Enquanto nos meios rurais prevalece uma hierarquia social clara, tripartida em ordens (clero, nobreza e povo), conservadora, arcaica, baseada nos valores da honra, da virtude e do parentesco ou filiação, nos meios urbanos insinuam-se os valores da riqueza, do saber e do sucesso pessoal. Aqui, os mais influentes, intervenientes e respeitados são os mercadores, mesteirais, técnicos de leis, tabeliães, funcionários superiores, médicos, teólogos, mestres de oficina, ou seja, homens originários do povo mas dedicados às novas actividades emergentes, que vão constituir a nova classe social dos burgueses.
A universidade nesta altura passará a ter um importante papel, simultaneamente na preservação dos grupos privilegiados e na ascensão de alguns que deles não provêm, incluindo os filhos segundos e terceiros da nobreza - que, devido ao regime de morgadio, não herdam -, perturbando a desejada rigidez.