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A Reconquista Cristã -
23/11/2007, 23h10
Os nobres visigodos que não tinham aceitado o pacto com o muçulmano Tarique fundaram o Reino das Astúrias (século VIII), elegendo o visigodo Pelágio como rei. Foi a partir da região das Astúrias que, em 739, o rei Afonso I iniciou o desmantelamento de cidades na região do Douro, deixando-as despovoadas. Tal marcou o princípio de um avanço inexorável para o sul e a origem do longo processo que recebeu o nome de Reconquista Cristã. Em contraste com o centralizado califado de Córdova, cujas possessões ocupavam a maior parte da Península, os estados do norte estavam fragmentados em vários pequenos reinos independentes entre si, alguns dos quais manteriam a sua autonomia até poucos anos antes da queda do último rei muçulmano peninsular. Os novos soberanos desses pequenos reinos pertenciam, na sua maioria, à antiga nobreza árabe.
A desintegração do califado cordovês (1031) acelerou o avanço das tropas cristãs, para as quais era muito mais fácil derrotar as pequenas taifas do que o forte aparato militar do califado. Estas lutas frequentes, de avanços e recuos das duas forças (cristã e muçulmana), não fazem parte de uma guerra organizada para a reconquista de territórios, tratando-se, antes, de sucessivas operações de pilhagem. Só com o rei Fernando, o Magno (1037-1065) estas investidas descoordenadas se transformaram em campanhas orientadas especificamente para a conquista e dominação de territórios, deslocando-se a fronteira cristã contínua e definitivamente para o sul da península. Estas campanhas gozavam do apoio dos nobres, que, paralelamente ao rei, organizavam investidas particulares em busca de terras para ocuparem.
A conquista de Toledo, uma das grandes cidades muçulmanas da Península, por Afonso VI da Castela, em 1085, alarmou os chefes hispano-árabes, que pediram auxílio aos guerreiros almorávidas do norte de África. Estes cruzaram a península em 1086 e derrotaram o rei castelhano na batalha de Zalaca (a norte de Badajoz), com o que se estabilizou temporariamente a situação. A partir deste momento, repetia-se o ciclo. O avanço cristão intensificava-se face à desagregação muçulmana e, desta vez, eram os almorávidas que, alarmados com a conquista de Cuenca (1185), chamavam os almóadas. Estes, na batalha de Alarcos (1195), evitaram a progressão dos cristãos, não evitando, contudo, a formação de novas taifas, que significariam o avanço definitivo da reconquista cristã. O avanço dos cristãos era irreversível; no ocidente, Afonso Henriques conseguia transformar o seu condado (Condado Portucalense) em reino independente (Portugal).
Em 1212, a grande vitória cristã de Navas de Tolosa (coligação dos reis de Portugal, Castela, Navarra e Aragão) e a conquista do vale do Guadalquivir marcaram o início da última fase de expansão dos reinos cristãos peninsulares. No Garb-Al-Andaluz, durante a primeira metade do século XIII, os cavaleiros da Ordem de Santiago, comandados por D. Paio Peres Correia, juntamente com os exércitos de Portugal, Leão e Castela, conquistaram todas as cidades e castelos. Tudo culminou em 1492 com a conquista de Granada, último reduto muçulmano na Península. Boabdil, último rei de Granada, entregou as chaves da cidade aos Reis Católicos (Isabel de Castela e Fernando de Aragão), marcando assim o fim do domínio muçulmano na Península.
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