No quadro da guerra santa, proclamada por Maomé para a expansão e difusão do islamismo, em 711 o berbere Tarique desembarcou em Gibraltar à frente de 7.000 berberes, que obtiveram uma rotunda vitória sobre as tropas visigodas na batalha de Guadalete, também chamada da lagoa de Janda. Esta vitória foi fruto, não só da eficácia dos muçulmanos, como também da falta de uma oposição devidamente estruturada, e deu início a uma espectacular expansão pela Península.
Três anos depois, em 714, a Hispânia encontrava-se controlada na sua quase totalidade e os muçulmanos converteram o Al-Andaluz (como eles denominavam a Península) numa nova província do império árabe.
Podemos distinguir nesta ocupação uma situação dupla: a conquista fácil das regiões do Sul, cujas principais cidades (Beja, Mértola e Ossónoba) terão sido conquistadas por volta do ano 713, e o reconhecimento da existência de cidades (no Norte e entre Douro e Tejo) que capitularam, mantendo o seu estatuto autonómico. Este estatuto permitiu às populações conservarem os seus bens e o livre exercício do culto, mediante o pagamento de um tributo. Estas circunstâncias ajudam a perceber que, em muitos casos, a facilidade e rapidez da ocupação se ficaram a dever a uma certa conivência das populações locais com os invasores.