Após o afastamento de D. Leonor Teles da regência do reino, em Dezembro de 1383, entrou-se num período de crise de autoridade, de revolução. Havia uma ausência de autoridade governativa, sem rei nem ninguém que em seu nome governasse o país. De um lado, encontrava-se o Mestre de Avis, que chefiava os revoltosos com o título de «Defensor do Reino», com o apoio do povo, dos mesteirais e burgueses e de alguma nobreza e clero; do outro lado, os partidários de D. Beatriz e de D. João I de Castela, apoiados pelo exército castelhano e por uma parte da nobreza e clero. As duas facções confrontaram-se em várias ocasiões. Os tumultos, as desordens e a guerra prolongaram-se por dois anos.
Para ajudar a pôr fim à situação de vazio no poder, reuniram-se cortes em Coimbra, em Abril de 1385. Os possíveis candidatos ao trono eram a rainha D. Beatriz, filha legítima de D. Fernando; os infantes D. João e D. Dinis, filhos de D. Pedro I e de D. Inês de Castro; e D. João, Mestre de Avis, filho de D. Pedro I e de uma dama da corte, D. Teresa Lourenço, e portanto meio-irmão por parte do pai de D. Fernando. A argumentação brilhante do Dr. João das Regras em favor do Mestre de Avis, bem como as pressões militares de D. Nuno Álvares Pereira, acabaram por convencer os presentes a eleger D. João rei de Portugal, que assim inaugurava a segunda dinastia do reino, a de Avis.