A conclusão da exploração da costa africana -
24/11/2007, 00h00
No reinado de D. João II, os navegadores portugueses prosseguiriam para sul, agora de novo sob impulso directo da Coroa. Em 1482 construir-se-ia o castelo de Sâo Jorge da Mina, demonstrando definitivamente a fixação dos interesses do poder central na região do Golfo da Guiné. Procurava-se, dessa forma, salvaguardar o monopólio régio do trato do ouro, agora sujeito à fiscalização da recém-constituída Casa da Guiné e da Mina, que permitiria financiar o prosseguimento da circum-navegação africana.
Diogo Cão chegou à foz do rio Zaire e descobriu as costas de Angola (1482/1486); Bartolomeu Dias dobrou o cabo da Boa Esperança e abriu caminho para o oceano Índico (1488).
Num aparente paradoxo, à medida que na costa ocidental africana se foram consolidando essencialmente laços comerciais e diplomáticos, com a construção de feitorias e com a escassa penetração para além da faixa costeira, a descoberta do caminho para o Índico e depois para a Índia, relegava para segundo plano toda a África. Na sua costa oriental, os planos de apropriação passariam a estar dependentes em exclusivo das escalas da rota do Cabo e da sua inserção na rede económica e geográfica do oceano Índico.
Os objectivos portugueses continuavam a ser predominantemente comerciais e económicos. A passagem dos marinheiros e aventureiros por terras africanas ia sendo, a sul da Mina, assinalada apenas por padrões. Só mais tarde, bem entrado no reinado de D. João II e, depois, de D. Manuel, se lançaria o colonizador num esforço de cristianização dos reis gentios e de formação de um clero nativo, conseguindo-se, contudo, parquíssimos resultados. Apenas o rei do Congo seria convertido e de todo o continente africano a imagem que os portugueses reteriam seria, até finais do século XVI, a do seu litoral.