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Gravuras rupestres do Côa - património mundial -
25/11/2007, 20h51
Em Dezembro de 1998, a UNESCO consagrou, como património mundial, as gravuras rupestres do Côa, datadas do paleolítico superior (38 000 a 9000 anos a.C.). A salvaguarda das gravuras foi decidida em Janeiro de 1996, quando o governo português desistiu da construção de uma barragem da EDP, já iniciada com o projecto de aproveitamento hidroeléctrico de Foz Côa, em 1991. Este processo foi bastante polémico na sociedade portuguesa, porque obrigou a «pesar» interesses de desenvolvimento económico e desenvolvimento cultural, através da preservação do património. Mas a decisão portuguesa de optar pela preservação do património também contempla o desenvolvimento económico da região, pela criação do Parque Arqueológico do Vale do Côa, onde já é possível visitar três núcleos (Penacova, ribeira de Piscos e Canada do Inferno), esperando-se que, através do turismo e da oferta cultural, a região se sinta valorizada.
A classificação e a forma de protecção das gravuras, que se estendem por um vasto espaço, no que se considera o maior complexo mundial ao ar livre, também não esteve isenta de polémica entre a comunidade científica.
Na sequência da «audição pública» sobre o relatório do estudo de impacte ambiental, começam as negociações entre a EDP, que reconhece «ser sua obrigação preservar a memória dos vestígios arqueológicos situados na área a submergir» e o Instituto Português do Património Cultural (IPPC), entretanto extinto e substituído pelo IPPAR, Instituto Português do Património Arqueológico. Apesar de algumas posições claras de arqueólogos portugueses (Nelson Rebonda e Mila Simões de Abreu) na defesa das gravuras que afirmam datar do paleolítico, perante a indecisão do destino a dar-lhe, a EDP começa as obras em Outubro de 1994, com o estudo ainda em curso. O caso passa para as revistas internacionais da especialidade e até para os jornais de maior divulgação, sendo denunciado como um escandaloso atentado ao património mundial. E os arqueólogos levam mesmo o assunto ao parlamento.
Constitui-se então, no IPPAR, uma equipa interdisciplinar, dirigida por Jean Clottes, presidente do Comité de Arte Rupestre da UNESCO, que admitirá tratar-se da «maior estação paleolítica ao ar livre da Europa, senão do mundo». Apesar disso, a solução de submergir as gravuras continua de pé e só em Janeiro de 1995 o IPPAR pede a suspensão das obras da barragem, o que não é de imediato conseguido. Gera-se um movimento cívico de apoio «às gravuras que não sabem nadar» com a criação de associações de defesa das gravuras e manifestações estudantis, mas é preciso esperar pelas legislativas de Outubro de 1995 e pela vitória socialista para que, em Dezembro de 1995, o projecto da construção da barragem seja finalmente suspenso e a «batalha do Côa» pela preservação das gravuras esteja finalmente ganha.
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