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A música portuguesa, do 25 de Abril aos nossos dias -
25/11/2007, 20h41
A música não sofre grande revolução com o 25 de Abril: as temporadas de ópera, bailado e concertos continuam, espectáculos de canção popular e canto livre realizam-se agora sem receio da censura, a Banda da Força Aérea toca no Jardim da Estrela. Após anos de bloqueio à criatividade dos artistas, manipulados pelo autoritarismo do regime político, sobreveio a inovação temática, facultada pela nova realidade sociopolítica em prol da liberdade e democracia, donde a música de intervenção, surgida ainda durante o salazarismo, foi responsável pela consolidação das carreiras de José Afonso, Sérgio Godinho, José Mário Branco, Fausto, Paulo de Carvalho, Carlos Mendes, Carlos do Carmo, entre outros, cujas carreiras já remontavam a anos anteriores.
Com os anos 80 surgiam os primeiros canais estrangeiros, inteiramente dedicados à música (MTV), e com eles a novidade do video-clip. Sob a sua influência nasceram as primeiras propostas musicais, dirigidas a um público mais jovem e grande consumidor de rock/pop. Em Portugal, e num esforço de renovação, depois de uma primeira geração de rock português representada por Rui Veloso, Xutos e Pontapés, Salada de Frutas, Táxi, UHF, GNR e Heróis do Mar, surgiram bandas de música alternativa, que seguiam de perto as tendências da pop britânica, entre as quais se salientam os Rádio Macau, Mler Ife Dada, Mão Morta, Pop d'ell Arte, Delfins, Sétima Legião e, mais recentemente, os Silence 4.
Numa área mais ligada aos valores tradicionais, firmaram-se os Trovante, Madredeus, Vitorino, Janita Salomé e, já no final dos anos 80, Mafalda Veiga e Né Ladeiras. Esta década ficou ainda marcada pela ascensão de Marco Paulo ao estatuto de campeão nacional de vendas.
É ainda digno de menção o guitarrista Carlos Paredes, cujo trabalho de instrumentista e compositor, na guitarra portuguesa, atingiu o reconhecimento nacional e internacional.
Na década de 90, o país tem vindo a assistir, no panorama musical, à instalação do fenómeno designado comummente por «música pimba», decalque do modelo internacional, atípico e básico, em termos formais. Os seus representantes conquistaram os mercados de música ligeira, impondo às audiências êxitos sucessivos.
Paralelamente, têm-se mantido correntes alternativas influenciadas pelos movimentos musicais anglo-saxónicos de tendência radical como o grunge, rap, hip-hop, acid-jazz, black metal, géneros representados por Blind Zero, General D, Black Company, Da Weasel, Pedro Abrunhosa, Três Tristes Tigres, Flood, Braindead, Moonspell e Gift.
Relativamente à música clássica recente, em Portugal, são de destacar, pelo esforço da ousada actualização melódica, compositores como Maria de Lurdes Martins (1926-), Constança Capdville (1932-1992), Filipe Pires (1934-), Álvaro Cassuto (1938-), Jorge Peixinho (1940-1995) e Emanuel Nunes (1941-), e intérpretes como os maestros Francisco Lacerda e Pedro de Freitas Branco, os pianistas José Viana da Mota, Sequeira Costa, Maria João Pires, Adriano Jordão e Pedro Burmester; a violoncelista Guilhermina Suggia, a violetista Anabela Chaves, os violinistas Olga Pratts e Gerardo Ribeiro.
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"La seule chose promise à l'échec est celle que l'on ne tente pas"
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