18-19 de Julho: O PS convoca dois comícios (Antas e Fonte Luminosa). Mário Soares exige a demissão de Vasco Gonçalves e ameaça que "o PS pode paralisar o país".
22 de Julho: É decretado novo cessar-fogo em Angola.
25 de Julho: Na Assembleia do MFA Vasco Lourenço opõe-se a Vasco Gonçalves e critica a acção da 5ª Divisão do EMGFA. Na mesma Assembleia é criado um Directório, que concentra o poder político e militar em Costa Gomes (Presidente da República), Vasco Gonçalves (Primeiro-Ministro) e Otelo Saraiva de Carvalho (comandante do COPCON).
São assaltadas no Norte do país várias sedes do PCP.
27 de Julho: Termina o Congresso da Intersindical. Vasco Gonçalves discursa na sessão de encerramento defendendo a aliança Povo-MFA.
31 de Julho: Intensifica-se a ponte aérea que, a partir de Angola e de outras ex-colónias, fará afluir a Portugal milhares de retornados.
2 de Agosto: É criado na reunião da Internacional Socialista, em Estocolmo, o Comité Internacional de Apoio ao Socialismo Democrático em Portugal.
7 de Agosto: Nove membros do Conselho da Revolução, entre os quais Melo Antunes, entregam a Costa Gomes um documento em que recusam, quer a via totalitária, quer a via social-democrata ("Documento dos Nove"). O Directório do MFA condena severamente o documento.
Mário Soares escreve uma Carta aberta ao general Costa Gomes.
8 de Agosto: Tomada de posse do V Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves, composto por elementos do PCP, MDP/CDE, independentes e militares.
O Jornal Novo publica o "Documento dos Nove" (também conhecido por "Documento Melo Antunes").
10 de Agosto: Em Braga e Lamego ocorrem manifestações de apoio à Igreja Católica. Na primeira localidade, após discurso violento do Arcebispo Primaz, grupos de indivíduos assaltam a sede do PCP.
11 de Agosto: O Directório suspende os oficiais subscritores do "Documento dos Nove" (Francisco Charais, Pezarat Correia, Vítor Alves, Melo Antunes, Costa Neves, Canto e Castro, Vítor Crespo, Vasco Lourenço e Sousa e Castro).
13 de Agosto: Respondendo ao "Documento dos Nove", o COPCON divulga um documento intitulado "Autocrítica revolucionária do COPCON e proposta de trabalho para um programa político" ("Documento do COPCON").
Mobilizada pelo PCP e pelo PS, a população portuguesa divide-se. Enquanto o PS exige a demissão do V Governo Provisório, o PCP protesta contra a "violência reaccionária".
Início de uma série de reuniões entre os "nove" e Otelo Saraiva de Carvalho tendentes à elaboração de um documento e projecto de convergência política.
15 de Agosto: No Norte e Centro do país agudiza-se a hostilidade em relação ao V Governo Provisório, ao PCP e aos partidos de extrema-esquerda. Os assaltos e destruições das sedes destes partidos ocorrem um pouco por todo o lado.
O PS promove uma manifestação, em Belém, de apoio ao "Documento dos Nove".
O PCP, num comício realizado no Pavilhão dos Desportos, apela "à unidade dos democratas e anti-fascistas".
19 de Agosto: O Presidente da República reúne com os subscritores do "Documento dos Nove" e com Otelo Saraiva de Carvalho. É apresentado o Plano Político do MFA, elaborado pelos "Nove" e Otelo Saraiva de Carvalho.
É decidido encetar o processo de consultas para formação do VI Governo Provisório.
Em Ponta Delgada são assaltadas as sedes dos partidos de esquerda.
20 de Agosto: Otelo Saraiva de Carvalho consuma a ruptura com Vasco Gonçalves. Em carta pessoal Otelo proíbe Vasco Gonçalves de visitar as unidades militares integradas no COPCON e pede ao general que "descanse, repouse, serene, medite e leia".
Manifestações em Lisboa de apoio ao Documento do COPCON. No Porto, a sede do MDP/CDE e da União dos Sindicatos são atacadas.
21 de Agosto: As autoridades portuguesas perdem o controlo da situação em Timor e a ilha é considerada em estado de guerra civil.
Surgem rumores de um golpe de direita. Os partidos de esquerda tomam posição.
22 de Agosto: Portugal suspende parcialmente o Acordo de Alvor.


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