Aquando da implantação da República, Portugal Continental e Ilhas adjacentes contavam com uma população que rondava os 6.000.000 de indivíduos. Número que permaneceu inalterável durante praticamente os dez anos seguintes. A justificar o referido, está o facto do crescendo da emigração, a participação na I Guerra Mundial, que para além das vítimas mortais deixou muitos incapacitados, cerca de 10 000, e ainda as epidemias de 1918 e 1919.
Era nos grandes centros urbanos, Lisboa e Porto, que a maioria da população se concentrava, locais onde o poder de compra, o nível de vida e a oferta cultural melhor se apresentavam. A restante população encontrava-se distribuída por todo o país, com maior incidência nas zonas rurais.
Mas desde os finais do século XIX que a sangria da emigração preocupava os diversos soberanos. Fizeram-se vários inquéritos para avaliar as condições e os destinos dos que partiam. Mas a partir de 1910 a sangria não diminuiu, mas antes aumentou, provocando até taxas negativas no crescimento populacional.
A emigração só diminuiu enquanto durou a I Grande Guerra, após o que terminada esta, o surto migratório voltou a aumentar, de tal modo que nos anos de 1919 a 1920, mais de 65 000 deixaram o país. Nos anos que se seguiram até ao final da República Democrática, o número de emigrantes variava entre os 20 000 e os 40 000. O Brasil, era o destino preferido das gentes do Minho, Douro Litoral e Beira Litoral. Em 1920 havia 433.577 portugueses recenseados no Brasil que formavam uma comunidade bem organizada com escolas, hospitais, bibliotecas, clubes, etc.. O êxodo nacional conduziu ao abandono dos campos, mas em contrapartida favoreceu o envio de divisas dos emigrantes, o que contribuiu para o equilíbrio da balança comercial.