Os anos que decorreram entre 1976 e a entrada de Portugal na CEE foram caracterizados pelas dificuldades económicas herdadas da revolução, às quais se juntou a crise económica internacional. Os primeiros governos constitucionais procuraram conciliar os sectores público e privado.
Foram anos marcados pela política de austeridade, de modo a satisfazer as condições para que o FMI (Fundo Monetário Internacional) concedesse empréstimos consideráveis ao país. Os acordos com essa instituição financeira foram assinados em 1978 e 1983. Outra marca importante destes anos foi a opção decisiva pela Europa e a consequente integração do país na CEE. Numa perspectiva globalizante, este período caracteriza-se pela transição de uma sociedade dita revolucionária para uma sociedade mais estável, embora com focos de tensão política e social ainda marcantes. Fruto da conjuntura externa e interna, em 1976 a situação económica do país era dramática. Este período de instabilidade da economia portuguesa, no que toca a factores externos, deveu-se, nomeadamente, ao segundo choque petrolífero, ocorrido em 1979. Nessa altura, o preço do crude duplicou, originando dificuldades económicas por toda a Europa. O desemprego disparou, tornando desnecessários os emigrantes portugueses, a inflação aumentou e o crescimento económico diminuiu. Portugal passou a ter de pagar as ramas do petróleo mais caras, o que trouxe um agravamento da balança de pagamentos.
A descolonização e a chegada de milhares de portugueses, bem como o rescaldo da revolução e dos seus excessos (aumentos de salários incomportáveis para a maioria das empresas, diminuição da produtividade, conflitos laborais, diminuição das exportações), foram situações que criaram um cenário onde o desemprego disparava, o investimento diminuía, o défice na balança de transacções era grande, a inflação subia, o salário real caía e a taxa de poupança decrescia.