A burguesia
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Par défaut A burguesia - 23/11/2007, 23h58

Nos meios rurais, a burguesia podia abranger os proprietários não nobres que vivem da produção própria e que constituem os vizinhos dos concelhos. Nos meios urbanos abrange, na camada mais alta, os mercadores de tráfego marítimo e internacional, os mercadores de grosso trato do comércio interno e os banqueiros; um pouco abaixo, integram-se os advogados, legistas, médicos, conselheiros municipais (homens-bons) e oficiais da Coroa não nobres; seguem-se os artífices, na categoria de mestre com oficina e loja aberta. Alguns dos elementos com mais poder económico desta classe pertenciam ao recém-criado grupo dos cristãos-novos, judeus obrigados a converterem-se ao cristianismo durante o reinado de D. Manuel I.
O facto de muitas destas actividades, durante a expansão, passarem a ser desempenhadas também por nobres, que competiam com os burgueses, veio trazer a este grupo dificuldades de afirmação como colectivo social. Durante os séculos XV e XVI, a burguesia mostrou-se pouco progressiva face à concorrência da nobreza mercantil e dos mercadores estrangeiros, embora participasse em toda a empresa dos descobrimentos marítimos.
Por outro lado, ou talvez por causa disso, a burguesia tentou afirmar-se elevando-se à categoria de nobreza, através dos múltiplos meios que a partir de então tinha ao seu dispor, como foi visto atrás. Na época moderna, qualquer mercador podia potencialmente aceder ao grupo mais privilegiado da sociedade, constituindo a sua posição apenas um meio termo entre o artífice e o mais nobre fidalgo, mas para isso tinha de se «desaburguesar» ou seja, adoptar comportamentos e bens de raiz, até aí apanágio das classes nobres. Apesar da real hierarquização social e da diferenciação de privilégios, o que aconteceu em Portugal, com a expansão, foi então mais uma fidalguização do que uma mercantilização da sociedade. Os nobres enveredavam pelo comércio, continuando a ser nobres. Os burgueses, enriquecidos e ilustrados, ascendiam a nobres.


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