A República conservadora (1922-1926) -
25/11/2007, 19h20
A 27 de Novembro de 1921 (um mês depois da Noite Sangrenta) saiu um programa político subscrito pelos partidos Democrático e Liberal - que exigia o saneamento das finanças e propunha o entendimento entre os capitalistas e os trabalhadores - numa frente contra o radicalismo que levara aos terríveis acontecimentos de Outubro. Em 16 de Dezembro de 1921, António José de Almeida, presidente da República, entrega o governo a Cunha Leal, que inicia uma acção de imposição da ordem na rua. Para isso reforça as tropas da guarnição de Lisboa, para equilibrar os excessivos poderes da Guarda Republicana. A 6 de Fevereiro de 1922, Cunha Leal é substituído por António Maria da Silva, mas o seu governo continua a mesma política e, em Março, a Guarda Republicana é desarmada e reduzidos os seus efectivos. O câmbio do escudo é defendido e liberalizado o preço do pão. Quando lhe sucede Álvaro de Castro, em 1924, estava o terreno político preparado para reformas que pusessem termo à inflação e restaurassem a autoridade. Mas os desacordos partidários e as tentativas golpistas continuavam.
Em Abril de 1925, um movimento militar chefiado pelo general Sinel de Cordes e o comandante Filomeno da Câmara tentou tomar o poder, seguindo o exemplo da ditadura militar de Primo de Rivera, em Espanha. O golpe fracassou, Sinel de Cordes foi preso e 160 oficiais das forças armadas acusados de crime de rebelião.
Em Dezembro de 1925, o Parlamento elegeu Bernardino Machado como presidente da República. António Maria da Silva, chefe do governo, tinha a oposição unida contra si e o escândalo das notas falsas do Banco de Angola e Metrópole serviu também para acusar o governo. Apesar de, segundo o próprio António Maria da Silva, o seu governo ter «saneado as finanças, combatido o bolchevismo e desarmado os arruaceiros», o ambiente era propício ao golpe de estado militar que, em 18 de Maio de 1926, derrubou o seu governo e pôs fim à I República.