltou a casa, foi buscar a pistola à gaveta da mesa de cabeceira, meteu uma bala no cano, sentou-se à mesa da sala de jantar e mandou chamar o cozinheiro.

O velho compareceu segundos depois e ficou em pé diante do patrão, a limpar as mãos ao avental branco, calado e com aquele seu ar abstracto dos últimos tempos.

— Sabes o que é isto? — perguntou-lhe, de repente, o senhor Manuel, tirando o papel da algibeira e desdobrando-lho em frente dos olhos ...

O preto inteiriçou-se, numa brusca sacudidela, arregalando os olhos, como no pavor duma aparição diabólica. Mas logo recaiu numa espécie de torpor apático, em que a sua momentânea tensão se esvaziou como o vento dum balão que cede à pressão excessiva ...

— Sabes o que é isto? — repetiu o patrão, num berro de raiva terrível.

— Eu sabe... — confessou o preto, indiferente e conciso.

Nervosamente, a mão do branco apertou, dentro do bolso, a coronha da pistola ... Mas dominou-se e começou a dizer, numa voz baixa, surda, tensa, amargurada:

— Com que então, Cafaia, eras tu que me ias matar?! O velho curvou a cabeça, num silêncio confirmador...

— ... Tu, que foste criado comigo, a quem meu pai ensinou a ler e a escrever... Fui eu quem te pagou os estudos dos teus filhos no liceu de Luanda ... Sou até padrinho dum deles ...

— É verdade, patrão l

— E tu ias mesmo matar-me?!

— Ia mesmo.

— Quando?

— Quando viesse a ordem...

— Mas porquê, malvado?! — gritou o branco, erguendo-se.

— Eu não é marvado, patrão! Mas eu tinha de cumprir a ordem ...

— E também matavas a senhora?

— Não! ... A senhora não! A senhora falou para eu lhe avisar, se soubesse da «confusão». E eu havia de avisar, sim senhor, para ela fugir. Mas agora o patrão já descobriu tudo; vai matar Cafaia; e acabou-se. Assim fica tudo mais melhor...

O branco sentou-se outra vez, tapou o rosto com as mãos; e esteve assim durante mais dum longo minuto, preso na vertigem daquela situação incrível. Depois, com um murro na mesa, disse para o preto:

— Desaparece da minha vista!

— Eu não sai daqui! Patrão tem de me matar...

— Foge, besta do inferno! Eu não te quero matar; mas foge,
estúpido animal!

O preto, fingindo obedecer, deu meia volta e saiu da sala. Mas voltou quase logo, brandindo uma catana, desengonçando-se em cabriolas grotescas, partindo louças e escavacando cadeiras.

— Pára, maldito! — vociferou o branco, empunhando a pistola.

— Não pára nada ! O patrão tem de matar a mim, ou eu tem de matar o patrão ...

E avançou, de catana erguida ...

Dois tiros partiram, quase simultâneos. O velho Cafaia largou a catana, dobrou-se com ambas as mãos contra a barriga e tombou para o chão, enrodilhado e miserável como um trapo ...

Mas quando o senhor Manuel, que arremessara a pistola para longe, correu a curvar-se sobre ele, já arrependido, já tomado duma enorme piedade, numa tumultuosa confusão de sentimentos contraditórios, o velho rosto do negro agonizante abriu-se num doloroso sorriso. E daquela boca torcida donde começava a escorrer uma baba san*guinolenta, saíram, sumidas e sincopadas, as seguintes palavras:

— Obrigado, patrão! Assim foi mais melhor...
   
Digg this Post!Add Post to del.icio.usBookmark Post in TechnoratiPartager sur Reddit! Wong cet article!Partager sur Facebook
Réponse avec citation
Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....
Vieux
  (#43 (permalink))
Cheval
duarte1 is an unknown quantity at this point
 
Déconnecté
Messages: 2 395
Date d'inscription: octobre 2007
Par défaut Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI.... - 07/06/2009, 15h58

OS MARIONETAS DA GUERRA FRIA

O FUTURO DA AFRICA

MESTICOS OU PARDOS AMARELOS?


RECORTES DA 1ª EDIÇÃO (1963):
RECORTES DA 1ª EDIÇÃO (1963):




Vale a pena viver quando de nós dependem alternativas tão opostas como a vida ou a morte, um progresso sem precedentes ou o regresso ao primitivismo da selva. E nós temos agora à frente um dilema terrível: ou nos salvamos erguidos em exemplo para o mundo inteiro, ou totalmente nos perdemos no lodo e na miséria sem remissão... Na grande e rumorosa vaga, assoprada contra Portugal pêlos ventos conjugados do comunismo internacional e das oligar*quias do dinheiro, só duas coisas nos são possíveis: ou cavalgá-la, transformando-a num pedestal de novas glórias lusíadas; ou sucumbir ao seu peso, aceitando-a como triste mortalha duma feia morte sem ressurreição.

Esta é a grandeza desta nossa Angola do tempo presente. Nela, os governantes que enfrentam corajosamente a multiplicidade e simultaneidade dos problemas — todos urgentes — podem agora engrandecer-se à escala mundial. Nela, o homem vulgar que já inscreveu na história insignificantes povoações de meia dúzia de fogos, pode ser parte activa e muito valiosa na primeira vitória que o Ocidente está a ganhar no continente africano.

Destas realidades nasce a inefável e profunda euforia com que todos nós falamos dos perigos já vencidos (aquela intima satisfação com que se afirma: «eu estive lá...») e a tensão de alma e a determinação da vontade com que encaramos os perigos e dificuldades a vencer.

Há boas razões para esta nossa atitude. A primeira, e a mais intuitiva, é o direito inalienável e indiscutível do homem à vida e ao fruto do seu trabalho. Os brancos e mestiços de Angola, que são os mais directamente ameaçados pelo racismo, sabem que defendem a sua casa e a sua vida. Não há propaganda ou insídia capa%_ de vencer o estímulo destas realidades. A defender a vida e o lar qualquer homem se transforma num herói.

Disto se esquecem os grotescos parvalhões do Comité Americano para a África, quando sonham com uma Angola vazia de portugueses e, por isso mesmo, aberta à sua cobiça de adoradores do Bezerro de Ouro. A congolização de Angola, ainda que não deparasse com a indefectivel resistência de Portugal inteiro, teria sempre de esbarrar na muralha viva de algumas centenas de milhares de homens, aqui nascidos ou radicados, que, chegada a hora do desespero, ganhariam a força espantosa e terrível dos que decidem morrer, mas devagar... E quem pode imaginar a pavorosa hecatombe que então arruinaria para sempre o futuro desta bela terra?

É isso que desejam os novos amigos dos povos negros e alguns dos principais responsáveis pelo futuro do Ocidente? Ou pensam que, se por desgraça nossa e do mundo aqui naufragasse para sempre a formosa realidade lusíada da sociedade euro-africana, os portugueses de Angola se deixariam matar de braços cruzados?! Quem estaria vivo, em Luanda, ires dias depois de atingidas as raias do desespero ?...

Por mais horrenda que seja esta hipótese (trágica visão do apocalipse que Deus afastará de nós!), os adversários de Portugal deveriam pensar nela, quando tão levianamente admitem e preconizam o massacre de gente habituada a não contar o número dos inimigos.

A. segunda razão, ainda mais eficaz, embora menos dramática, consiste na força moral que nos advém de estarmos a defender também a vida e o futuro das populações aborígenes.

Quem suficientemente conheça o caso de Angola já não pode ter quaisquer dúvidas sobre as origens e determinantes do terrorismo. São perfeitamente conhecidos os mentores e patrocinadores da agressão. Sabe-se quem comanda, estimula e paga. E está completamente desacreditada e des*truída a lenda inicial dum movimento nacionalista, fará todos se tornou claro que se trata duma invasão estrangeira, financiada por estrangeiros e inteiramente subordinada a interesses t desígnios de estrangeiros.

Entretanto, a diplomacia portuguesa investiu contra as brutas muralhas da ignorância e da calúnia, esclarecendo, argumentando, desmentindo. E já os representantes afro-asiáticos na ONU começam a perder os seus antigos e melhores ouvintes, saturados de mentiras, dl racismo negro e de retórica barata.

Assistimos agora ao virar da maré.

Com o melhor exército em armas ao sul do Sara, Angola ainda pode ser incomodada pêlos terroristas vindos do Congo ex-belga e da Zâmbia, ou por mercenários. Mas já não pode ser ameaçada seriamente senão por um exército a valer, com efectivos, armas e apoio aeronaval que nenhuma das novas soberanias africanas possui, nem possuirá tão cedo.

Claro que esse grande exército poderia vir de mais longe, mas trazendo com ele um perigo que ninguém deseja correr. A terceira guerra mundial pode começar em África; mas são as nações mais fortes as que mais se acautelam de tal desgraça...

Está a findar, no mundo, o medo da guerra nuclear, que deixou de ser possível desde que os dois maiores contendores se convenceram de que lhe não poderiam sobreviver. E, por igual motivo, não tardará a findar a humilhação da Europa, que já começa a ter as suas armas nucleares e, com elas, a possibilidade de soltar os ventos do Apocalipse, que fazem hesitar todos os grandes deste mundo, porque não poupariam ninguém.

Ultrapassados assim os mostrengos do medo, que têm sido as armas terríveis da guerra fria, torna-se muito mais válida e eficaz a "rena determinação dum povo que decidiu resistir e dispõe das forças armadas suficientes para se impor ao respeito dos vizinhos. Já não é fácil desalojá-lo pelo simples efeito do ambicioso soprar de alguns aventureiros, que julgam ter nos pulmões os «ventos da história».



Não obstante todas as nossas deficiências, e erros, e passos em falso; acima dos sarcas*mos da dor que poderia ser evitada, e da raiva do tempo perdido, e da nossa incurável insatisfação, uma verdade se tornou já bem clara: — Portugal está a ganhar a primeira vitória do Ocidente em África.

Não podemos ter ilusões. Em toda a África, a única atitude que, até agora, tem conse*guido salvar a sociedade plurirracial — é a que nós tomámos, sem hesitações e sem cálculos, por espontânea reacção do nosso instinto de nação independente. E, ao menos enquanto durar esta porca vaga de ódio racial, é absolutamente impossível, para qualquer português de Angola, salvar a cabeça numa solução de compromisso como o racismo negro. Os mais transigentes seriam os primeiros sacrificados, porque o homem negro — honra lhe seja! — tem nojo dos medrosos...

Nesta ignóbil debandada dos europeus, que se demitem da sua missão civilizadora em África, abandonando depenas de milhões de almas à terrível exploração da pior canalha do mundo, o único procedimento digno — e até agora vitorioso — é o de Portugal, que soube conjugar a tolerância com a firmeza e a fraterna convivência euro-africana com uma resoluta resistência ao agressor.

O grande valor de Angola reside no homem luso-tropical. E a sociedade luso-tropical sucumbiria irremediavelmente a qualquer independência.

Nesta batalha de África, nós estamos no único caminho viável, porque estamos na linha mais avançada da sociedade multirracial, que é o rumo do futuro. Não defendemos só o direito á vida í aos legítimos frutos do nosso trabalho — defendemos também o homem negro do resvaladouro do ódio racial, em que fatalmente acabaria por sucumbir às mãos de racismos mais fortes: brancos, pardos ou amarelos.

Temos, pois, sobejas rações de civismo, justiça e humanidade, para nos mantermos bem firmes na única atitude em que verdadeiramente se defende o futuro desta terra e de todas as suas populações.

Esta é a verdade. Para a ver sem qualquer possibilidade de erro, basta abrir bem os olhos e olhar à nossa volta.

Não estamos só no rumo certo — estamos também no caminho melhor, que é o da civilização, da fraternidade humana, da solidariedade com os portugueses de todas as raças e da grandeza nacional.

As novas tácticas do sanguinário inimigo que há dez anos regou de sangue inocente o Noroeste de Angola só provam uma coisa: — que o levamos de vencida.

Está efectivamente vencida a primeira fase desta batalha.

Falta ganhar a segunda. E a vitória tem, neste caso, um nome: — chama-se «sociedade euro-africana».

É o objectivo social expresso nesta curta expressão que deve constituir o alvo imediato dos nossos maiores e melhores esforços. Há, a barrar-nos o caminho, todos os demónios do ódio racial e as maiores e mais pérfidas forças do mundo dos nossos dias. "Para os comunistas, cujo único intuito é destruir a realidade histórica e geográfica da Euro-África; para os que pretendem substituir os europeus no Continente "Negro, com os dólares ou com as ideias; para os que odeiam Portugal e odeiam o Ocidente—para todos estes o conceito português duma pátria plurirracial é ainda menos que uma utopia: é um escândalo !

Negam a sua possibilidade, embora esteja à vista de todos, numa nação com a grandeza do Brasil. Repudiam-na, furiosos, com a ímpia raiva do seu racismo, branco ou negro.

Contra estes inimigos, que são fortes, numerosos e traiçoeiros, dispomos de armas for*jadas ao longo de -muitos séculos. Á nossa convivência inter-racial é mais antiga do que a maior parte das nações que nos atacam. E nem a visão alucinante de centenas de inocentes esquarte*jados à catana — nem isso — a conseguiu destruir.

De resto, também nesta segunda fase da batalha de Angola não podemos escolher, porque só há um rumo possível. Só pela consolidação da sociedade euro-afrícana poderemos sobreviver, intactos no corpo e na alma da Nação.

Ora, a consolidação duma estrutura euro-afrícana em Angola, beneficiando já duma força espiritual acumulada ao longo de quase quinhentos anos e posta à prova pelos acontecimentos de 1961, depende agora essencialmente da concorrência dos meios materiais. Poderíamos talvez afirmar que já existe o fermento. Fermento de excelente qualidade e capaz de levedar todo o pão do futuro. Mas urge acrescentar-lhe a massa. Trata-se duma tarefa que não sofre delongas, que tem de ser feita depressa e em força, no ritmo de quem joga tudo por tudo, com o ímpeto de quem se lança numa batalha decisiva.

Precisamos, para tanto, de conjugar rapidamente os meios indispensáveis à criação duma forte estrutura euro-afrícana: a valorização do homem negro, a intensificação do afluxo dos brancos e o progresso geral que é indispensável à consecução de tais objectivos.

Existe efectivamente em Angola um verdadeiro fermento daquela sociedade euro-africana que está na linha do futuro de Portugal. Mas há que realizar agora o equilíbrio das massas popu*lacionais ou, pelo menos, atenuar o enorme desequilíbrio actual. Por outras palavras: naquela sociedade multirracial que constitui a originalidade portuguesa (e o escândalo do grupo afro--asiático...), a posição relativa das duas grandes etnias —brancos e pretos— tem de justificar o binómio, concretizando efectivamente uma participação mais equilibrada das duas raças, não só na administração e no governo, mas também na valorização da riqueza e no povoamento do território. Para tanto, urge acelerar, simultaneamente e numa escala sem precedentes, o afluxo dos brancos a Angola e o acesso dos pretos à civilização. E isto só é possível, multiplicando rapidamente os meios de ensino e a capacidade angolana de emprego, pela construção de centenas de novas escolas e pela instalação de grandes unidades industriais e das grandes obras públicas que estão na base do fomento agrícola e pecuário.





