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O golpe militar de 4 de Outubro de 1910 -
25/11/2007, 19h24
A 2 de Outubro, os republicanos marcam a revolução para a 1ª hora do dia 4, contando com a participação dos militares e dos civis da Carbonária.
Na reunião preparativa, ficou deliberado que os primeiros locais a atacar pela força das armas seriam: o Palácio das Necessidades, onde se encontrava o rei, D. Manuel II, que devia ser preso, e o Quartel da Guarda Militar no Largo do Carmo. Enquanto isso, os oficiais republicanos ocupariam os diversos quartéis de Lisboa, após o que se dirigiriam aos locais acima indicados. Cabia em missão ao Vice-almirante Cândido dos Reis liderar a revolta na Marinha, ocupando os navios de guerra atracados no Tejo, assumir o seu comando e deles bombardear as posições governamentais.
Mas os intentos republicanos não foram integralmente alcançados, dado que alguns quartéis não aderiram às imposições do movimento revolucionário, acatando as ordens dos oficiais monárquicos, pelo que nem o Palácio das Necessidades, nem o Quartel-General, nem o do Carmo, foram ocupados.
Apenas os regimentos de Infantaria 16, Artilharia 1 e o Quartel dos Marinheiros de Alcântara foram submetidos pelos republicanos.
Em face do aparente fracasso do golpe militar, o almirante Cândido dos Reis, antevendo o desaire da revolta, suicidou-se na madrugada do dia 4, enquanto os restantes revoltosos, comandados pelo comissário naval Machado Santos, membro da Carbonária e acompanhado por tantos outros carbonários, sargentos, soldados e centenas de civis, decidiram barricar-se na Rotunda, onde aguardaram por reforços que não apareceram. Sabiam, porém, que numerosos grupos de republicanos e carbonários, espalhados pela cidade, os apoiariam com armas e alimentos.
Na manhã do dia 4 encontravam-se na Rotunda cerca de 200 homens, número que num curto espaço ascendeu aos 1500. Os republicanos barricados na Rotunda conseguiram resistir aos fracos ataques monárquicos, com especial destaque para o que foi liderado por Paiva Couceiro.
No Tejo, os cruzadores «S. Rafael» e «Adamastor» dispararam contra o Palácio das Necessidades, obrigando o rei D. Manuel II a partir para Mafra e posteriormente para a Ericeira, donde embarcou com a família real rumo ao exílio, na Inglaterra.
Por fim, o navio de guerra «D. Carlos», até então nas mãos dos monárquicos, sublevou-se.
Em Lisboa, a resistência monárquica concentrou-se no Rossio, enquanto os republicanos continuavam a resistir na Rotunda e os restantes revoltosos atacavam os quartéis fiéis ao governo, que chegou a ordenar a vinda para Lisboa de militares aquartelados nas regiões limítrofes da capital.
No dia 5 de Outubro, pelas oito horas da manhã, o ministro-plenipotenciário da Alemanha decidiu intervir, solicitando aos revoltosos e ao governo um armistício, após o que se dirigiu à Rotunda. O povo, desconhecendo as suas intenções e julgando tratar-se da rendição dos monárquicos, encheu a Avenida da Liberdade gritando com euforia a vitória republicana. A bandeira do Partido Republicano foi hasteada em muitos pontos da cidade e içada no Quartel-General. Por último, a resistência monárquica não teve outra alternativa se não a de abandonar os seus postos.
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