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A investigação científica -
25/11/2007, 20h39
Se quem faz a ciência são os doutorados, a diferença entre o antes e o depois de 1974 é muito significativa: até 1970 e desde 1910 foram apenas 401 os doutorados no país e no estrangeiro, de 1970 a 1974 realizaram-se 140 doutoramentos nacionais e 195 doutoramentos no estrangeiro e, em 1994, havia cerca de 4300 doutorados. Parte deste potencial científico português tem privilegiado, na sua formação internacional, o Reino Unido para as Ciências Exactas e Naturais e Ciências da Saúde e Engenharia, a França, a Bélgica e os Estados Unidos, em Ciências Sociais.
No que respeita à produção científica nacional, avaliada por publicações, muitas em colaboração internacional, o seu número passa de 267 em 1980 para 877 em 1991, o que estará de certo modo ligado também à nossa entrada na CEE, em 1986. A Física, as Ciências da Terra e do Espaço e a Química lideram, na década de 90, a internacionalização da ciência portuguesa.
Um exemplo da presença portuguesa em projectos científicos internacionais foi o lançamento de um satélite, a 27 de Setembro de 1993, o PoSat I, colocado a bordo do foguetão Ariane 4, e acompanhado pelo Spot 3, de origem francesa, e por mais cinco satélites de outros países. Apesar da digna presença portuguesa no espaço (neste caso, com a liderança do Professor Carvalho Rodrigues, o «pai do satélite português»), só a nível militar tem mostrado a sua utilidade, principalmente nas operações integradas na missão da ONU em Angola, aquando da crise do Zaire e na intervenção na Guiné-Bissau, onde este foi, na maioria das vezes, o único meio de comunicação disponível. A sua utilidade foi ainda mais longe quando, por ocasião da erupção do vulcão da ilha do Fogo, detectou que as detonações vulcânicas podem ser previstas por observação remota, informação que a NASA aprovou e a que deu continuidade, através de um sistema de vigia.
O ano de 1994 ficou marcado pela publicação do livro O Erro de Descartes, da autoria de António Damásio e sua mulher, Hanna Damásio, ambos investigadores nos EUA. Com base num estudo de um caso real, António Damásio refuta o primado da razão, defendido por Descartes e sintetizado no «penso, logo existo» cartesiano, trazendo as emoções para o centro da questão. De parceria com sua mulher, o autor tornou-se num dos cientistas portugueses mais conhecidos a nível internacional pelas suas investigações na área das neurociências.
Em Junho de 1995, o astrónomo português Pedro Augusto, de parceria com o britânico Peter Wilkinson, descobriu uma lente gravitacional que, designada por 2114+022 (as coordenadas do objecto), foi apresentada ao Instituto do Telescópio Espacial, por forma a complementar o Telescópio Espacial Hubble (HST), onde figuram os nomes de mais de uma dezena de investigadores, apresentando-se o nome de Pedro Augusto entre os três primeiros.
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