O império português no Oriente
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Par défaut O império português no Oriente - 24/11/2007, 00h46

A partir do início do século XVI, após a descoberta do caminho marítimo para a Índia, os portugueses procuraram estabelecer as bases de domínio do comércio com o Oriente. Para isso, tiveram de enfrentar a hostilidade dos muçulmanos. Mas foram, progressivamente, estabelecendo acordos comerciais com os senhores locais, construindo feitorias e, sobretudo, conquistando pelas armas pontos-chave de passagem para estabelecer domínio efectivo. São exemplos disso as conquistas de Socotorá, Ormuz (importante para o controlo do golfo Pérsico), Malaca e Goa. Estabelecendo a capital do seu domínio nesta última cidade, desenvolveram uma rede comercial com dois eixos-base: o da rota do Cabo (Índia - Lisboa - Flandres), a cargo da Coroa; e o das transacções entre vários pontos no oceano Índico e Pacífico (África oriental, Ormuz, Ceilão, Malaca, Macau, Japão), a cargo de mercadores particulares.
Em Calecute, cidade a que Vasco da Gama se dirigiu logo na sua viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia, o comércio era dominado pelos mercadores muçulmanos. Os mercadores portugueses não foram acolhidos favoravelmente, embora o samorim não os hostilizasse.
A sua primeira feitoria, instalada alguns anos mais tarde, foi atacada pelos mercadores muçulmanos. Seguiu-se um período de confrontos militares entre as forças de ambos os lados. Calecute procurou ainda minar o crescente poderio português no Índico. Em 1513, sendo Afonso de Albuquerque vice--rei e morto o samorim, foi autorizada a construção de uma fortaleza. O prosseguimento de escaramuças entre portugueses e muçulmanos levou o novo samorim a pôr fim à paz e os portugueses abandonaram a fortaleza em 1525. Não conseguindo nunca dominar devidamente Calecute, os portugueses decidiram-se, em alternativa, pela cidade de Goa, conquistada em 1510, que se veio a tornar um entreposto muito importante no comércio oriental, sem todavia conseguir anular Calecute.
O vice-rei Afonso de Albuquerque, na sua tentativa de fortalecer o império oriental pelo domínio naval do oceano Índico, procurou também conquistar as cidades de Adém e Diu. A cidade de Diu, no noroeste da Índia, era, no século XVI, um importante ponto estratégico nas rotas do comércio oriental. Diu foi ocupada, com o consentimento do sultão local de então, em troca de auxílio militar, em 1535; mas Adém só foi ocupada, e por poucos meses, em 1547-1548. Esta última cidade era, desde a instalação dos portugueses em Calecute, o grande entreposto comercial dos muçulmanos no oriente.
Malaca, que entrou em posse dos portugueses em 1511, teve uma importância fulcral no comércio português como ponto estratégico de apoio à exploração de territórios mais distantes (como as Molucas, a China, o Japão) e como entreposto comercial.
A história da presença portuguesa no comércio das Índias é, portanto, a história de uma disputa constante pelo poderio sobre o oceano que banhava a maior parte da região e o seu comércio, em rota para a Europa. De um lado, os portugueses, pretendendo desviar para si os produtos exóticos através da rota do Cabo. Do outro, os mercadores islamizados, lutando pela manutenção do seu tradicional tráfico pelo golfo Pérsico e mar Vermelho e pelas ligações ao Mediterrâneo, para onde escoavam as suas especiarias e os seus produtos asiáticos.
A intenção portuguesa de instalar a rota do Cabo e, ao mesmo tempo, secar o mar Vermelho do trato que há séculos aí se fazia, mostrava-se, assim, de impossível realização. O máximo que o poder real conseguiu foi a obrigatoriedade de emissão de licenças de trânsito a todos os navios que passassem por Ormuz e Adém a caminho da Europa, por forma a fiscalizar e se apropriar de parte desses lucros concorrentes.
Mas não só a fiscalização do trânsito para o Mediterrâneo se revelou ineficaz e fonte de permanentes atritos como, a médio prazo, a partir do último quartel do século XVI, a rota do Cabo sulcada pelos navios nacionais se mostraria ultrapassada pelas marinhas inglesa e holandesa.


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