Angola pode, na verdade, tornar-se um objectivo dos capitais que o racismo negro estupidamente está a escorraçar doutros territórios africanos, como os dos belgas, ingleses e franceses, ou que presentemente se acumulam em certos países europeus, nomeadamente na Alemanha Ociden*tal, pletórica de dinheiro e técnicos — duas coisas cuja escassez constitui o principal obstáculo a um rápido aproveitamento dos vastos recursos angolanos.

]á houve tempo em que a concorrência de tais capitais encerrava perigos muito sérios para a soberania. E por isso se promulgaram leis tendentes a acautelar a integridade nacional — objec*tivo que temos de colocar sempre acima das conveniências económicas e de quaisquer outros interesses colectivos ou individuais.

Mas essas disposições, plenamente justificadas, legítimas e louváveis no tempo em que foram publicadas, não têm hoje qualquer razão de ser, funcionando agora como nefasto travão ao investimento de capitais europeus em Angola, altamente desejável, senão imprescindível.

Com efeito, na presente conjuntura mundial, não existe qualquer possibilidade de a soberania portuguesa em África ser substituída por outra soberania europeia. A tremenda onda que nos ameaça, assoprada pelo bloco soviético, pelo grupo afro-asiático e por alguns «teddy-boys» da política ocidental, possessos da mania do suicídio —, é o racismo negro. A Bandeira das Quinas só poderia ser substituída em Angola (se nós deixássemos...) por outra mais ou menos estrelada pelo mercantilismo tanque ou assinalada com a catana gentílica curvada ao jeito da foice sovié*tica, mas sempre intransigentemente desfraldada contra o branco, nomeadamente contra o branco português e contra o branco europeu.

Contra esta porca onda do mais porco ódio que actualmente envenena os homens — o ódio racial—, a grande arma de Portugal em Angola é a realidade indiscutível da nossa sociedade euro-africana. Mas urge consolidá-la, caminhando rapidamente para o equilíbrio cultural e numé*rico das duas raças, pois é na actual desproporção entre brancos e pretos que reside o grande perigo e o único argumento concreto contra a presença lusíada em África.

Cada nova família europeia que se radique em Angola concorre para atenuar este perigoso desequilíbrio. E cada novo investimento de capitais que aqui se realize cria novas condições para o aumento da população branca, ao mesmo tempo que facilita a valorização (igualmente neces*sária e urgente) da população negra.

Deste rápido raciocínio se infere a imperativa urgência de transformar Angola num centro de convergência dos técnicos e do dinheiro do Ocidente europeu. Para tanto, há que realizar duas condições: convencer a Europa da nossa decisão e possibilidade de ficar: — o que as populações de Angola e as forças armadas de Portugal estão a fazer, com grande surpresa do mundo inteiro — e abrir de par em par as nossas portas às duas coisas de que mais precisamos para ganhar também a segunda fase da batalha de Angola: técnicos e dinheiro.

Se a nossa determinação de continuar em África, ajudada pela actuação da técnica e do capi*tal do Mundo Ocidental, fizer vingar o conceito português duma sociedade euro-africana que se imponha, em todo o continente, por um alto nível de progresso e um rápido acesso à civilização — teremos assegurada a futura grandeza de Portugal, prestando simultaneamente uni inestimável serviço à Raça Negra.

Existe, com efeito, um perigo real de que o homem negro parece não se ter ainda apercebido: e é que ele seria fatalmente a primeira grande vítima, num mundo em que se gene*ralizasse uma luta de raças. Por uma razão bem simples: porque a raça negra é, de todas as raças humanas, a mais fraca, sob todos os aspectos: político, intelectual, económico, técnico e militar.

Na verdade os falsos amigos, que "lhe açulam o ódio contra o europeu, pretendem apenas separar o homem negro dos seus naturais defensores para mais facilmente o escravizarem, a seguir. Chegou a existir um plano de Nova Deli para a instalação de vinte milhões dl indianos no Congo ex-belga. E pode imaginar-se a triste sorte dos aborígenes daquele infeliz território, na hipótese de vingar o maquiavélico projecto do Pandita Nehru, que os colocaria em minoria perante invasores imbuídos do espírito de casta e do mais torvo e intransigente ódio racial...

Em qualquer hipótese, a ninguém será lícito supor que a Raça Negra, minoritária mesmo em África, conseguisse sobreviver na inevitável corrida de outras raças a territórios de fraquíssima densidade populacional e de vastos recursos inexplorados.

Com efeito os agudos problemas de sobrevivência, resultantes do constante crescimento demográfico nos territórios já superpovoados, hão-de empurrar para o continente africano milhões de homens em busca de espaço vital. Qual seria, então, a sorte do homem negro se, entretanto, com o veneno do seu próprio racismo tivesse aniquilado todas as possibilidades de instalação duma sociedade multirracial?

Mesmo os europeus — únicos obreiros de todo o progresso até hoje realizado em África e que indiscutivelmente são quem melhor compreende e aprecia as reais qualidades dos homens negros — se eles fossem totalmente expulsos do Continente a que fatalmente teriam de voltar, acossados pela fome, com que sentimentos voltariam?...

Eis, discretamente esboçado (tanto ele seria trágico!...) o resultado final que, para o homem negro, teria uma sua momentânea vitória baseada no ódio ao branco. Por isso me parece que nunca deveria ser a raça negra a acender o facho do ódio racial, que { o mesmo que con*denar-se a sucumbir inexoravelmente no grande incêndio.

Será na convivência multirracial que o homem negro há-de sobreviver e afirmar-se com o alto e real valor das suas qualidades de inteligência, capacidade de assimilação, profunda emotividade, espírito de justiça e tendências artísticas. No ódio racial, não! Num clima de ódio racial, ao homem negro só restaria o trágico destino dos mais fracos, nas grandes batalhas da história: a escravidão ou a morte.

Conservar, na África portuguesa, as portas largamente abertas à convivência euro-africana, será pois, na presente conjuntura mundial, o maior favor que Portugal poderá fazer à Raça Negra, porque assim lhe oferece a única tábua de salvação, no terrível resvaladouro para os abismos do ódio racial.

Engana-se redondamente quem pense que estamos a defender apenas a presença branca em Angola. Na verdade, estamos a defender todas as populações desta cobiçada zona tropical. Tanto ou mais do que os brancos, estão ameaçados os portugueses de cor. Esta batalha é de todos!

É preciso insistir nesta verdade até que ela se torne um axioma para a universalidade da Nação: esta batalha é de todos!

Estamos evidentemente a lutar pela sobrevivência portuguesa, claramente ameaçada por inimigos sem escrúpulos nem piedade. Mas batemo-nos simultaneamente por algo que trans*cende o nosso próprio destino de Nação soberana, porque se trata da defesa dum conceito de convivência humana à escala planetária: a sociedade plurirracial.

Nesta Angola, escolhida para o teste decisivo da convivência das raças, ou nos salvamos todos — ou todos nos perdemos. Esta é a verdade! Mas também é certo que, se Portugal perdesse esta batalha, quem mais perderia seriam os portugueses de cor. O jogo das independências africanas é todo feito de fora, sob a influência directa dos que sempre consideraram — e con*tinuam a considerar — o homem negro como um ser desprezível e indigno da sua camaradagem...

E, por isso, é para os africanos o jogo do ganha-perde.

Nos frios calculas dos que pretendem herdar o espólio dos europeus em África, o que se visa não é um autogoverno dos naturais da terra mais evoluídos, sem distinção de raça ou de cor. O que se deseja é privar os aborígenes da camaradagem e natural protecção do branco de cepa latina, que é o único que o sabe compreender e o tem ajudado e defendido ao longo dos séculos. É para isto que se estimula o ódio racial. E quando surge qualquer estadista negro que não comunga nesta feroz discriminação e pretende preservar a convivência euro-africana, logo os verdadei*ros candidatos ao domínio do continente africano investem contra ele. É o caso do presidente Tschombé, de Ben Kheda, de Foulbert Youlou e do dr. Hasting Banda. Seria fatalmente o caso de qualquer líder negro que, numa Angola tornada independente pelas intrigas da ONU, quisesse dar qualquer lugar aos angolanos brancos ou mestiços...

Não podemos, infelizmente, conservar quaisquer ilusões a este respeito. Desencadeia-se contra nós o racismo negro, no seu aspecto mais exclusivista, mais injusto e mais cruel. E aqui, não podemos deixar de aludir a outra verdade: é que o ódio pega-se.

Os racistas negros, que estão a ser estimulados justamente pêlos piores racistas brancos, e com as mais criminosas intenções, arriscam-se a contagiar com essa demoníaca sarna do ódio racial as grandes etnias do mundo, E numa luta generalizada das raças, até mesmo numa simples competição racial para a conquista dos vastos espaços e riquezas do continente africano, a Raça Negra ficaria colocada num perigo mortal.

Efectivamente, e não obstante as indiscutíveis qualidades individuais do homem negro, o certo é que, no seu conjunto, a Raça Negra não dispõe actualmente de bastante força económica, política e militar para sobreviver, numa luta de extermínio com qualquer outra das raças do mundo, exceptuada apenas a dos peles-vermelhas, que já foram implacavelmente dizi*mados pelos norte-americanos.

Isto, no plano geral. No caso especial de Angola, se os racistas negros aqui triunfassem, nunca poderiam esperar que os deixassem sós e tranquilos neste vasto território, cuja paz está a ser directamente perturbada pela influência dos árabes, chineses e indianos, com a conivência inte*resseira dos dois mais fortes e cruéis imperialismos da hora presente: o mercantilismo norte--americano e a tirania soviética. Tornou-se já evidente que os povos negros da África Central, na presente fase da sua evolução, só podem obter uma soberania teórica, porque não conseguem prescindir duma ajuda directa e efectiva dos povos mais evoluídos. E, ainda que pudessem, não lhes seria permitido reservar para eles, inexploradas e quase desertas, as enormes extensões da zona tropical, num mundo cuja população cresce 50 milhões de almas por ano.

Perante o facto inelutável da saturação demográfica dos outros continentes, a África vai ser fatalmente um alvo da expansão geográfica das várias etnias do mundo. Se, obedecendo ao racismo assoprado de fora, os aborígenes de Angola rejeitassem a convivência racial que Portugal lhes oferece, em que mundo poderiam viver amanhã?

Os brancos portugueses só poderiam ser substituídos pêlos norte-americanos (que são racistas), ou pêlos russos (que são racistas e cruéis), ou pêlos chineses, que seriam, em Angola, uma inundação devastadora, ou pêlos árabes para quem o negro será sempre um escravo, ou pêlos famintos párias da União Indiana, que são uma praga pior que a dos gafanhotos... Em qualquer dessas hipóteses (e não há mais nenhuma), qual seria a sorte dos nativos de Angola?

Fala-se muito em «.ventos da historia». Mas é falso que o progresso do mundo se processe segundo um critério de fragmentação e ódio. Velo contrário, tudo na evolução actual da humani*dade tende a abolir as diferenças entre os homens e favorece a aglutinação dos povos.

Existe efectivamente uma onda irreversível da história, mas no sentido da abolição da força, como suporte do direito, e do dinheiro como fonte do poder. Caminha-se no sentido da dignificação universal do homem.

Todas as discriminações raciais, sejam elas praticadas contra os pretos pelos brancos de Alabama e Mississipi, ou exercidas contra os brancos pêlos pretos de Lusaka ou Conakry, constituem, no nosso tempo, um feio e sujo anacronismo. Não obedecem ao impulso dos ventos da historia — caminham às arrecuas e dando couces na civilização. E, de positivo, funcionam contra a Raça Negra que nunca poderia sobreviver numa luta generalizada das raças.

Por isso, quando nós, portugueses, defendemos a convivência euro-africana, estamos a quebrar a melhor arma dos nossos inimigos, que é o ódio racial. Mas estamos também a combater os piores inimigos da Raça Negra.

Estamos, pois, a combater o bom combate. Não contrariamos os ventos da história — cami*nhamos na vanguarda da fraternidade humana. Defendemos o futuro desta terra e os legítimos direitos de todas as suas populações. Servimos o destino duma grande e generosa civilização.

Temos agora connosco a mocidade combatente da Mãe-Pátria. Já somos uma força em África. E continuamos cheios de razão. Levamos de vencida a primeira fase desta batalha. E havemos de a completar.

Que Deus nos ajude!







VOLTAR
   
Digg this Post!Add Post to del.icio.usBookmark Post in TechnoratiPartager sur Reddit! Wong cet article!Partager sur Facebook
Réponse avec citation
Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....
Vieux
  (#44 (permalink))
Cheval
duarte1 is an unknown quantity at this point
 
Déconnecté
Messages: 2 395
Date d'inscription: octobre 2007
Par défaut Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI.... - 07/06/2009, 16h40

A VOLTA DA PAZ PORTUGUESA

A VOLTA DA PAZ PORTUGUESA


HISTORIAS DA REALIDADE DA POLITICA DO MEDO
COMO OS REBELDES UTILISAVAM O MEDO E UMA VIOLENCIA SEM LIMITES COMO MEIO PARA PRESSIONAR O POVO ANGOLANO A GUERILHAR CONTRA OS PORTUGUESES



Os bandido chegou numa tarde com três cabeças de bailundos espetadas em paus. Enterrou os paus no meio da sanzala, com as cabeças dos bai*lundos já a cheirar mal, e disse:

«Nós agora vai embora, mas há-de vortar daqui a três dias, pra resolver a vida de vocês. Quem quer guerrear c'os branco, está bem! Vai logo connosco.


Quem não quer guerrear c'os branco olha bem pra estas cabeças, pra saber o que vai-lhe contecer ...»




O SOBA



Ao abrir da segunda quinzena de Outubro de 1961, o adminis*trador de Carmona chamou dois cipaios, meteu-se num «jeep» e começou a subir a serra do Uíge ...

Não foi aposta, não senhor! Nem sequer falou nisso a ninguém ... Resolveu simplesmente que era tempo de ir visitar as sanzalas do alto da serra ... A tropa tinha dado aos terroristas a lição necessária. Em Nambuangongo, na Pedra Verde, na serra da Canda, já deviam ter aprendido que os soldados portugueses os iriam buscar mesmo ao inferno. E não com balas de água quente, como tinham garantido os aldrabões vindos do Congo ex-belga ... Então, porque não regres*sar aos velhos hábitos de boa convivência? E a autoridade adminis*trativa devia dar o exemplo, indo visitar os povos da sua área ...

Era assim que, no seu foro íntimo, argumentava o administrador de Carmona, a favor daquela viagem ao alto da serra do Uíge. Ideias que surgiam naturalmente no clima humano do maior centro da resistência do Congo português. Por aqueles tempos, ser valente era coisa trivial em Carmona. Só a temeridade conseguia fazer-se notar.

Já fora da cidade, o administrador disse ao cabo de cipaios para onde iam.

