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A situaçao económica interna -
24/11/2007, 00h29
Enquanto o país se voltava para o exterior, com o movimento de expansão marítima, internamente mantinha-se uma situação económica que registou poucos progressos. Como nos séculos XV e XVI se mantiveram em Portugal as dificuldades de circulação interna, não foi possível activar o comércio, à excepção das localidades servidas por via marítima ou fluvial. O seu controlo era feito por autoridades locais, que se preocupavam em garantir o abastecimento das populações urbanas em alimentos e outras necessidades básicas. Os mercados, lojas e feiras eram os principais locais onde se praticava o comércio. Os almocreves, para além do seu papel de comerciantes, continuavam a ser importantes no circuito das comunicações.
Durante os séculos XV e XVI, mantiveram-se os grandes problemas que causaram a crise na agricultura de finais do século XIV, com escassez de cereais, campos por cultivar, falta de gentes para o trabalho agrícola. Fome, miséria e epidemias eram uma constante. Só no início do século XVI começou a introduzir-se o cultivo do milho grosso, que teve grande êxito em Portugal e contribuiu para minorar as fomes cíclicas.
Mas foi nas novas ilhas, descobertas nesta época, que se deram as inovações mais significativas. Para lá partiam muitos, em busca de melhor vida. Na Madeira e nos Açores introduziu-se, com êxito, o cultivo da cana sacarina. Nos Açores, o cultivo de plantas tintureiras trouxe rendimentos importantes. No século XVI, iniciou-se neste arquipélago o cultivo da batata-doce. Na Madeira, há já cultivo da vinha, para produção de vinho de qualidade, desde 1575. São Tomé, a ilha do Príncipe e o Brasil também desenvolveram o cultivo de cana sacarina, que atingiu dimensões extraordinárias.
Salvo algumas excepções, como a construção naval, a maior parte das actividades industriais tradicionais manteve-se, nos séculos XV e XVI, sem grandes progressos. Tendo uma moeda forte e sendo uma sociedade cada vez mais empenhada comercialmente, não havia condições nem motivações no país para se impulsionar qualquer actividade transformadora. Portugal limitava-se a importar os produtos de que necessitava.
Continuaram a produzir-se o esparto, o linho, a lã, para alimentar uma actividade de tecelagem que não ultrapassava as fronteiras do país. Continuou a fazer-se uma escassa exploração mineira. Continuaram os mesteres tradicionais, embora aumentasse o número de artesãos, para fazer face às novas exigências de luxo tanto no vestuário, como nas habitações. A produção de sal manteve-se florescente e o produto seguia, a partir de meados do século XVI, também para os novos mercados do norte da Europa.
A actividade da construção naval e tudo o que com ela se relacionava progrediu muitíssimo com a diversificação das rotas e a profusão dos mercados de comércio.
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"La seule chose promise à l'échec est celle que l'on ne tente pas"
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