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PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....

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Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....
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Par défaut Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI.... - 07/06/2009, 14h56

Costa Gomes preside à 1ª reunião da nova Assembleia do MFA, onde se reafirma a "via socialista".

11 de Abril: Assinatura da Plataforma de Acordo Constitucional do MFA com os principais partidos políticos. PS, PPD, PCP, CDS, MDP/CDE e FSP subscrevem o acordo.

16 de Abril: Nacionalização da Siderurgia Nacional e das várias sociedades exploradoras do serviço público de produção, transporte e distribuição de energia eléctrica.

17 de Abril: A emissão portuguesa da Rádio Vaticano apela aos católicos para não votarem em partidos marxistas.

24 de Abril: A JOC responde à Rádio Vaticano: os cristãos devem comprometer-se em organizações revolucionárias.

25 de Abril: Realizam-se as eleições para a Assembleia Constituinte, as primeiras eleições livres dos últimos 50 anos. Com uma participação eleitoral excepcional e sem incidentes de maior, estas eleições dão ao PS-38%; PPD-26,5%; PCP-12,5%; CDS-7,6%; UDP-0,79% e MDP-4,l2%.

1 de Maio: Incidentes nas comemorações do Dia do Trabalhador, em Lisboa. No Estádio 1.º de Maio, Mário Soares e outros dirigentes socialistas são impedidos de entrar na tribuna.

14 de Maio: Nacionalizados os sectores dos cimentos, celulose e tabacos.

19 de Maio: Início da crise no jornal República entre trabalhadores e a direcção, encabeçada por Raul Rêgo. O PS reage violentamente. Mário Soares encabeça uma manifestação de protesto junto à sede do jornal, acusa o PCP de estar por detrás dos acontecimentos.

20 de Maio: Os militares fazem evacuar o local do jornal e selam-no. Mário Soares denuncia a ilegalidade do fecho do jornal e ameaça abandonar o Governo do general Vasco Gonçalves, assim como os ministros do PS. Regressam a 30 de Maio, após conversações com o Conselho da Revolução.

27 de Maio: Ocupação dos estúdios da Rádio Renascença e do emissor da Buraca por elementos de extrema-esquerda.

29 de Maio: Impedidos de entrar nas instalações, os jornalistas e outros trabalhadores iniciam a publicação do Jornal do Caso República.

Junho: Durante o mês de Junho prosseguiu a política de nacionalizações, abrangendo o Metropolitano de Lisboa, a Empresa Geral de Transportes e 54 empresas de transportes de passageiros e mercadorias.

2 de Junho: Abertura solene da Assembleia Constituinte, composta por 250 deputados. O socialista Henrique de Barros é eleito seu presidente.

7 de Junho: Álvaro Cunhal declara em entrevista ao jornal italiano Europeo: "Asseguro-lhe que em Portugal não haverá qualquer Parlamento."

13 de Junho: Reunião em Lisboa da Comissão de Descolonização da ONU (Comité dos Vinte e Quatro).

Costa Gomes inicia uma viagem oficial à Roménia.

16 de Junho: Em Angola prosseguem os combates entre o MPLA e a FNLA, enquanto se intensifica o afluxo de retornados para Portugal.

18 de Junho: Manifestação e contra-manifestação junto ao Patriarcado, devido à situação na Rádio Renascença.

19 de Junho: Conselho da Revolução aprova o "Plano de Acção Política" (PAP), também chamado II Programa do MFA.

21 de Junho: Manifestação do PS a favor do PAP.

25 de Junho: Independência de Moçambique. Samora Machel toma posse como Presidente da República Popular de Moçambique.

29 de Junho: Fuga de 88 agentes da PIDE da prisão de Alcoentre.

5 de Julho: Independência de Cabo Verde.

8 de Julho: A Assembleia do MFA aprova o "Documento-Guia" da Aliança Povo-MFA, que suscita protestos veementes por parte do PS, PPD e CDS.

10 de Julho: Partidos e outros grupos de esquerda organizam uma manifestação de apoio ao "Documento-Guia". São recebidos por Costa Gomes e Vasco Gonçalves, que discursam. São visíveis as diferenças de conteúdo dos dois discursos.

O jornal República reaparece sob a orientação de uma "Comissão Coordenadora de Trabalhadores". Perante estes acontecimentos, os ministros do PS abandonam o IV Governo Provisório. Uma semana mais tarde, os ministros do PPD tomam idêntica atitude.

12 de Julho: Independência de S. Tomé e Príncipe.

O Conselho da Revolução emite um comunicado no qual critica a saída do Governo dos ministros socialistas.

13 de Julho: Destruição das sedes do PCP e da FSP em Rio Maior. É o início de uma série de acções violentas contra pessoas e organizações de esquerda e extrema-esquerda.

15 de Julho: O PS promove manifestação de apoio aos seus representantes que abandonam o Governo.

16 de Julho: Manifestações em Lisboa e no Porto, organizadas por Comissões de Trabalhadores. Entre outras reivindicações, pedem a dissolução da Assembleia Constituinte.

17 de Julho: O PPD abandona o Governo assim como os ministros independentes Silva Lopes e Almeida Santos.
   
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Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....
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Par défaut Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI.... - 07/06/2009, 14h57

18-19 de Julho: O PS convoca dois comícios (Antas e Fonte Luminosa). Mário Soares exige a demissão de Vasco Gonçalves e ameaça que "o PS pode paralisar o país".

22 de Julho: É decretado novo cessar-fogo em Angola.

25 de Julho: Na Assembleia do MFA Vasco Lourenço opõe-se a Vasco Gonçalves e critica a acção da 5ª Divisão do EMGFA. Na mesma Assembleia é criado um Directório, que concentra o poder político e militar em Costa Gomes (Presidente da República), Vasco Gonçalves (Primeiro-Ministro) e Otelo Saraiva de Carvalho (comandante do COPCON).

São assaltadas no Norte do país várias sedes do PCP.

27 de Julho: Termina o Congresso da Intersindical. Vasco Gonçalves discursa na sessão de encerramento defendendo a aliança Povo-MFA.

31 de Julho: Intensifica-se a ponte aérea que, a partir de Angola e de outras ex-colónias, fará afluir a Portugal milhares de retornados.

2 de Agosto: É criado na reunião da Internacional Socialista, em Estocolmo, o Comité Internacional de Apoio ao Socialismo Democrático em Portugal.

7 de Agosto: Nove membros do Conselho da Revolução, entre os quais Melo Antunes, entregam a Costa Gomes um documento em que recusam, quer a via totalitária, quer a via social-democrata ("Documento dos Nove"). O Directório do MFA condena severamente o documento.

Mário Soares escreve uma Carta aberta ao general Costa Gomes.

8 de Agosto: Tomada de posse do V Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves, composto por elementos do PCP, MDP/CDE, independentes e militares.

O Jornal Novo publica o "Documento dos Nove" (também conhecido por "Documento Melo Antunes").

10 de Agosto: Em Braga e Lamego ocorrem manifestações de apoio à Igreja Católica. Na primeira localidade, após discurso violento do Arcebispo Primaz, grupos de indivíduos assaltam a sede do PCP.

11 de Agosto: O Directório suspende os oficiais subscritores do "Documento dos Nove" (Francisco Charais, Pezarat Correia, Vítor Alves, Melo Antunes, Costa Neves, Canto e Castro, Vítor Crespo, Vasco Lourenço e Sousa e Castro).

13 de Agosto: Respondendo ao "Documento dos Nove", o COPCON divulga um documento intitulado "Autocrítica revolucionária do COPCON e proposta de trabalho para um programa político" ("Documento do COPCON").