— Vai encontrar bandidos, meu chefe — avisou singelamente o cabo.

— Mas, então, ainda há bandidos?l — insinuou o funcionário.

— Eh! — fez o cipaio. — Lá no arto da serra, na sanzala grande, tem muitos!

— Pois é lá mesmo que nós havemos de almoçar l

— Tá bem! Meu chefe é que sabe...

— Queres voltar para trás?

— Eu vai com o meu chefe ...

Durante a marcha lenta e difícil pela bruta «picada», ouviram, por duas vezes, grande restolhada no emaranhado da mata. Mas não saiu de lá vulto de homem nem fogacho de canhangulo. E quando, horas depois, já com o sol alto (tinham partido ao romper da aurora), pararam num vasto terreiro, dentro da sanzala grande, não encontraram ninguém. A aldeia parecia totalmente abandonada.

— Fugiriam todos?! — admirou-se o administrador.

— Hum! ... —rosnou o cabo de cipaios, num expressivo trejeito de dúvida. — Cuidado com estes gajo, meu chefe ! Eles não fugiu todos, não senhor. Tá é escondido na mata ...

— Vamos dar uma volta — sugeriu o funcionário.

Rodaram vagarosamente pelo meandro das ruelas estreitas, através das cubatas, parando aqui e além, a bisbilhotar os recantos. As palhotas estavam intactas e com sinais de ocupação recente. Duas cabritas saltaram alvoroçadamente dum quintalejo vedado com aduelas de barril. Mas do bicho homem, nem sombra! ...

— Estarão fechados nas cubatas? — disse o administrador.

— Nada! — respondeu logo o cabo de cipaios. — Está mesmo na mata ...

— Pois vamos à mata! — decidiu o funcionário, carregando raivo*samente o acelerador... E, precisamente quando já deixavam a san*zala pela saída do noroeste, avistou a uma centena de metros, duas velhotas a sair duma vereda da floresta, com molhos de guiços à cabeça.

— Venham cá, velhas! — gritou-lhes o administrador, parando a pequena distância delas.

As duas mulheres aproximaram-se lentamente, muito assustadas.

— Onde estão os homens desta sanzala?

— Nós não sabe...—responderam ao mesmo tempo. — Fugi*ram há muito tempo ...

— E o soba ?

— Também foi embora.

— Para onde?

— Não sabe ... — declarou uma delas.

— Tu estás a mentir, velha! — berrou o funcionário. — Tu sabes onde está o soba ... Vai já chamá-lo!

— Eu não sabe nada, meu chefe ...

— Vai chamá-lo, já te disse! — repetiu o funcionário. — Que está aqui o administrador de Carmona, que lhe quer falar. Que venha sem medo, que ninguém lhe faz mal. Vai! ... Tu ficas! — acrescentou para a outra que ia a seguir a companheira.

A velhota partiu. E reapareceu meia-hora depois, na peugada dum negro cacanha, alto e entroncado, com uma barbicha cornicabra a prolongar-lhe o queixo e uns olhos espertos a luzir no carão tisnado. Aproximava-se de mãos postas, com passos hesitantes, a tremer de medo ...

— Então, soba? — fez o administrador, em ar de paternal reprimenda. — Como é isso, que a autoridade vem visitar o teu povo e tu nem apareces para a «cumprimentacão»?!

— Ai, meu chefe! — gemeu o soba. — Nós tem muito medo ...

— Medo de quê?! — estranhou o administrador. — A «maka» já acabou!

— Eh! Eh! — duvidou o velho. — Castigo continua mesmo! Primeiro veio os bandido chatear a gente: que tinha de ir guerrear c'os branco, ou então tinha de morrer. Depois veio os «bombeiros» com a cabeça de ferro e as arma que dá muitos tiros junto. Veio os «jacareus» que tem farda de capim e salta como leão. Veio os avião que quando chega já passou, e larga as rodas em cima da gente, e morre tudo ... E agora está a vir as tropa do Macau ... Aka! Muito castigo, meu chefe (1).

— Claro que os bandidos precisavam de castigo! — explicou o administrador. — Mas agora os bandidos já estão derrotados e vamos voltar aos costumes de antigamente. É para isso que venho falar contigo. Mas primeiro, temos de almoçar — já mandaste assar os churrascos?

— Ai, meu chefe! — voltou a gemer o soba. — Já não tem gali*nha! Já não tem nada de comer! Bandidos roubou tudo ...

— Não mintas, velhinho! Ao soba nunca faltam galinhas. Manda lá assar os churrascos, anda! E que sejam tenros!

— Talvez ainda pode arranjar dois filho de galinha, sim, senhor— confessou o soba. — Mas sal não tem ...

— Até aí, ainda eu acredito — concordou o funcionário. E, ati*rando-lhe um saquito branco que trazia no «jeep», acrescentou:

— Aí tens o sal. É a prenda do administrador ...

— Obrigado, meu chefe! — disse o soba, agarrando o sal com a avidez dum avarento a quem atirassem um saco de ouro. — Obrigado! ...

Falou depois à velha que o tinha ido chamar e entregou-lhe o sal.

Quando a velhota regressou, já com dois frangos bem tostados e agindungados, o administrador invectivou novamente o soba:

— E a bebida?

— Só tem marufo, meu chefe!

— Lá estás tu a mentir outra vez, soba aldrabão ... Então, quando os bandidos vieram falar contigo, não te ofereceram aquela cerveja roubada das fazendas dos brancos?!

Estremecendo como à picada duma cuspideira, o soba garantiu que nunca tinha falado aos bandidos; que fugira logo para umas fur*nas que só ele conhecia; que não tinha cerveja nenhuma. E quase de joelhos em frente do funcionário, com as mãos abertas e estendidas no gesto de quem exibe a própria alma, ofendido, escandali*zado, dramático, concluiu:

— Jura mesmo, meu chefe!

— Deixa-te de fitas, soba! — fez o administrador, insensível.— Manda buscar as cervejas! ...

Resignadamente, quase a chorar, o soba falou outra vez para a velha, que partiu de novo, a caminho da mata ...

Regando a churrascaria com boa cerveja CUCA, sentados em cadeirões de Damba, à sombra duma frondosa mulemba, a autoridade administrativa e o chefe gentílico conversavam ...

— E se o meu povo for a Carmona, os sordado não vai mesmo matar todos? — perguntava o soba.

— Claro que não! Os soldados não vieram para matar pretos: vieram para defender os pretos e os brancos contra os bandidos.

— Os brancos há-de estar com a raiva deles — ponderou ainda o velho, desconfiado. — Os bandidos fizeram muita malandrice ...

— Pois fizeram—-confirmou o funcionário. — E esses têm de pagar. Aqueles que andaram a matar gente, têm de morrer, não é verdade?

— É verdade, sim, senhor. Matou: tem de morrer. É justiça!

— Mas tu, por exemplo, não andaste a matar brancos e bailundos...

— Nada, não, senhor! — protestou o velho, espalmando as mãos sobre o peito. — Eu sempre foi amigo dos brancos. Só fugiu na mata, com medo dos bandidos.

— E o teu povo também, não é assim?

— E o meu povo também — confirmou o soba. — Os bandido chegou numa tarde com três cabeças de bailundos espetadas em paus. Enterrou os paus no meio da sanzala, com as cabeças dos bai*lundos já a cheirar mal, e disse:

«Nós agora vai embora, mas há-de vortar daqui a três dias, pra resolver a vida de vocês. Quem quer guerrear c'os branco, está bem! Vai logo connosco. Quem não quer guerrear c'os branco olha bem pra estas cabeças, pra saber o que vai-lhe contecer ...»

Ë, então foram-se embora; e eu e o meu povo fugimos para as furnas. Foi mesmo assim, meu chefe. Mas agora branco não pode diferençar. Olha na cara e diz: é preto; fugiu na mata: é bandido. E o sordado vem: tá-tá-tá-tá-tá-tá! E acabou-se. E nós anda cheio de fome e cheio de medo. Muita confusão, meu chefe!

Pacientemente, escolhendo as palavras e as ideias mais acessí*veis à compreensão do soba, o administrador explicou-lhe a neces*sidade de brancos e pretos voltarem à boa colaboração anterior. Revelou-lhe a origem e natureza dos acontecimentos, planeados e orientados por gente do Gana e do Congo ex-belga, que apenas pretendia subjugar a terra e os povos de Angola.

— Tu não os ouvistes falar, soba ?

— Só uma vez, quando os gajo veio convidar a gente a guerrear c'os branco.

— E o chefe deles falava português?

— Não falava, meu chefe.

— Falava a língua dos dembos ou ambuílas?

— Nada, não, senhor.

— Estás a ver como não era de Angola ?

— Não era, não, senhor. Eu bem viu que não era ...

— Era estrangeiro!

— Era mesmo, sim, senhor.

— E foi contra esses estrangeiros que vieram lutar os soldados.

— Tá bem — concordou o soba. — Mas pra falar mesmo na verdade, alguns pretos de Angola também ajudou. E o branco sabe ...

— O branco sabe e já deu castigo.

— Huml... — rosnou o velho, remoendo a sua desconfiança.

— Que é isso de «hum! ...»? Já te disse que «maka» findou! Podes garantir isto ao teu povo. Quem andou a matar brancos, tem de ser castigado ...

— Tem de morrer! — intercalou o soba.

— ... Mas aos outros, aos que fugiram com medo, até mesmo àqueles que obedeceram aos bandidos para que eles os não matassem — a todos esses ninguém fará mal. Devem apresentar-se em Carmona, onde lhes daremos protecção, comida e remédios.

Fala-lhes assim, soba! Que é o administrador de Carmona que lhes garante isto mesmo. Que eu estive aqui, na tua casa, a comer e a beber contigo ... E que vim sem armas! O velho casquinou um risinho irónico.

— De que te ris, soba?

— Não é nada, meu chefe ...

— Mau! — zangou-se o funcionário. — Estou a perguntar de que te ris, soba! ...

— Tá bem, meu chefe. Eu vai dizer já. Eu, cá no meu coração, está a pensar que o meu chefe não traz arma, não senhor, mas que os «jacareus» ficou escondido aí na mata ... Não é mesmo?

— Cipaiol — chamou o administrador, de cenho carregado. — Conta a este malandro se vieram soldados connosco. Podes dizer-lhe na língua dos ba-kongos. Falem à vontade ...

E, ostensivamente, afastou-se rua acima, em despreocupado passeio por entre as cubatas.

Quando voltou, passados minutos, veio encontrar o velho soba, de olhos no chão, batendo com as mãos uma na outra, a matutar...

— Então? — perguntou.

— Branco português é mesmo gente danada! — disse o velho, abanando a cabeça — Eh! Eh! ...

— Falas ao teu povo?

— Sim: eu vai falar...

— Adeus, soba!

— Cate, meu chefe...

— Volto daqui a três dias.

— Tá bem, meu chefe ...

E continuou a abanar a cabeça ...

O administrador voltou no prazo combinado. Encontrou o soba à espera, rodeado do seu povo: homens, mulheres e crianças, todos prontos a descer a serra.

E foi assim que, ao abrir da segunda quinzena de Outubro de 1961, começou, nos arredores de Carmona, o regresso das populações negras ao convívio dos brancos, ao trabalho e à paz.



(1) Com o seu sentido de observação e crítica, os nativos de Angola bem depressa crismaram os diversos elementos das Forças Armadas. Por semeIhança de fardas, classificaram de «bombeiros» os guardas da Policia Móvel. Os caçadores especiais são os «jacareus». Aos homens do Corpo de Voluntá*rios chamam, ninguém sabe bem porquê, «tropa de Macau». E dos «jactos» que transportam bombas perto das rodas recolhidas para dentro das asas, dizem que são «avejões que quando chega já passou, e larga as rodas, e morre tudo».



VOLTAR
   
Digg this Post!Add Post to del.icio.usBookmark Post in TechnoratiPartager sur Reddit! Wong cet article!Partager sur Facebook
Réponse avec citation
Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....
Vieux
  (#45 (permalink))
Cheval
duarte1 is an unknown quantity at this point
 
Déconnecté
Messages: 2 395
Date d'inscription: octobre 2007
Par défaut Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI.... - 07/06/2009, 16h48

«A PEQUENA COLUNA MILITAR COMANDADA PELO MOÇO ALFERES ROBLES REALIZOU NOS DEMBOS UMA CAMINHADA HERÓICA QUE MERECE SER CONHECIDA PELO QUE TRADUZ DE DECISÃO E ÂNIMO RESOLUTO»

João Azevedo



O ALFERES ROBLES

MASSACRES DOS PORTUGUESES

— Mataram-lhe alguém?

— Meu irmão, o Miguel, com a mulher e o filhito ainda de peito. Deixaram-na aos pedaços, os grandes cães! ...

— E na sua roça?

— Escavacaram tudo e pegaram fogo à residência.






Manhãs de 15 e 16 de Março de 1961, no Norte de Angola.

Duas manhãs quentes da zona tórrida, talhadas a golpes de catana na carne de inocentes, em terras que há mais de quatro séculos são terras cristãs de Portugal.

Manhãs de feras à solta açuladas de longe por outras feras maio*res, e ainda mais cruéis, e mais traiçoeiras, e mais cobardes! Manhãs da morte dos meninos por nascer...

Manhãs do homem selvagem, ao serviço duma política do ódio. Manhãs ensanguentadas e malditas pelo massacre das crianças, que são o sorriso de Deus neste mundo, das mães que prolongam a vida no dilacerar das próprias entranhas, dos homens de mãos calejadas que tiram da terra o pão de cada dia ...

Manhãs hediondas e trágicas do crime teledirigido pêlos que falam de paz e fomentam a guerra: do crime que degolou meninos, depois de rasgar o ventre materno em que se ocultavam — do crime que foi apadrinhado por nove dos onze membros do chamado Conselho de Segurança. Nove! Número de cabala e apocalipse. Nove: noves fora, nada! Nada de justiça, nem de lealdade, nem de bom senso ...

Em Nova Caipemba, era ainda cedo. Apesar de a gente do mato ser madrugadora, a maior parte dos brancos ainda se não levantara da cama. Homens, mulheres e crianças dormiam tranquilamente, sem armas e sem medo, dentro dos hábitos duma secular convivência euro-africana, nas suas casítas de um só piso, construídas sabe Deus com que sacrifícios ... As portas, apenas encostadas no trinco. E as janelas que davam para a rua, a menos de um metro do chão, abertas de par em par, para os vizinhos amigos e o céu estrelado.

Na luz suave do alvorecer, ágeis e silenciosos como felinos, os assassinos entraram nos quartos onde homens, mulheres e crianças dormiam ainda ...

Foi tão simultâneo e traiçoeiro o assalto, que muito poucos tiveram tempo de soltar um grito. O sono de numerosos brancos, pretos e mestiços de Nova Caipemba terminava num gorgolejo de sangue, sob o gume afiado de catanas ...

