As crónicas são testemunhos em prosa dos acontecimentos da vida do país, com a clara intenção de os deixar às futuras gerações. A primeira iniciativa para estes trabalhos foi do rei D. Duarte, que encomendou a Fernão Lopes a escrita das crónicas dos reis «que antigamente em Portugal foram». Chegaram até nós as crónicas dos reis D. Pedro, D. Fernando e D. João I e as crónicas dos reis anteriores, inacabadas. Fernão Lopes procurou basear-se em testemunhos pessoais e fontes documentais, para poder dar-nos «clara certidom da verdade».
As suas crónicas inauguram um novo período na historiografia nacional, coincidente com a ascensão da dinastia de Avis e a afirmação de uma nova ordem política e social. A sua escrita possui, ao mesmo tempo, elevado valor artístico, tornando-o um clássico da literatura portuguesa. Gomes Eanes de Zurara é o seu sucessor nesta tarefa de cronista geral do reino, adoptando, no entanto, uma perspectiva senhorial, enquanto Fernão Lopes destacava o papel dos grupos populares nos acontecimentos históricos. Zurara terminou a crónica de D. João I, escreveu a Crónica dos Feitos da Guiné e as crónicas de D. Pedro e D. Duarte de Meneses, primeiro e segundo governadores de Ceuta.