Mobilizada pelo PCP e pelo PS, a população portuguesa divide-se. Enquanto o PS exige a demissão do V Governo Provisório, o PCP protesta contra a "violência reaccionária".

Início de uma série de reuniões entre os "nove" e Otelo Saraiva de Carvalho tendentes à elaboração de um documento e projecto de convergência política.

15 de Agosto: No Norte e Centro do país agudiza-se a hostilidade em relação ao V Governo Provisório, ao PCP e aos partidos de extrema-esquerda. Os assaltos e destruições das sedes destes partidos ocorrem um pouco por todo o lado.

O PS promove uma manifestação, em Belém, de apoio ao "Documento dos Nove".

O PCP, num comício realizado no Pavilhão dos Desportos, apela "à unidade dos democratas e anti-fascistas".

19 de Agosto: O Presidente da República reúne com os subscritores do "Documento dos Nove" e com Otelo Saraiva de Carvalho. É apresentado o Plano Político do MFA, elaborado pelos "Nove" e Otelo Saraiva de Carvalho.

É decidido encetar o processo de consultas para formação do VI Governo Provisório.

Em Ponta Delgada são assaltadas as sedes dos partidos de esquerda.

20 de Agosto: Otelo Saraiva de Carvalho consuma a ruptura com Vasco Gonçalves. Em carta pessoal Otelo proíbe Vasco Gonçalves de visitar as unidades militares integradas no COPCON e pede ao general que "descanse, repouse, serene, medite e leia".

Manifestações em Lisboa de apoio ao Documento do COPCON. No Porto, a sede do MDP/CDE e da União dos Sindicatos são atacadas.

21 de Agosto: As autoridades portuguesas perdem o controlo da situação em Timor e a ilha é considerada em estado de guerra civil.

Surgem rumores de um golpe de direita. Os partidos de esquerda tomam posição.

22 de Agosto: Portugal suspende parcialmente o Acordo de Alvor.
   
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Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....
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Par défaut Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI.... - 07/06/2009, 14h58

24 de Agosto: Manifestações em Leiria e Vila Real de apoio ao Episcopado. Em Leiria são assaltadas as sedes de partidos de esquerda.

Apresentação do elenco do VI Governo Provisório, chefiado por Carlos Fabião.

25 de Agosto: Carlos Fabião recusa a chefia de um novo executivo, Pinheiro de Azevedo é indigitado para formar o VI Governo Provisório.

Vasco Gonçalves será nomeado CEMGFA.

É criada a Frente Unida Revolucionária (FUR), com a participação do PCP, do MDP/CDE, do MES, da FSP, da LUAR, da LCI e do PRP/BR.

Inicia-se a publicação do jornal A Luta.

O governo português de Timor retira-se para a ilha de Ataúro.

26 de Agosto: O Conselho da Revolução suspende a 5.ª Divisão.

27 de Agosto: A FUR promove, junto ao Palácio de Belém em Lisboa, uma manifestação de apoio a Vasco Gonçalves e a Costa Gomes. Ambos recebem os manifestantes com discursos mas, mais uma vez, são notórias as diferenças de tom e de conteúdo utilizados pelos oradores.

As instalações da 5ª Divisão do EMGFA, um dos mais importantes apoios de Vasco Gonçalves, são encerradas por uma força militar chefiada por Jaime Neves.

28 de Agosto: Almeida Santos desloca-se a Jacarta, para conversações.

Em Timor a guerra civil instala-se e mais de 3000 refugiados de Timor chegam a Lisboa.

31 de Agosto: O coronel Jaime Neves e outros oficiais do Regimento de Comandos da Amadora são proibidos de entrar na unidade.

Pinheiro de Azevedo inicia as primeiras diligências para a formação do VI Governo Provisório.

O PS e o PPD opõem-se à nomeação de Vasco Gonçalves para CEMGFA.

1 de Setembro: Pinheiro de Azevedo pretende a constituição de uma plataforma comum entre o PS, o PPD e o PCP.

3 de Setembro: Conferência de imprensa do PCP e do MDP/CDE, alertando para a "ofensiva reaccionária". Acusam o PPD, o CDS e o MRPP da onda de violência e o PS da passividade e cumplicidade.

4 de Setembro: A Assembleia Constituinte consagra a separação entre a Igreja e o Estado.

5 de Setembro: Uma Assembleia geral do MFA em Tancos modifica a composição do Conselho da Revolução e afasta Vasco Gonçalves do cargo de CEMGFA.

6 de Setembro: Demissão do V Governo, encabeçado por Vasco Gonçalves.

9 de Setembro: Forças da Polícia Militar recusam-se a embarcar para Angola.

10 de Setembro: O Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, no encerramento da XIII Semana de Estudos Missionários declara: "O apelo de Karl Marx à consciência do homem do seu tempo é na essência, profundamente evangélico".
   
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Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....
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Par défaut Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI.... - 07/06/2009, 15h00

Em Angola começa a ponte aérea; 1500 refugiados chegam a Lisboa.

16 de Setembro: Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Moçambique são formalmente admitidos na ONU.

19 de Setembro: Tomada de posse do VI Governo Provisório, constituído por militares, independentes e representantes do PS, PPD e PCP, e chefiado pelo vice-almirante Pinheiro de Azevedo.

21 de Setembro: Aparecimento dos "Soldados Unidos Vencerão" (SUV's), no Porto.

22 de Setembro: Início das "jornadas de luta" promovidas pelos deficientes das Forças Armadas.

23 de Setembro: Criado, na dependência do Conselho da Revolução, o Serviço da Polícia Judiciária Militar (SPJM).

Sá Carneiro regressa à actividade política (interrompida, por razões de saúde, desde Fevereiro de 1975).

25 de Setembro: Manifestação dos SUV's em Lisboa, com a libertação de soldados presos na Trafaria.

26 de Setembro: O Conselho da Revolução autoriza a criação de uma nova força militar para intervir, em substituição do COPCON, em casos de ordem pública. É denominado Agrupamento Militar de Intervenção (AMI).

27 de Setembro: Destruição da Embaixada e consulados de Espanha em Lisboa, Porto e Évora, após a execução de militantes da ETA, ordenada por Franco.

28 de Setembro: Conselho Nacional do PPD: Sá Carneiro é reconduzido no cargo de Secretário-Geral.

29 de Setembro: Pinheiro de Azevedo ordena a ocupação militar das emissoras de Rádio e Televisão.

Várias organizações de extrema-esquerda convocam uma manifestação de protesto junto do Ministério da Comunicação Social.

30 de Setembro: Em resposta à manifestação das forças de extrema-esquerda, o PS e o PPD organizam uma manifestação de apoio ao VI Governo.

1 de Outubro: Costa Gomes encontra-se em Moscovo: trata-se da primeira visita de um chefe de Estado português à URSS.

O Governo manda desocupar as emissoras de rádio e televisão, à excepção da Rádio Renascença.

O PS denuncia a preparação de um golpe de Estado de esquerda.
   
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Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....
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Par défaut Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI.... - 07/06/2009, 15h01

O jornal O Século publica o chamado "plano dos coronéis".

2 de Outubro: O Jornal Novo, que contém um comunicado do PS sobre uma tentativa de golpe de Estado, é impedido de sair.

7 de Outubro: Ocupação por forças da extrema-esquerda do Regimento de Artilharia da Serra do Pilar (RASP), no Porto.

9 de Outubro: Documento do PCP denuncia "viragem à direita do Governo".

PS, PPD e CDS acusam o PCP de controlar de forma totalitária os principais órgãos de informação.

