Em relação ao território português propriamente dito, a ocupação muçulmana identifica-se com um período de grandes transformações no quadro geopolítico, socioeconómico e cultural. Apesar de o actual território português estar longe dos grandes centros urbanos do poder muçulmano, estes deixaram-nos muitos vestígios culturais e materiais. Embora estes se encontrem também no norte e centro de Portugal, é no Alentejo e Algarve que se recolhem mais informações, em cidades como Évora, Beja, Elvas, Alcácer do Sal, Serpa, Mértola, Moura ou Silves. Em Alcácer do Sal, são ainda visíveis as muralhas de taipa; em Serpa e Moura, foram encontrados conjuntos de cerâmica muçulmana; e, em Mértola, a actual igreja matriz foi uma mesquita almóada, da qual ainda são visíveis muitos dos elementos primitivos. No âmbito da vida quotidiana, herdámos dos muçulmanos os fundamentos das técnicas agrárias e de construção, os princípios de pesos e medidas, a numeração, vocábulos ligados às actividades que desenvolviam e à toponímia, e aspectos ligados à organização administrativa e militar.