A centralização do poder real permitiu aos monarcas estender os impostos a todo o país e a todos os grupos sociais, o que levou a um aumento das receitas do Estado. Ao mesmo tempo, o desenvolvimento do Estado mercantilizado obrigou o monarca a grandes investimentos, mas também acarretou a chegada de grandes lucros. É preciso não esquecer que o ouro, os escravos, o marfim e a malagueta eram exclusivos da Coroa, para além do rédito proveniente das alfândegas. Nos finais do século XV e inícios do século XVI, com a abertura da rota do Cabo, os rendimentos ultramarinos cresceram mais do que os do comércio interno.
Ora a abundância de recursos e receitas levava a uma necessidade de sofisticação da máquina mercantilista. Mas em vez de facilitar as transacções e explorar ainda melhor as oportunidades, a máquina emperrou, burocratizando-se em demasia, e fazendo para sempre perigar o capitalismo mercantilista português.
A despeito desse fabuloso negócio do império ultramarino, os monarcas recorriam com cada vez mais frequência a empréstimos estrangeiros. Em 1557, a dívida pública era de quase dois milhões de cruzados. O gigantismo dos encargos crescia: juros das dívidas, naufrágios, defesa, pagamento a funcionários, etc. Esse desequilíbrio entre receitas e despesas irá conduzir a uma situação de declínio do império que se agravará com a crise política de sucessão a D. Sebastião, depois da batalha de Alcácer Quibir.
No início do século XVI, contudo, a derrapagem ainda estava longe. Para além das sisas, imposto que recaía sobre tudo quanto se vendia e comprava no Reino, o poder central não achava sequer necessidade de lançar grande carga tributária sobre a população metropolitana.