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Le virtuel m'habite...
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O Tribunal da Inquisição -
24/11/2007, 00h53
Os antigos judeus, obrigados a converter-se ao cristianismo no reinado de D. Manuel I, gozavam de uma legislação que não os discriminava, mas passaram a sofrer uma segregação popular ainda mais forte. Também as classes dominantes viam com temor a ascensão dos antigos judeus, outrora segregados, mas agora aceites em todas as dignidades. O ódio aos cristãos-novos não iria parar de crescer até à imposição da prova documental de limpeza de sangue, em 1577, da qual o acesso a todos os cargos públicos e outros privilégios e direitos passaria a estar dependente.
Assim, apesar de inicialmente não ter tido bom acolhimento em Roma, o rei D. João III conseguiu finalmente a instalação do Tribunal da Inquisição em Portugal, aprovada pelo papa em 1536, órgão que se destinava a julgar e condenar qualquer delito contra a fé cristã. Tribunal da Coroa, o Santo Ofício visava a centralização do poder real e o restabelecimento da Igreja, entretanto contestada pelo crescimento do protestantismo.
Denunciar esses delitos ou qualquer prática oculta de judaísmo dos cristãos-novos era considerado, nessa época, um sério dever moral. A denúncia era, para os crentes cristãos, uma piedosa virtude. O Tribunal da Inquisição, também chamado do Santo Ofício, julgava igualmente os crimes relacionados com práticas de feitiçaria, adivinhações, sodomia e bigamia. Os condenados eram sentenciados nos autos-de-fé, cerimónias religiosas públicas em que os culpados eram queimados vivos. Este Tribunal passou a órgão independente do monarca a partir de 1568, mas só em 1593 começou a abater-se sobre toda a sociedade.
O Tribunal da Inquisição era, assim, simultaneamente, tribunal eclesiástico e tribunal da Coroa, servindo para, de uma vez, exercer três diferentes funções: controlar o clero, formar quadros e controlar e disciplinar a população. Contudo sempre reclamou contra qualquer interferência por parte da Igreja, defendendo sempre uma ligação directa e sem intermediários com o rei, que o usou como mais um instrumento da sua autoridade suprema no reino.
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