11 de Outubro: Início em Lisboa do Congresso da União Internacional das Juventudes Socialistas (IUSY).

Manifestações por todo o país de apoio ao VI Governo.

21 de Outubro: A Rádio Renascença é reocupada por elementos de extrema-esquerda.

22 de Outubro: Nova onda de boatos sobre golpes de Estado e contra-golpes.

23 de Outubro: Recomeçam as emissões da Rádio Renascença a partir de Lisboa.

28 de Outubro: Melo Antunes desloca-se aos EUA: discursa na ONU e avista-se com o Presidente Ford. É prometido auxílio económico a Portugal.

2 de Novembro: Em Roma decorrem negociações entre Portugal e a Indonésia sobre a situação em Timor-Leste.

4 de Novembro: Em Angola travam-se violentos combates em Benguela e ultimam-se os preparativos para celebrar a independência.

6 de Novembro: Um "frente a frente" televisivo de 4 horas entre Mário Soares e Álvaro Cunhal confirma a profundidade das divergências que os separam.

7 de Novembro: O centro emissor da Rádio Renascença da Buraca é destruído por ordem do Conselho da Revolução.

9 de Novembro: Manifestação no Terreiro do Paço de apoio ao VI Governo Provisório, com a participação do PS e PPD.

Os dirigentes da Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas (CONCP) reúnem-se em Maputo e decidem reconhecer o Governo da República Popular de Angola, que será proclamado a 11 de Novembro.

11 de Novembro: Retirada do Alto Comissário e do último contingente português de Angola, em clima de guerra civil. O MPLA proclama em Luanda a independência da República Popular de Angola.
   
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Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI....
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Par défaut Re : PORTUGAL IMPERIO? JA NAO ES IMPERIO..QUE FIZERAM DE TI.... - 07/06/2009, 15h04

11-13 de Novembro: Cerco da Assembleia Constituinte por trabalhadores da construção civil, impedindo a saída dos deputados constituintes e do Primeiro-Ministro do Palácio de S. Bento. Após 36 horas o almirante Pinheiro de Azevedo é obrigado a ceder às reivindicações dos operários que exigiam aumentos salariais.

16 de Novembro: Manifestação de trabalhadores da cintura industrial de Lisboa e das UCP alentejanas no Terreiro do Paço, em Lisboa, de apoio ao "Poder Popular".

Dirigentes e deputados do PS, PPD e CDS estão no Porto, correndo rumores que a Assembleia Constituinte pode vir a ser transferida para aquela cidade.

20 de Novembro: O Governo auto-suspende-se enquanto não lhe forem dadas garantias para poder governar.

Manifestação em Belém a favor do "Poder Popular". Costa Gomes fala com os manifestantes, afirmando ser indispensável evitar uma guerra civil.

21 de Novembro: O Conselho da Revolução destitui o general Otelo Saraiva de Carvalho do comando da Região Militar de Lisboa e substitui-o pelo capitão Vasco Lourenço.

23 de Novembro: Comício do PS, em apoio ao VI Governo Provisório, na Alameda D. Afonso Henriques.

24 de Novembro: Os agricultores de Rio Maior cortam as estradas de acesso a Lisboa.

25 de Novembro: Tentativa de golpe de Estado protagonizada por algumas unidades militares afectas à esquerda radical.

Costa Gomes decreta o estado de sítio parcial na região abrangida pelo Governo Militar de Lisboa. O Regimento de Comandos da Amadora e Ramalho Eanes têm um papel decisivo na neutralização das tropas rebeldes.

Mário Soares, Manuel Alegre, Jorge Campinos e Mário Cardia saem clandestinamente de Lisboa, na tarde do dia 25, e seguem para o Porto, onde se apresentam no Quartel da Região Norte, a Pires Veloso e Lemos Ferreira.

26 de Novembro: Em intervenção perante as câmaras da RTP, Melo Antunes denuncia as tentativas de marginalização do PCP.

27 de Novembro: São enviadas para a prisão de Custóias algumas dezenas de militares detidos na sequência dos acontecimentos do 25 de Novembro.

Otelo Saraiva de Carvalho e Carlos Fabião demitem-se dos cargos que até aí ocupavam (comandante do COPCON e CEME, respectivamente); Ramalho Eanes é nomeado CEME interino; o COPCON é integrado no EMGFA.

28 de Novembro: A FRETILIN proclama unilateralmente a independência de Timor-Leste, invocando o protelamento das conversações com Portugal e a eminente invasão pela Indonésia. Este acto não é reconhecido por Portugal.

O VI Governo Provisório retoma as suas funções.

É suspensa a publicação dos jornais estatizados.

29 de Novembro: Em conferência de imprensa, Sá Carneiro acusa o PCP de ser responsável pela insubordinação militar verificada.
   
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O PS toma idêntica atitude.

1 de Dezembro: É levantado o estado de sítio em Lisboa.

2 de Dezembro: Na Assembleia Constituinte PS, PPD e CDS acusam o PCP de estar envolvido nos acontecimentos de 25 de Novembro.

Nacionalizadas a Rádiotelevisão e todas as estações de rádio, com excepção da Rádio Renascença.

4 de Dezembro: PS, PPD e CDS defendem a revisão do Pacto MFA-Partidos.

Em conferência de imprensa, Mário Soares acusa o PCP de ter participado activamente no 25 de Novembro, utilizando a extrema-esquerda como ponta-de-lança. Critica ainda o PPD por "anticomunismo retrógrado" ao pretender o afastamento do PCP, como condição da sua permanência no Governo.

6 de Dezembro: Forças navais, aéreas e terrestres da Indonésia invadem Timor, causando milhares de vítimas.

Início do II Congresso (extraordinário) do PPD.

7 de Dezembro: Portugal corta relações diplomáticas com a Indonésia e pede a intervenção da ONU.

O PCP realiza um comício no Campo Pequeno. Álvaro Cunhal reconhece a derrota sofrida pela esquerda revolucionária, e apela à "unidade das forças interessadas na salvaguarda das liberdades, da democracia e da revolução".

9 de Dezembro: Vinte e um deputados dissidentes do PPD, entre eles Mota Pinto, Júlio Castro Caldas, Carlos Macedo, Sá Borges, Emídio Guerreiro e Santos Silva, passam a independentes. Este abandono dá-se na sequência do Congresso do PPD.

17 de Dezembro: Os tribunais especiais são proibidos.

Iniciam-se conversações entre responsáveis militares e representantes dos partidos políticos para alteração do Pacto Constitucional MFA-Partidos.

19 de Dezembro: O Diário de Notícias volta a publicar-se, agora sob a direcção de Victor Cunha Rego e Mário Mesquita.

22 de Dezembro: São nomeados novos directores para os jornais estatizados
   
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25 de Dezembro: Na sua homilia de Natal o Bispo do Porto afirma: "A reacção existe ainda, não podemos esquecê-lo".

28 de Dezembro: A Rádio Renascença é restituída à Igreja.

1976
13 de Janeiro: Após conversações entabuladas entre partidos e MFA, é decidido que o Presidente da República passe a ser eleito por sufrágio universal.

18 de Janeiro: Cimeira da Internacional Socialista em Elsinore onde Mário Soares pede a solidariedade da Europa para a consolidação da democracia em Portugal.

26 de Janeiro: Conselho de Ministros da CEE autoriza a Comissão a encetar negociações com Portugal, com vista ao alargamento e desenvolvimento do Acordo de Comércio Livre.

30 de Janeiro: Realiza-se uma reunião de sindicalistas não ligados à Intersindical, com o objectivo de lançar as base de um novo organismo sindical.

