A evolução social após o 25 de Abril
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Par défaut A evolução social após o 25 de Abril - 25/11/2007, 20h38

As tendências demográficas nos últimos 25 anos, apontam para um crescimento rápido logo a seguir ao 25 de Abril, para nos anos 80 e 90 estagnar o crescimento e o modelo ser o do envelhecimento, sendo visíveis profundas mudanças na sociedade a nível de valores, representações sociais e distribuição interna. A mobilidade social ascendente, que marca este período, passa pela transferência intersectorial de actividades e pela muito rápida progressão da participação feminina na actividade profissional, acompanhada claro das exigências de qualificação, da democratização do ensino e aumento das percentagens de níveis de escolaridade médias e superiores.
Em 1960, a taxa de analfabetismo rondava os 30%. Em 1991, este número desceu, para cerca dos 11%, recaindo essencialmente sobre a população adulta. O ensino básico abrangia 32,8% da população e em 1991, 64%; frequentava o ensino secundário, em 1960, 4,6% da população escolar e em 1991, 21%; para o ensino médio e superior a relação é de 0,8% em 1960, para 8% em 1991.
Até ao 25 de Abril de 1974, era o Estado quem tutelava os sindicatos. Com a revolução conquistou-se a liberdade sindical, foram criados novos sindicatos, o direito à greve regulamentado mas por curto período a unicidade sindical foi imposta. No entanto, em Setembro de 1976, esta última foi revogada por ser considerada inconstitucional.
Em 1977, Portugal ratificou a Convenção da OIT (Organização Internacional do Trabalho), onde se inscrevia a liberdade e protecção sindical. À Intersindical (fundada antes do 25 de Abril, de tendência comunista) juntou-se, em 1978, uma nova central sindical, a UGT (União Geral de Trabalhadores), de influência socialista e social-democrata.
O patronato associou-se também para defender os seus interesses: a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP), associação dos patrões da indústria; a Confederação da Agricultura Portuguesa (CAP) e a Confederação do Comércio Português (CCP), todas elas fundadas depois de 1974.
Ultrapassada a agitação laboral, que caracterizou os primeiros anos pós revolução, em 1984 procedeu-se à criação do Conselho Permanente de Concertação Social, que tem função consultiva junto do Governo, para o estabelecimento de regras (salários, carreiras, formação, horários, etc) que regulem as relações entre trabalho e capital.
Pelo menos até aos anos sessenta, a distribuição de papéis era bastante compartimentada, particularmente no que se refere ao agregado familiar. Assim, enquanto ao homem competia o sustento da casa, pelo exercício de uma profissão e o direito ao comprazimento de lazeres e amores extra-conjugais, a mulher ficava remetida ao governo do lar e educação dos filhos, a que muitas vezes se acrescia o trabalho fora de casa. Quanto às raparigas, cuja virgindade era a condição base do casamento, passavam da tutela dos pais para a do marido. Fechada e ancestralmente católica, a sociedade portuguesa, regia-se pelo tabu e preconceito. A homossexualidade era considerada um vício, um pecado, ou mesmo um crime, o que conduzia à marginalização de quem se assumisse como tal.
A partir dos anos setenta, Portugal assiste a uma alteração de valores, caracterizada essencialmente pela maior aceitação das diferenças. O mesmo sucedendo relativamente aos papeis do casal, com o homem a participar mais activamente nas tarefas domésticas e na educação dos filhos. As famílias derivadas das uniões de facto, generalizaram-se, o divórcio aumentou e o planeamento familiar tornou-se corrente. A juventude tem um relacionamento mais natural e livre de preconceitos, houve um afrouxamento do controlo familiar e a sexualidade deixou de ser tabu.
No sector da habitação, o pós 25 de Abril ficou caracterizado pelo crescendo de indivíduos detentores de casa própria. Em 1960, calcula-se que apenas 45% das famílias eram proprietárias de domicilio próprio. Em 1991, esse número ascendeu aos 65%. O mesmo se regista relativamente ao número de fogos construídos.
Se forem tidos em conta os indicadores de 1970 a 1992, pode-se concluir que, enquanto em 1970 cerca de 64,2% dos fogos se encontravam ligados à rede pública de electricidade e 47,7%, à rede pública de abastecimento de água, em 1992 esses valores foram inflacionados para 98,7% e 95,7%, respectivamente. A situação é idêntica em relação ao telefone. Em 1973, a média era de 8 telefones para 100 habitantes. Em 1992, a média tinha subido para 30,7.


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