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A cultura megalítica -
23/11/2007, 22h36
É neste período, entre cerca de 4 000 e 2 000 a.C., que se verifica a manifestação mais original da pré-história portuguesa: a cultura megalítica. Irrompe em pleno Neolítico e prolonga-se pelas idades do Cobre e do Bronze, caracterizando-se pela sua arquitectura funerária e religiosa, construída a partir de grandes pedras, pela cerâmica de formas simples e sem decoração e pelos instrumentos de sílex de grande perfeição (machados, facas, pontas de seta).
O homem de então manifestava uma dimensão religiosa. Prestava culto à Terra-Mãe e aos astros, que, para ele, eram os responsáveis pela fertilidade das terras e pela reprodução dos animais domesticados. Esta vivência religiosa reflecte-se em manifestações humanas (entre 4.500 a.C. e 2.500 a.C.) que abrangem todo o território português. Estas caracterizam-se pelo uso de grandes blocos de pedra em construções com finalidade funerária e ritual. A «civilização megalítica» estende-se da Dinamarca ao sul da Itália e da Europa Central a Portugal. Em Portugal, as manifestações megalíticas encontram-se em diversos tipos de monumentos, datáveis do Neolítico ao Calcolítico (da segunda metade do quinto milénio até ao terceiro milénio): antas, tholoi, grutas artificiais e menires.
Em Portugal, os monumentos mais característicos e abundantes são as antas ou dólmens, câmaras funerárias de planta rectangular, poligonal ou redonda, com ou sem corredor de acesso, constituídas por lajes colocadas na vertical (esteios) sobre as quais assentam outras horizontalmente (mesa ou chapéu), sendo todo o conjunto coberto de terra ou pedra e formando uma elevação artificial (mamoa). Tanto as antas como os tholoi e as grutas artificiais têm uma utilização comum - o enterramento colectivo. Embora não saibamos como se estruturavam socialmente as sociedades megalíticas, parece certo que havia um sistema de divisão de trabalho e, ao mesmo tempo, uma colaboração intercomunitária, o que ajuda a perceber a edificação dos dólmenes de grandes dimensões. A zona de maior concentração de dólmenes é o Alto Alentejo, embora a arquitectura dolménica se encontre espalhada por todo o país. A maior parte das antas encontra-se junto a cursos de água, no cimo dos montes ou em locais de grandes horizontes. Atendendo à sua função funerária, para enterramentos colectivos sucessivos, os dólmenes são considerados monumentos de «clã» ou de «tribo». Estes enterramentos colectivos apontam para uma preocupação com o culto dos mortos e para uma crença na vida extraterrena. Tratando-se de civilizações agro-pastoris, completamente dependentes dos fenómenos naturais no que dizia respeito às sementeiras e colheitas e aos ciclos de reprodução dos animais domesticados (rebanhos), é natural que o culto dos mortos estivesse ligado a rituais que pediam a intervenção dos mortos na protecção dos alicerces da vida material da comunidade. Este espírito religioso do homem do Neolítico peninsular manifesta-se igualmente na forma adoptada pelas antas, tholoi e grutas artificiais, denunciando um culto ctónico (crença nas virtudes do mundo subterrâneo). Todos os monumentos têm a entrada orientada para nascente, o que mostra a importância do culto solar, ligado ao culto dos mortos, e a crença no seu renascimento (os mortos eram enterrados em posição uterina, rodeados de mobiliário votivo utilitário).
Os menires situavam-se nos campos de cultivo e eram constituídos por um monólito (uma só pedra) espetada no solo. Encontram-se desde o norte ao sul de Portugal e têm forma cilíndrica, cónica ou ovóide, predominando a forma fálica principalmente no Alentejo e Algarve. Embora, geralmente, apareçam isolados, surgem também agrupados ou alinhados (alinhamentos) e agrupados de forma estruturada, formando um recinto com forma regular (círculo, oval ou quadrado) - os cromeleques. Enquanto a anta ou dólmen é o monumento ctónico, da crença no mundo subterrâneo, o menir é um monumento urânico, de crença no mundo dos astros.
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