Naquela roça das proximidades do Quitexe, o patrão tinha-se levantado antes do nascer do sol, para arrumar umas contas da lojeca em que abastecia o pessoal da sua fazenda e das vizinhas. Pouco depois, a mulher e um filho de 14 anos levantaram-se tam*bém. As duas mocinhas, uma de 10 e outra de 12 anos, continua*vam a dormir, serenas e graciosas, no seu quartito que era o melhor e o mais enfeitado da casa.

Por volta das 6.30h, o branco abriu a porta da loja e ficou atrás do balcão, à espera dos habituais fregueses do copito matinal de vinho ou do cálice da rija.

Minutos decorridos, chegaram cinco pretos grandalhões, no jeito de quem vai para a tonga.

— Patrão, um copo de vinho! — pediu um dos do grupo. — Um copo grande ...

O branco escolheu na prateleira um dos copos maiores, enxa*guou-o na água da celha e curvou-se para o barril do palhete.

E, neste acto de se curvar, ofereceu aos bandidos a posição que eles previam e esperavam. O golpe foi tão fundo e certeiro no pes*coço, que o breve e lancinante berro do assassinado esbarrou contra a lâmina fria da catana ...

Para além da porta de comunicação com a parte familiar da casa, a mulher, apavorada por aquele grito, tinha tirado da mesa de cabeceira um velho revólver do marido e empunhava-o com mão trémula, prestes a desmaiar.

— Dê-me o revólver, mãe! — disse o filho de 14 anos. — E, por amor de Deus, não se deixe ir abaixo! Tenha coragem e vá acordar as minhas irmãs!

Contagiada pela decisão do filho, a pobre mulher obedeceu ins*tintivamente. O moço dobrou a culatra do revólver e verificou que tinha as seis balas no tambor. Então abriu sem ruído a porta e, com uma sere*nidade terrível, abateu com cinco tiros seguidos, os cinco assassinos que, antes de prosseguir na chacina, não tinham resistido à tentação duma garrafa de aguardente ...

— Venha, mãe — chamou o moço para dentro, com os olhos rasos de água postos no cadáver do pai. — Não gritem! — acrescen*tou, quando a mãe e as irmãs acudiram e levaram as mãos à boca, horrorizadas. — Não gritem, que pode ser perigoso! Ajudem-me a transportar o pai para a carrinha! ...

Mudamente, a viúva e os órfãos transportaram o corpo para o carro e cobriram-no com um lençol. Depois, aquele rapazinho de 14 anos, a quem o pai deixava às vezes guiar a carrinha, sen*tou-se virilmente ao volante e, meio cego pelas lágrimas que teima*vam em inundar-lhe os olhos, correu a avisar um tio que vivia noutra roça, a dezoito quilómetros de distância ...

Só no dia 16 é que a gente de Madimba soube que a vaga sangrenta começara a rolar e vinha já perto.

Reuniram-se os homens e deliberaram correr a S. Salvador, a pedir auxílio e armas. Para tanto, levaram para fora da povoação as mulheres e as crianças e esconderam-nas entre o capim alto, con*tando que o desígnio dos bandoleiros fosse, antes de tudo o mais, o saque das casas e lojas.

Mas não era.

Apercebendo-se de que os pais tinham partido para longe, as crianças começaram a chorar, atraindo aquelas hienas com apa*rência humana. E, quando os homens de Madimba voltaram, as suas casas estavam intactas. Mas de suas mulheres e filhos só encontra*ram os cadáveres selvaticamente mutilados ...

Numa fazenda agrícola dos arredores de Carmona, os trabalha*dores estavam prontos a seguir para a faina diária.

De mãos nos bolsos, o patrão e dois capatazes, na inspecção matinal dos seus homens.

Ouviu-se, então, um assobio forte e modulado, vindo da mata. E logo dezenas de catanas caíram de surpresa sobre os três brancos, descuidados e sem armas.

Numa grande algazarra, depois de esquartejarem os mortos, os assassinos jogaram a bola, no terreiro, com as três cabeças dece*padas ...

E por todo o vasto Congo português se repetiram idênticas cenas de morte e selvajaria, em pequenas e pacíficas povoações comer*ciais ou nas fazendas agrícolas dispersas pelo sertão.

As notícias caíram simultâneas sobre Luanda, arrepiantes e trá*gicas como se fossem as gotas do sangue ainda quente de mais de um milhar de vítimas. Os nervos da população da capital de Angola crisparam-se como num pesadelo de apocalipse.

Começou o vaivém dos aviões da DTA, do Aero Clube de Angola, e da Força Aérea Portuguesa, na tarefa de acudir aos feridos e de transportar os refugiados.

Pelas matas, alguns brancos fugiam, desvairados e sem rumo certo.

Na Fazenda X, da área de Nambuangongo, um preto fiel correu a avisar a senhora:

— Fuja, que os bandidos vêm já aí!

E ela meteu-se à floresta, a pé, ladeada pelos dois filhos já homens e levando ao colo a neta pequenina ...

Foram encontrados, quatro dias depois, pelo marido que partira de Luanda, acompanhado por outros civis, sob a protecção duma patrulha militar.

A patrulha era comandada por um alferes de 22 anos.

Entre o grupo dos cafuzos, com barbas de vários dias, rostos duros e trágicos, fatigados pela insónia, os olhos febris duma obsti*nação raivosa, sobressaía um transmontano de meia idade, rijo e corpulento. Era o dono da Fazenda X, sita nas redondezas de Nambuangongo.

Tinha vindo a Luanda refazer o rancho, depois duma viagem ao Sul, donde trouxera oitenta trabalhadores bailundos. E toda a famí*lia ficara na roça: a mulher, os dois rapazes, a netinha cujos pais iniciavam outra fazenda, a poucos quilómetros de distância. Por isso não sossegava, desgrenhado, ansioso, batendo o asfalto do largo com os seus passos fortes de homem resoluto, clamando que era pre*ciso partir sem demora.

Alguns dos do grupo tinham vindo de lá, do meio do ódio gratuito, alucinado, selvagem e demoníaco. Esses só queriam armas. Desde o meio-dia que as reclamavam, ali em frente do Palácio do Governo, respeitosos mas pertinazes, com uma insistência irredutível, indiferentes à fome, à sede e à fadiga, sem arredar pé. Que lhes dessem armas, para poderem voltar às suas fazendas. Armas e balas. Não pediam mais nada. E nos seus olhos, cheios de angústia e furor, chispava ainda o desvairo da fuga através dos corpos mutila*dos de amigos ou familiares.

Na ansiosa expectativa da decisão do governador, trocavam-se perguntas e respostas, em diálogos curtos, entrecruzados como o destino dos homens, definitivos como a morte.

— Mataram-lhe alguém?

— Meu irmão, o Miguel, com a mulher e o filhito ainda de peito. Deixaram-na aos pedaços, os grandes cães! ...

— E na sua roça?

— Escavacaram tudo e pegaram fogo à residência. Mas hão-de pagar as custas ...

— Vossemecê sabe do Bouça?

— Resistiu. Dizem que matou dois malvados com os dois únicos cartuchos que tinha. Acabou esquartejado pela canalha.

— E o Seixas, o João Seixas, de Mangualde?

— Degolaram-no e a todos os brancos da roca dele. Não sobrou ninguém vivo.

— Filhos da puta!

— Hão-de pagá-las todas, e com bons juros ...

— E vossemecê? — disse um dos faladores para um grandalhão silencioso e taciturno. — Diga alguma coisa, homem!

— Para quê? ...

— Para desabafar, com mil raios! Também veio do mato?

— Venho do Inferno!

— Atacaram-lhe a roça?

— Que o diabo leve a roça!

— ?!

— ... Mataram-me a mulher e dois filhos ... Um deles ainda gati*nhava ... Quando nos dão as armas?

— Quando partimos? — perguntava, pela vigésima vez, o trans*montano rijo e corpulento.

Partiram ao alvorecer do dia seguinte, sob a protecção duma es*colta militar. O comandante da escolta era, como já se disse, um alferes de 22 anos.

Tinham-no ido buscar à Universidade, onde cursava o 2.° ano de Direito. Quarenta e oito horas para malas e despedidas — e embarcara num dos Super-Constellations da TAP, requisitados para transportar caçadores especiais, logo após os acontecimentos de 4 de Fevereiro em Luanda.

Dissera adeus à família, com lágrimas, e à namorada com beijos.

Já no avião, furando a noite por cima de Lisboa iluminada, revira ainda, na imaginação, o rosto confrangido dos pais e a figura chorosa da Lena. E viera-lhe uma espécie de raiva contra a dis*tante Angola, que lhe arranjara aquele sarilho todo ...

Com a saudade de amigos e parentes, doía-lhe a interrupção dos estudos, que se lhe afigurava irremediável. Bastariam uns meses de campanha, dando tiros em vez de estudar as leis, para se lhe des*vanecer quanto tinha aprendido. E lá se iria o curso por água abaixo! Nunca mais poderia apanhar o fio à meada ... Tudo porque nos sertões de Angola, umas centenas de pretos, armados de catanas, tinham atacado os brancos ...

Ainda então não compreendia o verdadeiro sentido e importân*cia dos acontecimentos. E, influenciado por certas pessoas «bem infor*madas» de Lisboa, imaginava os cafeicultores como patrões muito duros para com o seu pessoal.

«Deviam tratar melhor os trabalhadores» — pensava confusamente. E, no seu foro íntimo, atribuía-lhes sérias culpas nos acontecimentos que o tinham arrancado ao carinho dos pais, ao estudo das Pandectas e aos brancos e roliços braços da Lena ...

Decorrera quase um mês sobre essa imprevista partida de Lisboa para Luanda. E agora ali estava ele, mais reconciliado com Angola que já o começava a prender, mas ainda desconfiado daqueles rudes sertanejos, de mãos crispadas nas carabinas, olhos muito abertos dos horrores testemunhados, aconselhando pressa, exigindo acção.

— O meu «jeep» abre a marcha — declarou ele para o grupo concentrado junto da porta de armas do Quartel dos Dragões. — Pre*ciso dum homem que conheça bem a região ...

— Eu ! — ofereceram-se, ao mesmo tempo, todos os agricultores.

O alferes escolheu o que lhe ficava mais perto, que era o dono da Fazenda X, e prosseguiu:

— A seguir ao meu «jeep», vai um jipão; depois as carrinhas dos civis e, na retaguarda, o outro jipão. Todos os carros à vista uns dos outros! Nada de se distanciarem mais de cinquenta metros! Vamos!

Todos ocuparam as viaturas. A pequenos intervalos, os motores arrancaram. E a pequena coluna começou a rodar, na estrada para Nambuangongo ...

Tudo foi fácil até Caxito, onde fizeram uma pequena paragem.

A população, reduzida aos homens, pois as mulheres e as crian*ças estavam para Luanda, compareceu em peso, a saber notícias, no alvoroço que a todos causava a presença dos caçadores especiais, os «jacareus que veste os farda de capim», como lhes chamavam os nativos.

— Para onde vão? — perguntavam os homens de Caxito aos amigos ou conhecidos, integrados na coluna.

— Por aí fora, a ver o que resta das roças de café ...

— Para que lado?

— Nambuangongo.

— Têm por lá família ?

— Alguns de nós, sim — informou o dono da Fazenda X. — A minha, por exemplo, está por lá toda ... E por aqui?

— Cá estamos — fez o outro singelamente. — Mas precisamos de armas e munições. Estamos fartos de as pedir para Luanda. Respondem-nos que não há ... Que raio de brincadeira é esta?

O agricultor teve um encolher de ombros, a significar a sua igno*rância, e com um gesto para o alferes, que falava ao sargento e aos dois cabos, aconselhou:

— Talvez ele saiba ... Pergunte-lhe!

Sem se fazer rogado, o homem do Caxito, coçando a barba de alguns dias, dirigiu-se ao oficial:

— O meu alferes é capaz de me explicar como é isso das armas lá em Luanda, que não há meio de um cristão arranjar umas balitas para defender o canastro ...

— Creio que é um negócio a tratar com os armeiros — respondeu o militar, desinteressado.

— Dá-me licença! — interveio outro civil, do grupo que rapida*mente afluíra, curioso das respostas do alferes. — Nós agora não pedi*mos armas para ir à caça. Precisamos delas para defender a nossa vida, os nossos bens e esta terra, que também é nossa. Ora, para isto, e com sua licença, acho que a tropa nos devia distribuir armas ... O meu alferes não sabe nada a respeito?

— Nada! — disse o moço militar, no seu jeito grave e nos*tálgico.— A mim não me deram informações: deram-me ordens ... Além disso, ainda não há um mês que cheguei de Lisboa ...

— E que dizem, lá por Lisboa, do terrorismo em Angola? — quis saber um sujeito baixote, já entrado em anos, de grande bigode grisalho a ensombrar-lhe a boca firme e o queixo voluntarioso. — Bacoreja-se que, ainda por cima, tornam as culpas aos cafeicul*tores ... É verdade?

Talvez melindrado com o tom irónico do civil, o alferes brindou-o com um olhar duro e contra-atacou vivamente:

— E não será um pouco verdade, meu caro senhor? Terão os homens do café dado sempre ao seu pessoal aquele tratamento humano e aquela remuneração suficiente que se deve a quem trabalha ?

— O quê?! ...—fez o velhote, erguendo para o moço oficial uns olhos arregalados de puro espanto.

Mas o alferes, visivelmente aborrecido, não lhe prestou mais atenção.

— Vamos embora! — disse para o sargento, que imediatamente transmitiu a ordem a civis e militares.

Ultrapassado o velho cemitério do Sassa, depois de virar à es*querda, rodando já na lama da estrada secundária, através da mata verdejante, o dono da Fazenda X, na sua voz baixa e calma, per*guntava:

— Posso falar-lhe com franqueza, meu alferes?

— Claro que pode.

— Pois então, aí vai: no que há pouco disse dos homens do café, o meu alferes não tem razão ...

— ?!

— Não tem, não, senhor! Nem migalha!... Tomaram os cava*dores do Minho ou os ceifeiros do Alentejo que lhes dessem a paga e o tratamento que nós aqui damos aos pretos. Os trabalhadores das roças de café trabalham muito menos e ganham muito mais. Enquanto o lavrador do Minho ou das Beiras labuta de sol a sol, pela magra côdea de centeio com presigo de toucinho, quando não de cebola crua, os trabalhadores da tonga, em Angola, acabam as suas tarefas pela uma hora da tarde. É o patrão quem os vai buscar ao Sul e quem para lá os volta a levar, no fim do ano. E, além do salário (maior que a jeira seca dos cavadores de Trás-os-Montes), recebem vestuário, casa, alimentação e assistência médica. Quantos dos nossos trabalhadores da Metrópole podem gabar-se de tais regalias? ...

— Não é o que se diz em Lisboa ... — objectou vagamente o alferes.

— Em Lisboa, sempre se disse muita asneira sobre a vida angolana — explicou convictamente o cafuzo. — Mas a verdade é que, salvo raríssimas excepções, não foi o trabalhador das roças quem se deixou envenenar pelas cantigas dos agitadores vindos do Gana ou do Congo ex-belga. Foram precisamente os dembos e ambuílas, que desde há muito não trabalham, nem para o branco nem para si próprios ...

