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Luna
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Par défaut article interessant - 04/10/2008, 13h26

O meu Olhar

Nova Iorque, Obama, Portugal e Salazar. Tudo visto pêlos olhos de Pedro Abrunhosa.

Nova Iorque é sufocante. E não digo apenas por estarem 40 graus centígrados, que aumentam assim que mergulho nas catacumbas do metro.Não. Nova Iorque é sufocante igualmente dentro do fresco ar condicionado que as lojas colocam no máximo, de portas escancaradas, para que da rua se possa sentir o bafo frio que emana dos balcões onde empregadas-tipo-capa-da-Maxmen sorriem mesmo quando entro só para fingir que vejo etiquetas com preços que, aparentemente,discuto. Ao passar por estas ruas, transbordantes de múltiplas diásporas, não há como deixar para trás o sentimento de que a América está a mudar, que a História se escreveu tantas vezes nestes bairros durante o último século, razão pela qual, fatalmente, será também aqui que, caído o último reduto da inocência, se escreverá a decadência, essa derradeira palavra a que os impérios, inexoravelmente, se destinam. Agora, volvidos quase sete anos sobre o 9-11, a cidade transformou-se num poço de paranóia contida, de sofreguidão esbugalhada no consumo de "coisas", onde todos parecemos pertencerão futuro, uma espécie de Blade Rumer sem carros aéreos mas com câmaras por todo o lado, polícia, videntes, músicos-mendigos, turistas de narizes enfiados em mapas que os despejam em redutos onde todos se encontram, néons, granito, suor easfalto, fumarolas e táxi frenéticos num buzinar louco, um bruáa cavalgante que impede a alma de pensar.Este è o sufoco actual de Nova Iorque. uma cidade que vive no vértice da catástrofe iminente e onde todos somos suspeitos, ainda que gastadores e consumidores, adjectivos mágicos que os impérios veneram. E, no entanto, lê-se, vê-se, sente-se a palavra HOPE, escrita em todo o lado. É o nome omnipresente de um país que, enfim, enfrenta a sua esquizofrenia. Este é o novo nome desta cidade. Lembro-me de visitar Berlim nos anos 80, anos antes da queda do muro, e sentir o mesmo pulsar de mudança, tão próxima estava a cidade do precipício. A mudança viria. O muro caiu. Porque o somatório da vontade dos Homens faz a vontade inexorável da História. Aqui, em HOPE, seria fácil usar a metáfora do muro para falar dos que faltam cair. Porque uns cairão, mas outros, tenazes na sua ruína, lamentavelmente se manterão. Este, porém, é o ano em que o mundo inteiro poderá, pela primeira vez, dizer sem qualquer embaraço: I'm american. Porque HOPE é também nome de homem, preto, carismático, jovem, ousado, corajoso e, sobretudo, impertinente como devem ser os homens. Obama para uns, pesadelo para os que alimentam a paranóia e mudança para todos. Nova Iorque é sufocante mas respira o tempo que virá como em nenhum outro lugardo mundo. Este pais não é para velhos.

Li alguns que pretendem faaer em Portugal um museu ao Sr. António de Oliveira Salazar. Ora aí está uma óptim ideia, consentâne a com o pulsar moderno do meu país. Um homem que nunca foi a eleições e que governou o país durante 42 anos com mão de ferro para com a oposição e, contudo, delicado e sensível, segundo consta, merece um lugar na museologia lusa. Assim, espero que nessa jóia a construir constem os relatos dos que, a bem-da-nação, foram encarcerados, torturados e mortos. Já para não falar de um retraio exaustivo da pobreza extrema a que votou o povo que, segundo dizem, amava: os que viviam por cima dos porcos para se aquecerem no Inverno, os que trabalhavam 16 horas por dia para comerem couves ao jantar, os que nunca foram à escola porque mal as havia fora das cidades, os hospitais que nunca foram construídos, ou as estradas que não existiam, as guerras distantes para as quais mandou a nata da juventude, enfim, um sem-fim de benesses com que o dito brindou a populaça, que amava, segundo rezam, para que se pudesse dizer que não existia divida externa. Ponham aqui os olhos, governantes e economistas de pacotílha, que tanto batalham para encontrar a fórmula mágica que torne possível, sem grande alarido, o equilíbrio da balança de pagamentos. Que melhor museu, afinal, se poderia construir para enaltecera bravura de tal génio do que o pais que nos deixou? Ponhamos bilheteiras nas fronteiras e cobremos entrada. E anuncie-se; este país é para velhos.

MAXMEN SETEMBRO 2008


S'y retrouverons tous ceux pour qui l'amour n'est pas pretexte à imposer
Bruno Sulak

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