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Le virtuel m'habite...
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O golpe de estado de 25 de Abril de 1974 -
25/11/2007, 21h01
Na noite de 24 de Abril de 1974, às 22h55m, o locutor de serviço nos Emissores Associados de Lisboa pôs no ar a canção de Paulo de Carvalho E depois do Adeus; às 0h55m da madrugada do dia 25, o locutor da Rádio Renascença passava Grândola, Vila Morena, de José Afonso. Estavam dadas as senhas para desencadear o golpe que iria pôr fim ao Estado Novo. Em várias regiões do país pôs-se em marcha a operação militar «Fim-Regime». Rádio, televisão, Banco de Portugal, Marconi, Aeroporto, Terreiro do Paço e outros pontos estratégicos foram sendo sucessivamente ocupados pelos militares revoltosos. O Rádio Clube Português, transformado em posto de comando do MFA, foi dando ao país as notícias do desenrolar dos acontecimentos. Apesar dos apelos transmitidos pelo posto de comando do MFA para que a população de Lisboa se mantivesse em casa, a realidade foi muito diferente. A notícia do refúgio de Marcello Caetano e de outros dignatários no quartel do Carmo fez convergir para essa zona da cidade centenas de populares. Na realidade, o apoio popular aos militares revoltosos revelou-se fundamental, quer em termos práticos, quer em termos psicológicos: os populares prestaram-lhes informações logísticas importantes, distribuíram-lhes comida e, sobretudo, contribuíram para dar ao golpe militar uma força indiscutível face às forças governamentais.
Até ao momento em que, na tarde do dia 25 de Abril, a pedido de Marcello Caetano, o general Spínola se dirigiu ao quartel do Carmo para a transmissão de poder, para que o «poder não caísse na rua», conforme receava o chefe do governo deposto, o dia tinha decorrido sem incidentes de maior. Não tinha havido violência, as forças apoiantes do governo tinham sido neutralizadas e, à excepção da PIDE-DGS, que esboçou alguma resistência, a passagem do testemunho fez-se sem grandes sobressaltos entre cravos vermelhos e vivas aos militares. Uma das primeiras medidas tomadas foi a libertação dos presos políticos do salazarismo, entre os quais se encontravam várias personalidades de destaque no combate ao Estado Novo. Iniciava-se assim um novo período da história portuguesa; a revolução rumo à democracia que teve o seu ponto alto na mobilização popular, em praticamente todo o país, verificada no 1.º de Maio de 1974.
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