1 de Fevereiro: Em diversos pontos do país decorre uma série de plenários de agricultores organizados pela CAP, que reivindica a abolição das Leis de Reforma Agrária.

7 de Fevereiro: Os deputados dissidentes do PPD formam uma organização política: o Movimento Social Democrata (MSD).

Concessão de licença de maternidade por 90 dias.

8 de Fevereiro: Comício do CDS no Campo Pequeno, em Lisboa.

16 de Fevereiro: A ONU aprova uma resolução onde reafirma o direito do povo de Timor Leste à autodeterminação e à independência.

22 de Fevereiro: Depois de ouvir o Conselho da Revolução e os partidos políticos (PS, PPD e CDS que se pronunciam contra), o Presidente da República reconhece o Governo da República Popular de Angola.
   
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24 de Fevereiro: Sá Carneiro profere uma declaração segundo a qual se mostra disposto a apoiar a candidatura de Ramalho Eanes à Presidência da República.

26 de Fevereiro: É assinado o II Pacto Constitucional MFA-Partidos, subscrito pelo PS, PPD, CDS e PCP.

3 de Março: Otelo Saraiva de Carvalho, preso em Janeiro por envolvimento no 25 de Novembro, é libertado. Passa ao regime de residência fixa.
13-14 de Março: Cimeira Socialista no Porto, sob o lema "A Europa Connosco", que contou com a presença de delegações e líderes políticos de todos os países da Europa Ocidental.

31 de Março: Promovidas pelo PCP, realizam-se manifestações em Évora, Portalegre e Beja, em defesa da Reforma Agrária.

É constituído o Grupo de Intervenção Socialista (GIS), reunindo ex-militantes do MES.

2 de Abril: É aprovada a nova lei fundamental da República Portuguesa com o voto de todos os partidos representados, à excepção do CDS.

22 de Abril: Atentado bombista contra a Embaixada de Cuba, em Lisboa.
Cronologia

http://www.forumcidadania.org/politi...ologia-02.html


NOS PORTUGUESES TEMOS O DIREITO DE CONHECER A HISTORIA E DE SABER
QUEM TRAHIU PORTUGAL E AS GERACOES FUTURAS
   
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AQUI FOI PORTUGAL!

Quando da 1.ª Viagem Presidencial, em 1938, o saudoso Marechal Carmona proclamava, ao pisar Terras do Ultramar, «AQUI É PORTUGAL!», fazia uma afirmação de Fé, para além de mostrar e relembrar a Determinação Lusíada de dar novos mundos ao Mundo, como ainda assegurava às Populações a continuação da Portugalidade.
Quando se dizia que Portugal não era um pais pequeno, provava-se que todo o Território Lusíada era bem maior que toda a Europa.
Entenda-se por Território Lusíada as Terras de Aquém-e-Além-Mar.
Quando os heróicos bravos da revolução reaccionária de 25 de Abril, data ímpar na História de Portugal, desmantelaram a Pátria, reduzindo-a ao que foi em 1263, no reinado de D. Afonso III, provaram que em 1974 era possível a existência de vários Migueis de Vasconcelos.
Ressalve-se que só dois séculos mais tarde se iniciaram as Descobertas.
Quando esses traidores à Pátria forem julgados no lugar próprio, em Tribunal, por traição à Pátria, terão de explicar e justificar os seus actos, porque nas consciências dos portugueses estão há muito condenados, sem hipótese de perdão.
O reconhecimento da República Popular de Angola é facto consumado e o «acordo» de Alvor foi coisa morta e nada significativa.
O imperialismo russo-cubano instalou-se em Angola, levando consigo a tal «democracia» e «liberdade» feita com a vontade bestial dos lacaios moscovitas.
Os mortos contam-se por dezenas de milhar e o solo angolano conhece agora o autêntico colonialismo, este de feição ditatorial e imposto pela força das armas.
— Afinal Angola não foi libertada!
— Afinal Angola é apenas vítima inocente da cobiça moscovita.
— Afinal Angola é agora realmente urna colónia.
Faz pena tudo isto. Faz pena porque nós, portugueses de todas as cores, estamos desde 1974 a ser vítimas de um amplo sistema de descolonização que de exemplar nada tem.
Faz ainda pena, porque vimos muitos dos infelizes retornados — refugiados de guerra — desesperados e com poucas esperanças, já que tudo lhes foi roubado em nome da democracia e da liberdade.
Faz ainda pena, porque somos forçados a reconhecer que afinal tudo está certo: é o resultado de uma fórmula, entre as muitas conhecidas, utilizada pelo comunismo para se apossar do alheio, já que pela razão os Portugueses tinham vencido, em todos os campos: em combate e no pacifismo!
Em combate, porque qualquer dos movimentos de «libertação» estava com-pletamente vencido, especialmente o MPLA, o mais frágil e mais comprometido de todos, ressuscitado milagrosamente das próprias cinzas pêlos revolucionários--progressistas-abrileiros, que generosamente o guindaram à categoria de seu vencedor, sabe Deus a soldo de quem...
Acusar os Portugueses de colonizadores constitui grave ofensa, que só um cérebro mentalmente desequilibrado poderá fazer.
Quantas Familias não se desfizeram de todos os haveres, aqui na Metrópole, para os investirem em Terras Ultramarinas?
E fizeram-no porque sentiam estar em Terras Portuguesas, portanto em território Pátrio.
Pois não é verdade que desde há séculos as Terras do Ultramar também eram Portugal?
Como justificar tudo isto, e ainda mais o que se passou e passa em Moçambique, Guiné, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe e no muito martirizado Timor? Descolonizadores exemplares? Não interessa procurar razões justificativas, elas não existem, e os nossos seguidores não hesitarão em classificar a nossa geração de traidores, por abandono de território Pátrio.
A herança recebida, mantida ao longo de tantos séculos, com muitos Mártires e Heróis, está completamente delapidada, destruída e irremediavelmente perdida.
Bastaram os anos de 1974 e 1975, os anos da vergonha, para destruir oito séculos de História, por obra e graça de um grupo de imbecis armados e a corja de políticos de pacotilha que os acompanhou, todos arvorados em progressistas, iluminados e mentalizados por caquéticos marxistas a soldo de Moscovo, onde nem sequer faltou um autêntico louco!
Não interessa, de momento, procurar as razões da passividade de todos nós ante tão grave Desastre Nacional, porque inegavelmente a cobardia apossou-se de todos, face às loucuras que nesses dois terríveis anos assistimos e sentimos na própria pele. O grave é que os nossos seguidores nos vão acusar de actos que não praticámos e para os quais não fomos consultados.
Tudo o que aconteceu foi concertado em gabinetes revolucionários, em nome do Povo, mas sem a sua concordância; os factos apareceram consumados sem apelo nem agravo.
Foram os nossos ancestrais que deram novos mundos ao Mundo, que levaram a Cruz de Cristo por mares nunca dantes navegados, onde agora, nessas Terras sagradas, paira a morte e a desgraça, em nome da democracia e da liberdade, numa autêntica colonização da tirania comunista que teimosa e obstinadamente marca com sangue as sete partidas do Mundo.
Têm vindo, desde 1974, todos esses oportunistas, iluminados, super-politi-zados, e inúmeros imbecis a apresentar razões que não convencem ninguém. Mas agora bastai
Demitam-se!
Exilem-se l
Calem-se l
A saturação que motivaram entre nós com os seus utopismos, empinados a martelo em velhos livros marxistas, leninistas e quejandos, onde as teorias fantásticas se amontoam, confundiu os incautos e os pouco inteligentes. Teorias preparadas cientificamente para o atrofiamento de cabeças fracamente trabalhadas, para provocar nestas uma rápida assimilação.
E isto porquê? Porque concretamente é muito mais fácil exercer domínio absoluto sobre esse tipo de indivíduos, normalmente ocos e invejosos, frustrados e oportunistas, despolitizados e mandriões. A razão da reedição —pela oitava vez— de «SANGUE NO CAPIM» é não só para que os factos não sejam esquecidos, mas sobretudo para que os mais jovens tenham a perfeita consciência do que efectivamente foi a epopeia vivida em Angola pela sua população.
Os Portugueses de Angola, laboriosos e pacíficos, não mereciam, em caso algum, o tratamento de que foram vítimas, em nome de uma «libertação» que não pediram, contra a qual lutaram com todas as forças, de armas na mão, sem sequer aguardarem instruções governativas, porque de tal não careciam, dado usarem o direito indeclinável de defenderem a Pátria.
E Angola era Portugal !
REIS VENTURA conseguiu, e Bem-Haja porque o fez, traduzir para palavras despretensiosas, mas bem sentidas, alguns dos mais significativos momentos da hecatomba monstruosa que em 4 de Fevereiro de 1961 vieram e continuam a manchar de sangue a Paz Lusíada da vida angolana, para logo em seguida virem os bandos de terroristas e assassinos que, comandados do exterior, iniciaram os horrorosos massacres no Congo Português.
Iniciou então o terrorismo internacional, subsidiado pelos habituais fornecedores — os países do leste europeu, cuja capital ideológica é Moscovo — o mais violento e sanguinário massacre terrorista que os inimigos da Civilização Latino-Cristã desencadearam em África, depois da última guerra mundial.
Devemos essa honra aos inspiradores das horrorosas carnificinas de 15 e 16 de Março de 1961, dado partirem do princípio que era preciso algo de espantosamente horrendo e trágico para aterrorizar os honrados Portugueses.
E, rapidamente, aproveitando a naturalidade e a sinceridade da nossa convivência plurirracial, caíram de surpresa sobre pessoas sem culpa nem crime, decapitando, despedaçando e esquartejando.
Portugueses brancos, pretos e mestiços, homens e mulheres, adultos e crianças, todos ficaram aos pedaços pelas ruas de povoações isoladas e nos terreiros das roças de café, grandes e pequenas, duma vasta região da Província do Uíge.
Mas os crápulas que, de longe, com as palavras cínicas da ONU, com droga e feitiçaria vindas de Praga, Acera, Moscovo e Léopoldville, assolaram até um demoníaco paroxismo os instintos primitivos de algumas tribos nativas, mais uma vez se enganaram.
Nem o tremendo choque emocional dessas centenas de vidas inocentes despedaçadas à catanada, logrou o efeito visado pêlos inimigos de Portugal. Nem com a dose máxima de horror, longa e comodamente preparada pêlos agentes da subversão mundial, os Portugueses de Angola se intimidaram.
Bem pelo contrário: trocaram por armas o pouco dinheiro que tinham para o pão; colocaram a salvo mulheres e crianças para ficarem de mãos livres para o combate; agarraram-se obstinada e teimosamente a lugarejos insignificantes como Ucua ou Mucaba; entrincheiraram-se em vilas isoladas, como Damba ou Quitexe; deram o alerta para Luanda e Benguela; gritaram às armas em centros nevrálgicos de defesa, como Carmona e Negage.
E a gesta heróica começou, com os seus mortos, os seus heróis, os seus lances de autêntica epopeia. No ano de 1961, á vida em Angola adquiriu sentido heróico!
Da 1.a edição, pelo «Diário de Notícias» em 1963, recortei várias passagens que considero de extrema importância para o entendimento do tema.
Em qualquer dos casos, creio que o título AQUI FOI PORTUGAL!, para a colecção que este livro inicia, está perfeitamente justificado.
Os colonizadores russo-cubanos iniciaram a descoberto, em11 de Novembro de 1975, a libertação dos que conseguiram suster na sua fuga para a Mãe-Pátria.
Os que lerem este livro que meditem nos factos narrados, que atentem nos nomes dos muitos heróis aqui citados, não esquecendo a Juventude que do Minho ao Algarve acorreu a Angola, rapidamente e em força!, nem os Portugueses de todas as cores que em terras de Angola se bateram, e ainda se batem, pela Bandeira das Quinas, que ainda tremula como símbolo sagrado da Pátria, algures em Angola.
O epílogo —PARA QUÊ?— que REIS VENTURA escreveu agora não contém nada de novo.
Faz perguntas e formula acusações. O leitor não terá respostas para lhe dar.
O documento que este livro representa fica!
FERNANDO PEREIRA