— Então de que vivem ?

— Vivem do trabalho das mulheres, como toda a gente de Angola está farta de saber. Nas roças de café, trabalham os bailundos. E os bailundos continuam exemplarmente leais a Portugal ... Ó diabo! Cautela! ...

Buzinando três vezes seguidas, que era o sinal convencional para paragem e alerta geral, o «jeep» estacou, numa travagem brusca, ao dobrar duma curva, já quase encostado ao grosso tronco duma amoreira atravessada na estrada.

Todos se apearam. Às vozes de comando do moço alferes, secas e breves, a escolta militar criou rapidamente um dis*positivo defensivo. E ouviu-se o ruído metálico das corrediças a puxar a bala ao cano das armas, enquanto os civis afastavam a árvore do caminho.

A operação, que não demorou mais de quinze minutos, decorreu sem incidentes. Do capim alto não veio rumor de criatura viva nem tiro de canhahgulo.

Mas aquilo era apenas o princípio da cega-rega. De aí em diante, já nas vizinhanças de Quicabo, sob a chuva que tinha começado a cair, o trabalho de remover os impecilhos colocados na bruta picada lamacenta foi contínuo, cansativo e enervante.

Nele acabaram por se empenhar todos os homens da coluna, civis e militares, com a excepção dos que ficavam de vigia.

— Raios os partam, mais à estúpida brincadeira que inventaram l — vociferava um cabo, todo alagado em suor, enquanto ajudava a arre*dar mais um tronco tombado no caminho.

— Na minha terra é que eu os queria ver, a rachar lenha! — aven*tava um soldado, natural de Amarante.

— Qual rachar lenha! — protestava outro, de Nine. — A cabeça lhes rachava eu, se os topasse a jeito. Mas ninguém lhes põe a vista em cima! ...

Com efeito, durante todo esse dia, os terroristas não atacaram a coluna. E, pelo tombar da tardinha, já com o céu limpo depois duma chuvada mais forte, a pequena caravana automóvel chegou à primeira fazenda. Soldados e civis, apeados dos carros, entraram na residência, de armas apontadas e dedo no gatilho. Não viram ninguém. Mas no terreiro da secagem do café, situado uns cem metros para além da casa, depararam com um quadro horrível ...

Eram quatro corpos trucidados e abandonados ao acaso do último gesto agónico, no vasto quadrado do terreiro. Uma família completa: o pai, com o crâneo aberto e o peito retalhado; a mãe, sem olhos e com duas rodelas sangrentas no lugar dos seios; uma garotinha de alguns 10 anos, despida e esventrada; e, mais longe, caído da sua branca alcofa rendada, o pobrezinho dum bebé, de bruços em cima duma nódoa de sangue seco, com as mãos e os pés decepados ...

Soldados e civis, agrupados em círculo, fitavam o quadro alu*cinante, tomados dum horror indizível. E, por longos segundos, nin*guém proferiu palavra ... Depois, com o rosto endurecido e os olhos secos, mas estranhamente brilhantes, o alferes disse numa voz surda e tensa:

— É preciso dar sepultura a esta pobre gente l

Em silêncio, quatro soldados, a um gesto do sargento, começa*ram a abrir quatro covas, lado a lado, ao pé duma frondosa mulemba, na terra empapada pela chuva recente. Alguém foi à carrinha buscar um cobertor e cobriu com ele o cadáver nu da mocinha.

Terminado o trabalho dos soldados, os corpos mutilados foram descidos às covas húmidas. Calado e taciturno, o alferes lançou a primeira mão cheia de terra em cada uma das sepulturas. Então, recuando dois passos, perfilou-se em continência. E, logo a seguir, devotadamente, fez o Sinal da Cruz ...

Todos imitaram o piedoso gesto do oficial. Um dos civis foi buscar dois sarrafos de madeira e pregou-os em cruz contra o tronco da mu*lemba. E o sargento — um rapagão de Vila Real, que parecia talhado em granito do Marão — virou a cara de aspecto feroz e, afastan*do-se um pouco, levou o lenço aos olhos, assoando-se depois ruido*samente ...

— Seguimos, meu alferes? — perguntou, a disfarçar a como*ção.

— Seguimos — confirmou singelamente o moço.

— Deve haver terroristas nas redondezas ... — opinou um cabo.

— Oxalá os encontremos! — rugiu um soldado beirão.

O alferes fitou-o demoradamente. Uma crispação nervosa agitou--lhe as comissuras dos lábios, no que parecia ser um sorriso de tigre. E declarou:

— Havemos de os encontrar ...

— A que distância fica a roça mais próxima? — perguntou ao dono da Fazenda X.

— A uns sete quilómetros — respondeu o homem, estremecendo, como quem desperta dum pesadelo.

— Preocupado?

— E não o hei-de estar, meu alferes? Depois do que vimos, e com a família aí para diante, dentro destas matas, no meio destas feras ?!

— Não é preciso pensar no pior... — aconselhou o oficial, con*doído da angústia do civil.

Chegaram à segunda roça, já com o Sol posto. Também não encontraram alma viva. Mas à entrada da residência, junto dos três degraus que subiam para a varanda, havia uma dúzia de pretos mortos, vestidos com os calções azuis da U PA e caídos em monte, uns sobre os outros. E em cima, no chão de cimento, tombado de costas, com um grande lanho na testa, o cadáver dum branco ainda novo, com os olhos vítreos, arregalados para a morte, e a mão direita fechada sobre a coronha duma «Walter» 7,65.

— É o Quim Sabino! — informou um dos agricultores da coluna.

— Ainda não há quinze dias que eu o encontrei no Quitexe ...

— Vendeu bem cara a vida! — comentou o sargento.

Enterraram mais aquele branco, pernoitaram nas modestas ins*talações da roça e, ao outro dia, com a primeira luz do alvorecer, a coluna retomou a marcha.

— Temos de chegar hoje à sua plantação! — anunciou o alfe*res ao dono da Fazenda X, quando começaram a rodar.

— Muito obrigado, meu alferes!

— Não tem nada que agradecer. Foi por causa de si que mete*mos para o norte da estrada Luanda-Carmona. As roças dos outros agricultores que nos acompanham ficam todas a sul da estrada. Ainda é longe, a sua fazenda?

— Uns trinta quilómetros. E de lá podemos seguir por uma picada que leva a Vista Alegre.

Continuavam a não encontrar os terroristas. Mas a sua proximi*dade era claramente denunciada pelas ratoeiras da estrada, consti*tuídas quase sempre por grandes valas recobertas de ramos e capim, pontões destruídos ou grandes árvores derrubadas. E também não faltava o rasto sangrento dos torpes assassinos, nas fazendas que iam atravessando. Por toda a parte, abandono, desolação e morte!

Com a pressa de chegar à Fazenda X, davam uma volta rápida pelas casas das plantações, enterravam os mortos e prosseguiam. Numa das roças atravessadas, já com o Sol a pino, depararam com uma vara de porcos que fossavam na carne esfrangalhada de brancos assassinados. Raivosamente, o alferes varreu os bichos imundos com rajadas de pistola-metralhadora. E foram esses os primeiros tiros disparados pela pequena coluna militar.

Já o Sol descaía para as bandas de Luanda, quando chegaram à Fazenda X.

Estacionados os carros no terreiro, o agricultor, arrastando con*sigo o alferes, percorreu ansiosamente o armazém, a cantina, a casa da residência, os quintais e o acampamento dos bailundos.

Nem mortos nem vivos! Ninguém!

Depois duma última volta pelas cinco divisões da casita erguida com tantos sacrifícios, mobilada com tanto carinho e agora completamente pilhada pêlos bandidos, que tinham arrombado portas, partido as louças, levado a roupa das camas e entornado vinho por toda a parte — aquele rude e rijo transmontano deixou-se cair desalenta*damente num cadeirão da Damba e, cobrindo o rosto com as mãos grandes e calejadas, rompeu num choro convulso e soluçante.

— Ai, os meus pobres filhos! Ai, a minha querida mulher! ...

Soldados e civis afastaram-se discretamente, no respeito que sempre infundem as lágrimas dum homem. Mas o alferes ficou.

Calado, encolhido a um canto da varanda. E deixou que o cafuzo desabafasse, aliviando a sua dor na explosão dos soluços incentiveis. Depois, quando o viu mais recomposto, já a limpar ao lenço os olhos vermelhos e o rosto congestionado, aproximou-se comovidamente e disse-lhe, sereno, reflectido e confiante:

— Não sei se reparou que não encontrámos aqui sinais de luta ou rasto de sangue ... A sua gente está viva l Bem sei que sou caloiro nestas coisas de Angola; mas, de ontem para hoje, já aprendi bas*tante sobre os processos destes facínoras. Por isso lhe repito: a sua gente está viva! Vamos procurá-la! ...

O homem ergueu para o moço uma face angustiada, na atitude de quem tenta compreender algo parecido com um inesperado milagre. De repente, alcançando o raciocínio do oficial, nos seus olhos brilhou um relâmpago de esperança.

E, erguendo-se bruscamente, disse apenas:

— Vamos depressa!

Depois foi, durante dois dias, a trágica e paciente busca, em alternativas de esperança e desespero, pelas picadas incríveis ou caminhos de pé posto, através da selva portentosa.

— Se a minha gente fugiu a tempo — raciocinava o dono da Fazenda X—, só pode ter seguido três caminhos: a estrada por onde viemos, a que vai dar ao Quitexe ou a picada que atalha caminho para Vista Alegre. Pela primeira não foi, que não os encontrámos; pela segunda, era arriscado, pois deve andar inçada de bandidos; logo, devem ter metido à picada, que é menos frequentada e os meus rapazes conhecem bem.

— Vamos por essa! — concluiu o alferes.

Continuava a chover. Não a chuva grossa do dia anterior, que desabara em bátegas furiosas, alagando tudo, mas uma poalha miudinha e preguiçosa, tombando molemente dum céu baixo e pardacento.

— Chiça prà chuvinha de molha-tolos! — protestou um soldado minhoto. —Até parece que estamos em Braga, ao findar do Outono!

— Só com a diferença que, nestas Áfricas, nem a chuva refresca uma alma de Deus!—acrescentou outro. — Parece caldo. Vai um homem molhado por fora e a suar por dentro. Como é que se não há-de ser selvagem numa terra destas?!

— Cala a boca, terrorista!—invectivou galhofeiramente um dos cabos, que ia no jipão. — Um tipo que teve a desgraça de nascer em Boticas não deve atacar seja que terra for, ainda que seja o inferno. Eh, rapazes! vocês sabem que, em Boticas, a maior parte das casas é coberta a colmo?

Mas o de Boticas refilou. Que não era terra de espantar, não senhores, lá nisso tinha o nosso cabo razão. Mas era uma terra cristã, em que se não davam cem passos sem topar alma viva. Muito diferente daqueles sertões, onde se não topava um cristão.

— E quanto a chamar-me terrorista, meu cabo, mais a modo, se faz favor! Se os terroristas fossem da minha têmpera, apareciam agora à gente, em vez de terem andado para aí a chacinar inocentes.

— Cães do diabo! — rugiu o cabo, cuspinhando para o lado, num reflexo de nojo.

E todos se calaram, na alucinante evocação dos horrores já presenciados.

Entretanto, no «jeep» do alferes, que abria a marcha, o velho cafuzo, com os olhos ansiosos e febris, vasculhava ambos os lados da sinuosa vereda.

— Mande parar um bocadinho, meu alferes. Faça-me esse favor! Parece-me que vi bulir a folhagem ali atrás ...

Com infatigável paciência, o moço fazia-lhe a vontade. De arma pronta a disparar, ele mesmo acompanhava o aflito agricultor que saía da picada, afastava os galhos das espinheiras, traiçoeiros como falsos amigos, gritava «Eh Zeca! Eh Candinha!». Mas ninguém respondia. Não havia ali ninguém. E ambos voltaram ao «jeep», para repetirem a cena mais adiante, numa nova esperança, logo morta por nova decepção ...

Ao grupo inicial dos fugitivos da Fazenda X, haviam-se juntado mais cinco brancos, duma roça por onde passaram e que avisaram da onda assassina. Ao todo, eram agora onze pessoas — duas senho*ras, três homens, quatro crianças e dois pretos fiéis — caminhando, a corta-mato, numa linha paralela à picada para Vista Alegre.

Arrastavam-se penosamente, havia três dias, primeiro acossados pêlos bandidos, depois sofrendo a fome e a sede, e por fim quase mortos de cansaço e já possessos do demónio infame do deses*pero.

Durante o primeiro dia, sofreram a perseguição contínua dos facínoras. É certo que os três homens obraram prodígios na defesa daquelas inocentes vidas de mulheres e crianças. No transe do maior perigo, quando os facínoras ululavam muito próximos e sedentos de sangue, os dois irmãos da Fazenda X, rapagões morenos de 18 e 20 anos, ambos armados de carabinas, ambos cheios de ternura pela pobre mãe velhinha que tão doloridamente se arrastava na infin*dável caminhada, tinham congeminado uma boa estratégia defensiva. Trepavam às esgalgadas eritrines ou às frondosas mulembas, um à frente e o outro atrás do pequeno grupo miserando. A táctica consis*tia em cobrir, à retaguarda, a marcha dos fugitivos, repelindo algum facínora mais atrevido com tiros certeiros, descer da árvore e correr a ocupar outra, cem metros à frente do atirador da vanguarda, alter*nando ambos sucessivamente as suas posições em relação aos que em baixo se iam arrastando, cheios de fome, de sede, de suor e de terror.

Não obstante os que tombavam, escabujando no chão, abatidos pelas balas certeiras dos dois irmãos, bem treinados no tiro ao veado e à pacaça, os terroristas, certos do seu festim de carniça, pareciam divertirem-se em prolongar o trágico desporto daquela per*seguição. Porque tanto avançavam velozmente até à vista dos bran*cos, em gritaria medonha e com esgares horríveis, brandindo as catanas, saltando, urrando, ameaçando, como logo se deixavam ficar para trás, escondidos nos recessos do arvoredo, agrupados em cír*culo, murmurando em conciliábulos misteriosos.

Durante uma dessas temporárias tréguas concedidas pelos ferozes perseguidores, os brancos encontraram pela frente um pequeno riacho que as chuvas tinham guindado à categoria dum verdadeiro rio.

— Vamos passar para a outra margem — decidiu o irmão mais velho.

— E se há jacarés? — lembrou a mãe.

— Mais sanguinários do que as feras que nos perseguem, não hão-de ser... — respondeu o moço. — Vamos lá!

Depois de passarem todos — a velha senhora amparada aos filhos já homens e as crianças ao colo dos adultos — o irmão mais velho explicou o seu plano para despistar os bandidos:

— Ficam aqui todos, em silêncio e quietinhos. Eu volto para o lado de lá. Estão a ver aquela amoreira, cujos ramos se entrelaçam com os da mulemba desta margem? Pois é nessa amoreira que eu me vou empoleirar, como um galaroz que se diverte. Logo que os ban*didos apareçam, mando-lhes uns tiros de presente e passo para o lado de cá, de maneira que os tipos não percebam. E vão ver como os pa*lermas seguem por ali adiante, convencidos de que nos continuam no encalço. Entendidos?

