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A Política de Expansão e a Construção do Império -
24/11/2007, 00h26
A política de expansão para o Norte de África, iniciada em 1415, surge ligada a uma ideia de prolongamento da reconquista cristã, de busca de solução para a falta de trigo nas vastas propriedades marroquinas e de procura do ouro que vinha do interior de África através das caravanas mouras do deserto. O grupo social mais entusiasta neste movimento expansionista era a velha nobreza, já que a expansão no Norte de África significava a possibilidade de recuperação do prestígio senhorial. Restringida a um território saturado, a nobreza tradicional via-se prejudicada nos seus privilégios e no seu prestígio devido à ascensão de uma nova nobreza, que D. João I investira recentemente como recompensa pelo apoio prestado à sua vitória sobre D. João de Castela.
Por outro lado, interessava a D. João I a dispersão da nobreza tradicional, afastando-a do centro do poder, da corte, evitando assim possibilidades de revolta numa época ainda conturbada (a paz tinha sido assinada havia apenas quatro anos, em 1411). Sendo assim, a dispersão desta nobreza para as praças africanas não só garantia uma estabilidade governativa, como também consolidava uma Coroa centralizadora. Logo à partida talvez não se adivinhassem duas consequências futuras deste início da expansão: para o domínio de um império, os portugueses teriam de passar a depender da preparação e manutenção de um grande exército e da capacidade de organização de uma frota de transporte marítimo.
Podem considerar-se três grandes fases na expansão portuguesa, que teve o seu auge no reinado de D. Afonso V e o seu declínio no reinado de D. Sebastião. Uma primeira fase, que se pode classificar como a dos descobrimentos henriquinos, decorreu de 1419 a 1460. A partir do Algarve e sob o impulso do infante D. Henrique, que promoveu o estudo e a compilação de todos os conhecimentos geográficos e marítimos até aí existentes, foram realizadas as primeiras viagens de ocupação no Norte de África e de reconhecimento ou descoberta mais para sul. Nesta etapa, descobriram-se as ilhas atlânticas da Madeira e dos Açores e foi feita a exploração da costa ocidental africana desde o cabo Bojador até à Serra Leoa.
A segunda fase, após a morte do infante D. Henrique, ficou marcada pela descoberta e exploração da costa ocidental africana, parte dela (entre 1469 e 1474) arrendada a Fernão Gomes que tinha como incumbência mandar descobrir, por ano, 100 léguas de costa. Nesta etapa, realizaram-se viagens no golfo da Guiné até ao cabo de Santa Catarina.
A terceira fase foi da inteira responsabilidade da Coroa (D. João II, D. Manuel I), decorrendo de 1474 a 1500. Prosseguiu a descoberta da costa ocidental africana, com as viagens de Diogo Cão à foz do Zaire e costa de Angola; descobriu-se a passagem do oceano Atlântico para o oceano Índico, com a viagem de Bartolomeu Dias. Vasco da Gama, em 1498, realizou a viagem de descoberta do caminho marítimo para a Índia; e Pedro Álvares Cabral atingiu o Brasil, em 1500. De assinalar, ainda, embora não por iniciativa portuguesa, a descoberta da América por Colombo, em 1492.
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