Os contactos com a China e o Japão
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Par défaut Os contactos com a China e o Japão - 24/11/2007, 00h55

Os mercadores chineses, no período dos descobrimentos, tinham contactos comerciais com Malaca. As relações entre os portugueses e os chineses tornaram-se significativas após a ocupação de Malaca pelos primeiros. Em 1513, uma expedição portuguesa aportou a Cantão. Cresceu então o interesse pelo comércio no Extremo Oriente. A fixação dos comerciantes em território chinês foi difícil, devido a conflitos com as autoridades do império chinês. Desenvolveram--se alguns laços, não oficiais, entre mercadores portugueses e certas regiões do litoral chinês. Em 1542, foi estabelecida uma base permanente em Liampó e, em 1557, foi cedido aos portugueses o porto de Macau, que se revelou fundamental. Para além do comércio no litoral, os contactos entre portugueses e chineses eram restritos, sendo de salientar apenas a actividade evangelizadora.
Em 1543, os portugueses foram os primeiros europeus a atingir o Japão, estabelecendo uma rota comercial entre este reino, a China e a Índia. O comércio entre a China e o Japão consistia sobretudo na troca de sedas chinesas pela prata japonesa. Os primeiros portugueses a chegar ao Japão eram aventureiros particulares, não estando ao serviço do governo do estado da Índia. Só em 1550 o comércio da China passou a ser monopólio da Coroa. As características do Japão que se deparou aos portugueses eram bastante semelhantes às da Europa feudal: o território era dominado por senhores autónomos, controlando cada um uma cidade ou região. Os portugueses introduziram neste território as primeiras armas de fogo, que permitiram alterações políticas importantes.
Fundamental também, e estritamente ligada à actividade comercial, foi a evangelização do território. São Francisco Xavier foi o primeiro missionário, aportando ao Japão em 1549. A partir daí, as relações luso-nipónicas alargaram-se e institucionalizaram-se. Os missionários foram não só evangelizadores, como também diplomatas, e alguns mesmo conselheiros dos senhores feudais. Divulgaram ainda conhecimentos ocidentais na área das ciências naturais e da medicina. A conversão dos japoneses não apresentou grandes dificuldades; em 1571, os jesuítas estabeleceram-se em Nagasáqui, tornando-se a cidade um importante centro urbano e comercial; em 1582, havia já cerca de 150 000 cristãos e, no mesmo ano, foi enviada uma embaixada japonesa ao papa.
No entanto, tal facilidade não impediu os crescentes problemas. A diferença de valores culturais criara confrontos, agravados pelos conflitos entre as diferentes ordens religiosas, a partir de 1592, quando os jesuítas perderam o exclusivo da missionação. Em 1587 foi decretada a expulsão dos religiosos e, em 1596, incidentes com os tripulantes de uma embarcação espanhola (encontrando-se Portugal sob ocupação filipina) levaram a perseguições, execuções e destruição de igrejas. A situação era agravada pelo medo dos japoneses de que Portugal tentasse ocupar o seu território, à semelhança do que a Espanha fizera nas Filipinas, em 1571. Simultaneamente, os holandeses, que tinham instalado em Java a Companhia das Índias Orientais, ganhavam importância comercial e influência crescente no Japão (saliente-se que eram inimigos de Espanha).
As perseguições generalizaram-se; a centralização política do Japão já não permitia aos missionários portugueses, quando ameaçados, procurar refúgio junto de um senhor vizinho. Em 1614 foi de novo decretada a expulsão dos missionários; alguns permaneceram clandestinamente. Em 1639 saiu novo e definitivo édito de expulsão. Só os holandeses podiam negociar com o Japão e os súbditos japoneses foram proibidos de deixar o país. Apesar de tudo, subsistiram no Japão focos de população cristianizada. Em 1640, os membros de uma embaixada de mercadores estabelecidos em Macau procuraram reatar relações, mas foram massacrados. Quatro anos mais tarde, uma embaixada portuguesa, anunciando a restauração da independência e também o desejo de reatar relações, não conseguiu mais que estabelecer a paz.
A presença portuguesa no Japão permitiu, de forma geral, o mútuo conhecimento deste país e da Europa. As cartas jesuítas sobre o Japão tiveram larga difusão na Europa; a Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto (um dos possíveis primeiros navegadores a chegar ao Japão), relatou muitos dos episódios destes primeiros contactos. Permaneceram ainda vestígios portugueses na língua e na arte, como os famosos biombos «nambam», os biombos dos «bárbaros do sul».


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