sanguecapim







«EU OS DESAFIO DAQUI A VIREM VER A OBRA GRANDIOSA DOS PORTUGUESES, BRANCOS E PRETOS»

Artur Sapassa



A SENTINELA

O bando concentrado no campo de futebol, nas vizinhanças do Muceque Lixeira, partiu-se em dois grupos, cabendo ao mais pequeno ir atacar o quartel da Brigada Móvel da Polícia.

A todos fora distribuído o feitiço contra as balas. Todos tinham tomado o milongo da coragem. Todos acreditavam que o Deus dos brancos morrera e, por isso, eles já não tinham mais força. Bastava matar alguns e logo os outros fugiriam, como tinha acontecido no Congo Belga, donde viera o senhor Pierre mais o senhor Fernando.

O grupo destinado à Brigada Móvel levava um plano bem urdido. Os atacantes deviam meter ao Mercado da Pameli, atravessar pela Emissora Oficial (matando o guarda para que não desse o alarme) e avançar até à estrada do Catete, pêlos eucaliptos. Aí, o grosso do bando escondia-se no capim, logo a seguir ao Bairro de Madame Berman, enquanto quatro homens iam liquidar a senti*nela, daquela maneira que o «senhor Fernando» ensinara. E tudo o mais seria fácil.

Quando o grupo partiu, um dos que ficavam perguntou ao chefe:

— E nós?

— Nós vai todos junto na Estação do Bungo — declarou um preto alto, de vestuário mais cuidado e pronúncia afrancesada. — Mas, primeiro tem de arranjar uma coisa ...

Escolheu quatro homens, segredou-lhes rapidamente umas ins*truções e disse para os outros cabecilhas que aguardavam ordens:

— Toda a gente vai esconder nas barrocas, por baixo da casa do branco que trabalha nos mármore, e fica lá até a gente aparecer. Fica quieto e não faz barulho, mesmo se ouve tiros e confusão ... Andar! ...

Quando os outros acabaram de se sumir no carreiro que desce a falésia, os cinco negros, a um sinal do chefe, começaram a cami*nhar pelo asfalto, em direcção à cidade.

Era uma noite de Fevereiro, quente, abafadiça, a prenunciar a primeira grande chuvada do ano. Devia passar das 2 horas da manhã. Pesadas nuvens de trovoada ocultavam o carão redondo e bolachudo da Lua cheia.

Terminadas desde há muito as sessões de cinema e abandona*dos, pêlos últimos retardatários, os bares e esplanadas, a cidade adormecera, sob o céu, com a tranquila serenidade duma criança saudável. No silêncio impressionante, os cinco negros avançavam atentos, com as catanas curtas entaladas no cinto contra as costas, por dentro da camisa e com o cabo aflorando junto ao pescoço.

— Se calhar, a patrulha hoje não vem ... — opinou um ambuíla alto e espadaúdo.

— Vem sempre! — garantiu o cabecilha. — Há mais dum mês que eu a vejo passar, a esta mesma hora, vinda dos lados de S. Paulo. É uma «Station» verde ... Olha, ela aí vem!

