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A literatura do pós-25 de Abril -
25/11/2007, 20h40
Com o 25 de Abril de 1974 há uma primeira euforia na procura de livros que a censura tinha apreendido e uma grande necessidade de aprender, pondo de lado a literatura de ficção. Em 1975, compraram-se mais de sete milhões de livros do que em 74, sobretudo de temas políticos e de Ciências Sociais.
Mas, em 1976, as escolhas literárias já são outras, reduzem-se as vendas, mas nomes como Jorge de Sena, Eugénio de Andrade, Maria Velho da Costa, José Gomes Ferreira e Ruy Belo, Manuel de Lucena, Vasco Pulido Valente e Manyel Villaverde Cabral marcam presença na literatura e no ensaio. Aparecem nomes novos na ficção e poesia.
Em 1984, Eduardo Lourenço faz o balanço dos 10 anos da revolução a propósito da literatura: «novelas dos mundos imperial, emigrante e de libertação» ou invenção de «outra maneira de nós mesmos» são temas que têm agora êxito editorial com Lídia Jorge, António Lobo Antunes, Mário Cláudio e José Saramago. Na poesia, Sophia de Mello Breyner, David Mourão Ferreira, Miguel Torga, António Ramos Rosa e, mais recentemente, Al Berto, Vasco Graça Moura, Nuno Júdice e João Miguel Fernandes Jorge são nomes em destaque. Pedro Paixão, Clara Pinto Correia e Miguel Esteves Cardoso são autores com leitores fiéis.
Os anos 80 e 90 foram anos de consagração para muitos escritores, mas o maior galardão foi o Prémio Nobel atribuído pela primeira vez a um escritor de língua portuguesa, José Saramago. A 8 de Outubro de 1998, José Saramago era nomeado, pela Academia Sueca, Prémio Nobel da Literatura. A atribuição projectou de imediato o nome do escritor, da literatura portuguesa e de Portugal para as primeiras páginas da imprensa mundial. Pela primeira vez, a língua portuguesa viu consagrado um seu escritor e a sua vasta obra e, por consequência, todos os escritores que escrevem em português.
Algumas revistas e jornais têm vindo a desempenhar um importante papel na dinamização da vida literária e cultural do país. Em 1980, foi dada à estampa a Nova Renascença, uma publicação que privilegiou a reflexão sobre temas actuais e o significado de Portugal no mundo; a ela estiveram ligados nomes como os de José Augusto Seabra e Agostinho da Silva, entre outros. Importante foi também a divulgação da Colóquio/Letras, da Fundação Calouste Gulbenkian.
Na sequência do Jornal de Letras e Artes, em 1981 começou a ser publicado o Jornal de Letras, artes e ideias, este mais abrangente que o anterior. Em 1987, surgiu a revista Ler, de divulgação literária. Diversas publicações literárias são marcantes como, por exemplo, Tabacaria, ligado à casa Fernando Pessoa, a Phala, Hífen ou Limiar.
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