A romanização
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Par défaut A romanização - 23/11/2007, 23h11

Os romanos levaram a todos os territórios ocupados o seu modo de viver, completamente diferente de cada uma das diversidades culturais das terras ocupadas. Este processo de ocupação era diferente, novo, já que Roma não submetia pela força das armas, antes «aculturando», o que levou à formação de sociedades onde, embora a diversidade fosse manifesta, havia uma matriz cultural comum. A este processo de unificação cultural e política realizado por Roma a partir da total conquista militar deu-se o nome de romanização. O processo da romanização é, fundamentalmente, do ponto de vista político, a criação de uma nova ordem territorial feita de realidades político-administrativas, também novas, que se enquadram numa entidade política abrangente - o Império.
Para a romanização, contribuíram fortemente dois factores: a expansão do latim (língua dos romanos, que se tornou a base das línguas românicas, e portanto do português) e a fundação de numerosas cidades. Na Península, o processo de conquista foi paralelo ao da romanização, e realizou-se desde as costas do mediterrâneo até ao interior e ao litoral atlântico.
Os principais agentes de aculturação peninsular foram, primeiro, os próprios soldados, que se fixavam com as famílias numa progressiva miscigenação com as populações locais, e também grande número de comerciantes. Foi por contactos deste género que os romanos conseguiram a progressiva instalação de um novo modelo de sociedade, modificando completamente as bases da economia, o tipo de povoamento, as formas de organização social, as técnicas de trabalho, os costumes das populações, as crenças e a própria língua. Embora não se possa falar de uma sociedade hispano-romana homogénea, pois na designação de um período de domínio romano de mais de seis séculos incluem-se fases de desenvolvimento muito distintas, não há dúvida de que a colonização romana veio atenuar as diferenças étnicas resultantes dos primitivos povoamentos.
Uma vez finalizada a conquista romana, a Península Ibérica foi dividida em províncias (Tarraconense, Bética e Lusitânia) e integrada no Império, vivendo a partir daí um período de paz e prosperidade. A Lusitânia, cuja capital era Emérita Augusta (Mérida), estendia-se entre o Douro e o Guadiana e ocupava a maior parte do território que hoje é Portugal. Durante a presença romana surgiram numerosas cidades e uma rede de estradas (vias romanas), o que constituiu um dos elementos mais fortes da administração romana. A maioria destas cidades peninsulares foi obtendo um estatuto de progressiva autonomia administrativa, vindo depois a ser declaradas municípios. Tudo isto conduz a uma nova concepção, na Península, da economia e da produção, com o aparecimento de grandes explorações agrárias de regime intensivo (vinho e azeite) e indústrias especializadas (cerâmica e mineração). Nas zonas rurais, os romanos criaram grandes unidades de exploração agrícola - as villae - onde produziam cereais, azeite, vinho e produtos pecuários. Estas grandes villae encontravam-se principalmente ao Sul do Tejo (S. Cucufate, na Vidigueira; Milreu, em Faro; Pisões, em Beja; Torre de Palma, em Monforte).
A economia, estruturada desta forma e abrangendo um espaço geográfico tão vasto, baseava-se na moeda, que, no período do Império, atingiu uma utilização muito mais expressiva que nos povos comerciantes que antecederam os romanos nas rotas comerciais mediterrânicas.
Para além da exploração agrícola, a riqueza mineira da Península, que foi sempre um forte factor de atracção para todos os povos mediterrânicos, constituía de tal forma uma base da ocupação romana que todas as minas peninsulares passaram a pertencer e a ser coordenadas pelo Senado romano. Uma das maiores regiões mineiras da época era a região das pirites alentejanas, que se estendia desde Grândola até às imediações de Alcoutim, onde se extraía principalmente cobre e prata.
Outras actividades económicas que muito se desenvolveram com os romanos foram a exploração dos recursos marinhos e a cerâmica. A exploração dos recursos marinhos implicava outras actividades complementares: a pesca, a salicultura e a construção naval (cujo principal centro foi a península de Tróia). A produção de cerâmica foi também uma actividade muito desenvolvida, progredindo desde a negra «cerâmica campaniense» até à cerâmica Terra Sigillata (Braga e Conímbriga).
Para além das transformações económicas trazidas à Península, outras igualmente importantes foram acontecendo, ligadas a novos costumes e a novos cultos religiosos, com mais significado nos centros urbanos e nas regiões do litoral e sul da Península. Tal como nas outras províncias do Império, os romanos construíram no actual território português pontes, teatros, termas, templos, aquedutos e outros edifícios públicos. Estes vestígios, testemunhos da presença romana, são ainda hoje visíveis em espaços urbanos como Conímbriga, Miróbriga (Santiago do Cacém), Egitânia (Idanha-a-Velha) e em vários monumentos espalhados por todo o território português (templo de Évora, pontes de Chaves e torre de D. Chama, aqueduto de Conímbriga).


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