Ouvia-se, efectivamente, ainda distante, o roncar dum motor de automóvel. E não tardou muito que, das bandas do posto da Boavista, surgisse o clarão dos faróis.

O cabecilha, seguido dos comparsas, correu para a frente da viatura, agitando os braços. O carro da patrulha estacou de repente, com um aflitivo chiar dos pneus contra o asfalto.

— Que há? — perguntou paternalmente um guarda de rosto calmo e bonacheirão, que ia ao lado do motorista.

— Barulho, meu chefe! — disseram os cinco pretos ao mesmo tempo. — Barulho ali nas barrocas!

— Nós é estivador — acrescentou o cabecilha, adiantando-se.

— Vem agora do porto, onde teve serviço de noite. E foi atacado por uns bandido que estão nas barrocas, com facas. Parece é cabo-verdiano. Nós fugiu; mas outros ficou lá a lutar.

— Onde foi isso? — quis saber o guarda.

— Ali no frente. Por baixo daquele branco que tem loja de coisas de mármore, canteiro parece que chama. Nós pode ensinar...

— Salta para o estribo! — convidou singelamente o polícia.

O negro obedeceu, com um sorriso enigmático a arreganhar-lhe os beiços. E, agarrando-se com uma das mãos à ombreira da porta, com a outra, por cima do tejadilho, fez sinal aos parceiros para que seguissem atrás do carro.

— É já ali adiante! — informou depois, para dentro da viatura, com os olhos ávidos nas pistolas-metralhadoras dos guardas.

— Vamos lá, devagar... — disse o chefe da patrulha ao motorista. E acrescentou para o preto:

— Os bandidos eram muitos?

— Nós não reparou bem, meu chefe. Fugiu logo ...

— O carro pode chegar até lá?

— Até perto, meu chefe.

Sob a indicação do informador, o carro da patrulha rodou até muito perto da Oficina de Mármores e Cantarias, torcendo então para a esquerda, por um carreiro que levava a um quintalejo cheio de carros para reparação.

Deixando o carro, os três guardas, despreocupadamente, embora levando as suas armas, seguiram o informador. Atrás deles caminha*vam os outros pretos.

— Parece eles esconderam mesmo ali...—segredou o cabe*cilha, indicando, alguns metros adiante, uma zona escura, circun*dada de tambores vazios.

Os guardas avançaram. Numa atitude de medo bem fingido, os cinco facínoras deixaram-se ficar para trás. E no momento em que os agentes da ordem, confiantes e desprevenidos, se curvavam a perscrutar a escuridão, atacaram-nos pelas costas, com as afiadíssimas catanas.

Atingidos com fundos e certeiros golpes na nuca, os três homens tombaram de borco, sem um gemido, jorrando sangue em borbotões.

O cabecilha tirou-lhes rapidamente as armas e os sacos das mu*nições.

— Vamos! — disse para os outros. — Depressa! Descendo em correria o barrocal, logo encontraram o bando, acaçapado entre os arbustos, perto dos muros da Mobil Oil.

— Já está? — perguntou aquele dos cabecilhas que dava pelo nome de «senhor Fernando».

— Já está! — respondeu sucintamente o recém-vindo. — Apa*nhámos duas metralhadoras. — E passou-lhe as armas.

— Uma é para ti — concedeu o outro generosamente. — Avante!

Seguiram até à passagem de nível, ao começo da estrada da Boavista, em frente dos armazéns da Junta do Café. Aí, o «senhor Fernando» destacou do grupo uns dez homens, que confiou a um negro atarracado, recomendando-lhe que fosse à estação do Caminho de Ferro, «para aquilo que ele sabia» ...

Depois voltou-se para o resto do bando e, exibindo vaidosamente a pistola-metralhadora, informou:

— Nós vamos soltar os nossos irmãos que estão presos.

À porta de armas da Casa da Reclusão, estava uma sentinela negra ...

Com ela, vigiava também um cabo branco. Ambos

naturais de Angola.

Tinham entrado de serviço à meia-noite, à hora da saída dos cinemas, quando a cidade oferece a sua última onda de vida e movi*mento, antes de adormecer.

Durante meia hora, ouviram o roncar distante dos motores de automóveis na «Baixa» e viram as luzes dos faróis, desfilando pela Avenida Almirante Azevedo Coutinho, sobre a ferida gretada da falésia.

Ali perto, na Estação do Bungo, silvou repetidas vezes o apito duma locomotiva, na tarefa de agrupar a composição, que seguiria para Malange, ao romper da manhã.

Depois, não houve mais apitos. Lá em cima, por trás do grande «écran» do «Miramar», apagaram-se as últimas luzes da esplanada. Pouco a pouco, foram cessando os mil ruídos da cidade. No cais, os guindastes, alinhados duma e doutra banda, erguiam-se, imóveis e hieráticos como grandes girafas dormindo em pé. De vez em quando, o feixe luminoso do farol das Lagostas varria a noite abafada no suadouro das nuvens baixas. E o farolim da ponta da ilha, dava-Ihe, a espaços regulares, uma resposta acriançada, com o piscar da sua luzita de vaga-lume.

Durante segundos, a Lua cheia mostrou-se por entre um rasgão das nuvens, acendendo pálidos reflexos nos tanques prateados da refinaria do Alto da Mulemba.

Mas logo se escondeu outra vez, deixando atrás de si uma escuri*dão mais espessa.

Foi neste momento que os dois militares sentiram inexplicavel*mente, nas suas almas iguais, sob o céu morno, a mesma sensação de opressivo silêncio.

— Eh! pá! — disse o cabo, que era de temperamento alegre e comunicativo. — Está uma noite de fazer sono ao diabo! Gaita! Até um homem sua a alma! ...

— É mesmo, meu cabo! — fez sucintamente a sentinela negra.

— Chateiam-me estas nuvens mesmo em riba da cabeça! — continuou o cabo, limpando, com um lenço, o suor do pescoço.

— Parecem cobertores de papa em cima da gente. Uf... Tu donde és?

— Eu é da Damba, meu cabo. Mas sentou praça aqui. Já vive há muito tempo em Luanda.

— Pois eu nasci no Bailundo. Terra bem acabada, pá! Pequena, mas sem este calor estuporado do litoral. No Bailundo, durante o cacimbo, faz frio a valer. Dizem que é quase como em Lisboa. Tu já foste no Puto?

— Eu não. E o meu cabo?

— Também não. Mas os meus pais são de lá ...

— Atão um dia há-de lá ir — deduziu o soldado. — Eu tem um amigo que já foi no Lisboa. «Terra grande e bonita, mesmo» — diz ele. — O meu cabo quando vai lá?

— Falta o dinheiro l — disse o branco melancolicamente. — E, além disso, já não tenho lá ninguém. Toda a minha família está no Bailundo há muitos anos. Daqui a dois meses, já volto para lá. Tenho a minha rapariga à espera, para casarmos. É tão bonita, pá! ...

Um ar sonhador perpassou no rosto moreno do militar. Por entre a doce névoa da sua incurável saudade, emergiu a carita engraçada da noiva, naquele seu jeito humilde e nostálgico de que ele, im*pulsivo e folgazão, tanto gostava, dentro da sábia lei das compen*sações com que a natureza determina a simpatia dos contrastes.

