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Os fenómenos migratórios -
25/11/2007, 21h04
Em Portugal, os fenómenos migratórios têm sido uma constante desde há muito séculos. Na segunda metade do século XX, houve uma alteração substancial quanto ao destino dos que partiam. Se antes o Brasil e as Áfricas eram destinos privilegiados, na década de 60 foi a Europa, e mais concretamente a França, que acolheu centenas de milhares de portugueses fugidos da guerra, da pobreza e do interior.
A grande alteração após o 25 de Abril deu-se a dois níveis: por um lado, quanto aos montantes das saídas, que não têm qualquer tipo de comparação com os volumes registados nas décadas anteriores; por outro, quanto ao destino escolhido. De registar que, de um país de onde se sai, Portugal transformou-se num país para onde se entra, sendo nomeadamente destino de populações provenientes dos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).
Na década de 60, estima-se que as saídas de portugueses rondassem os 126 000 indivíduos por ano. Sem a espectacularidade destes números, os portugueses continuaram a sair, embora o destino escolhido se alterasse em relação ao período citado. Para o período compreendido entre 1981-85, a média anual de saída foi de 10 000 pessoas. Agora, o destino era preferencialmente extra-europeu: Estados Unidos, Venezuela, Canadá e Austrália.
Ao abrandamento dos ritmos de saída, contrapôs-se um forte movimento de entrada de portugueses, quer provenientes das ex-colónias, quer de países estrangeiros. Além das entradas dos nacionais, devemos acrescentar as que se referem a indivíduos provenientes dos PALOP, movimento que se acentuou na década de 80. A maior colónia de imigrantes em Portugal é originária das ex-colónias, nomeadamente de Cabo Verde. Este fenómeno acentuou-se nos anos a seguir ao 25 de Abril. Na sua maioria, esta comunidade é constituída por mão-de-obra não qualificada que encontrou colocação no grande ciclo de obras públicas que o país atravessa. Vivendo muitas vezes em situação precária, estas populações fixaram-se essencialmente nas regiões de Lisboa e Setúbal.
Quanto aos retornados, em pouco mais de um ano (1974-75) entraram em Portugal mais de meio milhão de pessoas, provenientes das ex-colónias. Depois dos dramas iniciais, a integração progressiva foi feita com a ajuda do Estado, mas sobretudo pelo espírito empreendedor dos que regressaram. As consequências deste regresso massivo foram enormes: foi reposto o equilíbrio na balança demográfica e rejuvenesceu a população em geral. Fixando-se predominantemente nas regiões litorais, os retornados contribuíram para a dinâmica do tecido empresarial, pois fundaram muitas empresas de pequena ou média dimensão.
Ao mesmo tempo a que se assistia ao regresso dos portugueses provenientes de África, outro movimento importante foi o do regresso dos emigrantes, principalmente originários dos países europeus. Calcula-se que, entre 1976 e 1980, tenham regressado cerca de 126 000 pessoas. Estas fixaram-se sobretudo nas zonas de onde partiram. Muitas famílias regressaram com filhos menores e em plena vida activa. Privilegiaram sectores de actividade ligados à construção civil, comércio e restaurantes. As mulheres, que durante o tempo da emigração eram profissionalmente activas, regra geral não continuaram a actividade após o seu regresso, optando pela situação de domésticas.
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