As descobertas no Atlântico e a criação do império português no Oriente tornaram Portugal um país fundamental no eixo dos mercados mundiais da Idade Moderna.
Este lugar na economia mundial da época exigia grandes investimentos, complexos sistemas de contabilidade e grande mobilização de gentes. Apenas o Estado estava preparado para essa larga tarefa. A classe mercantil e os banqueiros portugueses não tinham meios para entrar neste circuito. A Coroa, a partir de D. João II, guardou para si o monopólio dos produtos mais rendosos, ou seja, o ouro, os escravos e o marfim, depois a canela e a pimenta. A Coroa tinha também o monopólio sobre as importações de cavalos, tapetes, têxteis ingleses e irlandeses, cobre, cabedal, latão, contas e pulseiras. Dos outros produtos transaccionados, o rei recebia de imposto o «quinto». Por vezes, o rei fazia sociedades com mercadores, mas mantinha-se sempre como o maior investidor e, portanto, o que obtinha maior lucro.
A Coroa tornou-se a principal entidade comerciante: as mercadorias chegavam a Lisboa, passavam pelos armazéns reais - Casa da Mina, Casa da Guiné ou Casa da Índia, conforme a região donde vinham - e seguiam para a feitoria da Flandres, em Antuérpia, encarregada da sua colocação no mercado europeu.