Ela era de Nova Lisboa; mas residia, desde criança, em Vila Teixeira da Silva, onde seu pai servia o Estado, como funcionário administrativo. Contrastavam no físico e no temperamento: ele alto e bravio, ela pequenina e submissa. Mas tinham uma coisa de comum: ambos adoravam crianças. «Havemos de arranjar, para nós, aí um rancho de dez!» — tinha ele dito maliciosamente pouco antes de vir para Luanda, numa tarde de namoro. E ela havia sorrido, concordando muito corada ...

— Tu não tens rapariga? — perguntou à sentinela negra, menos por curiosidade do que ao impulso dos próprios pensamentos.

— Eu é casado, meu cabo — informou o soldado. — Tem mu*lher e dois filho pequinino.

— Casado mesmo, ou é só companheira? — quis saber o branco.

— Casado mesmo, com propriamente pela igreja, meu cabo. E os filhos está todos baptizado. Nosso tenente é o padrinho ...

— Viva! — fez o cabo, admirado. — Não sabia que eras compa*dre do nosso comandante.

— Na igreja é compadre, mas aqui é só sordado — esclareceu a sentinela, numa subtil mistura de amizade e respeito. E, mostrando os dentes alvíssimos num largo riso vaidoso, acrescentou: — Todos os dias de Natal, nosso tenente dá prenda nos meus meninos ...

— Eh! eh! — continuou em tom diferente, retesando os mús*culos e segurando melhor a arma. — Olha os preto que vem acolá, meu cabo! ...

O branco seguiu a direcção indicada pelos olhos da sentinela.

Um numeroso grupo de indígenas surgia silenciosamente dos lados do parque de minérios, entre uma composição ferroviária estacionada no desvio da linha e os armazéns da Junta do Café.

— São estivadores que voltam do porto — interpretou o cabo, depois de breve observação.

— Uhm! — desconfiou a sentinela, alongando os beiços em funil.— Estivador fala muito e estes gajo vem calado! Repara já, meu cabo! Não é negros de Luanda, não ... Parece é mesmo matumbo. Eu vai ver que é que os gajo quer, meu.cabo.

— Deixa-te estar no teu posto, pá! — ordenou o branco. — Eu é que vou saber donde vem esta malta.

E avançou para o bando ...

— Vocês deixa o branco chegar perto e ataca como eu ensi*nei — segredou o «senhor Fernando», empurrando para a sua frente dois dos companheiros, enquanto ele próprio recuava para detrás dum «jota» da composição ferroviária.

— Donde é a vinda, a estas lindas horas? — perguntou o cabo, em tom amigável, aproximando-se confiadamente, de mãos nos bolsos.

Mas, reparando, de repente, no cabecilha e na sua pistola-metra-Ihadora, acrescentou, siderado de espanto:

— Ele que raio de história é esta?!

E não teve tempo de dizer mais nada. Um dos bandidos arran*cara a catana detrás das costas e atingira-o com uma cutilada na cabeça. E logo outra catanada, vibrada num braço, fez-lhe cair inerte a mão que buscava, no coldre, a coronha da pistola.

Tentou recuar, meio cego pelo sangue que lhe escorria da cabeça e rilhando os dentes a dominar a dor:

— Corre a avisar o Quartel General ! — gritou para a sentinela que vinha em seu auxílio — Ai ! ...

O gemido estertorou-se-lhe na garganta que uma catanada certeira cortara profundamente.

— Às armas! — bradou a sentinela. E já carregava sobre os facínoras, de baioneta em riste, quando sentiu que o seu camarada branco, tombado no chão, erguia para ele uma mão convulsa, num esforço derradeiro, a lembrar-lhe a ordem dada. E reparou tam*bém que o negro da pistola-metralhadora avançava para ele, convidando:

— Entrega a tua arma e vem combater do nosso lado. Não deves ficar do lado do branco. Tu é preto ...

— E tu é burro! — ripostou-lhe com desprezo.

— Eu não entrego nada. Eu é sordado português!

Fez novamente menção de carregar à baioneta. Mas repentina*mente recuou, em dois saltos bruscos, e largou numa rapidíssima corrida para o «jeep» do comandante, bradando outra vez, a toda a força dos pulmões:

— As armas!

Passada a momentânea desorientação causada pela imprevista atitude do soldado, os facínoras correram sobre ele. Mas já o «jeep» arrancava e rompia a grande velocidade, por entre a malandragem que abria caminho, espavorida. Com uma das mãos no volante e a outra a segurar a velha «Mauser», a sentinela negra ainda viu, no turbilhão daqueles terríveis segundos, o rodopio das catanas de am*bos os lados do carro; e sentiu uma dor aguda num ombro; e aguentou o embate de algumas pedradas nas costas; e percebeu vagamente que, por cima da porta de armas, na frontaria da fortaleza, se abria uma janela ... t

— «É o nosso comandante que já acordou ...» — pensou, con*tente de verificar que estava dado o alarme. E carregou mais no acelerador, distanciando-se rapidamente dos seus perseguidores.

Atravessava o parque dos minérios, quando ouviu, lá para trás, o estalar seco dos primeiros tiros. Era a pequena guarnição da fortaleza que se batia, resistindo galhardamente ao ataque.

Recordou, por momentos, o «nosso cabo», aquele jovial camarada branco, retalhado e sangrento, escabujando no chão, sob as catanas dos assassinos. E acelerou ao máximo, com as mãos crispadas no volante e os dentes cerrados numa raivosa ânsia de chegar depressa.

Ante os seus olhos, desfilaram vertiginosamente as luzes da Ave*nida Marginal, desdobradas num rosário de missangas sobre o espe*lho sereno da baía. Numa curva apertada, em que os pneus grita*ram aflitivamente, voltou para a esquerda, à esquina do Banco de Angola, e, logo depois, torceu para a direita junto da mercearia de Pinho & Arvela, meteu à Rua do Esquadrão e travou bruscamente à entrada do Quartel da Polícia, gritando para os guardas de piquete:

— Acudam à Casa da Reclusão! Está a ser atacada pêlos bandidos!

— Como é isso? — perguntou um dos guardas.

Mas já o «jeep» arrancava novamente, em direcção à Avenida Álvaro Ferreira, rasgando o silêncio da noite com o roncar furioso do motor.

— Que há? — acudiu a perguntar um soldado cuanhama, quando o carro estacou junto do Quartel General.

— Há um ataque de negros à Casa da Reclusão. Avisa o nosso oficial de serviço. Depressa!

E rodou de novo, agora na intenção de voltar ao seu posto e gastar as cinco balas que, prudentemente, tinha guardado para quando fossem mais precisas.

Mas pensou que talvez valesse a pena avisar também o regimento de Infantaria. Os bandidos traziam metralhadoras ... E, se calhar, eram muitos. Sim, porque só sendo muitos e bem armados é que se atreveriam a atacar os brancos. Lembrou-se, então, do seu coman*dante, tão amigo dos seus filhos, e que a essa hora estaria a lutar...

Sem mais hesitações, rumou para o alto da Maianga, abrandou ao passar pela sentinela da Companhia Indígena, a quem repetiu o aviso de alarme («Acorda o nosso Comandante, pá! Há confusão na Casa da Reclusão!») e seguiu a toda a velocidade até aos aquartelamentos do Regimento de Infantaria de Luanda.

Aí, já havia notícia do assalto à Polícia Móvel e um pelotão pre*parava-se para seguir.

— Mais algum azar? — perguntou um capitão, aproximando-se do «jeep».

— Sim, senhor, meu capitão — declarou o soldado, descendo do carro e batendo a continência. — Os bandido está a atacar a Casa da Reclusão. Nosso cabo foi morto. Bandidos tem metralhadora ...

