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A Expo'98 -
25/11/2007, 20h39
Em 1989, António Mega Ferreira e Vasco Graça Moura, então presidente da Comissão dos Descobrimentos, apresentam o projecto de fazer uma grande exposição em Lisboa, subordinada ao tema «Os Oceanos», no âmbito das comemorações dos 500 anos da viagem de Vasco da Gama à Índia. Entretanto, na UNESCO, e posteriormente na Assembleia Geral das Nações Unidas, Mário Ruivo conseguiu que o ano de 1998 fosse designado como Ano Internacional dos Oceanos. Em Junho de 1992 foi aprovada a proposta portuguesa pelo Bureau Internacional das Exposições Mundiais.
A escolha do local recaiu sobre a zona mais degradada de Lisboa, então ocupada por uma lixeira, um depósito de sucata militar, um matadouro e uma refinaria poluente e obsoleta. Foi assim que, numa frente ribeirinha de quase cinco quilómetros, espraiada desde o antigo parque de contentores da Matinha até à margem esquerda do Trancão, já no concelho de Loures, Lisboa fez as pazes com o Tejo.
Durante três anos, a zona entre a estação de Santa Apolónia e Sacavém transformou-se num imenso estaleiro, transformando as deslocações diárias da população lisboeta num autêntico inferno. Muitos duvidaram do sucesso do desafio, mas tudo estava a postos no tempo previsto e o ensaio geral realizou-se em 9 de Maio 1998.
O programa de lançamento da Expo'98 passou por uma série de acontecimentos culturais que, desde 1994, foram antecipando e preparando o evento, não só pelas edições de obras de grande qualidade que promoveu, alusivas ao tema central da Exposição, os Oceanos, como por outros acontecimentos que patrocinou.
Em Maio de 1994, no Porto, foi inaugurada, no Museu Soares dos Reis, uma retrospectiva do tema da exposição internacional de 1865, para a qual fora construído o primitivo Palácio de Cristal. Em Setembro desse ano realizava-se a Festa das Marés, numa das zonas já despoluídas do futuro recinto, em Lisboa. No Verão de 1995, em Belém, outra grande festa, a das 1001 Noites, para assinalar os 1001 dias que faltavam para a inauguração. Em 1996, sob o tema das campanhas oceanográficas levadas a cabo pelo Rei D. Carlos, outra nova exposição surgia, na Faculdade de Ciências de Lisboa, onde milhares de pessoas puderam visitar uma réplica do iate «Amélia». E já em 1998, a três meses da inauguração oficial, arrancava o Festival dos Cem Dias. Lisboa encheu-se de música, teatro e espectáculos diversos, com a realização diária e simultânea de concertos numa dúzia de palcos. O Festival de Mergulho no Futuro, trouxe a Lisboa o que de mais avançado havia no campo do espectáculo. Enquanto isso, no Vídeoestádio/Praça Sony, muitos foram os artistas que atraíram o grande público.
No Centro Cultural de Belém, foram realizadas três exposições que mereceram longa atenção e participação: «Viagem ao Século XX», os «Cem Livros do Século» e uma exposição de fotografia intitulada «Prova d'Água».
A 29 de Março de 1998, pouco antes da abertura da Expo'98, foi inaugurada a Ponte Vasco da Gama, ligando Sacavém ao Montijo. É a mais extensa da Europa: de Sacavém ao Montijo são 17,2 quilómetros. No viaduto sul, à saída da margem esquerda, são oito os metros que separam o tabuleiro do rio, e a sensação que fica é a de que se viaja sobre um tapete estendido sobre a água. Para a iluminar, a Ponte Vasco da Gama, conta com a participação de 1200 candeeiros, que, inclinados para o seu interior, dão à ponte uma configuração de grande veleiro.
A 22 de Maio, a Expo'98 abria as portas ao público e mostrava aos seus visitantes a renovada beira-Tejo, num espaço amplo, bem planeado, com espaços públicos e infra-estruturas funcionais e muito agradáveis. A harmonia geral do conjunto e o tratamento dos espaços exteriores ficou a dever-se a um arquitecto português, Manuel Salgado.
A nível arquitectónico, a Expo'98 mostrou ser uma revelação: o Pavilhão de Portugal, concebido por Siza Vieira; o Oceanário, da autoria do norte-americano Peter Chermayeff; os pavilhões do Conhecimento dos Mares e o da Utopia, com a sua forma, misto caranguejo gigante e nave espacial, concebidos pelos arquitectos portugueses Carrilho da Graça e por Regino Cruz, de parceria com o gabinete norte-americano Skidmore, Owings e Merril, respectivamente. Todo este vasto conjunto arquitectónico partilhou o espaço com os pavilhões internacionais, estrategicamente colocados.
O Pavilhão de Portugal foi obra da arte e engenho do arquitecto Siza Vieira. Concebido como «uma forma inconfundível e solta da envolvente, como que duma tenda, um vasto coberto - lâmina em betão leve e espectacular», a pala que figura a tenda e alberga a praça Cerimonial ficou como uma imagem de marca da Expo'98. Quanto ao edifício, propriamente dito, apresenta uma dupla arquitectónica, elegantemente distribuída por dois edifícios justapostos, a saber: o pórtico duplo que apoia o coberto deixa transparecer uma leveza, derivada dos tirantes de aço que o suportam, e a volumetria do pátio central, servido por uma arcada que subtilmente o aproxima da água e propõe ao visitante a fruição da zona ribeirinha.
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"La seule chose promise à l'échec est celle que l'on ne tente pas"
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