Discussion: A Gaita de foles
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A Gaita de foles
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Par défaut A Gaita de foles - 11/09/2008, 21h37

Gaita-de-fole


* Instrumento de sopro
* Aerofone

Extensão
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Oboé, Clarinete
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A gaita-de-fole (também gaita de foles, cornamusa, museta, musette ou simplesmente gaita) é um instrumento da família dos aerofones, composto de pelo menos um tubo melódico (chamado ponteiro ou cantadeira, pelo qual se digita a música) e dum insuflador mediado por uma válvula (chamado soprete ou assoprador), ambos ligados a um reservatório de ar (chamado fole ou bolsa); na maioria dos casos, há pelo menos mais um tubo melódico, pelo qual se emite uma nota pedal constante em harmonia com o tubo melódico (chamado bordão ou ronco). É um instrumento modal, na maioria das vezes jônio (modo de dó), apesar de haver modelos em modos mixolídio (modo de sol) e eólio (modo de lá), para além de possíveis outros.

A cantadeira possui a peculiar configuração de ser construída baseada numa nota (chamada tonal, geralmente soada com todos os furos fechados), e afinada noutra (chamada sensível, geralmente a primeira nota aberta), a qual rege a afinação da nota pedal soada pelo bordão (geralmente uma oitava abaixo da nota sensível da cantadeira). As possíveis afinações variam de gaita para gaita, geralmente em dó, ré, sol, lá, si ou si bemol.

Outra peculiaridade das gaitas-de-fole é por integrarem o restrito grupo de instrumentos de ar os quais tocam continuamente, de forma mecânica, sem necessidade de pausa para o músico respirar.
Índice

História
Breve descrição histórica
O que quer dizer "gaita-de-fole"?
Em Portugal, “Gaita-de-fole“ é o termo popular que designa um instrumento musical, aerofone não soprado directamente pela boca, munido de um fole (reservatório flexível de ar).
Em certas zonas de Portugal também é comummente conhecido por "Gaita". A este respeito é oportuno mencionar que no nosso país convivem duas expressões; "Gaita-de-foles" e "Gaita-de-fole". Esta última é utilizada pelos gaiteiros mais velhos, em quase todo o país. "Gaita-de-foles" é talvez uma expressão urbana recente, mais popularizada nos meios de comunicação. De referir ainda que “Gaita” é também um nome comum para designar indistintamente instrumentos de sopro, sem relação com a gaita-de-fole.
"Gaita-de-fole" ou "Gaita-de-foles" é, pois, o nome dado ao instrumento que ainda hoje é tocado um pouco por todo o país.

Por todo o mundo existem designações semelhantes noutras línguas, como por exemplo, no inglês, o equivalente é "Bagpipe", em francês é designado por "Cornemuse" e em castelhano pode ser designado de "Gaita", "Gaita de fuelle" ou "Cornamusa". Na Suécia, "Säckpipa", na Alemanha "Düdelsack" ou "Sackpfeife", na Bulgária "Gaida", na Argélia, "Zukra" ou "Mezwed", etc.
O instrumento está de tal modo distribuído por um número tão grande de culturas, que a quantidade de nomes e modelos é quase incalculável.

Pouco ou nada se sabe sobre como terá surgido o nome “Gaita” (nome comum a quase todo o espaço ibérico para designar o instrumento). Segundo Joan Corominas, "Gaita" derivaria da palavra germânica "Gaits" (cabra), animal com cuja pele se fazia e faz ainda hoje o fole, parte comum a todas as Gaitas-de-fole do mundo - mas essa é um hipótese incerta e não provada.
Também não se pode pôr de parte a origem árabe ou norte-africana, pois nomes semelhantes surgem noutras áreas geográficas dessa influência, no Médio Oriente e Norte de África: Al-Ghaita (Marrocos); Ghaida (Turquia), mas também na europa oriental: Gajda (Eslovénia); Gajdy (República Checa), etc. Isso talvez se possa dever à influência indirecta do Império Otomano, que entre 1326 D.C. a 1683 D.C. se estendia a quase todo o Médio Oriente, Magreb e Europa Oriental, para a transmissão de instrumentos e práticas musicais em todas essas áreas - e obviamente, dos nomes dos instrumentos.

Mas todas as hipóteses até aqui referidas não estão inteiramente comprovadas e são altamente especulativas.

gaita de foll mirandesa

Gaita-de-fole em Portugal
Principais tipos, contextos sociais e distribuição geográfica aproximada




Em Portugal podemos encontrar pelo menos três tipos principais de gaitas: a Gaita-de-fole da costa oeste, que se convencionou chamar de "Gaita", "Gaita-de-fole" ou no Minho, "Gaita Galega"; a de Trás-os-Montes e Alto Douro, chamada "Gaita-de-fole", "Gaita Transmontana" ou "Gaita Mirandesa" (aqui, as denominações variam, embora se refiram ao mesmo instrumento) e ainda a Gaita-de-fole da Beira Litoral, que possui características ligeiramente diferentes das duas últimas.
Embora todas estas gaitas possam ser chamadas pelo mesmo nome ("Gaita-de-fole"), são instrumentos com diferenças claras entre si, embora pertençam ao mesmo ramo de instrumentos musicais, do ponto de vista organológico.