Com uma ruga de preocupação no rosto seco, o oficial deu rápidas ordens a um subalterno. Não tardou que mais dois carros, carregados de tropa, viessem juntar-se aos que iam partir em socorro da Polícia Móvel.

— Um motorista para este «jeep» — pediu o oficial, saltando para o «jeep» trazido pela sentinela.

— Vai eu mesmo! — acudiu a sentinela, sentando-se ao volante.

— Mas tu estás ferido! —objectou o oficial, apontando-lhe para a farda, toda ensanguentada num ombro.

— Não é nada, meu capitão! Eu nem sentiu ... Pode muito bem lutar com os bandidos.

O oficial teve um sorriso de agrado e o «jeep» arrancou mais uma vez ...

Quando chegaram à Casa da Reclusão, já lá estavam reforços idos da 1.a Esquadra. E os assaltantes, falhada a sua tentativa de ata*que à residência do sargento que tinha as chaves das celas dos presos e corajosamente repelidos pela pequena guarnição da fortaleza, batiam em debandada.

Depois, foi durante o resto da noite e no dia seguinte, a caça aos facínoras foragidos por toda a área do Bungo, nas pregas dos barrocais e no formigueiro dos Muceques Rangel e Lixeira.

— Bravo, rapaz!—disse o comandante da Casa da Reclusão à sentinela negra quando, passado o perigo, ele se apresentou, ainda excitado da perseguição aos bandidos. — Foste um valente!

— Desculpa já, meu comandante... — respondeu o soldado. — Mas valente foi o nosso cabo que morreu. Eu só cumpriu as ordens do nosso cabo ...

Ainda não tinham soado as 4 horas da tarde e já a estrada de Catete, desde o seu início, nas vizinhanças do aeródromo velho, até aos escritórios da Petrangol, começava a encher-se de carros e de povo. Trinta minutos mais tarde, não cabia mais ninguém no largo fronteiro ao Cemitério Novo e nos terrenos adjacentes.

Milhares de automóveis estacionavam por toda a parte onde coubessem as quatro rodas dum veículo. E uma enorme multidão se comprimia nas bermas da estrada e contra o arruamento central do Largo do Cemitério, por onde deveriam passar os carros que trans*portavam, desde a Igreja do Carmo, os restos mortais das vítimas dos acontecimentos da véspera.

Era a 5 de Fevereiro de 1961, numa tórrida tarde de domingo, que muito poucos, nesse dia, quiseram aproveitar para o habitual pas*seio pelos arredores da cidade. Quase todos tinham preferido vir ali prestar uma derradeira e comovida homenagem aos que haviam tom*bado em defesa da ordem, retalhados à catana, num vil e selvático ataque de surpresa.

Tinham morrido sete homens; cinco da Polícia Móvel, um da P. S. P. e o cabo do exército abatido junto da Casa da Reclusão. Luanda estava ali, em peso, para lhes render o seu último preito, numa enternecida manifestação da fraternidade lusíada e de solida*riedade humana. Gente de várias raças, de todas as idades e de todas as condições sociais. Muitas centenas de mulheres e crianças.

Ricos e pobres, patrões e empregados, artífices e doutores. Todos dolorosamente surpreendidos com o sangue derramado na sua pacata cidade; mas ainda confiados, sem receios e sem armas.

Enquanto se aguardava a chegada do cortejo fúnebre, comenta*vam-se os acontecimentos, que eram, desde o amanhecer de sábado, o tema obrigatório de todas as conversas. Lamentavam-se os mor*tos e os feridos com espanto e horror («tão desfigurados tinham ficado, coitadinhos»), mas sem o mais ligeiro sintoma de pânico. A grande massa da população estava muito longe de adivinhar que era aquele o prelúdio sangrento dum hediondo terrorismo em Angola. Ninguém encarou a hipótese de que tal selvajaria tivesse continuação. Sabia-se vagamente que o plano dos assassinos, gizado e comandado por agitadores vindos do exterior, era roubar as armas existentes no quartel da Polícia Móvel e soltar os presos da Casa da Reclusão Militar e das cadeias civis, para depois irem ao saque e à carnagem. Mas, não obstante beneficiar das circunstâncias favoráveis duma confiada convivência euro-africana e dos efeitos duma completa surpresa, o plano falhara em todos os seus objectivos, saldando-se por sete vidas perdidas. E, para os luandenses, era tudo. Ninguém pensava que a cidade corresse o mais pequeno perigo.

Por isso mesmo, naquele mar de gente, em maré cheia de penosas e vivíssimas emoções, ninguém sentira qualquer necessidade de defesa. No calor abafadiço e húmido do entardecer, os civis tinham posto uma gravata preta no colarinho das camisas de meia manga. Os militares vinham de farda branca, desarmados. A polícia, para o acompanhamento dos camaradas, deixara em casa pistolas e cacetetes. As únicas armas eram as carabinas da guarda de honra, com munição de pólvora seca.

Amargamente, mas sem medo, comentavam-se os traiçoeiros assassínios do dia anterior.

— Sabem vocês como abateram a sentinela da Polícia Móvel? — dizia um morador do Bairro Madame Berman.

— Por meio dum ardil nojentamente cobarde. Mandaram adiante dois parceiros, amparando um terceiro meliante de cabeça atada num trapo molhado em sangue de galinha a fingir de ferido. Quando o guarda lhe perguntou o que queriam, responderam que traziam ali um homem gravemente ferido, numa desordem. Que estava quase a morrer. — «Tragam o homem aqui para dentro, que já telefono a pedir a maca» — dissera a sentinela, na sua boa fé, encaminhando-se para dentro do quartel. Mas, logo que ele se voltou — zás! — um dos patifes vibrou-lhe uma catanada certeira no pescoço.

— Safardanas! — comentou um funcionário administrativo.

Outros grupos relacionavam os motins com o caso recente do assalto ao Santa Maria ou citavam pormenores horrorosos. Ao cabo da Casa da Reclusão, tinham-no cortado todo, com uma fúria selva*gem e porca de hienas famintas. Um dos feridos internados no hospital tinha dois lanhos enormes na testa, com os miolos a desco*berto. E um dos guardas que vinham agora a enterrar fora quase completamente degolado.

Os homens sublinhavam com exclamações de raiva estes porme*nores macabros. Entre as senhoras havia crispações de náusea.

Mas já o cortejo fúnebre chegava ao largo, rompendo a custo por entre a massa compacta do povo. As urnas dos guardas da polícia vinham alinhadas num grande camião todo coberto de crepes. Logo a seguir, o caixão do cabo era transportado num carro do Exército. Atrás, caminhavam a pé as mais altas entidades, religiosas, civis e militares da Província.

De repente, no silêncio impressionante rebentaram, aqui e além, irreprimíveis soluços de senhoras, que levavam os seus lenços bor*dados aos olhos marejados de lágrimas. É que, entre os guardas perfilados, em cima do camião, ao lado das urnas dos camaradas, um rapagão alto e bem talhado na sua farda cinzenta, levava a cabeça descoberta e pendente, com as mãos trémulas a cobrir o rosto seco, chorando alto como uma criança. Todos reparavam naquela cena. E ninguém podia olhar para aquilo sem se comover.

Poucos, todavia, se aperceberam de que também ao volante do carro do Exército, um soldado preto voltava repetidamente os olhos para trás, a contemplar o caixão do «nosso cabo». E esses olhos, enter*necidos e leais, estavam rasos de água ...

Era o soldado que vira morrer aquele camarada branco. Era a sen*tinela negra da Casa da Reclusão.
«EU OS DESAFIO DAQUI A VIREM VER A OBRA GRANDIOSA DOS PORTUGUESES, BRANCOS E PRETOS»
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