Fez-se como o valente rapaz aconselhava. E o ardil surtiu efeito.

Viram-se livres dos bandidos. Mas foi então que começaram a lutar com a fadiga, com a fome e, sobretudo, com uma terrível e enlouquecedora sede.

Ao terceiro dia, a senhora mais idosa, que era a dona da Fazenda X, ia toda ensanguentada do arranhar das espinheiras e levava os pés inchados como trambolhos, envolvidos em pedaços da camisa de um dos seus filhos. As crianças já nem força tinham para chorar.

— Eu quero a Macainha — rabujava debilmente a mais pequena delas.

A Macainha era uma boneca francesa, vestida de alsaciana, que o avô lhe tinha trazido de Luanda como prenda do seu segundo aniversário. Ninguém sabia por que misteriosas razões dera-lhe aquele nome esquisito, corruptela do nome duma criada preta da casa, chamada Maria Candimba. E agora, três dias depois de a avó a ter ido buscar à sua caminha de grades para a fuga precipitada, voltava a lembrar-se da boneca preferida:

— Vovó eu quero a Macainha ...

— A Macainha ficou em casa, minha filha.

— Então voltamos para casa.

— Pois sim: vamos voltar para a nossa casinha.

— Vovó, eu tenho muita fome! —tornava a pequenita.

— E eu também — acrescentava um pirralho de alguns 5 anos.

— Também eu!

— E eu tenho muita sede ... Quero aguinha!

Cortava o coração ver penar, em tão duro transe, aquelas quatro criancinhas, a mais velha das quais ainda não completara 7 anos.

A sede era, para todos, a tortura maior. A fome, iam-na iludindo com os frutos silvestres que topavam pelo caminho. Algumas goia*bas que encontraram foram consideradas manjar de luxo, porque eram saborosas e enganavam simultaneamente a fome e a sede. Reservaram-nas para a petizada, a quem distribuíam uma por cabeça e por refeição.

Na passagem pêlos riachos, os adultos dessedentavam-se abun*dantemente, bebendo por uma bota de cano alto. E assim iam pal*milhando a penosa caminhada, famintos, sujos, inseguros da vida e sentindo já no pescoço o roçar cruel do gume das catanas ...

Quando alvoreceu o quarto dia, desembocaram na estrada prin*cipal.

— Agora já estamos perto — disse o mais velho dos rapazes. — Daqui a Vista Alegre é um pulo.

— Graças a Deus! — exclamou a mãe. — Mas eu já não aguento mais.

E deixou-se cair desamparadamente na valeta lamacenta.

Correram a levantá-la e docemente a sentaram à beira da estrada, decidindo que todos deviam descansar um pouco, antes de pros*seguir viagem.

— Vovó, quando chegamos à nossa casinha? — perguntou outra vez a pequenina. — Eu tenho muita fome ...

— Se calhar, meteram-se à estrada do Quitexe ... — aventou o dono da Fazenda X, num acesso de pessimismo, começando a ceder à diabólica vertigem do desespero.

— O seu primeiro raciocínio parece-me o mais sensato — disse o alferes. — Ou acontece alguma coisa que o leve a mudar de ideia?

— Acontece que há dois dias que andamos nesta busca e ainda não descobrimos rasto dos fugitivos. Nem uma pegada de pé cal*çado, nem qualquer resto de comida, nem uma ponta de cigarro. Nada!

— Quem lhe diz que não seguiram por fora da estrada, justamente para não marcar o rumo a possíveis perseguidores?

— É justamente isso que me assusta — respondeu o agricultor. — Se eles caminharam a corta-mato, talvez tenham preferido o rumo de Luanda, cruzando-se connosco sem ninguém dar fé. Está o meu alferes a ver que pouca sorte?!

— Não foi nesta picada que o meu amigo pensou, logo de começo?

— É verdade que foi.

— Pois eu acredito em palpites. Vamos para a frente!

E a coluna continuou a sua marcha, lenta, interrompida dezenas de vezes para dar ajuda às carrinhas que se atolavam na lama até aos eixos, mas persistente e sempre picada pelo indestrutível bom humor dos soldados.

— Eh Manei! — dizia um transmontano do último jipão — Estás a ver como fomos vigarizados?

— Homessa! Vigarizados em quê?!

— Então não é uma vigarice esta coisa duma guerra em que o inimigo não aparece? Já agora sempre gostava de ver um terrorista ...

— Lagarto, lagarto, lagarto! — exclamou o Manuel compenetradamente. — Não fales nesses diabos, que até já me dói o pescoço. E passava a mão em gume contra a garganta.

— Não me digas agora que tens medo duns tipos de catana! — tornou o outro, escarninho. — Eu cá, falando com toda a franqueza, preferia que eles se mostrassem.

— Também eu, desde que me apareçam de frente. Mas os safar*danas preferem atacar pelas costas. E duma traição ninguém se livra!

— Tá bem! — concordou um terceiro. — Mas isto assim é que não tem piada nenhuma! É como quem vai à caça e volta de bornal vazio ...

— Deixa lá, que ainda a procissão vai no adro e até ao lavar dos cestos é vindima — declarou o cabo que tinha a mania dos adágios. — Palpita-me que ainda nos havemos de fartar de ver esses patifes ...

Mas o carro que ia à frente estacou, enquanto o condutor dava para trás sinal que parassem também. Do seu «jeep», sempre na vanguarda, o alferes tinha avistado, lá adiante, numa clareira, um tipo empoleirado entre as ramarias altas duma frondosa amoreira.

— Eu vou lá! — ofereceu-se o sargento, puxando uma bala ao cano da pistola-metralhadora.

— Deixe-me ir também! — pediu o dono da Fazenda X.

— Vamos os três!—decidiu o alferes, saltando do «jeep».

Mal, porém, tinham percorrido meia centena de metros, deslizando cautelosamente sob a protecção do arvoredo, o velho agricultor largou a correr a peito descoberto, gritando:

— É o meu Zeca, bendito Deus! É a minha gente!

Era, efectivamente, o mais velho dos dois irmãos que, de cima da árvore, montava sentinela, enquanto o grupo de fugitivos des*cansava, alguns metros mais além, na berma da estrada para Carmona.

Descrever o que foi a alegria daquele encontro, é impossível.

Mas um soldado de Amarante, depois de ficar embargado durante minutos, teve apenas o seguinte comentário:

— Irra! que uma coisa assim até chateia a alma duma pessoa! Pois não é verdade, ó Manei?

Em rápido «conselho de guerra» com o sargento e os dois cabos, o alferes deliberou que seguiriam todos até ao Quitexe, donde o grupo de fugitivos seria transportado à cidade de Carmona, a fim de tomar o avião de Luanda, enquanto a coluna iniciaria o caminho do regresso por Quibaxe e Pango Aluquem.

Mais uma hora, gasta principalmente a remover as árvores derru*badas sobre a estrada, e entraram em vista Alegre, que foram encon*trar ao avesso do nome: abandonada e triste, com as casas vazias, as portas arrombadas, todos os vidros partidos, as prateleiras das lojas escavacadas e, aqui e além, alguns cadáveres a testemunhar a passagem selvática das catanas ...

Depois duma boa refeição quente, confeccionada com mercearia das lojas desertas e criação abandonada, ali passaram a noite, mal dormida não tanto pela sensação do perigo como pelo nauseabundo fedor a cadáver que vinha das matas envolventes.

No dia seguinte, retomavam a marcha, com a primeira luz do alvorecer, quando da espessura da mata saltou um negro esgalgado, agitando um trapo amarelo preso num pau à guisa de bandeira, e gritando:

— Mussiú! Mussiú!

Soou outra vez o ruído inconfundível das corrediças das armas, empurrando as balas ao cano. Um dos soldados que iam no «jeep» do alferes meteu rapidamente a carabina à cara ...

— Quietos e em silêncio! — intimou o alferes, estendendo os braços paralelos ao chão, num gesto expressivo. E ao sargento, que rapidamente saltara do seu carro e acudira a receber ordens, segredou algumas breves e claras instruções. O subalterno correu seguidamente a coluna, falando aos soldados, em voz baixa e misteriosa.

Entretanto, o negro da bandeira, vendo parar os carros e abaixar as armas que o visavam, avançou mais confiadamente, desdobrando ostensivamente contra o peito o pano, onde se liam, enormes e debruadas a negro, as letras UPA.

— Mussiú l — tornou o emissário.

— Venez, mon ami! — convidou o alferes, com uma seriedade de rajá das índias.

O preto abriu um largo riso triunfante, mostrando os dentes, limados em triângulo, à maneira dos canibais. Logo a seguir, soltou um assobio estridente, estranhamente modulado em três tons ...

E, então, todos viram surgir da selva um negro enorme, vestindo o típico capote dos chefes dembos, no meio duma dúzia de homens armados de catanas e canhangulos.

O oficial, observando o pitoresco bando, concluiu no seu íntimo que a sua ideia inicial estava certa. Era efectivamente, como ele pen*sava, um dembo aliciado pela UPA, que os confundira com alguma esperada gente de além-fronteira e se apressava a vir prestar obediên*cia aos «comandantes» que chegavam.

— Mussiú! — saudou o dembo, curvando-se para o alferes, logo imitado pêlos sobas é macotas que o acompanhavam. E, talvez por não saber dizer mais nada na língua dos «comandantes», tirou a bandeira ao emissário e estendeu-a, também ele, em frente do peito, apontando as letras UPA.

— Já sei que és da UPA, bandido! — berrou de repente o oficial. E, apontando-lhe a pistola-metralhadora, intimou:

— Mãos ao ar! Ou ficas como um crivo, traidor!

Arregalando os olhos de puro espanto, o dembo olhou em redor. E em redor olharam os doze malandrins que o acompanhavam, já com as pernas retesadas para a fuga. Mas os soldados tinham cumprido discretamente as ordens transmitidas pelo sargento. À volta dos ter*roristas fechara-se, de repente, um círculo de baionetas ...

Sem uma palavra, aceitando a situação com o antigo respeito da sua raça pêlos fortes, o dembo baixou a carranca feroz e atou as mãos por cima da cabeça, logo imitado por todos os do seu séquito.

— Revistem-nos, desarmem-nos e amarrem-nos!—foram as ordens secas do alferes.

Um cabo, a coberto das baionetas de dois soldados, cumpriu.

O dembo era portador de papéis que não deixavam dúvidas quanto à sua filiação na UPA. Entre eles, foi-lhe apanhada uma carta recentemente escrita de Léopoldville, com todo um plano de proce*dimento e a promessa de lhe enviarem, por aqueles dias, reforços comandados «por gente do nosso grande comandante de lá muito longe». Fora essa carta que levara o cabecilha a confundir os caça*dores especiais com o auxílio prometido pêlos chefes de além-fronteira ...

Dois dos meliantes ainda traziam as catanas ensanguentadas ...

— Está a ver, meu alferes?! — exclamou o cabo ao notar a trá*gica circunstância. — Este filho duma vaca andou a matar brancos! ...

E logo um grande alarido se levantou entre os civis. Aquele safar*dana vinha talvez de retalhar crianças. Não merecia viver nem mais um minuto.

— Mata-se já! — bradaram alguns.

— Não se mata um inimigo amarrado! — interveio duramente o alferes. — Todos esses homens são prisioneiros do Exército. Vão numa das camionetas até ao Quitexe. Lá se decidirá o seu destino.

— São criminosos da pior espécie!—teimou ainda um civil.— O meu alferes já se esqueceu do que todos vimos nas roças que atravessámos?

— Não esqueci, não senhor! — respondeu serenamente o moço. — Nem nunca mais me esquecerei ...

— E deixa viver um patife destes, que ainda traz a catana quente do sangue dos inocentes?!

— Não sou carrasco — disse o oficial —, sou soldado! Vamos!

E, levando num carro os fugitivos da Fazenda X e noutro os prisioneiros com as mãos amarradas atrás das costas, a coluna retomou a marcha, ultrapassou Aldeia Viçosa, e prosseguiu para o Quitexe.
   
Digg this Post!Add Post to del.icio.usBookmark Post in TechnoratiPartager sur Reddit! Wong cet article!Partager sur Facebook
Réponse avec citation
Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....
Vieux
  (#46 (permalink))
Cheval
duarte1 is an unknown quantity at this point
 
Déconnecté
Messages: 2 395
Date d'inscription: octobre 2007
Par défaut Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI.... - 07/06/2009, 16h51

No Quitexe — duas dúzias de casas arrimadas à estrada, erguida à categoria de rua principal e única — foram logo cercados pêlos homens da vila, armados de caçadeiras, carabinas ou velhos revól*veres. Usando roupas que desde há muito não viam ferro nem sabão, barbudos e cabeludos, olhos febris da vigília constante, falas eriça*das de pragas, almas saturadas de horror — aqueles homens impa*cientes, indomáveis, violentos e frenéticos crivaram a pequena coluna de exclamações, alvitres, comentários e perguntas.

— Ainda bem que chegou a tropa!

— Talvez eu agora tenha uma lasquinha de tempo para tomar um banho!

— Mostrem a esses bandidos quantas pêras são por um pataco!

— Quando chega o resto da coluna?

— Não há resto ... — pôde finalmente responder o alferes. — Isto é apenas uma pequena escolta militar.

Uma sombra de desânimo percorreu aqueles rostos resolutos. Então, era só aquilo, o auxílio que lhe enviavam? Duas dúzias de soldados, sob o comando dum alferes quase imberbe ...

— Gaita! — segredou, para um dos civis da coluna, um dos ho*mens do Quitexe. — Que pode fazer, num vespeiro destes, um moci*nho assim?

— A quem é que o amigo chama «mocinho assim»? — disse o interpelado, também em voz baixa.



— Ao alferes — esclareceu o outro. — Ainda mal saiu debaixo das saias da mãe!

— Pois fique sabendo que é um tipo danado, aquele «mocinho assim!». Valente e decidido como os que mais o são!

Enquanto este curto diálogo se travava em surdina, a curta distância do comandante da coluna, mais perto dele outro civil per*guntava que malta era aquela que vinha num dos carros, de mãos atadas atrás das costas.

— Prisioneiros — declarou o oficial.

— Prisioneiros?! — exclamaram, trespassadas de espanto, várias vozes ao mesmo tempo.

— É verdade.

— Prisioneiros! — chasqueou um grandalhão, de cabelo já gri*salho. — Ora viva o luxo!

E novamente, agora os residentes do Quitexe, os civis opinavam que os assassinos de mulheres e crianças não mereciam o trata*mento reservado aos soldados inimigos. Tratava-se de criminosos comuns, e dos mais repugnantes. Conhecia o senhor alferes as abo*minações por eles praticadas? Sabia que na Fazenda S. Carlos tinham cortado em postas o mestiço Tainha, com a mulher e duas filhinhas gémeas de 3 meses? Que tinham retalhado o fazendeiro Raposo, depois de o castrarem? Que na Fazenda S. José tinham vio*lado até à morte uma pequenina de 6 anos? Que para as bandas de Caipemba haviam morto brancos amarrados, batendo-lhes na cara com os membros decepados dos seus filhos? Que tinham chegado a comer, grelhados, os fígados das suas vítimas? Bandidos assim podiam ser considerados «o inimigo», no sentido militar do termo? Ou eram apenas facínoras da pior espécie, menos humanos que as hienas, absolutamente indignos de viver?