Trás-os-Montes

Em Trás-os-Montes existe um tipo de gaita, de construção artesanal, semelhante morfologicamente à gaita sanabresa ou alistana, (de Sanabria e Aliste, comarcas espanholas fronteiriças). Possui um ponteiro de furação larga, de digitação aberta, preso no pescoço de um fole de cabrito, com um ronco, maciço, pesado, preso na pata direita e o soprete preso na pata esquerda; a tonalidade oscila entre Si, Si bemol e Lá, dependendo dos artesãos. Possui uma escala que por vezes pode estar afinada numa escala diatónica menor natural, harmónica ou melódica. Segundo Alberto Jambrina Leal (1), é possível encontrar exemplares afinados com uma 3ª neutra e em várias ocasiões, com o 6º e 7º graus neutros com quase 1/4 de tom abaixo - o que ao ouvido humano dá a sensação de escala menor, com uma subtónica em vez de sensível e de 3º e 6º graus baixos.

Gaita-de-fole transmontana da colecção do Museu da Música de Bruxelas (anterior a 1982). Presume-se que será da autoria do artesão Rodrigo Fernandes, de Miranda do Douro; notem-se os entalhes característicos e o fole de cabrito inteiro. Os tubos serão em madeira de enguelgue (foto: cortesia do Museu da Música de Bruxelas).

A legítima gaita-de-fole mirandesa ou transmontana
Minho
A formação mais habitual encontrada é o grupo de Zés-Pereiras: grupos de percussão, de caixas e bombos em grande número, presença habitual das festas populares.
É possível também encontrar formações que incluem três ou mais gaiteiros, muitas vezes acompanhados de clarinete.
Os géneros musicais incluem Chulas, Corridinhos, Viras e também, por exemplo, temas de danças de espadas, como o Baile dos Ferreiros de Penafiel.



Aspecto de uma Gaita-de-fole usada no Minho e Douro Litoral, Litoral Centro, Estremadura e península de Setúbal.

Pelo menos até à década de sessenta ainda existiam nesta região construtores de gaitas de foles que as faziam muito semelhantes aos modelos da vizinha Galiza (gaitas afinadas em Dó, com apenas um ronco, ponteiro e um soprete).
Devido à proximidade da Galiza esta terá sido a região onde desde mais cedo ocorreu a substituição dos foles de pele pelos de borracha (ainda hoje usados em grande número).
Beira Litoral

Algumas gaitas da zona de Coimbra (das aldeias em redor), exibem formatos e torneados peculiares e características únicas, marcadamente coimbrãs, no formato dos instrumentos e nos intervalos entre tons; possuem algo parecido com uma escala quase diatónica maior, com algumas disparidades regionais e os temas tocados revelam um repertório característico da região. É comum encontrar em documentos iconográficos (fotografias e ilustrações) do princípio do século XX, numerosas referências a gaiteiros de Coimbra, com exemplares muito interessantes e ainda hoje se podem encontrar alguns tocadores da região que continuam a tocá-los com grande vitalidade.
Investigações recentes levadas a cabo pela Associação Gaita de Foles vieram revelar instrumentos de grande antiguidade muito bem preservados, o que confirma também as observações que fez a este respeito o etnógrafo Ernesto Veiga de Oliveira, no livro "Instrumentos Musicais Populares Portugueses", sobre a presença de artesãos e músicos locais de gaita-de-fole em Coimbra, já na década de 60.
Estremadura

Os três gaiteiros mais antigos da Estremadura cistagana no arraial da Senhora dos Remédios, em 1989 (António Malaquias, Chico da Atalaia e Joaquim Roque).

Curiosamente, ao contrário do que se pensa habitualmente, a gaita tem uma implantação e tradição muito forte a sul do Tejo e na Estremadura, a norte de Lisboa, contrariando o estereótipo comum de que o instrumento só existiria exclusivamente no norte do país.

A formação mais habitual encontrada na península de Setúbal é o grupo de gaiteiro individual, acompanhado de caixa e bombo. Esta parece ter sido em tempos a formação mais usual também na Estremadura cistagana, contudo já na década de sessenta, o mais comum era encontrar o gaiteiro tocando sozinho, sem acompanhamento das percussões. Outro aspecto que distingue a estremadura cistagana da transtagana, pelo menos a partir da segunda metade do século vinte, é o acompanhamento da gaita, caixa e bombo pelo clarinete.

Os instrumentos que se tem observado nesta região são de fabrico galego, não havendo noticia da existência de construtores garantidamente desde a década de sessenta do século XX. Havia no entanto torneiros que faziam peças por cópia, a pedido de um gaiteiro. Os foles que ainda eram de pele até meados do século XX foram totalmente substituídos pelos de borracha, sendo que recentemente se observa o processo inverso.
A formação mais habitual encontrada é o grupo de gaiteiro individual, acompanhado de caixa e bombo (em toda a costa ocidental e região de Coimbra).


http://trans-montanos-92.skyrock.com/
(merci a missbonita pour le blog)
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