A costa africana para lá da Guiné -
24/11/2007, 00h01
Em 1468, D. Afonso V, mais interessado em assegurar directamente para a Coroa as praças do Norte de África, assinou um contrato com um comerciante de Lisboa, Fernão Gomes, para a exploração anual de cem léguas de costa em troco do monopólio do resgate e trato da Guiné, cada vez mais cobiçado.
Assim, explorar-se-iam nessa altura as costas do Golfo da Guiné e descobriu-se S. Tomé e Príncipe, em 1471/72 (João de Santarém, Pêro Escobar e Fernão do Pó). Este arquipélago, igualmente despovoado, começou a ser colonizado no final da década de 90 do século XV, novamente através de uma mistura de populações brancas e negras, e com a implantação do sistema de capitanias-donatarias. Plantou-se a cana sacarina, com níveis de produção bastante significativos uns cinquenta anos mais tarde.
Tentando contornar as caravanas, ou melhor, prescindir delas, buscavam-se as melhores vias de acesso ao sertão aurífero sudanês. A importância das bocas fluviais da Senegâmbia era, por isso, óbvia. Os navegadores e comerciantes portugueses, chegados a cada foz, estimavam que os rios fossem afluentes ou mesmo braços ocidentais do próprio Nilo do Preste João, aventurando-se a subi-los até onde os habitantes das margens o fossem permitindo. Esta progressão meridional possibilitava a articulação entre as duas Áfricas negras, tão distintas, e, mais tarde, com o continente americano.