A procura da estabilidade governativa
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Par défaut A procura da estabilidade governativa - 25/11/2007, 20h42

Fundada a 5 de Julho de 1979, a AD (coligação entre PSD, CDS e PPM) apresentou-se às eleições intercalares desse ano e obteve a maioria dos votos. Sá Carneiro, então seu líder, foi convidado a formar governo, que esteve em funções de 3 de Janeiro de 1980 a 9 de Janeiro de 1981.
O governo AD mobilizou uma política económica expansionista que incentivou o poder de compra e reduziu a carga fiscal. Simultaneamente, estimulou o investimento privado. Em novas eleições, realizadas a 5 de Outubro de 1980, a AD, que se tinha apresentado ao eleitorado como alternativa à instabilidade, dotada de projecto de mudança baseado na prosperidade económica e eficácia governativa, voltou a merecer a confiança do eleitorado.
Mas o projecto AD, era mais abrangente. No seu horizonte pairava o desejo de alcançar a maioria na Assembleia e eleger um Presidente da República da sua facção política. Nessa perspectiva, aquando das eleições presidenciais, que se realizaram em 7 de Dezembro de 1980, apresentou como candidato próprio, contra Ramalho Eanes, o general Soares Carneiro. Três dias antes dessas eleições, o primeiro-ministro Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa do CDS morriam num acidente aéreo. A morte do primeiro-ministro constituiu uma perda irreparável no campo da política, com ele desaparecia um líder carismático, pólo aglutinador das forças que compunham a AD, que nunca mais voltou a ser a mesma.
Na sequência da morte de Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão, assumiu a direcção do VII Governo Constitucional, cuja duração foi efémera, só governou de 9 de Janeiro a 4 de Setembro de 1981. Dificilmente o novo primeiro-ministro conseguiu congregar a unanimidade no seio da AD. Confrontado com sucessivos problemas de guerrilha política interna, demitiu-se ao fim de oito meses.
O VIII Governo Constitucional manteve-se em funções de 4 de Setembro de 1981 a 9 de Junho de 1983. Inicialmente chefiado por Pinto Balsemão, nos últimos meses, este foi substituído por Victor Crespo. O clima de instabilidade no seio da coligação que apoiava o governo, levou o Presidente da República a dissolver o Parlamento e a convocar eleições legislativas antecipadas, para 25 de Abril de 1983.
As eleições antecipadas realizadas em 25 de Abril de 1983, foram ganhas pelo PS e Mário Soares foi convidado a formar governo, sendo uma vez mais primeiro-ministro, mantendo-se em funções de 9 de Junho de 1983 a 6 de Novembro de 1985. O IX Governo Constitucional ficou conhecido como governo do Bloco Central. Este resultou da coligação PS-PSD, uma vez que o PS não tinha atingido a maioria absoluta.
Foi durante a sua vigência que, a 12 de Junho de 1985, Portugal assinou o tratado de adesão à CEE.
A redução do défice da balança de transacções correntes, fez-se à custa da desaceleração do investimento, o que provocou graves situações em largos sectores da população, como o aumento do desemprego, a pobreza e os salários em atraso. A dívida externa aumentou e em contrapartida, o poder de compra das populações diminuiu. A inflação subiu a valores muito próximos dos 30%.
O desentendimento entre partidos levou o presidente da República a dissolver a Assembleia e a convocar eleições legislativas antecipadas.
Nas eleições antecipadas de 6 de Outubro de 1985, o PSD, foi o partido mais votado embora sem maioria absoluta. Foi então formado o X Governo Constitucional. Em Maio desse mesmo ano, no Congresso do partido, realizado na Figueira da Foz, Cavaco Silva foi o líder eleito. Assim, Cavaco Silva, foi chamado a chefiar o executivo de 6 de Novembro de 1985 a 17 de Agosto de 1987. Favorecido por uma conjuntura económica favorável, o X Governo Constitucional foi vítima duma moção de confiança por parte do PRD, o que provocou a sua queda e a marcação de eleições antecipadas. Estas, realizadas a 31 de Outubro de 1987, voltaram a dar a vitória, agora absoluta, ao PSD. Cavaco Silva manteve a liderança do governo de17 de Agosto de 1987 a 31 de Outubro de 1991. Esta foi a primeira vez que uma legislatura (4 anos) foi cumprida na íntegra.
Durante esse período, Portugal assistiu a um crescimento da economia europeia, ao afluxo de montantes dos fundos comunitários, à privatização das empresas nacionalizadas e a consequente entrada de receitas que reduziram a dívida pública, e ao lançamento de infra-estruturas, nomeadamente o arranque de grandes obras públicas. Em 1987, entrou em vigor o Acto Único Europeu, que previa a constituição de um mercado único para todos os países membros da Comunidade Europeia, que entraria em vigor no dia 1 de Janeiro de 1993. Sem fronteiras internas, no seu seio, estaria assegurada a livre circulação de bens, pessoas, serviços e capitais.
Concluída esta legislatura, foram marcadas novas eleições legislativas para 6 de Outubro de 1991 e o PSD voltou a ganhar com maioria absoluta. Novamente Cavaco Silva, foi chamado a assumir a liderança do executivo, que vigorou de 31 de Outubro de 1991 a 28 de Outubro de 1995. Este período ficou marcado, pela assinatura, por todos os membros da CE, do tratado de Maastricht, que visava o aprofundamento da união económica e política da Comunidade Europeia. Com a entrada em vigor do tratado, a Comunidade Europeia passou a denominar-se União Europeia. O cenário europeu era agora de recessão económica. Em Portugal, a situação tendia para o agravamento das tensões sociais. O desemprego e o mal estar social, aumentaram. António Guterres foi indigitado primeiro-ministro a 28 de Outubro de 1995 e, apesar de chefiar um governo minoritário, consegue cumprir a legislatura de 4 anos. Em 10 de Outubro de 1999, o PS consegue um novo triunfo nas eleições legislativas, com 115 deputados na Assembleia da República, a um da maioria absoluta. Registando-se um empate no número de deputados entre o PS e a oposição que, no seu conjunto, fica igualmente com 115 representantes. Em Dezembro de 2001, Guterres pediu a demissão do cargo de primeiro-ministro, na sequência da derrota do PS nas eleições autárquicas realizadas nesse mês. Tornou igualmente pública a sua intenção de não se recandidatar a primeiro-ministro nas eleições antecipadas de Março de 2002, demitindo-se de secretário-geral do Partido Socialista.


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