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As consequências da descolonização -
25/11/2007, 20h44
O balanço do processo de descolonização, chamado «exemplar» pelo MFA e partidos de esquerda, mas muito criticado pelas forças mais conservadoras e pelos portugueses que regressaram das ex-colónias, é extremamente complexo. No final de 1975, a descolonização portuguesa saldava-se pelo aparecimento de cinco novas repúblicas independentes: Guiné-Bissau, Cabo Verde, S.Tomé e Príncipe, Moçambique e Angola.
O fim das hostilidades e a independência das ex-colónias africanas, provocaram o regresso ao continente de milhares de militares. Em 1973, os efectivos militares na Guiné rondavam os 32 000 homens, dos quais 25 000 eram oriundos da metrópole. Conforme previa o acordo estabelecido, estes deveriam regressar na totalidade até Outubro de 1974. De Moçambique chegaram 23 000 homens e, de Angola, mais de 35 000. No total, e no espaço de um ano, regressaram a Portugal, mais de 80 000 militares.
Também na sequência da independência das ex-colónias portuguesas, a maioria da população branca aí residente, se viu na contingência de regressar à metrópole. Calcula-se que, o seu número tenha abrangido cerca de meio milhão. O maior fluxo ocorreu nos anos de 1975 e 1976. Segundo o INE (Instituto Nacional de Estatística), o censo realizado em 1981 contabilizou 505 078 regressos (309 058 de Angola e 164 065 de Moçambique).
Este acréscimo súbito de população não provocou, ao contrário do que se poderia esperar, qualquer surto significativo de migração portuguesa para o estrangeiro. Na maioria dos casos, este refluxo dinamizou diversos sectores de actividade, nomeadamente a criação de pequenas e médias empresas. Os «retornados» instalaram-se nos distritos de Lisboa, Setúbal e no litoral centro, contribuindo para a acentuação dos desequilíbrios da distribuição espacial da população portuguesa. Para facilitar a integração, foram criados organismos oficiais de apoio e assistência, o Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais (IARN), em 1975 e a Comissão Interministerial de Financiamento a Retornados (CIFRE), em Julho de 1976, coordenados pelo Comissariado para os Desalojados, criado em Outubro de 1976.
Em 1973, as trocas comerciais entre Portugal e as ex-colónias representavam apenas 13% do total da balança comercial. Umas das maiores alterações, que a descolonização acarretou para Portugal, consistiu na drástica redução das importações das ex-colónias. Portugal passou então, à situação inversa, ou seja de comprador passou a fornecedor, o que obrigou à concessão de linhas de crédito à exportação. Portugal assinou acordos de cooperação (técnica, científica, cultural e económica) com todos os PALOP e em 1995 foi criada a Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa).
A descolonização portuguesa aliada à mudança do regime, trouxe Portugal de volta ao convívio com as outras nações: o isolamento internacional foi quebrado, estabeleceram-se relações diplomáticas com novos países e o país passou a ser aceite como membro de pleno direito em diversas organizações internacionais. Não menos importante, com o fim do império, Portugal reduziu o seu território à sua dimensão europeia e atlântica: era o reencontro com o seu espaço de há quinhentos anos atrás.
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