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O mosteiro dos Jerónimos -
24/11/2007, 00h48
Este mosteiro, também chamado de Santa Maria de Belém, pertencente aos frades jerónimos, foi mandado construir por D. Manuel I, em 1502, segundo planos iniciais de Diogo Boytac, tendo sido concluído apenas no reinado de D. Sebastião. Em 1517, João de Castilho passou a dirigir as obras, sendo da sua responsabilidade os portais sul e do claustro e a cobertura da nave e do cruzeiro. Envolvidos na construção estiveram também Leonardo Vaz, autor do refeitório, Nicolau de Chanterenne, Diogo de Torralva e Jerónimo de Ruão, que construíram a capela-mor, Cristóvão Lopes, autor do retábulo do altar-mor, e Diogo de Castilho, entre outros.
Do ponto de vista estrutural, este monumento pertence ainda ao gótico, mas apresenta marcas da arte manuelina e renascentista, nomeadamente na escultura. A igreja e o claustro são os dois elementos principais do conjunto, ficando a dever-se a sua arquitectura a João de Castilho, que orientou a segunda fase das obras, a partir do traçado original de mestre Boytac. Seguindo muitos dos parâmetros estruturais do gótico europeu, o mosteiro tem a originalidade de o corpo do templo estar coberto com uma abóboda única e de se usarem pilares de secções no sentido de produzir a unificação interna. O edifício é, por este motivo, considerado uma das igrejas-salão mais inspiradas da Europa. A porta ocidental, onde Chanterenne executou a estatuária, é considerada como a primeira manifestação do Renascimento em Portugal. O pórtico sul integra, na sua estrutura característica do gótico final, inúmeros elementos italianizantes.
No reinado de D. João II foi acrescentado o coro alto e, posteriormente, a nova capela-mor, da autoria de Torralva e Ruão, exibindo já uma tendência maneirista. O exterior do edifício manifesta claramente a diferença entre o corpo da igreja, que se apresenta bem ornamentado e de aparência frágil, e a cabeceira, com muros robustos e simples, a lembrar uma fortaleza. Salienta-se ainda o claustro, no tocante ao aspecto de harmonia arquitectural entre o traçado de Boytac (galerias inferiores e decoração manuelina dos arcos) e o trabalho de Castilho.
Conserva, no seu interior, algumas peças de mérito, entre as quais a estátua de são Jerónimo, o retábulo do altar-mor, da autoria de Cristóvão Lopes, o cadeiral maneirista (1551) do Coro alto, o sacrário datado do século XVII e a custódia de Belém (1506).
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"La seule chose promise à l'échec est celle que l'on ne tente pas"
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