Assim argumentavam os do Quitexe. Mas o alferes varreu tudo com duas palavras. Ele se encarregaria de decidir a sorte dos prisioneiros. Que o ajudassem antes naquilo em que o podiam ajudar: os seus homens estavam necessitados duma refeição quente e de umas camas onde dormir um pouco ...

E logo a boa e brava gente do Quitexe franqueou as suas casas, os seus escassos víveres, tudo o que tinha.

À tarde, o alferes chamou o chefe do posto e comunicou-lhe que doze dos seus soldados, sob o comando do sargento, escol*tariam até Carmona os fugitivos encontrados perto de Vista Alegre e voltariam para o Quitexe, onde ficariam para reforço da defesa da vila. Ele, com o resto dos seus homens e os civis vindos de Luanda, iniciaria no dia seguinte a viagem de regresso. Entretanto, tinham de arrumar a questão dos prisioneiros, com excepção do dembo traidor, que seria transportado para Luanda.

Perante os olhares irónicos dos civis, agarrados à sua ideia de que «não valia a pena gastar boa cera com ruins defuntos», constituiu-se uma espécie de tribunal ao ar livre, no terreno fronteiro ao posto. Em cadeiras trazidas de dentro do edifício, sentou-se o alferes, ladeado pelo chefe do posto e pelo sargento. Dois soldados empurraram para a frente do júri um dos negros apanhados com as catanas ainda ensan*guentadas.

— Mataste brancos? — interrogou bruscamente o alferes.

— Matou, sim siô! — respondeu arrogantemente o bandido.— E também os mulatos e os bailundo do contrato cos brancos.

— Quantos mataste?

— Matou muitos! — disse o réu, num arreganho de orgulho feroz.

— E porque é que os mataste?

— Grande feiticeiro mandou...

— Os brancos que mataste tinham-te feito algum mal?

— Não, siô!

— Os mestiços que mataste tinham-te feito algum mal?

— Não, siô!

— Os bailundos que mataste tinham-te feito algum mal?

— Não, siô!

— Então, porque os mataste?

— Nosso chefe dembo mandou ... Grande feiticeiro mandou ...

O alferes calou-se. Toda a assistência emudecera, no espanto das cínicas declarações ...

E foi quando chegou uma carrinha, vinda dos lados de Car*mona. Desceram dois brancos e um velho preto, com ares de cozi*nheiro ou criado antigo. Um dos brancos também era já velho e vinha todo esfarrapado, mostrando vergões sangrentos, por entre os ras*gões da camisa enxovalhada, no peito magro. Trazia à cinta, num coldre de couro de cerdo, um grande revólver «Colt». E os cabelos em desalinho. E uns olhos de alucinado ...

— Que é isto aqui? — perguntou, acercando-se do ajunta*mento.

— Estão a julgar um terrorista — respondeu alguém. '

— E é mesmo um terrorista? — insistiu o ancião, franzindo a testa, como se lhe custasse a compreender.

— Dos autênticos. Já confessou ter matado muitos brancos. Então o velho avançou resolutamente para o facínora, rompendo através da assistência, bradando:

— Com licença!

... E desfechou o revólver na testa do bandido.

— O senhor está preso ! — berrou o alferes, indignado, cor*rendo a agarrar o velho por um braço.

— É um favor que me faz, meu alferes — disse o homem calma*mente. — Já não tenho casa, nem família, nem pão ...

— Porque matou o prisioneiro? — tornou o oficial, já mais brando.

— Porque é dos que me queimaram a fazenda e cortaram às postas a minha mulher, o meu filho, a minha nora e os meus três netinhos ... Venho de enterrar os bocados que sobraram da fome dos porcos ... Prenda-me meu alferes, por favor! ...

E rompeu a chorar, num choro alto, sacudido de soluços, quase infantil.

Durante momentos, o moço oficial curvou a cabeça, em íntima e penosa meditação.

Depois, erguendo os olhos para o velho, disse: — Vá-se embora, homem! Vá-se embora! ...

Já no caminho de regresso, os soldados galhofavam ...

Tinham passado pelas fazendas da área do Quibaxe e Pango Aluguem. Por lá havia ficado a maior parte dos civis vindos de Luanda que, para aquelas bandas, encontraram as roças intactas, sob a guarda dos bravos e leais bailundos.

Seguiam agora de Pango Aluquem em direcção ao Ucua, no entroncamento com a estrada principal. E após todos aqueles dias por estradas do diabo e picadas do seu filho mais velho, sem topar mais terroristas além do pícaro bando do dembo que levavam preso, os soldados, de carro para carro, galhofavam ...

— Eh! Manuel I — gritava o soldado de Amarante. — Eu não te dizia que esta guerra era uma vigarice?! Afinal, onde estão os terro*ristas ?

— Atão não levamos aí um cabecilha amarrado? — fez o outro.

— Valha-nos ao menos isso! — interveio o cabo. — Sempre é uma amostra ...

— E se o resto é da mesma fazenda, não estão mal servidos de carrancas! — comentou aquele a quem chamavam Manuel. — Vocês já atentaram nas trombas do gajo? Safa, que para espantalho dos milhos, nem de encomenda!

— Eu ainda lhe não vi os dentes, a essa feia besta — acrescentou um de Nine. — Amorrinhou, logo que entendeu ter-se enganado na porta, e nunca mais comeu nem disse palavra. É de força!

Mas o soldado de Amarante teimava que, sim senhores, sempre levavam uma boa amostra de terrorista, mas apanhada numa arma*dilha, como ratinho inocente. E ele não estava satisfeito. Para ele, encontrar os terroristas, o que se chama «encontrar os terroristas», era apanhá-los na porca função, a brandir a catana ou de canhangulo aperrado ...

— E ainda vos digo mais — acrescentou entusiasmado com o som da própria voz. — É por via disto que eu lhes ganhei uma raiva maior! Sempre pensei que fossem homens, c'os diabos! Que aparecessem a cortar-nos o caminho. Mas não: pelo visto, só se atrevem a cortar velhos, mulheres e criancinhas inocentes. Bastam duas dúzias de soldados para lhes amainar a sanha do ataque. Ora gaita!

— Gaita mas é prà conversa! — opinou o Manuel. — Meu pai costumava dizer «falai no mau, aparelhai o pau»! E acho que não é bom lançar os foguetes antes da procissão sair do adro. Não vá o diabo tecê-las e acabarmos todos por nos fartarmos de ver terroristas ao natural, de canhangulo, catana e tudo. Irra! Falemos de outra coisa!

— Eu bem sei do que me apetecia falar, meus filhos... — insinuou um de Ermesinde, em voz derrancada.

— De quê, infeliz? — perguntou outro, imitando-lhe o tom.

— Das terroristas! Dumas terroristazinhas jeitosas... para as passar pelas armas ... Ai ...

— Cala a boca, porco! — intimaram todos, por entre risadas mali*ciosas. — Não vês que estás a minar o moral das tropas?! ...

Mas o «jeep» do alferes, como sempre na dianteira, mais uma vez estacou, junto duma grande árvore derrubada.

— Ó tu, que desejas ver os terroristas! — convidou sarcasticamente o Manuel. — À falta de melhor, toca a tomar o peso da «lembrança» que eles te deixaram no caminho! Anda, meu menino! Alomba, que é a tua vez. Eu fico de vigia às catanas ...

O alvejado, mais alguns soldados de outras viaturas lançaram-se ao trabalho de remover o pesado tronco. Era o primeiro que encon*travam, desde Pango Aluquem. Sinal evidente da presença dos ban*doleiros na densa floresta envolvente. Mas já ninguém esperava que atacassem. Desde a saída de Luanda, por centenas se contavam as árvores que tinham arredado do caminho. E nunca os terroristas se haviam atrevido a aproveitar aquelas boas oportunidades de ataque. Matadores de mulheres e crianças; mais nada!

Assim pensava o Manuel, embora tivesse puxado uma bala ao cano da arma e permanecesse atento ao emaranhado da selva.

E foi quando, de repente, soou um tiro de canhangulo. Depois outro, e mais outro, e uma série deles seguidos ...

Rapidamente, os soldados formaram o seu dispositivo de defesa. As pistolas-metralhadoras começaram a crepitar, logo reforçadas pelo forte ladrar da «Madsen» e pêlos estampidos secos das carabinas.

Mas não viam ninguém. Disparados uns quinze tiros de canhangulo, um dos quais atingiu um soldado, de raspão num ombro, os terroristas não davam mais sinal de si. E, depois dumas rajadas à toa, em redondo, o alferes fez sinal de cessar fogo e aguardar.

Longos minutos se passaram naquela tensão horrível. Até que, do recesso da mata, se ouviu o soar trinado dum apito, daqueles usados pêlos árbitros, nos desafios de futebol. E recomeçou o tiroteio dos canhangulos.

— Atira para ali! — veio dizer o alferes ao cabo que manejava a «Madsen», indicando-lhe determinado ponto.

O metralhador varejou raivosamente a zona apontada pelo oficial. É novamente os canhangulos se calaram. Um novo e enervante silên*cio caiu sobre aqueles poucos soldados, cosidos com a lama da picada, isolados no meio do vasto sertão e dos inimigos invisíveis.

E outra vez o diabólico apito: trri ... rrr... rriu!

Os dedos dos vinte caçadores especiais acariciaram o gatilho das armas, olhando em volta com os olhos ansiosos, na esperança de avistar os próximos fogachos dos canhangulos ... E, naquela ter*rível expectativa, o apito repetiu:

— Trri ... rrr... rriu!

— Fora o árbitro! — berrou, então o soldado de Amarante.

E uma incentivei gargalhada de toda a coluna encheu o incomo*dativo silêncio(1).

Logo a seguir, estoiraram mais descargas de canhangulos.

— É dali! — bradou o alferes, estendendo a mão para um recanto da mata. — A eles!

E, seguindo o seu moço comandante, dez dos soldados lança*ram-se ao ataque, enquanto os restantes montavam guarda às via*turas.

Acossados no seu esconderijo por aquele pequeno grupo de bravos, os facínoras, largando catanas e canhangulos, debandaram. Não, porém, sem deixar alguns mortos e assinalar o sítio da torpe emboscada ...

— Estás satisfeito, agora que já viste os terroristas ao natural? — disse o Manuel para o soldado de Amarante.

— Nem por isso... — respondeu o interpelado. — Eram tão poucos ...

— Não será melhor dar um tiro neste maluco, meu alferes? — gra*cejou o Manuel para o oficial, que passava e tinha ouvido a conversa.

— Temos de poupar as munições ... — respondeu o alferes no mesmo tom. E, após a excitação do combate, o seu rosto grave e sério abriu-se num sorriso de bom camarada ...

Até ao Ucua foram atacados mais duas vezes. E uma terceira, já a poucos quilómetros da ponte do Sassa. Em todas o mesmo género de emboscada: uma vala profunda, dissimulada com grade de ramaria recoberta de capim e areia, ou um tronco atravessado no caminho. E, forçada com este ardil a paragem da coluna, começavam a chover os tiros de canhangulo de cima das mulembas frondosas ou do meio do capim mais alto do que um homem alto.

No segundo ataque, houve uma desgraça. O soldado de Ama*rante, quando se lançava ao assalto, rompendo bravamente por entre o emaranhado da selva, apanhou em pleno peito a carga dum canhangulo.

Ainda pôde balbuciar, apontando para a frente:

— Estão acolá! ...

Mas, correndo a ampará-lo, o alferes viu logo como se escoava rapidamente a vida daquele valente com o sangue que lhe golfava do peito esfrangalhado. Quando o sentiu cadáver, cerrou-lhe piedosamente os olhos, encarregou dois camaradas de o guardarem e, a chorar de raiva e de pena, bradou aos restantes:

— A eles! ...

Meteram-se a corta-mato, num ímpeto terrível, com um furor concentrado e vingativo. Bateram a floresta e o capim em todas as direcções. E, por onde eles passaram, foi como se passasse a jus*tiça de Deus ...

Ao cabo de tantos dias tormentosos, a pequena coluna estava de novo em Caxito. Voltavam com três feridos (que uma ambulância imediatamente transportou para o Hospital da Tentativa) e com a saudade do camarada a quem tinham dado sepultura cristã no pe*queno cemitério do Ucua.

Tinham partido, decididos e bem treinados, mas bisonhos. Vol*tavam veteranos nesta guerra insidiosa de catana e canhangulo. Vol*tavam mais homens, inteiramente cônscios de que se batiam pela razão e pela justiça. Voltavam diferentes.

Sentado confortavelmente na varanda da residência do adminis*trador, enquanto aguardava o almoço com que a gente de Caxito quisera brindar aquela dúzia de bravos, o alferes, já depois dum banho reparador, ficara por momentos sozinho. E uma estranha modorra o tomara, como se, finda a enorme tensão em que se aguentara, na contínua vigília e excessivo esforço, refluíssem agora sobre si todas as fadigas, perigos, brutalidades e horrores daqueles dias ...

Também ele voltava mudado. Diferente. Sabia agora que ingénuos eram os que supunham os terroristas movidos por ideais de emanci*pação política. Na verdade, nenhum outro sentimento os impelia, senão uma porca e animalesca ânsia de sangue, de pilhagem e de estupro. Agiam como bestas-feras, levados pela força diabólica do ódio racial, dos instintos desenfreados e do medo ancestral aos feiticeiros. Avançavam sob o efeito alucinante da liamba, massa*crando, violando, queimando, destruindo, tripudiando sobre cadáveres estripados, dançando entre o choro lancinante das crianças torturadas e o estertor de velhas e meninas violentadas até a morte.

Depois da tremenda peregrinação pelo calvário do Congo português, seguindo o rasto sangrento dos facínoras a quem na ONU chamavam «patriotas», o moço oficial compreendia agora o bramir de leão ferido, que haviam soltado os homens do Quitexe, do Negage, da Damba e de Carmona. O terrorismo em Angola era, efectivamente, um duplo crime. Crime repugnante dos que retalha*vam à catana as carnes de pobres criancinhas que traziam ao colo, porque os pais lhas haviam confiado. E crime igualmente repugnante daqueles que, de longe, excitavam os piores instintos de homens pri*mitivos, seduzindo-os com as mais grosseiras mentiras, para os lan*çarem depois, embrutecidos pelas drogas, contra as balas implacáveis das metralhadoras.

