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Le virtuel m'habite...
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As primeiras comunidades recolectoras -
23/11/2007, 23h13
Considera-se que os mais remotos antepassados do homem - os Australopithecus - surgiram há cerca de cinco milhões de anos na África austral. A Península Ibérica tardou em ser habitada. Os primeiros grupos que a ocuparam, há um milhão e meio de anos, eram já do grupo do chamado Homo erectus, que já conhecia o fogo. Vindos de África, atravessaram o estreito de Gibraltar e, pouco a pouco, foram-se distribuindo por toda a Península, vivendo como caçadores-recolectores.
Por esta altura, a península, tal como o resto da Europa, foi acossada por terríveis vagas de frio e as terras cobriram-se de gelos (glaciares) durante centenas de milhares de anos. Mais tarde, entre 100.000 e 35.000 a.C., e como consequência de uma evolução lenta, mas constante, surgiu o homem de Neandertal, que sabia já fabricar grande variedade de ferramentas e acessórios para a caça, realizava ritos funerários e enterrava os mortos. Os utensílios e obras de arte que deixou mostram uma cultura complexa e uma grande capacidade intelectual. Todos estes homens, caçadores e recolectores, viveram na época mais longa da história da humanidade - o Paleolítico. A vida de caçadores exigia-lhes que se deslocassem continuamente, levando assim uma vida nómada.
O Homo sapiens, também ele fixado na península, demonstra capacidades superiores a nível artesanal, na transformação da economia (baseada a partir de agora fundamentalmente na caça de animais de grande porte) e, sobretudo, na criação artística. As estatuetas de osso ou de marfim, os desenhos e as gravuras em placas de osso e de pedra e as pinturas nos tectos e paredes das cavernas revelam bem as grandes transformações operadas. Durante este período de transição, designado Mesolítico (8.000 a.C. - 5.000 a.C.), distribuíram-se, por toda a península, pequenas culturas regionais que, no fundo, foram respostas de adequação às novas condições ecológicas, surgidas com o fim das glaciações quaternárias. O clima, a fauna e a flora europeias tornaram-se muito semelhantes aos actuais.
Os instrumentos de pedra utilizados variam de região para região, de acordo com os recursos de que viviam as populações. Foram descobertas nos vales inferiores do Tejo e do Sado mais de vinte estações arqueológicas com vestígios deste período. São muitas vezes designadas concheiros, porque os vestígios deixados mostram que a alimentação destas populações era essencialmente feita a partir de moluscos, crustáceos e peixes.
As próprias sepulturas revelam esta característica, pois eram pavimentadas com conchas e albergavam objectos de adorno feitos de conchas e dentes perfurados, testemunhando a existência de ritos funerários.
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