As praças do Norte de Africa
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Par défaut As praças do Norte de Africa - 24/11/2007, 00h38

A conquista da cidade de Ceuta, no Norte de África (junto ao estreito de Gibraltar), em 1415, marca o início de toda a expansão portuguesa. A cidade foi tomada de surpresa; toda a expedição fora preparada em segredo e nela participaram o próprio rei D. João I e os seus filhos mais velhos, D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique, que foram armados cavaleiros na própria cidade de Ceuta, após a conquista.
Os motivos desta conquista não são muito claros. Podem ter sido de natureza económica: busca de ouro no chamado Sudão Ocidental e de cereais em Marrocos; ou de natureza estratégica: domínio da entrada do estreito de Gibraltar, na encruzilhada das rotas do comércio mediterrânico-atlântico e na defesa do corso e pirataria. O certo é que Ceuta logo se revelou um sorvedouro de gentes e de dinheiro e foi principalmente um lugar de prestígio para a monarquia e a nobreza tradicional, que exigia mais terras e campos de batalha onde fossem armados cavaleiros e que continuavam a ver nesta conquista o prolongamento da ideia de cruzada e da luta contra os mouros infiéis.
A conquista da primeira praça do Norte de África e o direito à prossecução desta política, exigiam uma justificação perante as potências europeias e o papado. Assim, na Crónica da Tomada de Ceuta, Gomes Eanes de Zurara defendia-a em nome do cristianismo e do direito que os portugueses tinham a conquistar mais território infiel. Mas a conquista de Ceuta e a sua difícil manutenção em mãos cristãs achava-se permanentemente ameaçada no mar muçulmano que era o Marrocos de então.
Em 1437 tentar-se-ia conquistar Tânger, para superar a crise vivida na primeira cidade, mas tal empresa revelar-se-ia um rotundo fracasso e os portugueses tiveram de retirar. Quase vinte anos mais tarde D. Afonso V conquistava Alcácer Ceguer (1458) e depois Arzila, através de um acordo com o antigo senhor mouro desta cidade. Também conseguiam comprar trigo a alguns chefes locais. Recebiam assim os portugueses todo o território situado no termo das quatro praças conquistadas, ou seja, todo o norte da linha que passava perto das cidades de Tetuão e Lareche.
Quase cem anos mais tarde, em 1541, cairiam Agadir, Safim e Azamor, entretanto conquistadas. Em 1550 seria preciso evacuar Alcácer Ceguer. Restavam Ceuta, Tânger e Arzila, no norte, e Mazagão, no sul, que só cairia definitivamente em 1769. Em 1578, D. Sebastião seria derrotado em Alcácer Quibir e os sonhos marroquinos portugueses sofreram duro revés. O jovem rei pretendia assumir a tradição de luta africana dos reis da Dinastia de Avis, reatar o rumo expansionista no Magrebe e obter a posse de territórios ricos e próximos do reino.
Mas durante o século XV e a primeira metade do século XVI o futuro parecia sorrir ao domínio português no Norte de África. Com o controlo destas praças, os portugueses procuravam estabelecer comércio de curtumes, de anil, de cera e de açúcar, de ouro e de escravos. Mais importante do que tudo isso, contudo, assegurava-se, finalmente, uma mais segura e tão desejada progressão para sul.


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