Recordava os cadáveres mutilados, caídos pêlos terreiros das roças de Nambuangongo; e aquele pobrezinho bebé, degolado ao pé da sua branca alcofa; e aquele moço tombado com um lanho de catana na testa, à entrada da varanda da sua casa, por detrás dum monte de terroristas abatidos enquanto lhe não faltaram as munições; e o dembo traidor que confundira os «caçadores especiais» com o pro*metido auxílio dos chefes de além-fronteira; e o velho colono, meio louco de dor, que desfechara o seu velho revólver na cabeça dum terrorista em julgamento; e o peito aberto e sangrento do soldado de Amarante; e, nos últimos combates, a raivosa arremetida contra os facínoras, por entre o capim verde e ondulante como o manto real da morte ...

— Sono? — perguntou, de repente, o administrador que voltava.

— Não — contestou o alferes. — Cismava ...

— Nalguma bonita moça deixada em Lisboa? ...

— Antes fosse... Mas trago o pensamento cheio do que vi por esses matos ...

— E que pensa de tudo isto?

— Que andam feras à solta ... É preciso abatê-las!

— Nem todos assim julgam.

— É porque não viram o que eu vi ...

— Deixemo-nos agora de coisas tristes! Vamos almoçar!

O almoço não decorreu com a alegria que seria de esperar em soldados regressados da «frente». Na lembrança de todos estavam ainda muito vivas as imagens do camarada morto e os gemidos dos feridos que já deviam ter chegado à Tentativa ...

Por isso eram breves e concisas as respostas dadas à compreen*sível curiosidade dos homens do Caxito.

— Encontraram terroristas?

— Bastantes.

— Mataram muitos?

— Alguns.

— Há sobreviventes em Nambuangongo?

— Só vimos cadáveres.

— E a gente do Quitexe, do Ucua e do Quibaxe?

— Aguentam-se.

E a conversa não passava deste cruzar de perguntas e respos*tas, curtas e secas, sem calor e sem verve. Faltava ali — todos o sentiam — a alegria comunicativa de alguém que jazia agora, sob a terra húmida dum cemitério sertanejo, com o peito esburacado pela ferralha dum canhangulo disparado da sombra ...

O prato de substância era leitão assado.

Quando o bicho apareceu, bem alourado e apetitoso, entre picles e raminhos de salsa, com a tradicional batata entalada na boca, o alferes mal ouviu o administrador que o convidava a servir-se. É que no seu cérebro imediatamente surgira, nítida e horrível, a cena do terreiro daquela roça, onde uma vara de porcos, incluindo uma leitoa enorme acompanhada dos seus bacorinhos, chafurdava nas vísceras dos brancos assassinados ...

— Sirva-se, meu alferes! — repetiu o administrador.

— Muito obrigado! Não me apetece mais nada ...

O cabo limitou-se a fazer para o criado que trazia a travessa um gesto negativo. E todos os soldados recusaram o pitéu, alguns sem conseguirem esconder um trejeito de nojo.

— Mas então?! — estranhou um sujeito baixote, já entrado em anos, de grande bigode grisalho a ensombrar-lhe a boca firme e o queixo voluntarioso. — A tropa não gosta de leitão assado?!

— Gostamos, sim, senhor! — declarou o cabo. — Mas, nesta altura, lembra-nos cá uma certa coisa ...

O homem de Caxito ia a investigar que coisa era essa que lhes lembrava o leitão, quando o alferes o interrompeu:

— Se não estou a confundir caras, quando por aqui passámos a caminho de Nambuangongo, foi o senhor que me perguntou o que tinha eu ouvido dizer em Lisboa sobre os acontecimentos de Angola; lembra-se?

— Lembro-me muito bem! — confirmou o homem. — Pergun*tei-lhe se era verdade que, em Lisboa, havia quem responsabilizasse os cafeicultores pelo terrorismo. Por sinal que o meu alferes não gostou da pergunta. Nem me respondeu ...

— Eu também tinha as minhas ilusões, meu amigo ...

— E agora ?

— Agora conheço a realidade ...

E, voltando-se para o administrador, passou a falar doutra coisa ...

(1) Reproduzo aqui, pelo seu alto poder expressivo, a exclamação autên*tica dum dos nossos soldados, durante o combate de Mucondo, na arrancada para Nambuangongo, segundo o testemunho presencial de Rui de Correia de Freitas.
http://www.macua.org/livros/alferesrobles.htm

AS GERACOES FUTURAS NOS PORTUGUESES TEMOS O DIREITO DE SABER O QUE SE PASSOU
NAS NOSSAS PROVINCIAS DO ULTRAMAR
UMA TRISTE REALIDADE DE GENTE QUE MASSACROU INOCENTES
E QUE HOJE SAO CONSIDERADOS POR NOSSOS IRMAOS...
   
Digg this Post!Add Post to del.icio.usBookmark Post in TechnoratiPartager sur Reddit! Wong cet article!Partager sur Facebook
Réponse avec citation
Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....
Vieux
  (#47 (permalink))
Cheval
duarte1 is an unknown quantity at this point
 
Déconnecté
Messages: 2 395
Date d'inscription: octobre 2007
Par défaut Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI.... - 07/06/2009, 17h12

HISTORIA DA DESCOLONISACAO
E DE QUEM A PROVOCOU

OS FURTIVOS "les furtifs"

atençao "imagems duras"

   
Digg this Post!Add Post to del.icio.usBookmark Post in TechnoratiPartager sur Reddit! Wong cet article!Partager sur Facebook
Réponse avec citation
Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....
Vieux
  (#48 (permalink))
Cheval
duarte1 is an unknown quantity at this point
 
Déconnecté
Messages: 2 395
Date d'inscription: octobre 2007
Par défaut Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI.... - 07/06/2009, 17h54

A Farsa do 25 de Abril

   
Digg this Post!Add Post to del.icio.usBookmark Post in TechnoratiPartager sur Reddit! Wong cet article!Partager sur Facebook
Réponse avec citation
Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....
Vieux
  (#49 (permalink))
Cheval
duarte1 is an unknown quantity at this point
 
Déconnecté
Messages: 2 395
Date d'inscription: octobre 2007
Par défaut Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI.... - 15/06/2009, 08h32

HISTOIRES INTERESSANTES RELEVANT LES JOURS HEUREUX DES PORTUGAIS EN AFRIQUE

LA VIE AFRICAINE ET LES SENTIMENTS QUE LES AUTOCTONES AVAIENT POUR LES PORTUGAIS


ICI LES AMOURS DE GUERRE D UN SERGENT

blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2007/06/g...

29 de Junho de 2007
Guiné 63/74 - P1900: Estórias cabralianas (25): Dois amores de guerra e uma declaração: Não sou pai dos 'piquinos Alferos Cabral' (Jorge Cabral)



Guiné > Região Leste > Bambadinca > Fá Mandinga > Pel Caç Nat 63 > 1969 ou 1970> O Jorge Cabral e as suas queridas bajudas mandingas... E a propósito, diz ele nesta estória nº 25, a baixo transcrita: "Contaram-me que uma bajuda que tivera um filho do Furriel X, o seguiu até Bissau, e na hora da partida do navio entrou na água com o bebé, tendo morrido ambos. Então jovem e ingénuo literato, cheguei a alinhavar uma ópera, na qual imaginava o militar em pranto, a querer lançar-se ao mar e a ser impedido pela força das armas" (JC)…

Foto: © Jorge Cabral (2006). Direitos reservados



Guiné > Zona Leste > Sector L1 > Bambadinca > Fá Mandinga > 1969 ou 1970 > "O 1º Cabo Monteiro. Às costas um pequenino Alfero Cabral " (JC)...

A par da imensa tragédia que foi (com perdas e danos irreparáveis), a guerra da Guiné foi também palco (hilariante) de muitas peças do Teatro do Absurdo (envolvendo as NT, o IN, os nossos oficiais superiores, os nossos camaradas, a população local)... Jorge Cabral é um dos poucos, da nossa Tabanca Grande, que tem o engenho e a arte de nos conseguir falar (e comover), com um subtil toque de humor, de maneira descomplexada, das nossas relações com as mulheres locais (2)...

As estórias cabralianas são já um caso (sério) de sucesso, de popularidade, entre o pessoal da Tabanca Grande... Espero que o autor nos brinde, ainda antes das férias judiciais ou escolares, com essa fabulosa estória da compra, num grande armazém de Lisboa, de trinta e muitos sutiães, todos do mesmo número, que ele levou consigo, na bagagem, de regresso a Fá Mandinga, para oferecer às suas queridas bajudas, da primeira vez que veio passar férias à Metrópole... Mas não se pense, malevolamente, que ele tinha um harém: há muitos mitos a desmontar acerca do Cabral (e Cabral só há um, o de Fá e mais nenhum)... Na estória de hoje, ele vem de certo modo desmentir-se, a si próprio, ao escrever: Cabrais há muitos, e Cabrões ainda mais!...(LG)

Foto : © Jorge Cabral (2006). Direitos reservados.

1. Mensagem de ontem do Jorge Cabral: Amigo, Aí vai estória! E como sempre, Aquele Abraço. Jorge

2. Estória nº 25 da série Estórias Cabralianas.

Autor: Jorge Cabral,
ex- Alferes Miliciano de Artilharia,
comandante do Pel Caç Nat 63, Fá Mandinga e Missirá,
Sector L1 - Bambadinca, Zona Leste, 1969/71.



DOS AMORES, DOS PEQUENINOS ALFEROS CABRAL E DO FALSO FILHO

por Jorge Cabral (1)

E o Amor, existiu? Não falo de mulheres grandes a partir catota, nem de bajudas a partir punho, e muito menos das rápidas e alcoolizadas visitas às casas de prazer, para... mudar o óleo.

Amor mesmo, paixão, dele para ela, dela para ele. Difícil, raro, mas aconteceu. Contaram-me que uma bajuda que tivera um filho do Furriel X, o seguiu até Bissau, e na hora da partida do navio entrou na água com o bebé, tendo morrido ambos. Então jovem e ingénuo literato, cheguei a alinhavar uma ópera, na qual imaginava o militar em pranto, a querer lançar-se ao mar e a ser impedido pela força das armas…

Por mim tive duas namoradas, a Modji Daaba, da qual já falei em prosa e verso, e a Mariama Djaló. Dois amores… E nenhuma loira, nem morena… Ambas negríssimas e muito belas. Filhos, julgo que não. Convém aliás matar de vez os boatos que então circulavam.

A certa altura, não sei bem porquê, as mulheres começaram a dar o meu nome aos filhos e, em pouco tempo, abundavam os pequeninos Alferos Cabral. Obviamente que as confusões e os equívocos surgiram. Depois de passear comigo na Tabanca, um Alferes garantia, no Bar dos Oficiais de Bambadinca, que o Cabral só em Fá Mandinga tinha mais de vinte filhos. E pior ainda, um soldado periquito em Missirá, foi acordar o Branquinho porque, estando eu de férias, ouviu as mulheres aos gritos:
- Alfero Cabral muri! Alfero Cabarl muri!

Por tudo isso não me surpreendeu o telefonema que, há cerca de cinco anos, recebi. Um guineense informava ser meu filho. Porém ele voltou a telefonar, dizendo que era a minha cara, nariz e olhos iguaizinhos, e quanto ao corpo, toda a Tabanca concordara, parecia mesmo o Cabral.

Confesso ter ficado preocupado. Um filho–homem na idade de ser avô… Mandei-o vir ao escritório, e logo que o vi, suspirei de alívio. O vigoroso mulato tinha quase dois metros, e… olhos azuis! Quanto ao local e à data de nascimento também não condiziam.
- Filho, não és! Serás primo! - afiancei-lhe.

É que Cabrais há muitos, e Cabrões ainda mais!...

Jorge Cabral

Résultats Google Recherche d'images correspondant à http://bp2.blogger.com/_pMkPOXBWOec/RoUsrf8KtzI/AAAAAAAADKk/HfSUneoWkA8/s400/Guine_JorgeCabral_Fa_Bajudas2.jpg


FOTOS ET ARCHIVES DES SOLDATS DU MOZAMBIQUE
L AMITIE ENTRE BLANCS ET NOIRS
MEME UNIFORME

   
Digg this Post!Add Post to del.icio.usBookmark Post in TechnoratiPartager sur Reddit! Wong cet article!Partager sur Facebook
Réponse avec citation
Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....
Vieux
  (#50 (permalink))
Cheval
duarte1 is an unknown quantity at this point
 
Déconnecté
Messages: 2 395
Date d'inscription: octobre 2007
Par défaut Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI.... - 15/06/2009, 08h58

MOZAMBIQUE UNE PREUVE DE L EMPIRE

UNE CAPITALE IMMENSE AUX LARGE AVENUES
DES BUILDINGS MODERNES
UNE CIVILISATION AVANCE BATI DANS UNE EPOQUE JUSTE APRES LA SECONDE GUERRE MONDIALE EN EUROPE






LES PORTUGAIS AVAIENT BATI UN NOUVEAU MONDE DEPUIS 5 SIECLES
A 10 000 KM DE LEURS PETITS PAYS
LAISSANTS DES PORTS
DES AEROPORTS
DES AUTOROUTES
DES BEAUX QUARTIERS
LAISSANT D IMMENSES FERMES
LAISSANT D IMMENSES INDUSTRIES
DES INFRASTRUCTURES DIGNE DE L ALLEMAGNE DE L EUROPE MODERNE OU DE L AMERIQUE MODERNE



UNE VISION D EXOTISME DES GENS HEUREUX



UNE VIE PAISIBLE ET DE TRAVAIL




MOZAMBIQUE ABANDONNE A LUI MEME
APRES LE DEPART DES PORTUGAIS
LA GUERRE ENTRE PARTIS
LA GUERRE CIVIL
L AFRICAIN TUE L AFRICAIN
POUR LUI IMPOSER UN NOUVEAU REGIME
UN NOUVEAU PRESIDENT
UN NOUVEAU PAYS
LE FRERE TUE SON FRERE
REPORTAGE INTERESSANT
YouTube - MOÇAMBIQUE-GUERRA CIVIL

Dernière modification par duarte1 ; 15/06/2009 à 09h13.
   
Digg this Post!Add Post to del.icio.usBookmark Post in TechnoratiPartager sur Reddit! Wong cet article!Partager sur Facebook
Réponse avec citation
Réponse

Liens sociaux

Tags
2009, 974, algarve, angola, argentina, brasil, business, casino, congo, forum, frança, france, internet, latina, lisboa, onde, porta, portugais, portugaise, portugal, protection, rap, reis, togo, youtube

Outils de la discussion
Modes d'affichage

Règles de messages
Vous ne pouvez pas créer de nouvelles discussions
Vous ne pouvez pas envoyer des réponses
Vous ne pouvez pas envoyer des pièces jointes
Vous ne pouvez pas modifier vos messages

Les balises BB sont activées : oui
Les smileys sont activés : oui
La balise [IMG] est activée : oui
Le code HTML peut être employé : non
Trackbacks are oui
Pingbacks are oui
Refbacks are oui






Powered by vBulletin® Version 3.8.4
Copyright ©2000 - 2010, Jelsoft Enterprises Ltd.
Search Engine Optimization by vBSEO 3.3.2
Version française #21 par l'association vBulletin francophone
vBulletin Skin developed by: vBStyles.com