Depois do 25 de Abril de 1974, a sociedade portuguesa conheceu grandes mudanças que contrastaram com o grande imobilismo social das décadas precedentes: paralelamente os vários sectores de actividade adquiriram nova dinâmica (maior taxa de mulheres no terciário, envelhecimento da população no primário, por exemplo), a relação população activa/reformada sofreu uma profunda alteração. Há um significativo aumento do nível de vida (Portugal tem vindo a subir na tabela de índices de desenvolvimento), equipamentos individuais (electrodomésticos e novos meios de comunicação) e colectivos (hospitais, escolas, centros de saúde, esgotos, rede pública de abastecimento de água, etc.). No entanto e apesar das significativas melhorias, Portugal tem ainda um longo caminho a percorrer por forma a esbater as assimetrias e desigualdades existentes ou entretanto criadas.
Mas as alterações socioprofissionais não se traduziram apenas pela chegada maciça das mulheres ao mundo do trabalho, em sectores até aí ocupados exclusivamente por homens, mas também em novos factores de mobilidade e ascensão social como o alargamento da frequência nos diversos níveis de escolaridade e os desafios da competitividade europeia e internacional.