No decurso da segunda viagem marítima à Índia, comandada por Pedro Álvares Cabral, em 1500, quando se encontravam a sul de Cabo Verde, os navios fizeram uma rota mais a ocidente que o previsto e depararam com uma terra à qual deram o nome de Vera Cruz. Mais tarde, esse nome seria mudado para Brasil, pois o produto que passa a vir para Portugal, em quantidades apreciáveis, é a madeira da árvore chamada pau-brasil. Depois de uma paragem de reconhecimento e contacto com os povos locais, Cabral seguiu viagem para a Índia, mas enviou um dos navios de regresso a Lisboa, com notícias para o rei D. Manuel. Esta viagem está bem documentada na carta escrita ao rei por Pêro Vaz de Caminha.
Existem duas teorias sobre esta descoberta: acaso ou reconhecimento intencional do seu achamento. Os que defendem a teoria da intencionalidade argumentam que, por razões económicas e políticas, a Coroa deve ter escondido que já tinha conhecimento da existência desse território e aguardava oportunidade para a divulgar depois da descoberta do caminho marítimo para a Índia. É também certo que a terra brasileira tinha ficado assegurada dentro da área de influência dos portugueses definida pelo Tratado de Tordesilhas, em 1494, o que argumentaria em favor do conhecimento prévio do Brasil.